NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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sábado, 21 de abril de 2012

CONFERÊNCIA POPOL VUH

O Popol Vuh


Tradução de Elson C. Ferreira – Curitiba/Brasil – Abril/2012

de.jerusalem.as.americas@gmail.com


Nos dias 2 e 3 de Março de 2012, a Universidade da Califórnia, Merced, patrocinou um simpósio intitulado “Popol Vuh! Simpósio em Celebração à Criação do Antigo Mito da Literatura, Iconografia, Epigrafia, Etnohistória e Arqueologia". A conferência destacou o  Dr. Michael Coe como principal palestrante, juntamente com outros proeminentes estudiosos da cultura Maia, incluindo o Dr. Allen Christenson, Professor de Estudos Pré Colombianos da Universidade Brigham Young.
Este é um relatório dessa conferência, produzido por Joseph e Blake Allen, e Ted Dee Stoddard.

Obviamente, a conferência tratou das  civilizações da antiga Mesoamérica sob várias perspectivas—especialmente os Maias, que foram vistos como a "civilização mãe" do Novo Mundo por pouco mais de um século após a publicação de O Livro de Mórmon em 1830. Numerosas referências também foram feitas aos Olmecas, os quais desde os anos de 1940 têm tido a distinção de ser a “civilização mãe” do Novo Mundo.

Se os eventos de O Livro de Mórmon no Novo Mundo aconteceram na Mesoamérica, como nós inequivocamente afirmamos que aconteceram, então sugerimos que aqueles que acreditam em O Livro de Mórmon devem estar bem informados a respeito das descobertas arqueológicas, geográficas, históricas e culturais com respeito aos Maias e aos Olmecas, que podem impactar no nosso conhecimento a de O Livro de Mórmon. 

Entretanto, nossas estimativas não oficiais sugerem que apenas algo em torno de 10% dos membros adultos de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias” têm algum conhecimento substancial dos Olmecas e dos Maias—essa estimativa é especialmente correta em relação aos Olmecas. Além disso, estimamos que até menos de 10% dos membros adultos da Igreja estão informados com respeito ao Popul Vuh. “Que tragédia!” dizemos a nós mesmos.

Continuamos afirmando que uma das metas dos Mesoamericanistas de O Livro de Mórmon deve ser a de ajudar a ensinar os membros da Igreja sobre as culturas Mesoamericanas que existiam durante os eventos registrados em O Livro de Mórmon. Este pensamento engloba informações a respeito do livro Mesoamericano que conhecemos hoje pelo nome de Popol Vuh.

Simplistamente, o que é o Popul Vuh? Citamos aqui informações do próprio anúncio do simpósio: 
O Popul Vuh dos antigos Maias é um dos mais antigos e completos textos literários Pré Colombianos que sobreviveu à Conquista Espanhola. Seu texto foi traduzido mais de 82 vezes para idiomas europeus e Maias, bem como para o chinês, coreano e japonês. Sua poesia elegante tem sido comparada à Ilíada, à Odisseia da Grécia ou à Ramayana da Índia. É comumente referenciada como a "Bíblia" Maia e esta analogia  é bem merecida, conquanto ele é de fato "bíblico" em sua profundidade temporal e fundamentos cosmológicos abrangentes. Mas aqui terminam as comparações, já que é demonstrativamente um texto antigo, parte do qual pode ser atribuído ao período Pré Clássico. Seu texto tem se tornado um recurso valioso para o entendimento da cosmologia, mitologia e religião Maia, e abre uma janela na alma do antigo povo Maia, dando-nos um vislumbre de seus valores, moral e crenças.  
·       O Popul Vuh claramente é um antigo texto Mesoamericano cujas origens provavelmente coincidem com os períodos Médio Pré Clássico ou Pré Clássico Tardio, ou seja, a época de origem que coincide em algum ponto com os Nefitas de  O Livro de Mórmon. (Ver também “Popol Vuh Discovery,” http://www.miradorbasin.com/; use o link para ler a respeito do trabalho do Dr. Richard Hansen nas planícies Maias da Mesoamérica).  
·       O Popul Vuh original era um livro hieroglífico associado com os povos que viveram nas planícies Maias. "Dos muitos livros hieroglíficos que existiram nas planícies, inclusive a versão Pré Colombiana do Popul Vuh, não se sabe de nenhum outro que tenha sobrevivido". (Allen J. Christenson, Popul Vuh: The Sacred Book of the Maya [Norman: University of Oklahoma Press, 2007], 34) 
·       As autoridades que conduziram a Conquista espanhola destruíram sistematicamente os livros hieroglíficos dos Maias. Aparentemente, escribas Quiche Maya em algumas instâncias tentaram "preservar o que eles podiam de sua literatura transcrevendo seu conteúdo para alguma forma que as salvaria dos ardentes expurgos das autoridades cristãs". (Christenson, 36) O Popol Vuh aparentemente era uma das tais transcrições da versão hieroglífica do exemplar Quiche Maya, provavelmente  dos anos 1554–58 d.C. 
·       Em algum tempo entre 1701–04 d.C., Francisco Ximenez, sacerdote da paróquia de Chichicastenango, soube da tradução Quiche, obteve o manuscrito e o traduziu para o espanhol. "Não se sabe o que aconteceu com o manuscrito do Século XVI, embora presumivelmente o Padre Ximenez o tenha devolvido aos seus proprietários Quiche. É possível que o original ainda possa estar na posse dos mais velhos da vila ou nos arquivos da cidade de  Chichicastenango”. (Christenson, 40) 
·       A tradução de Ximenez foi esquecida até quase à época da Guerra Civil Guatemalteca em 1829. Em 1854, Carl Scherzer, austríaco, viu o manuscrito, obteve uma cópia, levou-a consigo para a Europa e então publicou a versão espanhola de Ximenez em 1856, a primeira vez que o Popol Vuh apareceu impresso.
·       Desde então, mais de oitenta traduções foram feitas, a maioria das quais a partir da versão espanhola de Ximenez. Entretanto, como resultado final de sua missão para a Igreja SUD entre os Quiche Maia das terras altas da Guatemala, Allen Christenson traduziu o Popol Vuh da versão Quiche para o  idioma inglês. 
·      Na conferência Popul Vuh em Merced, o respeito e a admiração por Allen Christenson entre seus participantes era óbvio. Provavelmente ele era a única pessoa na audiência que era fluente no idioma Quiche Maya, e sua tradução do Popol Vuh da versão Quiche (em vez da versão espanhola) inquestionavelmente por si mesma o estabeleceu como o principal estudioso do Popol Vuh presente na conferência. 
 ·       No seu "Prefácio do Tradutor" o Dr. Christenson disse: "O Popul Vuh é o mais importante exemplo da literatura Maia Pré Colombiana que sobreviveu à Conquista espanhola". Nós entendemos a veracidade e a lógica dessa declaração conquanto ela se relacione com a Conquista espanhola. Entretanto, da perspectiva da Mesoamérica como o local de todos os eventos de O Livro de Mórmon no Novo Mundo, nós preferimos a seguinte declaração: "O Livro de Mórmon é o mais importante e mais acurado documento traduzido que pode estar associado com a literatura Maia Pré Colombiana".
·       Alguns estudiosos da cultura Maia presentes na conferência de Merced, especialmente o Dr. Michael Coe, desassociou o Popol Vuh de qualquer conexão com a Bíblia e até da cristandade. Nós discordamos dessa atitude e postura, e afirmamos que uma leitura cuidadosa do Popol Vuh confirmará muitas correlações entre a Bíblia e o Popol Vuh. Por exemplo, na seção "O Mundo Primordial", nós lemos o seguinte:
“Este é o relado de quando tudo ainda era silente e plácido. Tudo era silente e calmo. Silencioso e vazio era o ventre do céu.
Estas, então, são as primeiras palavras; a primeira fala. Não há ainda pessoa alguma, algum animal, pássaro, peixe, caranguejo, árvore, pedra, cavidade, cânion, campo ou floresta. Só o céu existe. A face da terra ainda não tem aparência. Só há a expansão do mar, junto com o ventre de todo o céu. Ainda não há nada reunido. Nada se mexe. Tudo está lânguido, em descanso no céu. Ainda não há nada que esteja ereto. Apenas a expansão da água, apenas o tranquilo mar repousa só. Ainda não há nada que possa existir. Tudo repousa plácido e silente na escuridão, na noite. (Elson C. Ferreira/2012, à partir de Christenson, 68–69)
Como outro exemplo, na seção “The Maiden Lady Blood and the Tree of One Hunahpu” (O Sangue da Moça e a Árvore de One Hunahpu), lemos o seguinte:
“Quando ela ouviu o relato do fruto da árvore conforme dito por seu pai, ela ficou impressionada com a história:
"Posso eu não vir a conhecê-lo, vendo a árvore de que se tem falado? Eu ouço que seu fruto é verdadeiramente delicioso", ela disse.
Assim ela foi sozinha em baixo da árvore que estava plantada: 
  Ah! Que é o fruto dessa árvore? Não é o fruto nascido dessa árvore de delícias? Eu não morreria, Eu não me perderia. Seria ouvido se eu colhesse um? perguntou a moça.
Então falou a caveira do meio da árvore:
O que é que desejas disso? É meramente uma caveira, uma coisa redonda colocada nos ramos das árvores”, disse a cabeça de Hunahpu quando falou à moça. "Tu não o desejas", foi dito a ela.
"Mas eu o desejo", disse a moça.
"Muito bem então, ergue tua mão direita para que eu a possa ver", disse a caveira.
"Muito bem", disse a moça. 
E então ela ergueu sua mão direita diante da face da caveira.”
Não estamos profetizando nada mais do que acreditamos que os escritores originais do Popol Vuh devem ter algum conhecimento, pelo menos em certa medida, a respeito da história da criação conforme lemos no Antigo Testamento da Bíblia. Além do mais, os Nefitas tinham essa informação a partir das Placas de Latão de Labão. Muito provavelmente eles disseminaram essa informação por diversas vezes aos seus “irmãos” lamanitas.
·       Por outro lado, alguns estudiosos da cultura Maia presentes na conferência deram a entender que o Popol Vuh, como o conhecemos hoje em dia, muito provavelmente teria recebido conteúdo adicional que pode ser correlacionado com a Bíblia, pois os autores originais da tradução Quiche não estavam preocupados com as terríveis consequências associadas com seu envolvimento com tal conteúdo, se as autoridades espanholas descobrissem a tradução Quiche. Ou seja, os estudiosos do Popol Vuh vêm uma lacuna no conteúdo do Popol Vuh atual, e essa lacuna talvez tenha sido preenchida com conteúdo adicional que pode estar relacionado à Bíblia.
·       Alguns estudiosos da cultura Maia parecem estar convencidos de que evidências do Popol Vuh são encontradas difusamente na maior parte da “literatura, iconografia, epigrafia, etno história e arqueologia” dos Maias, começando em algum ponto do Período Pré Clássico e se estendendo pelo Período Clássico. 
·       Além do próprio O Livro de Mórmon, o Popol Vuh é provavelmente a mais válida evidência de que os Maias (os quais, da nossa perspectiva), viveram quase exclusivamente no território da terra do sul de O Livro de Mórmon, e possuíam um sistema de escrita de alto nível, item que é um requerimento crítico na tentativa de alguns em identificar o Novo Mundo como o local das terras de O Livro de Mórmon. Nesse respeito, Bartolome de las Casas, uma das primeiras autoridades espanholas na Guatemala, escreveu que os livros hieroglíficos dos Maias continham a história das origens dos povos e crenças religiosas e estavam escritos através de “figuras e caracteres pelos quais eles podiam fazer significar tudo o que desejavam; e que esses grandes livros são de tal astúcia e sutileza técnica que nós poderíamos dizer que os nossos registros não oferecem muito como vantagem.” Ou, como disse Allen Christenson, “Devido à sua natureza fonética, os glifos Maias podem ser colocados juntos para formar qualquer palavra que se possa pensar ou falar.” (Christenson, 33) Além disso, o único lugar no Novo Mundo onde um sistema de linguagem escrita foi utilizado durante o período Nefita de O Livro de Mórmon, ficava no país Maia onde o Popol Vuh foi escrito—território hoje conhecido como Mesoamérica e referido pelos Nefitas em O Livro de Mórmon como terra do sul. 
·       Conforme Allen Christenson observa, “Os autores do Popol Vuh deixaram claro que eles basearam seus escritos num texto trazido do litoral Maia.” Este fato por si só sugere que não devemos tirar o litoral Maia de qualquer proposta para a geografia de O Livro de Mórmon. Aprendemos em O Livro de Mórmon que os “Nefitas Maias” ensinaram os “Lamanitas Maias” a escrever, em alguma época no segundo século antes de Cristo (ver Mosias 24:6)—uma época em que, aparentemente, se correlaciona estreitamente com a origem do Popol Vuh.
Obviamente, os estudiosos da cultura Maia têm muito mais a aprender a respeito e com o Popol Vuh. De modo similar, os estudiosos de O Livro de Mórmon têm uma tarefa ainda maior de correlacionar as descobertas associadas com o Popol Vuh e com a mensagem e origem de O Livro de Mórmon.
 Blake J. Allen, Joseph L. Allen, Ted Dee Stoddard.