NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Reexplorando O Livro de Mórmon – Capítulo 5

John W. Welch
Traduzido e publicado com autorização pessoal do autor a Elson C. Ferreira – Curitiba/Brasil – Junho/2011 elsonferreira@gmail.com

CONSISTÊNCIA TEXTUAL

“E estando desta maneira dominado pelo Espírito, foi arrebatado em uma visão e viu os céus abertos e pensou ter visto Deus sentado em seu trono, rodeado de inumeráveis multidões de anjos, na atitude de cantar e louvar a seu Deus.” (1 Néfi 1: 8)

O modo geral de tradução usado por Joseph Smith para traduzir O Livro de Mórmon é bem conhecido. Ele ditou o texto ao escrevente enquanto traduzia o registro, passando pelo texto apenas uma vez. Entretanto, as pessoas não costumam parar para pensar nas implicações e desafios dessa maneira formidável e não usual de escrever.
Por um lado, ditar a cópia final de uma carta, quanto mais um livro, pela primeira vez é extremamente difícil, no entanto o Manuscrito Original do Livro de Mórmon é impressionantemente claro. Há bem poucas rasuras e apenas mudanças menores foram feitas quando o livro foi para publicação. A grande maioria dessas mudanças envolveu casos de ortografia, capitalização, pontuação e gramática.

Ainda mais impressionante é a extensiva e intrincada consistência dentro do Livro de Mórmon. Passagens unidas entre si precisa e acuradamente apesar de separadas por centenas de páginas de texto  e ditadas com distanciamento de semanas. Abaixo estão quatro desses impressionantes exemplos:

Em Alma 36, Alma conta a história de sua conversão. Ao descrever a alegria que experimentou e o desejo que sentiu em sua alma para estar com Deus, Alma pensou na experiência de Leí:

Sim, parecia-me ver, assim como nosso pai Leí viu, Deus sentado em seu trono, rodeado por inúmeras multidões de anjos na atitude de cantar e louvar a Deus; e minha alma sentia o desejo de lá estar.” (Alma 36: 22)

Essas palavras não são meramente uma memorização do registro escriturístico da visão de Leí. Há vinte e uma palavras que são citadas textualmente de 1 Néfi 1, que declara que Leí “pensou que ele viu Deus sentado sobre seu trono, rodeado por inúmeros concursos de anjos na atitude de cantar e louvar a seu Deus.” (1 Néfi 1: 8 – tradução livre do inglês)

Obviamente que Alma está citando diretamente do registro da visão de Leí, no qual ele aprendeu sobre a iminente destruição de Jerusalém. Faz sentido que Alma tinha conhecimento dessas palavras, já que ele tinha o encardo das Placas Menores de Néfi (ver Alma 37: 2), que continha essa sentença.

A coisa mais impressionante a respeito dessas duas passagens (separadas por centenas de páginas) é que elas foram traduzidas independentemente por Joseph Smith. É muito improvável que Joseph Smith tenha pedido a Oliver Cowdery que lesse para ele o que havia traduzido antes para que ele pudesse ter a citação exatamente igual. Se isso tivesse acontecido, Oliver Cowdery indubitavelmente o teria questionado e perdido a fé na tradução.

2. Outro exemplo vem de Helamã 14: 12. Samuel o Lamanita fala da vinda de Cristo para o povo da cidade de Zaraenla:

E também para que saibais da vinda de Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Pai do céu e da Terra, o Criador de todas as coisas desde o princípio;

As vinte e duas palavras em itálico parecem ser um padrão nefita de terminologia religiosa derivada das palavras dadas ao rei Benjamin pelo anjo de Deus:

E ele chamar-se-á Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Pai dos céus e da Terra, o Criador de todas as coisas desde o princípio; e sua mãe chamar-se-á Maria.” (Mosias 3: 8 – itálicos acrescentados)

Estas palavras sagradas identificando o Salvador, evidentemente se tornaram importantes na adoração nefita depois que elas foram reveladas através de Benjamin. Samuel o Lamanita teria tido a oportunidade de aprender essas palavras através do ministério dos irmãos Néfi e Leí entre os lamanitas (ver Helamã 5: 50) pois as palavras do rei Benjamin foram especialmente importantes para Leí e Néfi. Helamã, seu pai, os havia encarregado em particular de "Lembrai-vos, lembrai-vos, meus filhos, das palavras que o rei Benjamim disse a seu povo;”  Néfi e Leí provavelmente usaram as exatas palavras do rei Benjamin em sua pregação, exatamente como seu pai havia citado a eles algumas das palavras de Benjamin:

“...sim, lembrai-vos de que nenhum outro caminho ou meio há pelo qual o homem possa ser salvo, a não ser por meio do sangue expiatório de Jesus Cristo, que virá; sim, lembrai-vos de que ele vem para redimir o mundo.” (Helamã 5: 9)

Pois eis que ele julga e seu julgamento é justo; e a criança que morre ainda na infância não perece; mas os homens bebem condenação para sua própria alma, a não ser que se humilhem e tornem-se como criancinhas; e acreditem que a salvação veio e vem e virá no sangue e pelo sangue expiatório de Cristo, o Senhor Onipotente. (Mosias 3: 18)

E este é o meio pelo qual é concedida a salvação. E não há qualquer outra salvação, a não ser esta que foi mencionada; tampouco há outras condições pelas quais o homem possa ser salvo, exceto aquelas de que vos falei.” (Mosias 4: 8)

3. .Outro exemplo é encontrado no relato das destruições em 3 Néfi 8: 6-23, cumprindo a profecia de Zenos, preservada em 1 Néfi 19: 11-12. O antigo profeta predisse que haveria trovões e relâmpagos, tempestades, fogo e fumaça, vapor de escuridão, a abertura da terra, montanhas sendo levadas, rochas sendo fendidas, e a terra gemendo. O cumprimento de sua profecia é registrado centenas de anos (e páginas) mais starde. O capítulo 8 do livro de Terceiro Néfi fala expressamente das mesmas coisas: tempestades, trovões, relâmpagos, fogo, a terra sendo carregada para se tornar em montanhas, tempestades, a terra tremendo e se fendendo, rochas sendo rompidas, vapor de escuridão, e o povo gemendo. Aparentemente Aparentemente uma das razões que Mórmon deu um relato tão completo foi para documentar o total cumprimento da profecia de Zenos.

4. Cedo na história do Livro de Mórmon, o Rei Benjamin estabeleceu uma série legal de cinco coisas que são proibidas: (1) assassinato, (2) pilhagem, (3) roubo, (4) adultério, e (5) todo tipo de iniquidade. Esta lista, que apareceu primeiro em Mosias 2: 13, reaparece outras cinco vezes no Livro de Mórmon (Mosias 29: 36; Alma 23: 3; Alma 30: 10; Helamã 3: 14; Helamã 7: 21; e Éter 8: 16). Aparentemente os nefitas consideravam o conjunto de leis do rei Benjamin como um precedente formulário.

Outros casos e tipos de consistência textual interna extensiva ocorre dentro do Livro de Mórmon. Dessa e de muitas outras maneiras, O Livro de Mórmon manifesta um alto grau de precisão – tanto nos seus antigos textos fundamentais quanto na tradução de Joseph Smith. Dado ao fato de que Joseph ditou a tradução, os pontos de consistência do registro com a fonte inspirada com a perfeição da tradução. Afinal de contas, você pode citar as vinte e tantas palavras de Leí ou as palavras do rei Benjamin sem olhar?

Baseado na pesquisa de John W. Welch, Outubro de 1987.