NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

Este blog não é patrocinado nem está ligado oficialmente a qualquer denominação religiosa. Todo conteúdo apresentado aqui representa a opinião e é de total e exclusiva responsabilidade de seus autores, que sempre estão devidamente identificados.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

GEOGRAFIA/HISTÓRIA - Quando Leí Chegou na Terra Prometida, O Que Ele Encontrou?

Richard G. Grant.
© Copyright 1999

Tradutor Elson C. Ferreira – Curitiba/Brasil – Outubro/2010

Introdução

O pressuposto tradicional da maioria dos Santos dos Últimos Dias tem sido que quando Leí e sua família chegaram na Terra Prometida, ela era virtualmente desprovida de habitantes. Os jareditas, que habitavam anteriormente esta terra havia, exceto por Coriântumr, seu último sobrevivente, sido totalmente aniquilados. Desse modo, até a chegada dos mulequitas, os descendentes de Leí tinham os continentes da América do norte e do sul somente para si. No entanto, até mesmo B. H. Roberts reconheceu que esta visão não era nem apoiada pela luz das evidências arqueológicas da antiga América, nem era uma visão ditada pelo texto do Livro de Mórmon. Esta idéia foi adotada porque O Livro de Mórmon tem sido visto como se não fizesse nenhuma referência a outros povos.
Há aqueles na comunidade cristã em geral que ensinam que a Bíblia é o registro completo das obras de Deus para com os homens; por conseguinte eles declaram que “Se não é mencionado na Bíblia, então não aconteceu.”

Meu  exemplo favorito é o caso de Melquisedeque. Eles ensinam que ele nasceu com o conhecimento de Deus. A Bíblia é clara que ele tinha esse conhecimento, mas em nenhum lugar está registrado qualquer revelação dada a Melquisedeque. Desde que não está registrado, eles afirmam que não aconteceu.

A maioria dos Santos dos Últimos Dias aceita a falácia desse pensamento. Temos sido ensinados claramente que o texto bíblico não está completo; entretanto, parece que estes mesmos SUDs freqüentemente fazem esta suposição de plenitude a respeito do Livro de Mórmon. Eles não fariam essa suposição de maneira consciente.

Uma coisa dessas só acontece quando não fazemos um esforço específico para evitá-lo. Precisamos constantemente examinar cuidadosamente o que o texto realmente está dizendo. Precisamos desafiar nosso entendimento e prestar muita atenção aos pequenos e freqüentemente bastante sutis indicações deixadas para nós pelos antigos autores dos textos.

Alguém que tem demonstrado um domínio incomum para reconhecer estes sussurros de evidência e  insight é John L. Sorenson da BYU e FARMS, arqueólogo e antropólogo. Nas notas de recente publicação da FARMS em homenagem ao Dr. Sorenson, foi feita a seguinte avaliação:

Um traço comum em toda sua obra tem sido o processamento de grandes volumes de detalhes a fim de formular declarações gerais e tornar essas culturas mais transparentes para nós nesses dias. Ainda assim, ele acredita consistentemente que nenhum esforço intelectual pode ser profundo ou completo o suficiente para merecer adesão suficiente.(1)

É neste espírito exemplificado pelo Dr. Sorenson que eu desejo prosseguir neste assunto.(2) Quando me deparei com o marcante trabalho do Dr. Sorenson, An Ancient American Setting for the Book of Mormon, (Um Antigo Cenário Americano Para O Livro de Mórmon) desmereci-o com uma visão radical baseada num exame do texto com a mentalidade estreitada; entretanto, com o passar do tempo, eu descobri que este trabalho e seu autor eram mantidos em bastante alta estima por muitos homens cujas opiniões são altamente respeitadas. Certamente que eu havia desmerecido a obra sem havê-la lido. Porque eu deveria despender meu tempo se eu já sei que não concordo com a premissa básica? Bem, eu não posso dizer que já esteja convencido, mas estou impressionado. Eu posso não concordar com todas as conclusões do Dr. Sorenson, mas estou muito impressionado com seus métodos, sua análise meticulosa, sua incansável busca por entendimento e uma visão mais completamente concretizada dessas antigas culturas. Seu método é bem ilustrado no capítulo “Travessias Trans-oceânicas” de Nephite Culture and Society. Ele começa seu estudo fazendo 36 perguntas, muitas das quais eu sinto que não podem ser respondidas devido aos limitados detalhes disponíveis no Livro de Mórmon. Ele então prossegue tentando encontrar respostas mais razoáveis para cada uma dessas questões. Algumas dessas respostas são apropriadas para o corrente estudo. Enquanto olhamos para a chegada de Leí na Terra Prometida, um começo apropriado é sua viagem transoceânica que os trouxe a estas praias.

Amantes da Terra no Mar

Não temos nenhuma evidência de que qualquer membro do grupo de Leí tivesse qualquer experiência de navegação. Ao mesmo tempo, não precisamos aceitar que eles se lançaram ao mar sem obter alguma experiência e treinamento. Enquanto O Livro de Mórmon não diz nada sobre a presença de outros nas vizinhanças de seu estaleiro em Abundância, sabemos que a ajuda e experiência não estava longe. Salalah era um porto movimentado mesmo na época de Leí. Geralmente supomos que Néfi já possuía conhecimentos náuticos para se preparar para suas funções de construtor naval; entretanto, o Dr. Sorenson sugere que não temos lido o texto com cuidado suficiente. Néfi declara que ele não construiu o navio usando os métodos ou desenhos dos homens.

“Ora, eu, Néfi, não trabalhei a madeira pelo método que os homens conheciam nem construí o navio pelo método dos homens; mas construí-o pelo método que o Senhor me havia mostrado; não foi, portanto, igual ao dos homens.” (1 Néfi 18:2)

Esta declaração implica em que Néfi tinha alguma familiaridade com aqueles métodos. Em artigo anterior aprendemos que o arco de Néfi quebrou nas vizinhanças de Jiddah, que também era um porto. O Irmão England postulou que enquanto Néfi possa ter se tornado algo familiarizado com a construção naval conforme "a maneira que foi aprendida pelos homens" (tradução livre do inglês).

Teria sido uma viagem “sem escalas”? Nosso registro não diz, mas razões e experiências similares rapidamente preenchem essa lacuna. Se por nada mais, paradas seriam necessárias para completar o suprimento de água. Concertos, outras provisões, a retirada da craca no casco, etc. são outras condições que teriam forçado todos os antigos navegadores a fazerem freqüentes paradas enquanto prosseguiam em viagens similares. A jornada de Leí os teria levado a mais da metade do caminho em redor do mundo. Fazendo uma comparação, essa viagem teria atravessado pelo menos 200° comparado com apenas os 55° da viagem de Colombo à América. Certamente que Leí não viajou em linha reta. Sorenson estima que a jornada de Leí teria sido de quase 17  mil quilômetros, e a viagem de Colombo foi de 3 mil. Não, esta não foi uma viagem sem escalas.(3)

Quanto tempo essa viagem teria demorado? O Dr. Sorenson sugere que podemos ter uma idéia desse tempo pela viagem de uma canoa polinésia chamada Hokule'a. Esse barco, viajando quase 13 mil quilômetros em águas semelhantes, navegando uma média de quase 160 Km por dia. Enquanto isso represente 82 dias no mar, paradas para reparos, descanso e reabastecimento dos suprimentos, a viagem se estendeu para mais de um ano.

Ao contrário da experiência de Leí, o Hokule'a encontrou nada além de bons ventos durante toda a viagem. Se todos os outros fatores forem comparados, isto sugeriria um tempo de dois ou três anos para a viagem de Leí. (4)

E o que dizer dos ventos e correntes marítimas? Seguindo os padrões normais de navegação para o leste do Golfo Pérsico, presume-se que a viagem do grupo de Leí teria navegado, ou passando por Singapura até as Filipinas, ou ao sul de Sumatra até a Nova Guiné; ou então sua rota os teria deixado navegando contra os ventos alísios e a corrente equatorial em sua passagem através do Pacífico. Das Filipinas eles teriam navegado para o norte, em direção ao Japão, no ponto em que tanto os ventos quanto as correntes teriam sido favorável para cruzar o Pacífico; entretanto, essas correntes mais provavelmente os teriam levado a aportar em algum lugar ao longo da costa da Califórnia. Recentemente os especialistas em navegação nas ilhas do Pacífico sugeriram uma alternativa que seria familiar à maioria dos habitantes do Continente Americano: o El Niño, que é reverso dos ventos normais do Pacífico e padrões de correntes. Sabe-se que ocorrem aproximadamente a cada dez anos. Sob as condições apresentadas pelo El Niño, cruzar o Pacífico ou das Filipinas ou da Nova Guiné poderia levar um navio à América do Sul ou à América Central. (5)

Onde Eles aportaram?

Embora não haja uma grande quantidade de detalhes no registro de Néfi dos quais o ponto de desembarque possa ser determinado com alguma certeza, há um comentário no confuso que tem levado a algumas especulações interessantes. Néfi disse que eles estavam numa “ilha do mar”

20 “E agora, meus amados irmãos, vendo que nosso misericordioso Deus nos deu tão grande conhecimento sobre estas coisas, lembremo-nos dele e deixemos de lado o pecado e não inclinemos a cabeça, pois não fomos rejeitados; não obstante, fomos expulsos da terra de nossa herança; fomos, porém, conduzidos a uma terra melhor, pois o Senhor fez do mar nosso caminho e estamos em uma ilha do mar.” (2 Néfi 10:20).

Eu nunca li qualquer especulação de que toda a história do Livro de Mórmon pudesse ter sido vivida sobre uma ilha (de maneira nenhuma o texto apoiaria tal declaração), eu encontrei aqueles que concluem que o ponto de desembarque deve ser a costa sul do Chile. Esta conclusão satisfaz tanto esta identificação feita por Néfi, já que há muitas ilhas ao longo da costa daquele país, e a declaração de Joseph Smith de que o local de desembarque de Leí foi no Clile. Há problemas com ambas as linhas de evidência.

No Antigo Testamento a palavra do idioma hebreu mais freqüentemente traduzida como “ilha” na versão do Rei Tiago atualmente sabe-se significar “terra da costa” ou “fronteira”. Parece que os tradutores da versão da Bíblia do Rei Tiago tinham dificuldade com algumas palavras, ainda mais com a palavra island; em Isaias 13:22 e 34:12, a palavra traduzida como ilha significa  “uma criatura selvagem que uiva”. Nós esclarecemos anteriormente que parece que o Senhor inspirou o profeta a usar a tradução do Antigo Testamento quando essa tradução não resultar em erro doutrinário; então parece que neste caso Néfi poderia estar se referindo a uma região costeira e não a uma ilha.  Uma explicação ainda mais provável, entretanto, é que Néfi e seu povo ainda não haviam feito suficientes explorações da terra para identificá-la como um continente em vez de uma ilha. Em sua experiência cultural, todas as terras que eles já haviam encontrado fora do seu continente nativo haviam sido ilhas. Nos dias de Néfi, o conceito de múltiplos continentes não existia.

Mas o que o profeta Joseph Smith disse a respeito do desembarque no Chile? Não temos evidências confiáveis de que ele tenha dito qualquer coisa a respeito. Nas notas da edição do Livro de Mórmon de 1879, Orson Pratt declara que o desembarque de Leí foi no Chile. Numa publicação de 1882, Franklin D. Richards atribui esta identificação do local de desembarque de Leí a Joseph Smith e a revelação. Perseguindo isto de volta até à fonte, a única referência para declaração “de Joseph Smith" é um comentário escrito por Frederick G. Williams. Outros itens neste documento particular parece serem notas tomadas numa reunião da Escola dos Profetas. Numa interessante análise das suposições e especulação que podem resultar de umas poucas palavras num pedaço de papel, John Welch e John Sorenson demonstram que as evidências, quando tomadas juntas, não apóiam esta declaração como algo mais do que uma declaração escrita por Frederick G. Williams. Ele poderia estar registrando uma especulação de um dos seus irmãos ou mesmo suas especulações pessoais. Eventos subseqüentes indicam que o pensamento de Joseph ainda estava aberto quanto a esse assunto. (6)

A mais complete descrição da geografia; na realidade mais uma coleção de indícios do que uma descrição é encontrada em Alma capítulo 22. No versículo 28, Mórmon trata dos lamanitas como estando “espalhados pelo deserto… nas fronteiras junto à costa, e no oeste na terra de Néfi, no lugar da herança de seus primeiros pais, e assim margeando ao longo da orla.” Disto nós aprendemos que esta “terra da primeira herança” ficava na costa oeste da terra habitada pelos lamanitas. Os versos seguintes deixam claro que esta terra ficava ao sul de Zaraenla e Abundância. Então, esta terra da primeira herança, que ficava bem perto de onde Leí e seu grupo desembarcaram, ficava na parte sul destas terras do Livro de Mórmon, e a oeste da costa. Além disso, não é dada nenhuma outra informação no relato; entretanto há muito que pode ser deduzido através de uma leitura cuidadosa de todas as referências sobre a geografia da terra, e John Sorenson é um leitor muito cuidadoso.

O Dr. Sorenson, em conformidade com a maioria dos que têm dado cuidadosa consideração acadêmica a esta questão, propõe uma localização para as terras do Livro de Mórmon na Mesoamérica. A maioria dos leitores do Livro de Mórmon, quando encontram referência à estreita faixa de terra, imediatamente imaginam isto como sendo o Panamá; então concluem que a terra do norte seja a América do Norte e a terra do sul seja a terra do sul.

O Dr. Sorenson diz que isto simplesmente não encaixa nos dados. Ele descobriu, entretanto, que se o Istmo Tehuantepec seja considerado como a estreita faixa de terra, atingimos uma correlação bastante aproximada com os detalhes do Livro de Mórmon. Esta teoria colocaria o desembarque do grupo de Leí em algum lugar da costa de El Salvador; então a Terra de Néfi seria na Guatemala. Há aqueles que têm proposto uma antiga cidade perto da Cidade da Guatemala como a localização da Cidade de Néfi. (7)
Cinco Estados mexicanos ficam no Istmo de Tehuantepec, de modo que eles estão geograficamente na América Central. São eles: Chiapas, Tabasco, Campeche, Yucatan e Quintana Roo. O istmo de  Tehuantepec fica entre o Golfo de Campeche e o Golfo de Tehuantepec.

Quando chegaram, o que eles encontraram?

Vacas e Cavalos?

Néfi nos dá uma lista bastante sucinta. Eles encontraram, vacas, bois, jumentos, cavalos, cabras e cabras montesas.

25 “E aconteceu que enquanto viajávamos pelo deserto da terra da promissão, descobrimos que havia animais de toda espécie nas florestas: vacas e bois e jumentos e cavalos e cabras e cabras-montesas; e toda espécie de animais selvagens úteis ao homem. Encontramos também toda espécie de minérios, tanto de ouro quanto de prata e de cobre.” (1 Néfi 18:25).

Apesar de que há vários itens nesta lista que abrem discussão, consideremos primeiro o que Néfi estava fazendo. Reynolds e Sjodahl observam que quando Néfi e sua família chegaram neste novo mundo, onde eles desembarcaram foram saudados por animais que jamais haviam visto. Como Néfi iria chamá-los? Os únicos nomes que ele tinha eram aqueles dos animais parecidos do Velho Mundo. Ele fez o que os viajantes através da história sempre têm feito: ele nomeou esses novos animais de acordo com a semelhando do que lhe era familiar.

Reynolds e Sjodahl dão um exemplo bem conhecido. Quando os espanhóis chegaram nas Américas, eles foram apresentados a uma nova cultura alimentar para a qual eles não tinham um nome, então o chamaram de milho. Este era o nome no Velho Mundo de uma comida que eles consideraram ter uma relação mais próxima – trigo. Hoje, quando cruzamos a referência para milho na Bíblia, algumas vezes ficamos confusos. A descrição não soa como milho; e, certamente não é. Hoje em dia, em linguagem popular a palavra milho quase universalmente tem aquele novo significado dado por aqueles exploradores que não tinham um nome para identificar uma cultura alimentar desconhecida para eles.

Outro exemplo familiar é o búfalo. Quando os exploradores encontraram esse novo e estranho animal pela primeira vez nas planícies da América do Norte, eles não lhe deram um novo nome. Eles o chamaram de búfalo — o nome do animal de seu país com o qual esta criatura mais se parecia. O bisão, certamente, não é um búfalo e, no meu conhecimento, ninguém jamais disse que aqueles antigos exploradores que os chamaram de búfalo eram mentirosos, nem que os registros dos exploradores contêm anacronismo. Mesmo hoje em dia, na maior parte das Américas, o búfalo é aquele estranho animal que vaga nas planícies e alimenta os índios

Certamente que os tradutores devem fazer a mesma coisa; no entanto para o tradutor é ainda mais restrito. O explorador pode aprender dos nativos uma palavra para uma planta ou animal que não lhe seja familiar e usar essa palavra. Essa informação geralmente não é disponível para o tradutor de um antigo registro. O tradutor deve ou deixar o nome sem tradução ou usar algum nome familiar que lhe pareça apropriado.

Falando dos animais específicos nomeados por Néfi, tem sido encontrada pouca evidência para sugerir que os animais do velho mundo nomeados estavam presentes neste continente antes de sua introdução pelos europeus. Ao mesmo tempo, “pouca” não significa “nenhuma”. Numa interessante revisão de recentes descobertas intitulada “Mais Uma Vez, o Cavalo”, a FARMS discute as duas possíveis alternativas de significado de cavalo e a atual chuva de evidências que dizem ser “universalmente ignoradas” pela comunidade científica em geral. (8)

O Dr. Nibley apresenta sua compreensão do tema de modo bastante interessante:

Nenhum naturalista suporia que o elefante foi extinto na Ásia Ocidental por centenas de milhares de anos, pois toda a evidência a criatura tem left de si mesma: é somente de história escrita que recebemos a certeza de que grandes manadas de elefantes vagavam nas terras temperadas da Síria e acima do Eufrates tão antigamente quanto a XVIII Dinastia Egípcia, quando os faraós os caçavam por esporte, e que os elefantes eram usados por senhores de Guerra da Ásia Central na Idade Média. Bem antigamente a variedade selvage desapareceu sem deixar vestígio, devido, talvez, a mudança no clima mundial.(9) Any naturalist would assume that the elephant has been extinct in western Asia for hundreds of thousands of years, for all the evidence the creature has left of itself:

Onde Haveria Outros na Terra da Promissão de Leí?

Quando o grupo de Leí chegou na nova terra, eles teriam encontrado outros?(10) John Sorenson diz que crescimento populacional, adaptação cultural e outras dicas sutis dadas no texto são evidências de que a contundente resposta é sim! Três parágrafos reduzidos apresentam um resumo bem adequado de sua opinião: Parece inevitável que havia outras pessoas na terra quando o navio de Néfi atracou na costa do “mar do leste” e muito certamente alguns deles eram sobreviventes do povo jaredita. (11)

Na época do falecimento de Néfi havia populações significativas de lamanitas e nefitas na terra. Mesmo depois de apenas quarenta anos depois da sua chegada na terra Néfi já relata que houve guerras entre seu povo e os lamanitas. Como poderia ter havido população suficiente entre os descendentes de Leí que justificasse esta terminologia? Além disso, a prática do casamento plural que tanto preocupou a Jacob indica um número maior de mulheres. O que os descendentes das cinco famílias que seguiram a Néfi produziriam em sessenta a setenta anos parece improvável. That the descendants of five families should produce such a surplus in sixty to seventy years seems unlikely.

Você deve ter notado no seu estudo do Livro de Mórmon que os lamanitas e nefitas parecem ser culturas totalmente diferentes. Enquanto os nefitas continuaram muitas tradições e práticas do povo hebreu, as descrições dos lamanitas não dão indicações de qualquer prática hebraica. Num prazo de tempo muito curto eles desenvolveram um novo e totalmente diferente estilo de vida. Me parece provável que Lamã e Lemuel, bem como os filhos de Ismael se juntaram com o povo que encontraram habitando a terra quando eles chegaram. Enquanto os descendentes de Leí adotaram o estilo de vida dessa população já estabelecida, Lamã e Lemuel, juntos com seus descendentes se tornaram líderes desse nova sociedade que Néfi e seus descendentes identificaram pelo nome do irmão mais velho de Néfi.

O Dr. Sorenson aponta que uma leitura cuidadosa do texto não dá apoio à visão geral de que “nefita” e “lamanita” se refere à linhagem. Na verdade são designações políticas. Jacó torna isso bastante claro em Jacó 1: 14. Ele diz que “lamanita” é o nome que é dado a todos os que procuram destruir os nefitas. Mais tarde ele declara que todos os que são amigos do rei nefita será chamado de “nefita”

“Mas eu, Jacó, daqui por diante não os mencionarei por esses nomes, mas chamarei de lamanitas aos que procuram destruir o povo de Néfi; e aos que são amigos de Néfi eu chamarei de nefitas, ou seja, o povo de Néfi, segundo os governos dos reis.” (Jacó 1: 14)

O livro de Jacó termina com uma história relevante. É dito que depois de muitos anos “veio um homem entre o povo de Néfi, cujo nome era Serém”. De onde veio Serém? Se havia apenas nefitas e lamanitas, Serém só poderia ter vindo entre os nefitas dentre os lamanitas; entretanto o texto não dá evidências de que a origem de Serém seja lamanita. O argumento que Serém usou contra Jacó não é um argumento típico de um lamanita. Serém é muito bem educado, com um “perfeito conhecimento da linguagem do povo”; portanto, sua educação não parece ser nefita nem lamanita. Na verdade, ele parece ser um estrangeiro para Jacó. Jacó havia ouvido falar de Jacó e “procurou muito a oportunidade para que pudesse falar a [Jacoó]”. Serémnão tinha família. A história não dá indicações de que Jacó reconhece a Serém como um descendente de algum de seus irmãos.

População, diferenças culturais e a história de Serém, tudo isso sugere que devia haver outros, além de nefitas e lamanitas. O Dr. Sorenson declara um caso ainda mais forte para a evidência dos lingüistas. Tanto as evidências internas quanto as externas são relevantes e consistentes. Por exemplo, O Livro de Mórmon trata dos mulequitas, que foram encontrados por Mosias em Zaraenla. O registro diz que devido à corrupção da linguagem dos mulequitas, nefitas e mulequitas não eram capazes de se entenderem. O Dr. Sorenson indica que estudos lingüísticos têm demonstrado que tais alterações de linguagem somente ocorrem se houver uma infusão de outra linguagem numa cultura. Além disso, a similaridade entre os nomes nefitas e jareditas é uma forte evidência de uma estreita associação entre esses povos. Uma boa olhada na diversidade de linguagem na Mesoamérica na época de Colombo leva novamente os lingüistas a concluírem que a história cultural é complexa. Estudos recentes têm demonstrado que aproximadamente 200 linguagens eram faladas na Mesoamérica, só na época da chegada dos espanhóis. O Dr. Sorenson conclui que essa evidência “não pode acomodar o panorama que O Livro de Mórmon nos dá de seus povos sem admitir que ‘outros’ estavam em cena quando o grupo de Leí chegou na Mesoamérica."(12)

Com uma leitura cuidadosa, podemos ver que O Livro de Mórmon realmente dá indicações explícitas de outros povos. Por exemplo, Alma quando orava a respeito da dissenção dos Zoramitas diz: "Eis, ó Senhor, que sua alma é preciosa e muitos deles são nossos irmãos; dá-nos, portanto, ó Senhor, poder e sabedoria para trazermos esses nossos irmãos novamente a ti. (Alma 31:35). Em outros versículos, lamanitas mulequitas e até mesmo jareditas são referidos como irmãos. Quem, então, são aqueles outros povos a que alma se referiu, os quais aparentemente não são lamanitas, mulequitas ou jareditas? Seguindo vários desses exemplos, o Dr. Sorenson conclui:

“Daqui em diante, os leitores não estarão justificados ao dizerem que o registro falha em mencionar “outros”, mas que o leitor até agora tem falhado em observar o que é dito e diz respeito a outras pessoas no Livro de Mórmon”. (13)

Depois de todas essas evidências. O Dr. Sorenson declara que o argument realmente decisive a respeito de uma população estabelecida na terra da promessa na época da chegada de Leí e seu grupo é o cultivo pelos nefitas de milho, conforme mencionado em Mosias 7:22 e Mosias 9:9, 14. O Dr. Sorenson observa que o milho é um cereal domesticado, ele não cresce de maneira selvage. Leí apenas encontraria milho nesse novo mundo se já existisse um povo que o cultivasse. (14)

Conclusão

Para onde tudo isso nos leva. Sob o título de “Últimas Descobertas”, a FARMAS publicou uma informação, primeiramente autorizada pelo Dr. John Sorenson, para quem estivesse tentado a acreditar em tudo o que leu e ouviu a respeito das descobertas arqueológicas do Livro de Mórmon e outras supostas evidências.

Primeiro ele salienta que nenhuma descoberta deveria ser seguida de conferências com a imprença na qual as mais extravagantes declarações são apregoadas. Eu disse deve! O Dr. Sorenson observa que o dinheiro para financiar futures pesquisas só vem se a importância e significância da descoberta forem maximizadas.

Segundo, ele explica que nada em termos de descoberta arqueológica leva anos para ser verificado e interpretado.

Ele termina sua discussão com este sábio conselho: Este é uma época interessante, quando as informações sobre antigas civilizações americanas está se expandindo notavelmente. Se as últimas descobertas se provarem genuínas, devemos aprender tudo o que pudermos a respeito delas. Enquanto isso, pasciência e comentários contidos são necessários.(15)

Espero que o Dr. Sorenson concorde que esta paciência e refreamento sejam igualmente aplicáveis à aceitação daquelas hipóteses que ele mesmo propôs. Ao mesmo tempo ele está ocupado em prover novo suporte para suas teorias e colocar suas teorias para funcionarem como uma janela através da qual podemos entender melhor a cultura dos povos do Livro de Mórmon. Sua mais recente publicação, Images of Ancient America: Visualizing Book of Mormon Life, é exatamente esta obra, que não é mais um argumento para a verdade de suas hipóteses; em vez disso, é a aplicação daquelas hipóteses como uma ferramenta para aumentar nosso entendimento das terras e dos povos do Livro de Mórmon. Essa é exatamente a maneira que uma boa hipótese deve ser usada.


Quando usada para nos levar o mais longe possível, aprendemos que os limites para as exigências estão colocados sobre as próximas hipóteses. O Dr. Sorenson concordaria que esta paciência é igualmente aplicável na aceitação daquelas hipóteses que têm sido propostas. Ao mesmo tempo ele está ocupado em prover um novo apoio para sua hipótese e colocando suas teorias para funcionar como uma janela através da qual podemos entender melhor a cultura dos povos do Livro de Mórmon. Sua mais recente publicação Images of Ancient America: Visualizing Book of Mormon Life, é exatamente tal tipo de trabalho. Ela não é mais um argumento para a veracidade de suas hipóteses. Em vez disso a aplicação dessa hipótese como uma ferramenta para aumentar nosso entendimento das terras e povos do Livro de Mórmon. Este é exatamente a maneira pela qual uma boa hipótese deve ser usada. Quando usada para nos levar o mais longe quanto possa, aprendemos com seus limites a colocar exigências para as próximas hipóteses.

Referências:

1. Mormons, Scripture, and the Ancient World: Studies in Honor of John L. Sorenson, Davis Bitton, ed., FARMS, 1998.
2. Enquanto que o trabalho do Dr. Sorenson é a primeira fonte para este estudo, eu me baseei também numa série de relevantes artigos da FARMS, os quais estão disponíveis em Reexploring the Book of Mormon.
3. See Sorenson, Nephite Culture and Society, p. 54-7.
4. See Reexploring the Book of Mormon, p. 55; and Culture, p. 56-7.
5. See Reexploring, p. 53; and Culture, p. 55.
6. See Reexploring, "Did Lehi Land in Chile?" pp. 57-60.
7. A friend recently showed me an advertisement for a Book of Mormon Lands tour which included the "now identified City of Nephi" as one of its destinations.
8. Ibid, p. 98.
9. Collected Works of Hugh Nibley, Vol.5, Part.2, Ch.4, p.219-220
10. "When Lehi's Party Arrived in the Land, Did They Find Others There?" Este é o título do artigo do Dr. Sorenson sobre esse assunto em Culture, pp. 65-100.
11. Ibid., p. 73.
12. Ibid., p. 84.
13. Ibid., p. 100.
14. Ibid., p. 69.
15. Reexploring, p. 113.