NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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sábado, 20 de agosto de 2011

ANTROPOLOGIA - Quem São e Onde Estão os Lamanitas?

Lane Johnson
Editora Assistante
Ensign, Dez/1975, 15

Tradutor Elson C. Ferreira – Curitiba/Brasil-Novembro/2010

Distribuição dos Lamanitas pelo Mundo
Descendentes dos povos do Livro de Mórmon (Densidade populacional)

Para produzir um mapa que mostre onde estão localizados hoje em dia os lamanitas, o cartógrafo deve primeiro decidir exatamente o que é um lamanita. Esta não é uma tarefa pequena porque o termo “lamanita” é usado em vários sentidos nas escrituras para descrever uma linhagem étnica em particular, um grupo político/religioso, um povo, etc., entretanto,  o Antigo e o Novo Testamentos e O Livro de Mórmon, visualizados conjuntamente num senso limitado como um registro parcial do povoamento da terra, fornece um útil contexto no qual visualizar este problema.
A história do povoamento da terra é realmente a história da dispersão dos descendentes de Noé, o qual algumas vezes é referido como “o segundo pai da humanidade”. Essa dispersão geral começou logo depois do dilúvio, quando os filhos de Noé começaram a se espalhar “em suas terras... conforme suas nações (Gênesis 10:5, 20, 31) e foi grandemente acelerado na época da construção da Torre de Babel, quando o Senhor confundiu a linguagem dos povos e “os espalhou sobre a face de toda a terra”. (Gênesis 11:9.)

Imediatamente após a descrição de Babel em Gênesis 11, o relato do Antigo Testamento vai rapidamente para Abraão, um descendente de Sem, e cessa daí em diante, de ser um registro de todos os descendentes de Noé; em vez disso focalize quase que inteiramente no povo do convênio do Senhor, presumivelmente uma parte relativamente pequena da população total da terra naquele tempo. Sabemos muito poucos sobre o restante da semente de Noé, exceto no tempo em que eles vagaram em toda a extensão da terra para se tornar as nações pagãs da terra.

As nações da terra haviam sido dispersas da Torre de Babel por mil e quinhentos anos quando as Dez Tribos de Israel foram levadas cativas para a Síria. Pouco depois, Judá foi levada para o exílio por Nabucodonosor, e apesar de que um grupo deles recebeu permissão para retornar e reconstruir Jerusalém, a grande maioria do reino de Judá permaneceu em Babilônia para finalmente ser disperso. Então, em 70 d.C. o restante dos judeus foram expulsos da terra da promissão pelos romanos, para completar a dispersão de Israel.

O que vimos nesse breve relato é o panorama da disseminação geral dos descendentes de Noé por todo o mundo, começando na época do dilúvio, com outros grupos – remanescentes de Israel – rompendo em intervalos para seguir os primeiros migrantes para as várias partes da terra e se estabelecerem entre estrangeiros, embora remotamente relacionados.

Dentro desse quadro geral, encontramos o povo do Livro de Mórmon, que é um registro parcial de alguns daqueles que foram, em várias épocas, levadas do Velho Mundo pelo Senhor, para serem estabelecidos no continente Americano: os Jareditas, que foram tirados na época da Torre de Babel e foram, portanto, uma parte da primeira disseminação dos descendentes de Noé; a colônia de Leí, levada de Jerusalém durante o reinado de Zedequias, pouco antes do cativeiro de Judá por Nabucodonosor, e a colônia de Muleque, o filho mais jovem do rei Zedequias, que partiu de Jerusalém onze anos depois do grupo de Leí.

O termo Lamanita foi inicialmente aplicado à família literal de Lamã, o filho mais velho de Leí. Este nome logo tomou uma aplicação mais ampla, entretanto, quando Lamã e Lemuel e alguns dos filhos de Ismael se rebelaram contra e procuraram matar Néfi, no qual o Senhor havia investido a sua autoridade. Nessa época o Senhor os expulsou de sua presença e fez com que uma pele escura caísse sobre eles.
“E eis que as palavras do Senhor com referência a meus irmãos foram cumpridas, quando lhes disse que eu seria seu chefe e seu mestre. Portanto eu havia sido seu chefe e mestre, de acordo com os mandamentos do Senhor, até o momento em que procuraram tirar-me a vida.

A palavra do Senhor portanto foi cumprida quando me falou, dizendo: Se deixarem de dar ouvidos a tuas palavras, serão afastados da presença do Senhor. E eis que foram afastados de sua presença.
E ele fez cair a maldição sobre eles, sim, uma dolorosa maldição, por causa de sua iniqüidade. Pois eis que haviam endurecido o coração contra ele de tal modo que se tornaram como uma pedra; e como eram brancos, notavelmente formosos e agradáveis, a fim de que não fossem atraentes para meu povo o Senhor Deus fez com que sua pele se tornasse escura.” (2 Néfi 5:19–21.)

Portanto, o nome Lamanita se referia a uma facção político/religiosa cuja característica era sua oposição à igreja

“Ora, aqueles que não eram lamanitas eram nefitas; não obstante, eram chamados de nefitas, jacobitas, josefitas, zoramitas, lamanitas, lemuelitas e ismaelitas. Mas eu, Jacó, daqui por diante não os mencionarei por esses nomes, mas chamarei de lamanitas aos que procuram destruir o povo de Néfi; e aos que são amigos de Néfi eu chamarei de nefitas, ou seja, o povo de Néfi, segundo os governos dos reis.” (Jacó 1:13–14.)

A linhagem se tornou um fator incrivelmente menor e depois houve muitos exemplos de lamanitas que se tornaram nefitas e de nefitas que se tornaram lamanitas.

Por quase duzentos anos depois da vinda de Cristo às Américas, a situação entre o povo era a seguinte:

Não havia ladrões nem assassinos; nem havia lamanitas nem qualquer espécie de itas, mas eram um, os filhos de Cristo e herdeiros do reino de Deus.” (4 Néfi 1:17.)
Logo depois, entretanto, uma parte do povo se separou e tomaram sobre si o nome de lamanitas:

“... e havia ainda paz na terra, a não ser por uma pequena parte do povo que se revoltara contra a igreja, tendo adotado o nome de lamanitas; assim começou novamente a haver lamanitas na terra.” (4 Ne. 1:20.)

Claramente que lamanita nesse caso novamente se refere ao estado de retidão (ou a falta dela) de um grupo político/religioso, presumivelmente uma mistura de descendentes de muitos dos migrantes originais no Novo Mundo. Os lamanitas nessa definição sobreviveram além do encerramento do registro do Livro de Mórmon e é este o povo de quem os lamanitas de hoje são descendentes, o que significa dizer que eles são os descendentes de Leí, Ismael e Zoram.

“E aos nefitas e aos jacobitas e aos josefitas e aos zoramitas, pelo testemunho de seus antepassados—E esse testemunho chegará ao conhecimento dos lamanitas e dos lemuelitas e dos ismaelitas, que degeneraram na incredulidade devido à iniqüidade de seus antepassados, a quem o Senhor permitiu que destruíssem seus irmãos, os nefitas, por causa de suas iniqüidades e abominações.” (D&C 3:17–18)

Eles são os descendentes de Muleque e de outros de sua colônia.

“Ora, a terra do sul foi chamada Leí e a terra do norte foi chamada Muleque, segundo o filho de Zedequias; porque o Senhor havia conduzido Muleque para a terra do norte e Leí para a terra do sul.” (Helamã 6:10)

“E eles descobriram um povo que era chamado povo de Zaraenla. E o povo de Zaraenla regozijou-se grandemente; e também Zaraenla se regozijou grandemente, porque o Senhor enviara o povo de Mosias com as placas de latão que continham os registros dos judeus. E aconteceu que Mosias descobriu que o povo de Zaraenla saíra de Jerusalém na época em que Zedequias, rei de Judá, fora levado cativo para a Babilônia.”  (Ômni 1:14, 15)

Eles também podem ser descendentes de outros grupos dos quais ainda não temos registro. Certamente que eles se misturaram com muitas outras linhagens na medida em que progrediam no processo da sua dispersão nas Américas e na maioria das ilhas do Oceano Pacífico desde a época em que Morôni se despediu deles no ano de 421 d.C.

Nesse grupo miscigenado est´o sangue de Israel, pois nós sabemos que Leí era descendente da tribo de Manassés.

“E Aminádi era descendente de Néfi, que era filho de Leí, que saiu da terra de Jerusalém, que era descendente de Manassés, que era filho de José, que foi vendido no Egito pelas mãos de seus irmãos.” (Alma 10:3)

Sabemos também que Ismael era do ramo de Efraim (JD 3:184), e que Muleque era da tribo de Judá, sendo descendente do rei Davi, através de Zedequias, seu pai. Portanto, os lamanitas de hoje - todos os povos miscigenados, descendentes dos povos mencionados no Livro de Mórmon – têm o direito legítimo a todas as bênção do convênio Abraâmico e, por sua vez, o dever de levar essas bênçãos às nações da terra que ainda permanecem em escuridão, o restante dos descendentes de Noé.