NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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quarta-feira, 28 de março de 2012

CIÊNCIA - Antigo Documento Mesoamericano


Douglas K. Christensen

Tradutor: Elson C. Ferreira – Curitiba/Brasil – Março/2011

Todos os profetas de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, desde Joseph Smith, o profeta da Restauração, até o dia atual, expressaram sua aprovação aos membros leigos da Igreja que pesquisam descobertas científicas, fazendo arqueologia e usando todos os métodos científicos aprovados no esforço de apoiar e assegurar a credibilidade do mais correto livro da face da terra, ou seja, do Livro de Mórmon. Entretanto, nenhum desses profetas declarou uma posição oficial da Igreja sobre o assunto.


Joseph Smith sugeriu que procuremos na Mesoamérica; o profeta Howard W. Hunter, presidiu a New World Archaeological Foundation (centralizada na Mesoamérica) antes de ser o president d’A Igreja; mas nenhum profeta já fez qualquer declaração comprometedora a respeito da geografia do Livro de Mórmon.

Desde os primeiros dias d’A Igreja têm existido quatro propostas sérias quanto às terras do Livro de Mórmon:

1 – Nordeste dos Estados Unidos da América
2 – Mesoamérica
3 – Cordilheira do Pacífico (primariamente o Peru e partes do Chile)
4 – Hemisfério Continental Americano.

Joseph Smith era conhecedor de todas estas propostas e antes da sua morte ficou muito interessado num livro publicado por John Lloyd Stephens a respeito das viagens desse autor às terras de Chiapas e Yucatan, na região sul do México. Vários artigos foram publicados a respeito da geografia do Livro de Mórmon no periódico d’A Igreja chamado Times and Seasons (Tempos e Estações) entre 1º de Março de 1842 e 15 de Novembro do mesmo ano.

Nesses artigos, Joseph sugere que procuremos por esta área do mundo e fez algumas propostas quanto a certos locais específicos. Os críticos têm acusado que Joseph estava usando um substituto como editor do Times and Seasons quando publicou esses entusiásticos artigos a respeito das ruínas mexicanas citadas no livro de Stephen. Esse ainda é um tópico em aberto, entretanto, vários estudos tem convincentemente mostrado que o Profeta Joseph estava em Nauvoo ou próximo dessa cidade na época em que os artigos foram escritos. (ver Joseph Smith, John Lloyd Stephens, and the Times and Seasons  www.bmaf.org/node/357)  e  Where Was Joseph Smith between March 1, 1842 and Nov 15, 1842? www.bmaf.org/node/177)

Devido ao fato de que as placas do Livro de Mórmon vieram do monte Cumôra no Estado de Nova York, era natural para os pioneiros d’A Igreja, assumirem que este fosse o próprio monte Ramá/Cumôra onde tanto a cultura jaredita quanto a nefita encontraram seu fim.  Aparentemente, Joseph Smith não desencorajou o uso desse nome, nem ele mesmo, até onde sabemos, chamou Cumôra por esse nome. Em consequência, a maioria dos membros d’A Igreja cresceu aceitando o noroeste dos Estados Unidos como as terras d’O Livro de Mórmon e, por extensão, os ameríndios como descendentes dos lamanitas.
                                      
Pode-se demonstrar que Joseph fez declarações propondo os possíveis locais onde transcorreram os eventos d’O Livro de Mórmon no leste dos Estados Unidos e a primeira missão entre os lamanitas foi fundada lá. Ele também autorizou um artigo no jornal d’A Igreja em 1842 que tratava da origem dos astecas bem como das viagens dos jareditas vindos da Torre de Babel.

Joseph foi influenciado em seu pensamento pelos escritos de Baron Alexander von Humboldt, entre outros, que erroneamente acreditavam que a cultura Asteca foi originada no norte dos Estados Unidos a 42º de latitude norte. (ver An Analysis of Joseph Smith’s Statements Associated with the Origins of the Aztecs in the Country of Aztlan –Uma Análide das Declarações de Joseph Smith Associadas Com As Origens dos Astecas No País de Axtlan, www.bmaf.org/node/378).

Minha pesquisa me convenceu de que, ao contrário às declarações de alguns de que Joseph Smith sabia exatamente onde os eventos do Livro de Mórmon aconteceram e que se alguém não aceitasse isso estaria “desonrando” o profeta; Joseph Smith não tinha idéia de onde O Livro de Mórmon aconteceu, assim como também não tinha ideia de que genuínos paralelismos hebreus, tais como o quiasma e as muitíssimo criticadas frases tais como “e aconteceu que” vinham intactas diretamente do processo de tradução e não foram identificadas como hebraísmos genuínos senão até muito recentemente. Eu considero isso como evidências altamente compeliatórias de que O Livro de Mórmon é um documento antigo genuíno e que a expressão “e aconteceu que”, os quiasmas e outros hebraísmos que também são encontrados nas ruínas mesoamericanas (há muitas, mas duas das minhas preferidas são a tampa do sarcófago do Rei Pacal e a cruz de Palenque) também me fazem crer que ele é um genuíno documento mesoamericano.

A mãe do profeta Joseph Smith relata em sua história pessoal que depois das visitas de Morôni, o jovem Joseph se assentava junto à lareira junto com seus pais e irmãos e descrevia como eram os lamanitas e nefitas.

Obviamente que Joseph os tinha visto em visão e eu acredito que ele também tenha visto alguns dos cenários onde eles viveram, e por isso faz sentido para mim que quando ele viu os detalhados desenhos no livro de Stephens feitos por um excelente artista inglês que acompanhou Stephens, Joseph reconheceu algumas das características do cenário local e possivelmente algumas das estruturas também. Eu acredito que esta foi a razão primária pela qual ele escreveu aqueles entusiásticos artigos a respeito das ruínas mexicanas encontradas por Stephen e as publicou no jornal Times and Seasons.

Eu não desconsidero a existência de outras evidências culturais d’O Livro de Mórmon que foram encontradas em outras partes do continente americano. Lugares tão diversos como o Peru, Panamá, América Central, sudoeste dos Estados Unidos, e o noroeste das Montanhas Rochosas não apenas mostram evidências de terem sido influenciados por povos da Mesoamérica, mas há lendas que são unicamente similares àquelas dos povos d’O Livro de Mórmon. Essas influências podem ser particularmente verdadeiras com respeito aos jareditas (ver The Book of Mormon’s  “Mother Culture” of the New World, www.bmaf.org/node/363 – A “Cultura Mãe do Livro de Mórmon no Novo Mundo).

Evidências de traços culturais jareditas podem ser encontradas desde a antiga Chavin, no Pero, até Adena e Hopewell, na região dos Grandes Lados nos Estados Unidos. Mas os povos d’O Livro de Mórmon viveram numa única e relativamente pequena região e este local foi a Mesoamérica.

Apenas a Mesoamérica tem todas as características geográficas declaradas n’O Livro de Mórmon. Para ver uma lista delas, vá para www.bmaf.org).

Acredito que os mesoamericanistas d’O Livro de Mórmon num esforço de enfatizar a Mesoamérica como a terra dos jareditas, leítas e mulequitas, frequentemente desconsideram e algumas vezes até ridicularizam as evidências culturais do Livro de Mórmon em outros lugares do hemisfério americano apresentadas por outros estudiosos. Nisto eles falham em ver o grande cenário ou são apanhados em suas teorias de que qualquer menção de locais que não na Mesoamérica, são ridículas.

Infelizmente, toda a questão sobre a geografia do Livro de Mórmon têm se tornado dicisiva e emocional, algo que não deveria existir entre os “santos”.

O autor Chris Heimerdinger declarou:

“O verdadeiro debate entre os Santos dos Últimos Dias a respeito dos locais das antigas cidades e eventos do Livro de Mórmon, particularmente o debate em torno do antigo campo de batalha conhecido como Monte Cumôra, algumas vezes parece mais curioso, como um assunto de psicologia humana do que uma matéria de arqueologia. Muitos desses fiéis santos abjetamente confessarão que os assuntos geográficos são de menor consequência comparados com questões maiores sobre a veracidade do livro e então praticamente na próxima sentença se engaja numa zelosa retórica a respeito da convicção pessoal quanto a a se o Monte Cumôra fica em Nova York ou na Mesoamérica.

Este fenômeno poderia ser humorístico se os sentimentos envolvidos não fossem tão passionais e viscerais. O debate algumas vezes é geral, colocando a “velha escola” formada ao longo da vida, culturalmente arraigados contra os mais jovens, ou melhor educados formalmente, que podem se sentir mais confortáveis aplicando um regime científico às proposições já considerados como assuntos de fé.”  (ver American Exceptionalism and Book of Mormon Geography  by Chris Heimerdinger  www.bmaf.org/node/341)

Na cessão de perguntas e respostas depois de uma apresentação numa ala de fala espanhola na cidade do Lago Salgado, uma jovem senhora missionária retornada que serviu no Peru disse que estava surpresa e desapontada com minha apresentação porque ela havia sido criada acreditando que os eventos do Livro de Mórmon aconteceram no Peru. Eu tentei explicar porque eles devem ter-se dado na Mesoamérica por causa de critérios geográficos e culturais, mas  eu me recrimino muitas vezes por não ter mencionado que muitas pessoas migraram para o norte e para o sul antes da Mesoamérica, durante e depois dos tempos dos nefitas.

Indubitavelmente muitos colonizaram o Peru, Chile e  Bolivia; a costa oeste dos Estados Unidos, area e a região dos construtores de morros da área dos Grandes Lagos.

O arqueólogo V. Garth Norman relata que “numa reunião com oficiais d’A Igreja uns poucos anos atrás, foi explicados que os Irmãos não aprovam a identificação da Mesoamérica como a única terra do Livro de Mórmon porque isso aborreceria os santos em outras terras como o Peru e o Chile, que têm sido levados a acreditar que suas terras fazem parte da herança e história do Livro de Mórmon.

Em resumo, enquanto acredito que todos os eventos acontecidos no Novo Mundo e registrados no Livro de Mórmon aconteceram na Mesoamérica, eu não posso acreditar que outras áreas do continente americano possam ser excluídas.

Migrações e comércio entre a Mesoamérica e outras áreas grandemente dispersas é arqueológica e antropologicamente seguro.

Apesar de não estar registrado no Livro de Mórmon, há uma quantidade suficiente de lendas e mitos espalhados por todo o continente que proveem evidências de que Jesus Cristo visitou muitos povos além dos nefitas.