NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

LINGUÍSTICA - Linguagem com Raízes Semíticas nas Américas

George Potter
Tradutor: Elson C. Ferreira – Curitiba/Brasil – Janeiro/2011

Enquanto tentativas têm sido feitas por estudiosos do Livro de Mórmon para ligar as linguagens mesoamericanas às origens hebraicas ou árabes, as evidências de qualquer ligação lingüísticas ainda são diminutas. Umas poucas palavras semelhantes foneticamente têm sido sugeridas, mas tais semelhanças podem ser encontradas entre quaisquer grupos de linguagem.

Mesoamerianos pré colombianos escreveram livros feitos de tecidos feitos com casca de árvore (bark cloth, tapa cloth), uma invenção chinesa que indubitavelmente foi trazida para a América Central por imigrantes asiáticos.[i]

Os caracteres usados nos escritos mesoamericanos foram herdados dos olmecas, a cultura mãe da região. O Dr. Mike Xu, da Universidade Cristã do Texas, tem convincentemente demonstrado que motivos olmecas foram inscritos usando-se caracteres de origem chinesa.[ii] Já em 1798, no trabalho pioneiro de Alexander von Humboldt, foi reconhecido que o impressionante calendário asteca, que foi  herdado dos maias, incluía meses que se assemelham bem de perto com o zodíaco do leste asiático.[iii] Em comparação, Brian Stubbs, que é especialista em linguagens nativas americanas e do Oriente Médio diz:
“[Stubbs baseia sua citação no trabalho de Arnold Leesburg sobre as similaridades léxicas entre o idioma hebreu e o quechua, a linguagem dos incas do Peru. A falta de uma metodologia linguística de Leesburg significa que os linguistas a ignoram; entretanto, uma quantidade de suas “comparações de palavras” podem alimentar um competente tratado linguístico, enquanto que outros podem ser descartados. Observações de linguagens semíticas e quechua há muito tem me interessado e ao me tornar ciente do trabalho de Leesburg, aumentou esse interesse e as observações que eu havia feito.[iv]
A linguagem peruana Quechua pertence ao sistema de três vogais de linguagens tais como o arábico, aleúte (esquimó), gronelandesa, sânscrito, norueguês antigo e islandês.[v]

Além disso, o quechua é similar ao arábico em finita conectividade de sua estrutura linguística.[vi] A linguista Mary LeCron Foster, da University da Califórnia, concluiu que o quechua mostra “extensivo empréstimo linguístico da linguagem semítica, aparentemente o arábico.”[vii] Um exemplo disso é a palavra arábica para água, que é “moya”. A palavra quechua para “terreno de pastagem”, onde água é naturalmente coletada, é “moya”.[viii]  
Como as características arábicas encontraram seu caminho na linguagem dos antigos peruanos?

O Livro de Mórmon é a história do povo nefita, que falava um idioma egípcio reformado, que incluía caracteres arábicos:

“Fui à cidade de Nova York e apresentei os caracteres que tinham sido traduzidos, assim como sua tradução, ao professor Charles Anthon, famoso por seus conhecimentos literários. O professor Anthon declarou que a tradução estava correta, muito mais que qualquer tradução do egípcio que já vira. Mostrei-lhe então os que ainda não haviam sido traduzidos e ele disse-me serem egípcios, caldeus, assírios e arábicos; e acrescentou que eram caracteres autênticos. Deu-me uma declaração, atestando ao povo de Palmyra que eram autênticos e que a tradução, como fora feita, também estava correta. Peguei a declaração e coloquei-a no bolso; estava saindo da casa quando o Sr. Anthon me chamou e perguntou-me como soubera o jovem que havia placas de ouro no lugar onde ele as encontrara. Respondi-lhe que um anjo de Deus lho revelara. (JS-H 1:64)

Usarei as escrituras para sugerir que os nefitas eram uma classe da elite dominante que governava um grupo maior de paleo-indígenas e que nem todos os nefitas foram destruídos em aproximadamente 400 d.C.

O Padre Bernade Cobo escreveu: “... àparte a linguagem de Cuzco, que é a linguagem geral [quechua], a qual os incas introduziram através de seu império e era  uma das [linguagem] que usavam para falar de seus assuntos, eles conheciam outra [linguagem] diferente, que usavam somente entre si, quando lidavam e conversavam com pessoas de sua própria linhagem... Agora os descendentes dos incas esqueceram essa linguagem, apesar de que eles ainda se lembram de algumas palavras.”[ix]
A linguagem secreta da nobreza inca era chamada de “callawaya”.[x]

O Livro de Mórmon implica que a classe governante nefita tinham uma linguagem secreta que era o egípcio. Jacó registrou que um homem chegou entre os nefitas, e que “...ele era instruído, de modo que tinha perfeito conhecimento da língua do povo; podia, portanto, usar de muita lisonja e muita eloqüência, de acordo com o poder do diabo.” (Jacob 7:4).  Isto pode ser interpretado que enquanto os nobres nefitas e profetas falavam e escreviam em egípcio reformado, havia outra “língua do povo” (todos os itálicos neste documento foram acrescentados pelo tradutor).
O Livro de Mosias (o oitavo do Livro de Mórmon) também se refere a uma linguagem particular. Quando o povo de Mosias chegou em Zarahenla, pelo menos três linguagens eram faladas nessa cidade-estado:

1ª) Os mulequitas falavam uma linguagem corrompida que não podia ser entendida pelos nefitas,

17 “E na ocasião em que Mosias os encontrou, haviam-se tornado numerosos em extremo. Não obstante, haviam tido muitas guerras e sérias contendas e, de tempos em tempos, haviam caído pela espada. E seu idioma corrompera-se; e nenhum registro tinham trazido consigo; e negavam a existência de seu Criador; e nem Mosias nem seu povo podiam entendê-los.” (Omni 1:17).

2ª) Havia uma linguagem da população nefita em geral.

3ª) O egípcio parece ter sido a linguagem particular da elite nefita e da classe sacerdotal.

No primeiro capítulo do Livro de Mosias, aprendemos que o rei Benjamin exigiu que seus filhos fossem ensinados na linguagem de seus pais:

 2 “E aconteceu que ele tinha três filhos; e dera-lhes os nomes de Mosias e Helorum e Helamã. E fez com que fossem instruídos em todo o idioma de seus pais, para que assim se tornassem homens de entendimento; e para que soubessem das profecias que haviam sido feitas pela boca de seus pais e que lhes foram entregues pela mão do Senhor.
 3 E ele também os ensinou sobre os registros que estavam gravados nas placas de latão, dizendo: Meus filhos, quisera que vos lembrásseis de que, se não fosse por estas placas que contêm estes registros e estes mandamentos, teríamos permanecido em ignorância até o presente, não conhecendo os mistérios de Deus.
 4 Porque não teria sido possível a nosso pai, Leí, lembrar-se de todas estas coisas para ensiná-las a seus filhos, se não fosse pelo auxílio destas placas; pois tendo ele sido instruído no idioma dos egípcios podia, portanto, ler estas gravações e ensiná-las a seus filhos, para que assim eles pudessem ensiná-las a seus filhos, cumprindo desta forma os mandamentos de Deus até o presente.” (Mosiah 1:2-4)

Obviamente que os filhos do rei deveriam ter crescido falando a linguagem comum do povo nefita, mas aqui nos é dito que o rei fez um esforço especial para ensinar a seus filhos outro idioma, o idioma de seus pais, o egípcio. Somente conhecendo o egípcio o rei poderia “ler as gravações e ensiná-las a seus filhos, para que assim eles pudessem ensiná-las a seus filhos” (itálicos do tradutor).
As implicações parecem muito simples. O contexto linguístico do Livro de Mórmon é similar ao que sabemos a respeito da linguagem histórica dos incas. Infelizmente, a linguagem particular da nobreza inca foi perdida e não pode ser comparada diretamente com os caracteres usados para se escrever O Livro de Mórmon; entretanto, esta teoria pode explicar porque fragmentos das linguagens arábicas ainda podem ser encontrados no quechua, enquanto que, ao mesmo tempo, o quechua ou qualquer outra linguagem nativa americana não pode ser considerada como egípcio reformado.

Referências:

[i] Rod Ewins, Barkcloth and the Origins of Paper, documento apresentado na Primeira  Conferência National do Livro em Hobar, Austrália, Maio/1981, p. 4,  publicado nos Documentos da Conferência, distribuído somente aos conferencistas pelos editores da Austrália. http://www.justpacific.com/pacific/papers/barkcloth~paper.html.
[ii] Mike Xu, Transpacific Contacts?. O Dr. Xu, da Universidade Cristã do Texas, apresenta uma comparação dos caracteres da linguagem olmeca com a escrita chenesa “shang” (6.Fev.2007), ver apresentação http://www.chinese.tcu.edu/www_chinese3_tcu_edc.htm.
[iii] Adrian Gilbert, The End of Time, The Mayan Prophecies Revisited, (Edinburgh: Mainstream Publishing, 2007), 40-41.
[iv] John Sorenson (5), Was There Hebrew Language In Ancient America? uma entrevista com Brian Stubbs,: (Provo, FARMS/Maxwell Institute, BYU, JBMS, 2000), 54-63; se refere a Arnold Leesburg, Comparative Philology: A Comparison between Semitic and American Languages (Leyden: Brill, 1908).
[vi] Edward P. Stabler, The Finite Connectivity of Linguistic Structure, (Los Angeles: UCLA, www.linguistics.ucla.edu/people/stabler/eps-conn.pdf , Janeiro/2007), 5,
[vii] Mary LeCron Foster, da Universidade da Califórnia, Berkeley, em Old World Language in the Americas: 1, um docimento não publicado, lido na reunião anual da Associação Americana de Geógrafos, San Diego, 20/Abri/1992; também, Old World Language in the Americas: 2, outro documento não publicado apresentado na reunião anual da Sociedade Origem das Linguagens, Cambridge University, Setembro/1992; cópias na posse de John Sorenson e Matthew Roper, citado por Sorenson e Roper em Before DNA, Instituto Maxwell de Estudos Religiosos.
[viii] Cobo,  266.
[ix] Cobo, 107.
[x] Loren McIntyre, Lost Empire of the Incas,  National Geographic, Vol. 144, No. 6, (Washington, D.C.: December 1973) 764.