NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

GENÉTICA - Pesquisas de DNA e O Livro de Mórmon

Cooper Johnson

Este artigo é um sumário das descobertas e conclusões do Dr. Scott Woodward, Professor de Microbiologia da BYU durante palestra apresentada numa conferência patrocinada pela “Foundation for Apologetic Information and Research” (FAIR). Este artigo está disponível no “Website” da FAIR e pode ser encontrado como “link”

Traduzido por Elson C. Ferreira – Curitiba/Brasil - 2001

Você já tentou visualizar uma grande gravura usando apenas umas poucas peças de um quebra-cabeças de 1000 peças? Vamos lá! Você é um aficionado por quebra-cabeças; você sabe do que eu estou falando. Eu digo que posso te dar cinco peças raras de um quebra-cabeças de 1000 peças. Você teria alguma chance de identificar a figura que resultaria de mil peças colocadas juntas, tendo apenas essas cinco peças? Mas sem trapacear; nada de olhar na caixa do quebra-cabeças para identificar a figura.


Esta seria uma tarefa impossível, e de mil pessoas que leiam este artigo, eu duvido que possa encontrar alguém que já tenha tentado fazer isso. Por que alguém pegaria cinco peças e as usaria para tentar adivinhar a “grande figura”? Tolice, não é?

Tentar determinar a validade do Livro de Mórmon utilizando os modernos estudos sobre o DNA (“Mitochondrial DNA [MDNA]) das populações nativas da América seria igualmente difícil, de acordo com o Dr. Scott Woodward, Professor de Microbiologia da Universidade Brigham Young, conforme ele disse aos participantes da “FAIR Conference” do ano de 2001.

O foco da “2001 FAIR Conference” foi O Livro de Mórmon com o surgimento dos estudos genéticos dos nativos americanos, que foram apresentados em vários jornais e mídia em geral. A apresentação do Dr. Woodward sobre o assunto do DNA e O Livro de Mórmon foi oportuna e extremamente esclarecedora para todos que a assistiram. Meu propósito neste artigo é resumir e expor em linhas gerais as descobertas e conclusões do Dr. Woodward, conforme sua apresentação na conferência. Espero que isto nos ajude a entender o estado atual das evidências do DNA em relação aos nativos americanos e ao Livro de Mórmon, finalmente provendo a todos nós um uma base segura com a qual julgar os dados genéticos que estão sendo produzidos nesta área.

DNA: Uma Fórmula Simples?

Há aqueles que advogariam uma fórmula simples para validade do Livro de Mórmon: fazer análise do DNA de nativos hebreus e americanos e, “voila”… nós teremos uma solução ou não! Bem, isto não é tão simples assim, especialmente se considerarmos somente os dados genéticos disponíveis hoje em dia. Vamos dar uma olhada mais de perto.

Certamente há diferentes tipos de análise genética. A análise Mitocondrial é o estudo de uma pequena molécula dentro das nossas células, que, de acordo com o Dr. Woodward, corresponde a 1/200.000 do total do nosso código genético, portanto, estamos falando sobre uma contribuição do MDNA tremendamente pequena.
Então, por que ele é tão extensivamente estudado? Por que estamos procurando por estudos do MDNA tão superficiais a respeito das origens de populações específicas? O Dr. Woodward atribui isto à facilidade do estudo do MDNA. A comunidade genética conhece um pouco deste tipo de DNA, então, não é necessário inventar a roda novamente para aqueles que estão procurando usar o MDNA com estes propósitos.

O MDNA tem características tão específicas a respeito disso, que se coloca à parte das outras análises genéticas. Ele tem uma herança específica: a materna. Ele só pode ser passado de mãe para filho. Os homens podem receber o MDNA, mas não podem repassá-lo.

Outra característica única do MDNA é que, ao contrário do cromossomo Y e do autossomo, ele não é re-combinante, o que quer dizer que ele não se mistura enquanto é passado de geração a geração. Além disso, a ligação do MDNA é “disequalibrium”, o que significa que todos os marcadores (partes) são herdados intactos através da história da população.

O cromossomo Y do DNA, que é o tipo de DNA mais conhecido de todos nós que freqüentamos classes de biologia no ensino médio, é passado de macho para macho. De acordo com o Dr. Woodward, este tipo de DNA não faz muito mais do que determinar a masculinidade de alguém, (todos os meninos já podem parar de grunhir agora).

A maior parte da nossa informação genética no que se refere a ligar-nos a populações específicas, é o autossomo. Este DNA contém dezenas de milhares de “loci” independentes (peças de informação genética) ao contrário do MDNA que contém somente a punhado de “loci”, de acordo com o Dr. Woodward. 

Problemas em Identificar Populações Passadas

Por que seguir através de todo este “mumbo jumbo” genético? Bem, para entendermos o que todos os resultados genéticos significam, devemos identificar o tipo atual de DNA que está sendo usado nos estudos. Somente deste modo podemos averiguar o significado de um resultado genético. Com isto em mente, consideremos algumas expressas limitações ou preocupações do Dr. Woodward, enquanto se usa o MDAN para identificar as origens dos nativos americanos ou qualquer outra população, não importa.

  • Posto que o MDNA é uma herança materna, uma limitação óbvia acontece quando uma mãe não tem filhas. O seu MDNA efetivamente é uma interrupção gritante. Isto vai complicar o assunto. Neste caso, as últimas gerações não terão um traço do MDNA da antiga geração. O autossomo é herdado tanto do pai quanto da mãe (50/50), o que faz dele uma trilha mais confiável, enquanto ele se re-combina.

  • Se nos limitamos a usar o MDNA ou o cromossomo Y para identificar as origens genéticas das populações, nós omitiríamos a maior parte da informação genética ancestral. É essencial mantermos isto em mente quando analisamos os estudos de DNA que estão sendo lançados hoje em dia. A figura que estamos vendo é somente umas poucas peças de um quebra-cabeças de 1.000 peças. É uma visão extremamente limitada. Isto para não dizer que ainda não estamos aptos a aprender algumas coisas sobre o MDNA. Além do mais, o Dr. Woodward deixa claro que coisas valiosas podem ser aprendidas, mas precisamos entender para o que estamos olhando: uma figura muitíssimo limitada.

  • Somando-se ao fato de certos MDNA se tornarem extintos devido à falta de filhas, devemos considerar também o surgimento de novos MDNA devido à introdução de novos grupos a uma dada população.

Com isto em mente, imaginemos termos dez gerações de uma família tronco na nossa frente, começando do topo até o fim, passando por dez gerações. Se considerarmos somente o MDNA enquanto olhamos para algum indivíduo da décima geração no pé da página (que, digamos, representa a geração atual), por causa das limitações citadas acima, por nenhum meio poderemos ter um entendimento acurado da genética original desta população.

Alguns MDNA que existiram, digamos, na primeira geração, podem não estar presentes (e provavelmente não estariam mesmo) na geração atual. E, no outro lado da moeda, haverá informação do MDNA da geração atual que não existiu na primeira ou segunda geração devido a novas populações interagindo através de casamentos com pessoas de outras famílias.

Agora, digamos que não estamos olhando para a geração atual (a 10ª geração), mas vamos incluir também a geração dos pais ( a 9ª geração). Teremos agora um mapeamento genético adequado da antiga população, usando todos os MDNA destas duas gerações? De acordo com o Dr. Woodward, não! Nós não teremos. Novamente, estamos observando um montante muito limitado da constituição desta população por causa dos MDNA extintos no passado, além dos novos MDNA inserindo-se de outras gerações.

Finding Lehi's DNA

Nós sabemos, e as evidências são esmagadoras, que quando Leí chegou no Continente Americano, já havia populações aqui. Leí e seu grupo não foram os primeiros a chegar Na América. Que efeito a integração destes dois grupos teria na herança genética que seria passada aos descendentes de Leí, ou eu deveria dizer, aos descendentes de Saria, especialmente na estrutura mitocondrial do DNA? O Dr. Woodward nos informa que embora isto dependa do tamanho da população, entre outros fatores, isto certamente teria grande efeito, e nós sabemos que o grupo de Leí era muito pequeno.

A população que existia na América antes da chegada do grupo de Leí certamente teria sido muito, muito maior, e dominariam a estrutura genética das últimas gerações (i.é. as gerações atuais)

De fato, o Dr. Woodward conclui, com isto em mente, nós não deveríamos esperar encontrar qualquer MDNA da família de Leí nas gerações de hoje. A introdução de novos MDNA de populações maiores, pré-existentes nas Américas, impediria tal traço genético.

O Dr. Woodward também se refere à dificuldade de recuperar DNA antigo para estes propósitos. Isto pode ser feito, mas é muito difícil por enquanto. Isto significa que a grande maioria (Dr. Woodward estima em 99.5%) de todo o MDNA usado para estes tipos de exames é derivado de gerações atuais. Isto significa que aquela nossa figura é mesmo muito limitada.

Uma estatística nos ajudará a entender a situação dos estudos genéticos sobre os nativos americanos hoje em dia, e novamente demonstra nossa limitada visão da estrutura genética destas populações. Atualmente o número de todos os nativos americanos usados nos estudos genéticos é menor do que cinco mil pessoas, vindos de setenta e cinco populações diferentes. Nós conhecemos hoje em dia, cinco mil populações existentes na cultura nativa americana, de acordo com o Dr. Woodward. 

Conclusões

Conquanto o MDNA pode ajudar-nos a entender antigas populações, testar a validade do Livro de Mórmon utilizando o MDNA como um tipo de advogado é uma hipótese inaceitável. Esta hipótese não pode ser atendida. Esta hipótese pede uma resposta à seguinte pergunta: Com o que a constituição genética de Leí se parecia? Tal pergunta não pode ser respondida hoje em dia, e provavelmente não será respondida num futuro próximo.

Nós estamos em débito com o Dr. Woodward por sua tremenda visão, que foi compartilhada com todos os que participaram da sua palestra na “2001 FAIR Conference”. Nós agora temos uma visão realística da situação dos estudos genéticos dos nativos americanos, e mais especialmente quanto aos dados do DNA Mitocondrial. E ainda mais importante, agora nós entendemos a espantosamente limitada e inadequada perspectiva que as informações atuais do MDNA nos fornecem, enquanto relacionadas a determinar as origens da atual população americana.

A informação do MDNA de hoje em dia não nos dá absolutamente nada com o que basear conclusões quanto à validade do Livro de Mórmon. Talvez algum dia nós possamos ganhar uma visão mais completa. Mas esse dia certamente ainda não chegou. Nós agora temos apenas umas poucas peças do quebra-cabeças. Estas peças dizem-nos que ainda há uma figura maior. Mas quanto a o quê esta figura é, ainda temos um longo caminho pela frente e centenas de peças para completar.

Sobre o Dr. Scott Woodward

Scott R. Woodward atualmente é professor de Microbiologia e um membro da faculdade do Programa de Biologia Molecular na Universidade Brigham Young. Ele também é o chefe do “Molecular Genealogy Research Group” da BYU. Enquanto fazia seu trabalho de pós-doutorado em genética molecular no “Howard Hughes Medical Institute” da Universidade de Utah, ele descobriu um marcador genético usado para a identificação de portadores e eventual descoberta do gene da fibrose cística. Ele também está envolvido com a identificação de outros genes marcadores do câncer de colo do útero e da neurofibromatose. Ele entrou na BYU em 1989 e tem estado envolvido com várias equipes de escavação em Seila, Egito. Enquanto no Egito ele dirigiu análises genéticas e moleculares de múmias egípcias, tanto de cemitérios comuns quanto de tumbas reais. O Dr. Woodward é um residente do “BYU Center for Near Eastern Studies” em Jerusalém e um professor visitante na “Hebrew University”. Seu trabalho tem sido reconhecido nacional e internacionalmente em numerosos programas, inclusive no “Good Morning America” (Bom Dia América) bem como no Discovery Channel e no Learning Channel.

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