NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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domingo, 9 de setembro de 2012

LDM - Ânti-Néfi-Leí


Excertos de
Step by Step Through the Book of Mormon
(Passo a Passo Através do Livro de Mórmon, não publicado)
de Alan C. Miner e notas pelo autor.
Alan C. Miner
Tradutor: Elson C. Ferreira – Curitiba/2010
No relato missionário dos filhos de Mosias aprendemos que os lamanitas convertidos por Amon e seus irmãos tomaram sobre si o nome de “Ânti-Néfi-Leí”.
17 E aconteceu que escolheram o nome de ânti-néfi-leítas; e foram chamados por esse nome e não mais foram chamados de lamanitas. (Alma 23:17).
O leitor deve notar que o nome não é “Leí-Néfi”, como a cidade que Zenife herdou, mas “Néfi-Leí”. A questão é: Por que este nome? Que significado esse nome tem?

Parece que Ânti-Néfil-Leí era irmão de Lamôni e devido à morte de seu pai se tornou então o rei.
3 Ora, o rei passou o reino a seu filho, a quem deu o nome de Ânti-Néfi-Leí. (Alma 24:3).
Aparentemente, Ânti-Néfi-Leí era simpático à causa de Amon e o povo podia concordar em tomar seu nome ou ele tinha dado ao povo seu nome, possivelmente alguma conexão com direitos, liberdade ou privilégios que lhes foram concedidos.
5 Ora, quando Amon e seus irmãos e todos os que haviam vindo com ele viram os preparativos dos lamanitas para destruírem seus irmãos, dirigiram-se à terra de Midiã e lá Amon encontrou todos os seus irmãos; e de lá se dirigiram à terra de Ismael, para reunirem-se em conselho com Lamôni e também com seu irmão, Ânti-Néfi-Leí, a fim de decidirem o que deveriam fazer para defender-se dos lamanitas. (Alma 24:5)
O leitor deve observar que em Alma 24:23-27, não apenas os conversos recusaram tomar suas espadas, mas também foram ordenados por seu rei a não fazê-lo, e isto impressionou tanto os outros lamanitas que eles não apenas pararam a matança, mas (muitos deles) também se converteram.
  23 Ora, quando os lamanitas viram que seus irmãos não fugiam da espada nem se voltavam para a direita nem para a esquerda, mas que se deitavam e morriam e louvavam a Deus até mesmo no momento de serem abatidos pela espada—
24 Ora, quando os lamanitas viram isso, abstiveram-se de matá-los; e muitos houve que se sentiram condoídos pelos seus irmãos que haviam caído pela espada, porque se arrependeram do que haviam feito.
25 E aconteceu que arremessaram ao chão suas armas de guerra e não as quiseram mais pegar, porque estavam compungidos pelos assassinatos que haviam cometido; e ajoelharam-se, assim como seus irmãos, confiando na clemência dos que tinham os braços levantados para matá-los.
26 E aconteceu que, naquele dia, ao povo de Deus juntaram-se mais do que os que haviam sido mortos; e os que foram mortos eram justos; não temos, portanto, razão para duvidar de que foram salvos.
27 E não havia um homem iníquo entre os que foram mortos; mais de mil, porém, chegaram ao conhecimento da verdade; e assim vemos que o Senhor trabalha de vários modos para salvar seu povo.
É significativo o fato de que “o povo de Ânti-Néfi-Leí” (Alma 27:25) não é mais mencionado por este nome novamente depois que eles se uniram aos nefitas, mas sim pelo nome de “povo de Amon”.
26 E aconteceu que isso foi motivo de grande alegria para eles. E desceram à terra de Jérson e tomaram posse da terra de Jérson e foram chamados, pelos nefitas, povo de Amon; portanto, por esse nome distinguiram-se dos outros para sempre. (Alma 27:26).
Se Anti-Néfi-Leí era originalmente o irmão do rei Lamoni, o povo de Anti-Néfi-Leí provavelmente dependia dele como patrono ou mediador para sua existência e segurança enquanto estavam na terra de Néfi. Quando esse povo entrou na terra de Zaraenla, eles precisaram de outro patrono ou mediador, e aparentemente Amon foi essa pessoa.  [Alan C. Miner, notas pessoais]

 Kent P. Jackson e Darrell L Matthews

Os Ânti-Néfi-Leítas obedeciam a lei de Moisés, acreditavam que ela era um protótipo da vinda de Cristo (Alma 25:15). A obediência a essa lei fortaleceu sua fé em Cristo:
15 Sim, e guardaram a lei de Moisés; pois era necessário que ainda guardassem a lei de Moisés, porque não estava toda cumprida. Mas, não obstante a lei de Moisés, aguardavam ansiosamente a vinda de Cristo, considerando a lei mosaica um símbolo de sua vinda e acreditando que deviam praticar aquelas cerimônias exteriores até o tempo em que ele lhes fosse revelado.
16 Ora, eles não acreditavam que a salvação lhes viesse por meio da lei de Moisés; a lei de Moisés, porém, serviu para fortalecer-lhes a fé em Cristo; e assim, por meio da fé, mantinham a esperança da salvação eterna, confiando no espírito de profecia que falava dessas coisas futuras. (Alma 25:15-16)
Essa é uma das declarações finais nas escrituras a respeito do papel da lei de Moisés como um “tipo, um símbolo ou padrão da missão de Cristo”. [Kent P. Jackson e Darrell L. Matthews, The Lamanite Converts Firm in the Faith, in Studies in Scripture: Book of Mormon, (Os Conversos Lamanitas Firmes Na Fé, em Estudo das Escrituras: O Livro de Mórmon, Parte 1, pp. 337-339]

Brant Gardner

Uma das histórias mais famosas do Livro de Mórmon é a inspiradora coragem dos Anti-Néfi-Leítas que deram suas vidas pelo evangelho em vez de pegar em armas contra seus irmãos (ver Alma 23:16-2 , 5:2). De acordo com Brant Gardner, esta é uma grande história mas é repleta de problemas. O maior problema que a história apresenta é o grande contraste entre a aparente exaltação do pacifismo e a clara contradição desse princípio no restante do Livro de Mórmon. Como é que o pacifismo pode ser tão importante para os Ânti-Néfi-Leítas, mas sem importância para os nefitas que prontamente pegam em armas em defesa própria? Como é que esse princípio é tão forte para uma única geração de Ânti-Néfi-Leítas, já que, no futuro seus filhos pegarão em armas em defesa de seu novo país?
Em Alma 24:9-10, seja Lamoni ou Anti-Néfi-Leí declara:
  9 E eis que também agradeço a meu Deus que, por iniciarmos essas relações, nos tenhamos convencido de nossos pecados e dos muitos homicídios que temos cometido.
  10 E agradeço também a meu Deus, sim, meu grande Deus, por haver-nos permitido que nos arrependêssemos dessas coisas e também por haver-nos perdoado nossos inúmeros pecados e os assassinatos que temos cometido; e por ter-nos aliviado o coração da culpa, pelos méritos de seu Filho.

Os leitores podem observar que o pecado em particular era o “assassinato”. Era um pecado que o povo de Ânti-Néfi-Leí aparentemente aceitavam, mesmo as mulheres e as crianças de certa idade. Quando teriam eles cometido assassinato? Em batalha as as casualidades raramente são chamadas de assassinato e mesmo que aceitemos que essas mortes em batalha se constituem em assassinato, o que falar das mulheres e crianças? Por que eles estavam sob a mesma condenação, mas os jovens e crianças não?
A resposta repousa no contexto politico e religioso do culto da Guerra e à frase "visto que tudo o que pudemos fazer (pois éramos os mais perdidos de todos os homens) foi arrependermo-nos de todos os nossos pecados e dos muitos assassinatos que tínhamos cometido" (Alma 24:11).
Este era um povo cuja concepção do mundo foi construída ao redor da idéia de que o sangue humano era requerido pelos deuses para a continuação do mundo. É difícil para os leitores modernos entenderem a profundidade da mudança que está veiculada para as pessoas com aquela visão de mundo, para a aceitação do evangelho. Isto requer não apenas uma mudança de religião, mas uma mudança de ciência, uma mudança de cosmologia. Seu próprio entendimento da mecânica do universo tinha que mudar. Não admira que fosse tão difícil para eles essa mudança. Vendo o mundo pelos olhos do evangelho, não é de se admirar que eles tenham visto os sacrifícios do culto da Guerra como assassinatos e que sua participação naquela religião e visão de mundo teria manchado a todos, mesmo as mulheres e crianças com idade suficiente para ter sido doutrinados nesta visão de mundo. Quando os Ânti-Néfi-Leítas jogaram suas armas, isto não estaria fora de algum princípio de pacifismo, mas de temor, de aversão de seus antigos caminhos. Como alcoolistas abstêmios, sua melhor chance para manter suas novas convicções era ficar longe dos sentimentos e atitudes dos caminhos antigos. [Brant Gardner, "A Social History of the Early Nephites," Ago.2001, pp. 12-13]
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