NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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sábado, 10 de novembro de 2012

GEOGRAFIA - Procurando Pela Cidade Jaredita de Lib

Sua Identificação Poderia Ser Comprovada?

por
 V. Garth Norman
Maio/2005

Traduzido por Elson C. Ferreira – Curitiba/Brasil – Setembro/2005


“Bem-vindos ao Mundo do Livro de Mórmon!” 

Com o avanço das pesquisas históricas e arqueológicas da Mesoamérica e do Livro de Mórmon, este anúncio será concebível num futuro não muito distante. Essa meta será alcançada somente se (ou quando) alguma cidade específica do Livro de Mórmon for encontrada, com um registro no próprio lugar, tempo e cultura requeridos pelo texto e se o nome desta cidade for descoberto entre suas ruínas.
Total confirmação deve, certamente, repousar sobre futuras descobertas, como se fossem peças de um quebra-cabeça, na exploração da geografia histórica do Livro de Mórmon. Nenhuma simples descoberta pode ficar isolada. É gratificante ver que as pesquisas especulativas do passado progrediram em direção à exploração genuína, resultando em descobertas que estão trazendo à luz o mundo do Livro de Mórmon.

A identificação da cidade de Libe, no meu ponto de vista, seria realisticamente possível devido à sua localização específica descrita por Morôni, se pudermos entender suas palavras corretamente. Devemos começar com os locais específicos identificáveis baseados no texto. Morôni parecia ter conhecimento de onde a cidade de Libe estava localizada porque adiciona uma descrição detalhada que não significa nada para o texto em si, a não ser pelo fato de que ele desejava que sua descrição fosse identificável. Eu acredito que o texto se tornará muito claro quando localizarmos a cidade de Libe. Vamos dar uma olhada nos detalhes do texto:

O povo de Libe é posterior à matança das serpentes venenosas que bloquearam o caminho para o deserto cheio de animais selvagens, através da estreita faixa de terra. Mórmon também identificou aquele deserto como sendo a terra de Abundância dos nefitas, o qual “é cheio de todo tipo de animais selvagens de toda espécie”; (Alma 22: 31) sem dúvida alguma, uma região tropical.

Identificamos anteriormente a terra de Abundância no Estado mexicano de Tabasco, e mostramos evidências sobre o significado do nome “abundância” entre os povos indígenas e sua derivação de duas palavras vindas do idioma hebreu: Tob e shoa (Norman 2004). O povo de Libe cruzou o deserto e construiu uma grande cidade perto da estreita faixa de terra. Morôni então acrescentou que sua localização era “perto do lugar onde o mar divide a terra”. (Éter 10: 19-20)

O que isto significa?

Não há nenhuma outra referência à estreita faixa de terra no Livro de Mórmon, que tenha esta descrição; desse modo ela tem que ser uma característica específica entre a estreita faixa de terra sem deserto onde o mar literalmente corta a terra. Nós sabemos que duas das grandes cidades olmecas dos tempos jareditas se qualificam a esta descrição: San Lorenzo e La Venta, localizadas no istmo de Tehuantepec, a quase 50 milhas dali (Mapa de La Venta (de Bernal 1969, Figura 2). Note a ilha, que foi no passado uma ilha do mar)


Considerando a grande cidade de Libe e seu império, não há outra possibilidade dentro deste território tão  limitado. A questão é se os remanecentes arqueológicos e as inscrições poderiam identificar a cidade de Libe e suas antigas raízes culturais no Oriente Médio, o que será considerado na parte 2 deste trabalho.

Num documento de 1984 eu especulei que o local de divisão da terra poderia ser a larga desembocadura do Rio Coatzacoalcos, banhada pelas altas marés do Atlântico, mas não há ali nenhuma grande cidade olmeca. Então eu especulei que San Lorenzo, cidade localizada a 40 milhas acima de uma ilha desse rio, poderia ser esse lugar, mas é um rio e não o mar que divide aquela terra, portanto deveria haver algum erro de tradução ao traduzir a palavra rio como mar, para que esse local se qualificasse como a cidade de Libe. Arqueologicamente, San Lorenzo qualifica-se completamente como a cidade de Libe; ela data exatamente do mesmo período de tempo. Libe, na sua 14ª geração, está a meia geração da história jaredita, aproximadamente em 1400 a 1200 a.C. quando San Lorenzo foi construída. Mudanças políticas refletidas na escavação de registros também se encaixam com a história jaredita.

A devastação geográfica dessa região explica-se porque San Lorenzo pertence ao densamente habitado Golfo Costeiro da região olmeca, ao sul de Veracruz. Observe a existência das oito cidades dentro das 25 milhas e outras mais ao norte, onde “toda a face da terra do norte estava coberta de habitantes” (Éter 10:21).

San Lorenzo está na maior comunicação de rota trans-ístmo ao longo do Rio Coatzacoalcos para o lado do Pacífico que, indubitavelmente nunca foi fechado para o tráfego durante qualquer período de tempo.

Eu também havia especulado que a região das grandes lagoas na costa do Pacífico fosse o lugar onde o mar divide a terra, mas não há nenhuma grande cidade olmeca naquela região, e nenhuma floresta tropical levando para a terra ao sul. Além disso, evidências favorecem a planície de Tehuantepec como sendo essa “estreita passagem”.

Todas as evidências na análise final me levam para a grande cidade olmeca de La Venta. Ela está a apenas 25 milhas do Rio Coatzacoalcos, assim ela está literalmente junto à “estreita passagem”, o ponto de travessia ao longo de todo o Rio Coatzacoalcos.

Mas onde, em La venta, há uma característica distinta onde “o mar divide a terra”?

Enquanto eu pesquisava para compor este documento, voltei aos relatórios das escavações de La Venta (Drucker 1952). Enquanto lia a seção “Geographical Setting”, fiquei aturdido por algo que jamais havia visto ou ouvido antes. Eu sabia que La Venta estava num terreno alto, perto o bastante de uma extensa região alagada assim como outras cidades na vasta planície costeira de Tabasco, que ficava inundada e intransponível, devido às águas dos rios Tonala e Grijalva, durante a estação das chuvas. O que eu não sabia, enquanto lia trouxe a descrição de Morôni para a completa luz. Aquela seção é tão significativa que merece ser citada.

O viajante na região não pode senão ficar impressionado pela repentina mudança dos montes de terra vermelha de Minatitlan, que são uma gradual extenção das ladeiras das montanhas de Tuxtla, e as altas dunas de areia ao redor de Puerto Mexico (Coatzacoalcos), para a planície inundada, pouco acima do nível do mar, que se estende por milhas em direção ao leste, ao longo da costa. Toda esta zona inundada deve ter sido antigamente um mar aberto – uma grande baía que gradualmente foi sendo assoreada.

Geólogos, especialistas na exploração de petróleo que trabalhavam na região de La Venta, disseram-me que testes e operações de drenagem mostram um depósito de quase cem de pés de profundidade de lodo, estendendo-se para baixo da atual superfície, com ocasionais bancos de conchas marinhas ou de água salgada. Cerâmica e fragmentos de estatuetas freqüentemente são retiradas de consideráveis profundidades deste lodo. Podemos estar certos de que estes objetos não representam antigos horizontes enterrados por lodo moderno, mas indubitavelmente são coisas perdidas que caíram das canoas no tempo em que alí havia mais água do que nos dias atuais.  (Drucker 1952: 4)

Estudos geológicos desta região mostram uma terra subsidente no distrito de La Venta tão diferente da região alta mais ao leste, longo da costa de Tabasco. Além disso, um antigo e largo canal do Rio Grijalva costuma drenar La Venta para o Golfo Costeiro, que deve ter expandido a ilha marinha durante a estação das chuvas, aumentando as águas das marés altas, e construindo depósitos através dos tempos, o que pode ter contribuído para que o canal do rio fosse desviado para o leste.

Agora estou convencido de que La Venta, a maior grande cidade dos Olmecas ao sudeste, literalmente construída no “lugar onde o mar divide a terra” está no local onde devemos procurar se quisermos identificar a cidade de Libe, o que será considerado mais adiante na parte 2 deste documento.

Referências:

Bernal, Ignacio. The Olmec World. University of California Press, 1969.

Drucker, Philip. La Venta, Tabasco; A Study of Olmec Ceramics and Art. Smithsonian Institution Bureau of American Ethnology, Bulletin 153. Washington, 1952.

Norman, V. Garth. “San Lorenzo as the Jaredite City of Lib.Newsletter and Proceedings of the S..E.H.A. No. 153. June. Provo, Utah: SEHA, 1983.

Norman, V. Garth. “Where was the Land Bountiful? Possible Place Name in Mesoamerica with a Biblical Prototype.” AAF Notes, www.ancientamerica.org. 2004.


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