NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

HISTÓRIA - Por Que a Serpente Simboliza a Cristo?

Bruce W. Warren

Tradutor: Elson C. Ferreira – Curitiba/Brasil – Outubro/2010
  
Na Bíblia e no Livro de Mórmon nós vemos referências a um evento muito significativo enquanto Moisés liderava seu povo através do deserto. Quando a vida do povo de Moisés estava ameaçada como resultado das picadas das serpentes do deserto, Moisés levantou uma serpente de bronze numa haste e declarou que todos os que olhassem para a serpente acabariam sobrepujando as picadas das serpentes e seriam salvos da morte:
Referência Bíblica:

 “E o Senhor disse a Moisés, faze-te uma serpente ardente, e coloca-a numa haste, e acontecerá que, se uma serpente tiver picado algum homem, quando ele olhar para a serpente de latão, viverá.” (Números 21:9)


Referência do Livro de Mórmon:

“E afligiu-os no deserto com sua vara, porque endureceram o coração do mesmo modo que vós; e o Senhor afligiu-os por causa de sua iniqüidade. Enviou-lhes serpentes voadoras ardentes e, depois de mordidos, preparou um meio para que fossem curados; e o que tinham a fazer era olhar; e por causa da simplicidade do método, ou seja, da facilidade dele, houve muitos que pereceram.” (1 Néfi 17:41)
“E agora, meus irmãos, falei com clareza, de modo que não podeis errar. E como vive o Senhor Deus que tirou Israel da terra do Egito e deu a Moisés poder para curar as nações depois de haverem sido mordidas por serpentes venenosas, se olhassem para uma serpente que ele levantou diante delas; e também lhe deu poder para golpear a rocha, a fim de que jorrasse água; sim, eis que vos digo que, assim como estas coisas são verdadeiras e como o Senhor Deus vive, não há outro nome dado debaixo do céu mediante o qual o homem possa ser salvo, a não ser o deste Jesus Cristo do qual falei.” (2 Néfi:25:20)

“Sim, não deu ele testemunho de que o Filho de Deus haveria de vir? E assim como ele levantou a serpente de metal no deserto, assim também será levantado aquele que há de vir.” (Hel:8:14)  

“E assim como todos os que olharam para aquela serpente viveram, assim também todos os que olharem para o Filho de Deus, com fé, tendo espírito contrito, viverão, sim, para a vida eterna.” (Helamã: 8:15)

Alguns podem ficar se perguntando o que se supõe que a serpente de bronze de Moisés represente e porque a recusa do povo de olhar para ela se constituiu em razão para a morte. Umas poucas idéias têm sido publicadas como resultado de descobertas arqueológicas no Egito, Mesopotâmia e Mesoamérica.
Bem no alvorecer da religião na Mesopotâmia e no Egito, a serpente era o símbolo do Deus Criador da Vida. Significado idêntico foi dado à serpente na Mesoamérica. O corpo vivo da serpente nunca é reto; ele é curvo e ondulante como são todos os rios e córregos. A serpente era a lógica similaridade e símbolo das águas vivificantes dos rios. 
Um total de 350 peças de arte egípcia antiga Mesoamérica 
O rio era a própria base da civilização na Mesopotâmia e no Egito, a própria fonte da vida. A água dos rios vêm do céu na forma de chuva. Quando os antigos olhavam para os místicos céus - a fonte da chuva, à noite eles viam um grande rio no céu - a maravilhosa e linda Via Láctea, que era observada curva e ondulante através do céu como o Rio Eufrates e o Rio Nilo, nos vales. A Via Láctea chegou a representar a fonte da vida, da chuva, ou o Deus Criador, e as estrelas eram consideradas como a água criativa ou a serpente de Deus. Em resumo, o pensamento do povo antigo formava um conceito que conectava a ondulante serpente ao Criador numa série lógica de passos simbólicos: serpente ondulante =  rio em curva = Via Láctea = o Criador. Em outras palavras: o símbolo da água = a fonte da vida = o símbolo celeste da vida = doador da vida = o Criador. 
 Quetzalcoatl-a serpente emplumada
É interessante que os nomes do Messias na Mesoamérica era Itzamna, que significa "orvalho de céu". Um dos símbolos de Itzamna era a serpente.
Itzamna
A serpente foi usada como símbolo do criador da vida na Mesopotâmia mil anos antes de Abraão ter deixado seu lar em Ur, na Caldéia. A serpente tem sido o símbolo do criador da vida no Egito dois mil anos antes de Moisés ter vivido lá. A serpente foi um dos primeiros símbolos da deidade a ser usado pelo homem civilizado e faz parte dos símbolos sagrados na antiga Israel e em todo o Oriente Médio. Então, quando Moisés levantou a serpente de bronze numa haste no deserto para seu povo, o simbolismo deveria ter sido claro: representava seu Criador, Jeová. Até mais significativo, entretanto, era o fato de que ela representava seu Salvador, Jesus Cristo. João confirmou esse simbolismo:
A principal atração das ruínas arqueológicas de Chicanná é a Estrutura II do Grupo A.
A máscara provavelmente representa Itzamna, o Deus Criador

“E Moisés levantou a serpente no deserto, como o Filho do Homem deveria ser levantado, e todo o que acreditar nele não deveria perecer, mas ter a vida eterna." (João 3:14-15).
É interessante o fato que a serpente de bronze ou latão numa haste foi mantida como uma representação do Messias de Israel no templo de Israel desde o tempo de Moisés até perto da época em que o templo de Salomão foi destruído em 586 a.C. (Farbridge 75; Smith 240)

Itzamna é representado num monumento em Chalcatzingo, Morelos. Ele está sentado sobre um trono em forma de serpente com vários símbolos de chifres, o pássaro emplumado quetzal e seu nome 3 Chuva.
Itzamna
Também é muito interessante notar a presença do motivo da serpente na Mesoamérica se referindo ao Deus Criador. Ele é encontrado no México e na América Central já no ano de 1200 a.C até 600 a.C. em La Venta. A serpente como símbolo da vida corre solto por toda a arte clássica e na arquitetura Maia até depois do ano 300 A.D. O simbolismo da serpente continuou até a chegada de Fernão Cortes.
Chalcatzingo, Morelos
Referências:

Bruce W. Warren, The Messiah in Ancient America , chap. 6
Joseph Lindon Smith. Tombs, Temples, and Ancient Art. Morman: University of Oklahoma Press, 1956
Maurice H. Farbridge. Studies in Biblical and Semitic symbolism. Hartford, England: Stephen Austin and Sons, 1823