NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

ARQUEOLOGIA - Os Maias e o Mormonismo

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Discussões Sobre o Livro

Breaking the Maya Code


(Desvendando o Código Maia)


Michael D. Coe


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Michael D. Coe (nasceu em 14 de Abril de 1929)
É um arqueólogo, antropólogo, epígrafo e autor norte americano. Inicialmente conhecido por suas pesquisas no campo dos estudos pré colombianos mesoamericanos, em particular por seu trabalho sobre a civilização Maia, pelo qual é reconhecido como um dos principais estudiosos maianistas [1] do Século XX.
Ele também tem feito extensivas investigações através de uma variedade de outros sítios arqueológicos na América do Norte e do Sul. Também é especialista em estudos comparativos das antigas civilizações das florestas tropicais tais como as da América Central e do sudoeste da Ásia. Em 2005 ele ocupava a cadeira de Charles J. Mac Curdy, professor emérito de antropologia da Universidade de Yale, e Curador Emérito da coleção de Antropologia do Museu de História Natural de Peabody, onde foi curador de 1968 até 1994.[2]
Com mais de quatro décadas de experiência em pesquisa ativa, Coe é um autor prolífico de documentos científicos em uma grande variedade de tópicos arqueológicos, antropológicos e etno históricos. Também é autor de uma grande quantidade de trabalhos populares para uma audiência não especializada, vários dos quais têm sido os mais vendidos e várias vezes editados, tais como Os Maias, de 1966, e Desvendando o Código Maia, de 1992. Ele é coautor do livro Mexico: From the Olmecs to the Aztecs (1962, sexta edição, 2008) com Koontz.

Coe recebeu seu Ph.D. em antropologia da Universidade Harvard no início dos anos de 1950. Pouco depois de começar seu programa de estudos de graduação, em 1955 ele se casou com a filha do notável biólogo evolucionista e imigrante russo Theodosius Dobzhansky, Sophie, a qual então uma estudante graduanda de antropologia no Radccliffe.[4] Sophie traduziu do russo a obra do epígrafo Yuri Balentinovich Knorosov, intitulada The Writing of the Maya Indians (1967).[5] Knorosov baseou seus estudos no alfabeto fonético de De Landa; é atribuída a ele originalidade da quebra do código Maia.

Atualmente a maioria dos “mórmons” acredita que a história de O Livro de Mórmon envolve toda a América do Norte e do Sul; entretanto, evidências internas e externas sugerem que este não é o caso. De fato, muitos estudiosos SUDs sentem que O Livro de Mórmon é mais precisamente um volume concernente a 3 civilizações, ou seja, os Jareditas, Nefitas e Lamanitas, os quais viajaram para o Novo Mundo e aí se estabeleceram.

Distâncias descritas em O Livro de Mórmon mostram que o continente da América do Norte e do Sul pode até nem estar envolvido nesta narrativa. A distância entre a terra de Zaraenla, no norte, e a terra de Néfi (território Lamanita) era de 40 dias de viagem:

E não sabiam que rumo tomar no deserto para subir à terra de Leí Néfi; portanto vagaram pelo deserto por muitos dias, sim, por quarenta dias eles vagaram.” (Mosias 7:4)

Devido à dificuldade do terreno [já que a peregrinação estava envolvida na tentativa de encontrar um determinado lugar], o grupo provavelmente poderia não ter viajado numa velocidade media de mais que 40 quilômetros por dia. Em outras palavras, o território Nefita não era maior que 1.610 km de comprimento. Não temos qualquer conhecimento do tamanho do império Lamanita, mas devido ao seu contínuo desejo de obter mais terras avançando cada vez mais ao norte, eu duvido que eles tivessem muito mais terras do que os Nefitas tinham. Dado isto, os Lamanitas e Nefitas podem ter estado contidos numa área menor que a América Central, incluindo o México.

Nem todas as ruínas antigas são Nefitas ou Lamanitas. De fato, a maioria delas tendem a ser posterior à época em que os Nefitas foram destruídos. Muitas das tradições também são tão diferentes, que possivelmente podem não ser dos mesmos povos.  Entretanto, houve suficientes relações de comércio e inter miscigenação (como os Nefitas tiveram com os Mulequitas, e como os Mulequitas provavelmente tiveram com os Jareditas), que muitas tradições e práticas podem ter-se espalhado.

Muitos estudiosos SUDs acreditam numa “Teoria Limitada de Tehuantepec”. Esta teoria sugere que as áreas Lamanita e Nefita eram limitadas primariamente à América Central, talvez indo tão distante quanto à Cidade do México, mas mesmo que este seja o caso, provar isto é difícil. Além do mais, muitas tribos eram conhecidas por habitarem áreas simultaneamente, bem como em diferentes épocas. Então, novamente, eles podem ter estado em outra área de um dos continentes. Tais distinções criam uma dificuldade em procurar uma agulha nefita neste grande palheiro conhecido como América do Norte e do Sul. Em outras palavras, a última batalha entre Nefitas e Lamanitas pode ter ocorrido na Mesoamérica (Joseph Smith nunca declarou onde esta batalha ocorreu). Além do mais, Morôni viajou por 20 anos até a atual cidade de Nova York para esconder as placas [das quais O Livro de Mórmon foi traduzido].

Desvendando o Código Maia

Michael D. Coe escreveu um excelente livro intitulado Breaking the Maya Code que discute os esforços em desvendar esse código, muito da história por trás dos esforços para desvendá-lo, e muitos importantes avanços na arqueologia Maia. Entretanto, este artigo discutirá itens relativos ao mormonismo e os potenciais laços encontrados no mundo Maia.

Todas as referências de página, a menos que indicado de modo diferente, são desse livro.

Templo de la Cruz, Palenque, Mexico



 Como declarado antes, muitos estudiosos SUDs tentam e vêm provas onde elas não existem. O Dr. Coe discute um encontro que ele teve com uma pessoa excêntrica. Em 1956, ele e sua esposa encontraram um apóstolo da Igreja Reorganizada (uma seita que se separou da Igreja de Jesus Cristo SUD) o qual declarava que depois da sua ressurreição, Jesus havia pregado às multidões aqui nas Américas no Templo da Cruz [México] (pg 194). Certamente que esta declaração tanto não era inspirada quanto está incorreta, devido ao fato de que o Templo da Cruz só foi construído séculos depois da ressurreição de Cristo.

Isto significa que o Templo da Cruz não está relacionado a Cristo de alguma maneira? Não! Mas ele pode mostrar que um símbolo do passado foi colocado em evidência num contexto diferente.

  
As Eras da MesoAmérica.

A história Mesoamericana é dividida pelos arqueólogos em determinados períodos de tempo como segue (pp. 60-61):

Período Pálio Indiano
20.000(?)
a
8.000 a.C.
Caçadores e coletores de origem siberiana. Mamutes e cavalos selvagens vagavam pelo continente
Período Arcaico
8.000 a
2.000 a.C.
Pequenos bandos nativos. Agricultura de baixo nível, cultivo de milho. Primeiras vilas.
Período Pré Clássico ou Formativo
2.000 a.C.
a
250 d.C.
Primeiras civilizações: os Olmecas, estiveram no auge por volta de 1.200 aC., os Zapotecas, em 600 a.C. inventaram a escrita na Mesoamérica; e finalmente os Maia.
Período Clássico
250 d.C.
a
900 d.C.
Idade do Ouro da cultura mesoamericana. O apogeu das culturas Asteca e Maia.
Período Pós Clássico
900 d.C.
a
1.521 d.C.
Período militarista governado pelos Toltecas até 1.200 d.C. e depois pelos Astecas. Terminou na época da Conquista Espanhola.

Dados os períodos acima, os Jareditas se encaixam com a civilização Olmeca e os Nefitas se ajustam com os Zapotecas/Maias. A civilização Olmeca não era reconhecível no 5º Século antes de Cristo, o que sugere que eles, ou já haviam sido destruídos ou absorvidos por outras culturas ao seu redor (tal como aconteceu com o(s) sobrevivente(s) Jaredita(s), como aconteceu a Coriantumr, que viveu entre os Mulequitas). Considerando que as datas para os Jareditas e Nefitas se encaixam perfeitamente no período Pré Clássico, a maior parte do que conhecemos dos Maias concerne ao período Clássico. “A total extensão destes programas de construção do período Pré Clássico Tardio das planícies nunca será conhecida, uma vez que em qualquer sítio Maia as antigas construções geralmente estão cobertas por imponentes construções do período Clássico." Sabemos que os Maias do período Pré Clássico construíram vilas com blocos de pedra calcária e cimento, conforme lemos em O Livro de Mórmon (pg 63).

Como podemos usar material Clássico para comparar com as sociedades do período Pré Clássico? Devido às evidências da existência de que muitas crenças e tradições foram passadas de uma sociedade para outras. Por exemplo: “Ao longo das culturas indígenas dos trópicos do Novo Mundo, há uma bem difundida crença de que os shamans podem se transformar à vontade em perigosos animais, geralmente jaguares, e o antropólogo Peter Furst tem sido capaz de mostrar que essa noção pode ser traçada no tempo tão antigamente quanto à época da civilização olmeca da Mesoamérica”. O Dr. Coe discute outros conceitos pan americanos também. (pp. 256-7)

Por exemplo, o Templo da Cruz foi construído centenas de anos depois de Cristo com as representações de Pacal, o grande governador maia, e seu filho e herdeiro, Chan-Bahlum em cada lado da cruz/mundo árvore. Não há evidência direta de que Cristo tenha pregado lá, (nem eu acredito que jamais esteve), mas tais símbolos podem ter sido tirados de tradições anteriores há muito esquecidas.

A cruz é emblemática na visão de Leí e Néfi (1 Néfi 5-11), onde a Árvore da Vida representa a “árvore do mundo” (pg 212) bem como a cruz de Cristo (o fruto que é o Amor de Deus); Assim, apesar de não haver uma conexão direta com Pacal e seu filho, podemos ter um pai governador (Leí) e seu herdeiro (Néfi), o qual foi até à Árvore da Vida/Cruz/Árvore Mundo.

Esforços na Decodificação da Linguagem Maia

Apesar de sabermos que eles tinham livros, não temos nenhum exemplar dos livros maias dos períodos Clássico ou anteriores. Todos foram destruídos nos “cataclismos gêmeos”: o colapso Clássico e a Conquista Espanhola. Dos quarto livros maias que temos, todos foram escritos na era Pós Clássica através da memória daqueles que então viviam. (pg 70).

Desde então, muitos tropeços têm ocorrido para encobrir (ou manter) alguns sítios em sigilo para sempre. Chichen Itza é um exemplo perfeito disso. A maioria dos arqueólogos empregados na escavação despende seu tempo colocando edifícios caídos juntos novamente para o comércio turista em vez de reconstruir a boa cronologia do lugar. “Especialistas ainda estão arguindo a respeito da sua natureza, sua cronologia e até mesmo a realidade da ‘invasão’ tolteca, acreditada pelos tradicionalistas como eu mesmo, terem resultado em algumas das suas mais famosas construções, tais como o Castillo" (pg 128).


A linguagem maia não tinha a Champollion para traduzi-la, como aconteceu com os hieróglifos egípcios. Ideias ante Darwinianas da evolução invadiu o mundo da linguística, fazendo com que muitos ‘especialistas’ acreditassem que a linguagem (particularmente a linguagem escrita) havia evoluído de uma pura (e mais baixa) forma pictográfica onde cada gravura representa uma ideia, sem uma forma silábica, para a forma final da cadeia ‘alimentícia’: o alfabeto. Tal crença fez com que muitos acreditassem que a escrita maia era dessa forma pictográfica e, portanto não podia ser traduzida. Tais ideias, tão nobres quanto elas podiam soar, estavam erradas. A linguagem, como afirma o Dr. Coe, não evoluiu das pinturas nas cavernas e de hieróglifos não silábicos (pictografia) para uma forma parcialmente silábica, até a total alfabética. As linguagens hieroglíficas são altamente silábicas (inclusive a egípcia, chinesa e a maia) (pg 147).

Mas esse preconceito com linguagens evoluídas causou um século de demora na tradução dos hieróglifos maias (pg 26). Uma das maiores mentes da pesquisa maia, Sir Eric Thompson, foi também um dos maiores defensores do ‘status quo’. O Dr. Coe escreve, “... quase todo o campo maianista foi voluntariamente escravizado a um estudioso muito dominante, Eric Thompson, que por força da sua personalidade, seu acesso aos recursos da Instituição Carnegie de Washington, seu vasto conhecimento e seu áspero, até mesmo cruel humor, foi capaz de conter [a ideia da linguagem maia como sendo silábica] até depois do seu falecimento em 1975" (pg 164).


Apenas depois da sua morte que a decifração dessa linguagem tomou força entre a maioria dos maianistas como verdadeira. Desde então, entretanto, novos ataques têm ocorrido por muitos dos arqueólogos de campo, que têm se colocado contra os epígrafos e linguistas.

Desde então, no entanto, novos ataques têm ocorrido por parte de muitos arqueólogos de campo que se tem colocado contra os epígrafos e linguistas.

"Atualmente a maioria dos arqueólogos de campo, lamento dizer, são quase totalmente iletrados na escrita maia, exceto por uma possível habilidade de reconhecer datas de Contagem Longa em inscrições. Poucos, se não nenhum deles, têm qualquer conhecimento da língua maia. Compare isto com o que um assiriologista deve saber antes de receber o Ph.D.: o candidato deve ter mestrado tanto de sumério quanto de acadiano cuneiforme, e estar bem fundamentado em uma ou mais das linguagens semíticas.

Imagine alguém chamando a si mesmo de egiptólogo sem poder ler uma inscrição hieroglífica ou um sinologista língua presa em chinês! Como podem os estudiosos iletrados pretenderem estudar uma civilização literata? Eu prevejo que tudo isto vai mudar, e para melhor. (pp. 272-274).

E as pessoas ainda se perguntam por que a arqueologia no Oriente Médio é muito mais adiantada do que na Mesoamérica!

A Escrita Maia e Suas Semelhanças ao Egípcio e ao Livro de Mórmon


Já que O Livro de Mórmon declara ter sido escrito em “egípcio reformado”, embora tenha mudado drasticamente desde o original, podemos ser capazes de encontrar similaridades entre as duras formas de hieróglifos e o idioma hebreu (uma vez que ele foi produzido na escrita dos egípcios e no conhecimento dos judeus). Observe que também existe similaridades entre a linguagem maias e outras linguagens hieroglíficas, incluindo o japonês e o chinês, sugerindo que aquela linguagem pode ter uma mesma fonte.

1. Nos dias de Joseph Smith, muitos acreditavam que os hieróglifos eram pictografias não silábicas que não podiam ser traduzidos diretamente. O Livro de Mórmon refuta essa ideia e sabemos que “todas as escritas conhecidas são parcial ou totalmente fonéticas, e expressam os sons de uma linguagem particular." (pg 25).

2. “... escrita hieroglífica ignora virtualmente as vogais, como nas escritas hebraica e arábica. De fato, temos apenas uma vaga ideia de como as vogais soavam em quaisquer palavras egípcias escritas." (pg 35). Na linguagem Maia acontece da mesma maneira.  Também como em egípcio, “Com as línguas maias as raízes são esmagadoramente monossilábicas, com o padrão ‘consoante-vogal-consoante’ dominante, mas estas são altamente flexionadas, e há partículas especiais adicionadas a elas. Portanto as palavras tendem a ser polissintéticas, frequentemente expressando em uma palavra o que se tomaria toda uma sentença em inglês para fazer.” (pg 51). Isso pode explicar como aproximadamente 50 placas de metal de O Livro de Mórmon podia ser igual a 500 páginas em inglês.

3. Como no Egito, stelae (grandes pedras com inscrições) foram colocadas em locais importantes em honra a governadores e eventos. "Como entre os faraós do Egito, os governantes hereditários e suas famílias e ancestrais eram celebrados nestas inscrições e nos relevos descritos por textos associados. Eram democracias não primitivas ou principados nascentes: a família real e a nobreza eram aristocráticos patronos de artistas, escribas e arquitetos, os quais tinham por única meta glorificar os deuses e a casa governante." (pg 65).

4. As pirâmides maias eram bem similares às egípcias. “Tenho lido em muitos livros que as pirâmides maias não eram nada iguais às egípcias no fato de que elas não eram usadas como tumbas reais. Que isto é absurdo e um despropósito infundado tem sido mostrado vez após vez...”.

De fato, muitos dos maiores complexos ou “palácios” possivelmente eram usados não apenas como residências reais, mas como templos e seminários teológicos (pg 66). Tal uso é similar àquele mencionado em O Livro de Mórmon.

5. Tanto os maias quanto os antigos egípcios tinham “uma prática análoga” de celebrar importantes aniversários e jubileis através do “derramamento ritual do seu próprio sangue pelos governantes e suas esposas”. (pg 67).

6. Descobertas recentes têm encontrado quiasmas, uma forma de paralelismo literário tanto na Bíblia (Isaías) e em O Livro de Mórmon. Agora descobrimos que esse paralelismo era comum entre os maias também.

"[Floyd] também identificou um padrão de dísticos paralelos, um dispositivo retórico espalhado nas culturas indígenas das Américas bem como no Velho Mundo; os Salmos são cheios desses dispositivos, por exemplo:

"Ele torna o deserto num lago, e a terra seca em fontes de água”. Ele é muito usado na moderna oratória maia, especialmente nos discursos rituais, orações e outros usos formais de linguagem… (pg 213)

7. A cerâmica funerária maia foi usada como no Livro dos Mortos Egípcio. “Mantendo em mente minha interpretação do Inferno na cerâmica funerária maia, não é surpresa que eu sugira que o PSS (Primary Standard Sequence) possa ser a forma escrita de um encantamento funerário, talvez como o Livro dos Mortos egípcio, significando a alma do defunto que ele deveria encontrar em sua jornada para Xibalba. Todo o conto dos Heróis Gêmeos (do Popul Vuh) era um tipo de parábola sobre Morte e Ressurreição para a elite maia, então por que não um texto ou formula mágica para assistir aos mortos honrados?” (pp 224-225).

8. Os maias tinham um “culto de macacos ou homens macacos escribas” que era difundida por toda a Mesoamérica. Seus escribas eram representados por um macaco, o qual era patrono dos artesãos, músicos e dançarinos… os maias os elevaram ao status divino, exatamente como os egípcios tomaram o deus babuíno Thoth como patrono de seus escribas e da arte da escrita”. (pg. 226)

Thoth

9. A própria linguagem maia, “exatamente como [seus] homólogos mesopotâmios e egípcios” frequentemente tinha complementos fonéticos adicionados para reforçar a leitura adequada de um sinal. Também como os egípcios, sinais múltiplos teriam o mesmo valor de som, permitindo a livre substituição entre sinais. (pg. 235). Para propósitos estéticos, tanto os maias quanto os egípcios alteravam os sinais dentro de um bloco de glifos, alterando a sua ordem. (pg. 263)

10. Os maias, assim como os egípcios, assinavam seus trabalhos. Este não era um evento comum, uma vez que “antes dos gregos, somente no Egito antigo encontramos obras assinadas, e apenas estes raros exemplos têm assinado suas obras”. Há evidências também de que os “os monumentais textos maias foram originalmente estabelecidos em pedras como desenhos à tinta, como no antigo Egito." (pg. 249).

11. Não eram apenas finas similaridades entre os hieróglifos maias e os do Oriente médio. "A escrita hieroglífica hitita, da Idade do Bronze da Anatólia Central (atual Turquia) que é estruturalmente quase idêntica à escrita Maia.” (pg. 261).

It Came To Pass (literalmente: E veio a passar)

O Livro de Mórmon (e até certo ponto, também a Bíblia) são bem conhecidos pelo termo comum: "It came to pass" (E veio a passar). Percebemos que isto é extremamente comum nos escritos maias também. O termo Maia "iual ut" literalmente significa "and then it came to pass" (e então veio a passar, ver A,B). O termo "utiy" significa "e tinha vindo a passar" ou “e aconteceu” (ver C) (pp 240-241).  Um bom exemplo disso é a Stela 3 em Piedras Negras, que usa este termo 4 vezes em 51 glifos (pp 266-267).

Problemas

Há, obviamente, problemas entre a arqueologia e O Livro de Mórmon. Um deles é mencionado no livro: “Ferramentas de metal eram desconhecidas em qualquer parte da Mesoamérica até que a metalurgia de  cobre e ouro foram introduzidas a par do noroeste da América do Sul pouco antes do ano 900 d.C. (pg. 68). O livro de Mórmon discute o uso de ferramentas de metal, embora a espada de Labão e o arco de aço de Néfi serem considerações especiais, provavelmente devido ao seu alto conteúdo. É possível que SE os Nefitas forem os Zapotecas/Maias, o seu uso de armas e ferramentas de metal era muito limitado devido à falta de conhecimento na fundição de metais. Em todo caso, tais armas e ferramentas podem não terem sido descobertos ainda porque as escavações tem sido limitadas o financiamento de escavações arqueológicas na Mesoamérica está ficando escasso. (pg 271).

Além disso, a quase total eliminação dos livros pelos espanhóis e o entesouramento por parte dos espanhóis, de metais preciosos também pode ter causado a destruição de muitas dessas armas e ferramentas.

Conclusão

Em todo caso, novamente, nada é provado; entretanto, podemos entender a partir disto que:

1.A ciência e os cientistas não são perfeitos e frequentemente deixam que seus valores interfiram no seu julgamento.

2.O período Pré Clássico se encaixa muito bem em O Livro de Mórmon e há pouca informação disponível desse período devido às últimas construções e destruições que ocorreram.

3.Há similaridades entre o Maia Clássico, o egípcio e O Livro de Mórmon.

4.Há questões que ainda devem ser resolvidas, inclusive se eles não estiveram na Mesoamérica, onde estiveram e quem eram os Nefitas e Jareditas?

5.Há muitas noções preconceituosas tanto a respeito da ciência/arqueologia e O Livro de Mórmon. Algumas dessas noções estão corretas, porém muitas outras são baseadas em idéias que ainda não foram provadas ou sobre tolices. Tanto os cientistas quantos os religiosos têm um longo caminho a percorrer até que encontrem toda a verdade sobre os fatos.

Bibliografia

Breaking the Maya Code, by Michael D. Coe.   

Thames and Hudson, Inc., reprinted 1995.

ISBN 0-500-27721-4