NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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quarta-feira, 30 de junho de 2010

GEOGRAFIA - Contato Transoceânico - Parte 2

T. Michael Smith.
Fonte: AAF Newsletter 64 - AAF 7 de Março de 1996

Tradutor Elson Carlos Ferreira - Curitiba/Brasil - Ago/2004 

Na Parte II desta série Contato Trans-oceânico, continuo minha avaliação das áreas-chave de pesquisa de uma maneira geral, para uma audiência geral. Além dos assuntos dos períodos Paleo-indiano e Arcaico a que nos referimos da última vez, há muitas outras áreas de pesquisa que estão provendo evidências de contato trans-oceânico.
Estas áreas são: tradições nativas americanas, outras fontes históricas, epigrafia, antropologia física, características arqueológicas, artefatos arqueológicos, viagens experimentais, investigação de doenças, reorientações teóricas, e pesquisas botânicas. No próximo estudo nós arranharemos a superfície desta pesquisa abrangente e especializada. Neste artigo eu escolhi focalizar mais em certos aspectos da história social relativos à antiga pesquisa trans-oceânica americana. Esta menção de situações e ambientação indicará que mais pesquisadores têm sido dirigidos, gerações conduzidas, e para alguns não tão sensíveis quanto deveriam ter sido. Entretanto, o presente vigor dos estudos do contato trans-oceânico deve ser visto como uma reação parcial para estas deficiências.

Conquista e Destruição. Quando os espanhóis chegaram na América Latina durante a época da Exploração, eles seguiram uma longa tradição e vieram de barco. Entretanto, diferentemente dos antigos colonizadores dos quais falamos na Parte I, os espanhóis vieram como Conquistadores. Nisto eles foram eficientes e diretos, re-arranjando sistemas políticos, capturando sistemas econômicos, impondo novas crenças e religiões, queimando registros históricos, escravizando a população, etc. Os ingleses e os franceses não foram escravagistas como os espanhóis, mas igualmente devastaram o Norte.

Populações nativas americanas. Os americanos, os quais cresciam principalmente da descendência inglesa, pareceram pouco diferentes dos outros poderes europeus. Conseqüentemente, durante os primeiros 350 anos ou mais (1500 – 1850 +), a superioridade européia sistematicamente destruiu as culturas nativas. Infelizmente, a perspectiva requer que esta conquista seja vista como um horrível processo no qual não somente milhões de nativos morreram, mas também todas as tradições culturais praticamente desapareceram, deixando poucas evidências de que tivessem existido. Isto para não dizer que os nativos americanos já não estivessem no negócio de matar-se e escravizar-se uns aos outros antes da conquista pós-colombiana. Como a maioria dos outros humanos em todo o mundo, os nativos americanos não haviam aprendido a viverem juntos pacificamente.

Os conquistadores acreditavam que seus atos fossem o “destino manifesto” - um tipo de superioridade ética racial e cultural usualmente é inaceitável pelos padrões humanitários atuais, entretanto, o ponto importante para nós é que estes trágicos eventos obscureceram grandemente a história das Américas. A maior parte da história dos nativos americanos foi perdida. Subseqüente estudo da América antiga pelos americanos e europeus foi, por bem ou por mal, naturalmente entrelaçado com a cultura mãe européia e manifestou pequena interação com as culturas nativas. A perspectiva nativa original e avançada foi basicamente perdida. Somente fragmentos sobreviveram, e muitos deles, ou não foram utilizados ou foram mantidos pelos nativos americanos.

Empenho de Cultura e Preservação. Atualmente podemos ficar contentes porque os nativos americanos estão interagindo mais, exercendo maior controle sobre sua herança, escrevendo algumas de suas próprias histórias, e esforçando-se na preservação, integração e interpretação cultural. Esperemos que os vários grupos nativos americanos readquiram seu material cultural dos museus e outras entidades semelhantes espalhados por todo o país e ao redor do mundo, para que eles também passem a preserva-lo como os povos anglos e latinos o fizeram. Talvez alguns leitores possam não entender o contexto dessas observações, mas o afluxo de itens nativos americanos vindos de repositórios de museus sob mandatos judiciais é um dos mais significativos desenvolvimentos na história americana dos últimos anos. Muito pouco tem sido dito a esse respeito.

Histórias Antigas e Evidência de Governos. Após a catastrófica conquista e o repovoamento da América, havia uns poucos indivíduos que procuravam preservar alguns fios remanescentes da história aborígine. Por sucessivas gerações antes do estabelecimento dos nossos modernos sistemas educacionais, antigos pesquisadores, incluindo uns poucos nativos com educação inglesa, registraram porções de cultura nativa em desaparecimento. Como a elite, homens viajados e educados de sua época, os esses pesquisadores “avançados” começaram a notar (geralmente por experiência pessoal) o que reconheceram como similaridades entre o Novo e o Velho Mundo. Ocasionalmente, homens brancos ricos e menos educados que entravam em contato com a fronteira, faziam notas semelhantes, tais como a presença de palavras “Gaelic” entre as tribos selvagens. (Priest 1834:225).

Numa era e cultura na qual explanações bíblicas do povoamento da terra não eram desafiadas, hipóteses bíblicas de difusão eram abundantes; entretanto migrações européias, asiáticas, africanas também eram notificadas, algumas vezes com duras evidências e exame insuficiente das assunções. Não é de surpreender que a pré-história/história tornou-se mais rigorosa desde meados de 1800 até hoje. Esses primeiros estudos foram identificados como sendo de menos valor do que as abordagens mais analíticas e objetivas, refletindo as últimas tendências de pesquisa. Estreitas normas de evidências elevaram a história a um mais alto grau de confiabilidade enquanto tornava-a culturalmente mais rígida e até mesmo uma ciência exclusiva. Uma ciência em desenvolvimento que lutou contra alguns tradicionais conceitos bíblicos, tendeu naturalmente a lutar contra difusão bíblica também.

A ”história” nativa sobrevivente é algo diferente das histórias que estão sendo escritas pelos anglos e latinos. Hoje em dia estas declarações nativas normalmente são chamadas de coisas como mitos e lendas. Mitos e lendas são elementos menos precisos do que as histórias, especialmente quando são orais, e assim é a maioria destes materiais nativos. No entanto, estas declarações gerais a respeito de um povo, ocasionalmente se referem a eventos históricos específicos, tais como a migração asteca para o sul do Vale do México.

Material Cultural e Criteriosas Normas de Evidência. Enquanto os procedimentos de escavação e análise são aprimorados, muitos acadêmicos parecem ter excluído de séria consideração muitos bons artefatos históricos em comparação com os objetos fraudulentos. Isto tem feito grande diferença entre uma evidência trans-oceâica e um bastão de pedra grego que tenha sido encontrado por um escavador profissional em vez de um fazendeiro arando seu campo. De modo semelhante, normalmente excluir todas as moedas do Velho Mundo encontradas por uma pessoa porque um arqueólogo profissional não as vê dentro do contexto, determina um claro padrão e coloca fora de consideração uma quantidade de artefatos, passa por cima de evidências e irrita mais do que umas poucas pessoas por declarar que eles são todos indivíduos que não merecem confiança. Hoje em dia alguns profissionais acadêmicos estão se conscientizando de que a abundância de indicadores trans-oceânicos exige não apenas uma reavaliação da questão do isolamento-difução geral, como também uma reavaliação particular de alguns artefatos anteriormente desconsiderados.

Estreiteza Teórica. Após rigorosos métodos desenvolvidos durante o século XIX, a pré história estreitou sua base teórica. Depois de 1860, começou a ser cada vez mais comum teorizar o povoamento das Américas somente através da teoria evolucionária, a teoria do Estreito de Bering. Reunidas as peças de evidências para a teoria evolucionista, a teoria de Bering/in situ se tornou firmemente entrelaçada com a teoria “avant garde” e, portanto, uma teoria moderna Americana. A abordagem que diz respeito ao Estreito de Bering tornou-se virtualmente a explanação exclusiva quanto às culturas nativas. Felizmente, uma pequena, mas crescente porção de estudiosos atualmente está se conscientizando de que o desenvolvimento de teorias in situi inapropriadamente excluía muitas evidências do contato Velho/Novo Mundo. Os estudantes estão agora mais conscientes das limitações da evidência do típico arqueólogo histórico engajado, enquanto tenta reconstruir porções do passado, então torna-se generalizado em grandes livros de texto. Basicamente, não devemos esquecer que trabalhamos apenas com fios do passado em fragmentos de uma história extensa que agora não pode ser toda recoberta. Não temos registros da maioria dos fatos que aconteceram na pré-história, e poucos estudiosos despendem tempo suficiente dizendo o que nós podemos e o que não podemos saber. Esta apresentação distorcida tende a distorcer a situação de modo que quando alguém aprimora um livro de mapeamento genético para a história da pré-consquista das Américas, é tão fácil ficar impressionado com o que sabemos e ignorar o que não sabemos. A despeito desta situação, deixe-me concluir este assunto anotando que nós ainda podemos nos orgulhar do que tem sido aprendido e temos motivos para nos entusiasmar com os grandes mistérios do passado que ainda temos que revelar.

Hitória Relevante. Tênues fios de história escrita que tinham importantes coisas a dizer a respeito da América pré-histórica – com o típico arqueólogo orientado somente pelo treinamento histórico/evolucionista. Uma leitura de muitos livros pró-contato trans-oceânico apresentará estas fontes. Mas para os estudantes que não estão familiarizados com eles, posso dizer que incluem coisas como a menção de textos de papiros relatando a fuga de egípcios viajando para a Índia e através do Oceano Atlântico, a amplidão da fuga dos cartaginianos, comentários de Julio César a respeito da mais poderosa marinha Celta que ele foi capaz de derrotar, as sagas Celtas e Norse que menciona viagens e as terras do oeste, registros de monges irlandeses que viajaram para terras no oeste, antigos mapas perdidos e uma quantidade de inferências a respeito do relacionamento sub-continente oriente/Índia.

Além destes itens textuais, de tradições orais, uma parte atualmente está para ser impressa, as culturas Novo e do Velho Mundo sugere o contato trans-oceânico. Em si mesma, uma dessas tradições tem pouco peso, mas inserida num mosaico mais amplo que está imergindo de numerosos contatos sobre um longo período de anos envolvendo diferentes culturas, alguns mais intensamente do que outros, essas referências adquirem um significado adicional muitas vezes menos ignorável.

Revisionismo Significativo. Os estudos transoceânicos estão desabrochando. Na Parte III desse estudo nós trataremos de outros aspectos importantes deste movimento revisionista. Entretanto, por hora, lembremos que quando o estudo das Américas afasta-se das considerações de contato trans-oceânico, a chave evolucionista-isolacionista de armação interpretativa tornou-se dominante e tem persistido até o momento presente. De modo significativo, muitas das evidências-chave que estão forçando a modificação daquela armação não tem vindo das ciências sociais, pois estas evidências muitas vezes foram colocadas de lado, mas em vez disso, elas emergem porque as ciências naturais têm trazido evidências que requerem que as outras ciências sejam re-acessadas. Estas mais firmes evidências das ciências naturais de contatos humanos trans-oceânicos em tempos pré-colombianos é uma das forças direcionais significativas do emergente pensamento revisionista na antiga história americana. Deixem-me concluir sugerindo que este reconhecimento do contato trans-oceânico, atualmente ainda pouco conhecido, tem o potencial de alterar a nossa concepção interpretativa da América antiga de um nodo não visto desde o aparecimento da teoria evolucionista. O isolacionismo puro fracassou, a teoria evolucionista é a mais evidenciada, e os importantes assuntos da difusão e da migração devem agora ser discutidos.