NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

LINGUÍSTICA - A Linguagem Desaparecida do Livro de Mórmon

Este é o 3º Artigo mais lido desde a criação deste blog. Confira:

George Potter - www.nephiproject.com

Tradutor Elson C. Ferreira – Curitiba, Dez/2009
de.jerusalem.as.americas@gmail.com




Na última pesquisa de Gary Urton, Dumbarton Oaks, Professor de Estudos Pré-Colombianos do Departamento de Arqueologia da Universidade de Harvard,[i] apoiado pelas tradições orais, afirma que os antigos Incas tinham uma linguagem escrita que se perdeu.[ii]
Gary Urton - Professor de Estudos Pré-Colombianos da Harvard University, antes professor de antropologia na Colgate University de 1978 a 2001. É especialista em arqueologia andina, particularmente em quipu, que é um sistema de escrita numérica usada pelos Incas durante os Séculos XV e XVI. É o mais proeminente defensor da teoria de que o código quipu codifica informação numérica bem como linguística. De 2001 a 2005 ele foi fez parte do MacArthur Fellows Program ou MacArthur Fellowship, que é um prêmio oferecido anualmente pela John D. and Catherine T. MacArthur Foundation a (de vinte a quarenta) cidadãos norte americanos ou residentes, de qualquer idade e campo de atuação que tenha “demonstrado excepcional mérito e promessa de continuidade na intensificação do trabalho criativo".
Formação e especialização: BA University of New Mexico 1969; MA, PhD University of Illinois 1971, 1979. Especialidades : América do Sul – os Andes, Amazônia; Povos nativos e culturas das Américas do Norte e do Sul; Temas: antropologia sócio cultural, antropologia e história, arte tribal; formação estadual.

Além do fato que todos os traços das linguagens escritas do Peru antigo tenham se perdido seja um cumprimento direto da profecia de Jacó. O profeta do Livro de Mórmon escreveu:

1 Ora, então aconteceu que eu, Jacó, tendo ensinado muito meu povo com palavras (e não posso escrever senão poucas de minhas palavras, devido à dificuldade de gravá-las em placas) e sabemos que as coisas que escrevemos em placas perdurarão.
2 Tudo o que escrevermos, porém, que não seja em placas, perecerá e desaparecerá. (Jacó 4:1, 2 ênfase adicionada)

O uso que Jacó faz da palavra “perecerá” implica numa profecia incondicional de que todos os registros escritos dos nefitas, com exceção das placas de metal de Néfi, desapareceriam. Isto parece ser exatamente o que aconteceu no Peru. Em contraste, estima-se que aproximadamente cinqüenta mil exemplos conhecidos de registros pré-colombianos em monumentos, murais e cerâmica, ainda existem na Mesoamérica.[iii]
Uma vez desaparecida, é possível que uma linguagem escrita retorne do pó? O Livro de Mórmon contém uma profecia de Isaías que frequentemente é usada em referência ao próprio Livro, entretanto, o versículo também pode ser aplicado à descoberta da “fala” atual e “linguagem” daqueles que foram destruídos:

“Pois os que forem destruídos {os nefitas} falar-lhes-ão da terra e sua fala será fraca desde o pó e a sua voz será como a de alguém que evoca espíritos; pois o Senhor Deus dar-lhe-á poder para sussurrar a respeito deles, como se fosse da terra; e sua fala sussurrará desde o pó.” (2 Néfi 26:16)

Num túmulo empoeirado e desprotegido no Peru, Urton descobriu vinte e um exemplares de seqüência de caracteres de nós amarrados num cordel. O enredo de várias dúzias de sequências de caracteres amarrados são chamados quipus.
Fonte: Wikipedia
(do quíchua cusquenho Quipu ou Khipu, AFI[ˈkʰipu], "") era um instrumento utilizado para comunicação, mas também como registro contábil e como registros mnemotécnicos entre os incas. Eram feitos da união de cordões que podem ser coloridos ou não, e poderiam ter enfeites, como por exemplo ossos e penas, onde cada nó em cada cordão significava uma mensagem distinta. Cada cordão poderia ter um ou mais nós, ou nenhum nó, ou um nó na ponta, um nó na base, enfim, tudo era comunicado e transportado rapidamente ao imperador Inca no centro do império, Cuzco.
Os cordões eram feitos de lã de lhama, alpaca, ou de algodão. A posição do nó, bem como a sua quantidade, indicavam valores numéricos segundo um sistema decimal. 

As cores do cordão, por sua vez, indicavam o item que estava sendo contado, sendo que para cada atividade (agricultura, exército, engenharia, etc.) existia uma simbologia própria de cores.

O transporte dos quipos era realizado por rápidos mensageiros, que corriam por dois quilômetros pelas trilhas incas levando o quipu contendo as informações a serem transmitidas, até o próximo posto de mensageiros, onde aguardava um mensageiro descansado e pronto para continuar o transporte do quipu.
Devido ao fato de que os incas considerarem alguns dos seus quipus sagrados, os espanhóis ordenaram sua destruição, e em algum ponto da história acreditou-se que todos os quipus haviam sido queimados.

Cada tipo de nó de um quipu e a cor de cada cordel tinha seu próprio significado lido apenas por alguém que tivesse conhecimento do código. Desse modo, sob o olhar de alguém destreinado, um quipu que poderia ser considerado como uma peça decorativa pendurada numa parede e que, na realidade, era um impressionante código binário capaz de cobrir grandes montantes de informação[iv].
Galen Brokaw, especialista em textos andinos antigos da Universidade Estadual de Nova York, em Buffalo, declara que “a maioria dos estudiosos sérios dos khipu (quipu) acreditam que eles foram mais do que dispositivos mnemônicos, e provavelmente muito mais” [v], apesar de que o único exemplar de quipu existente ser do período Inca, como Mann escreve, “acredita-se largamente que as construções incas em outras e antigas formas de escritas que haviam sido desenvolvidas na região”.[vi]

O antropólogo Urton observa: “… é importante apreciar o papel desempenhado pelos antigos registros indígenas de gravação, em particular o quipu, o registro e na gravação das histórias e mitos dos incas primeiros tempos coloniais. Quipus, derivado da palavra do idioma quechua para “nó” era vinculada a cadeias de caracteres amarrados e tingidos, que eram usadas pelos incas para registrar informações estatísticas que poderiam ser interpretadas, de alguma maneira que nós ainda não entendemos completamente, por especialistas chamados quipucamayoqs (‘fazedores de nós ou guardiões, detentores’) nas narrativas históricas do passado inca.[vii]

Cobo, um dos primeiros cronistas, escreveu o seguinte a respeito dos quipos:

“Através desses dispositivos de gravação e registros, os incas conservaram a memória dos seus atos, e dos responsáveis pela superintendência e dos contabilistas… Ao explicar seu significado, os índios que o conheciam relataram muitas coisas a respeito dos tempos antigos que estavam neles contidos. Havia pessoas designadas para fazer esse trabalho. Esses oficiais eram chamados de quipo camayos, e eram semelhantes aos nossos historiadores, escritas e contabilistas, em quem os incas tinham grande confiança.”[viii] O Padre Cobo apresentou um registro com o qual estava familiarizado que demonstrava que os quipos registravam informações históricas.
“Dois espanhóis saíram juntos da cidade de Ica e foram para a cidade de Castro Virreina, e, chegando ao tambo de Cordoba, que fica a um dia de viagem de Ica, um deles ficou ali e o outro continuou sua viagem; neste tambo, um guia nativo foi dado a este último viajante, que o acompanhou a Castro Virreina. Este  ultimo guia guia matou o espanhol na Estrada e retornou para o tambo (instalações junto às estradas). Depois que algum tempo passou, já que o espanhol era muito conhecido, foi considerado desaparecido. O governador de Castro Virreina, que naquele tempo era Pedro de Cordoba Mejia, um nativo de Jaen, fez uma investigação especial para descobrir o que havia acontecido, e no caso de este homem estar morto, enviou um grande número de índios para procurar seu corpo na puna e no deserto, mas nenhum sinal dele pode ser encontrado, nem se pode descobrir o que havia acontecido com ele até mais de seis anos após ele ter sido morto. Por acaso o corpo de outro espanhol foi encontrado numa cova do mesmo deserto. O governador ordenou que este corpo fosse trazido para a praça para que fosse visto. Depois que o corpo foi trazido, ele se parecia com aquela pessoa que o índio havia matado, e acreditando que era ele, o governador continuou com a investigação para descobrir quem era o assassino. Não encontrando nenhum traço de evidência contra ninguém, ele foi aconselhado a fazer um esforço para descobrir a identidade do índio que foi designado como guia para o tambo de Cordoba. Os índios saberiam disso a despeito do fato de terem se passado mais de seis anos, por meio do registro do quipos em que teriam guardado memória dele. Com isto o governador avisou aos caciques (chefes de tribo) e quipo camayos. Depois que os quipos lhe foram trazidos, ele continuou com a investigação e os quipo camayos descobriram através de seus quipos a identidade o índio que havia siso designado como guia para o forasteiro espanhol. O guia foi imediatamente trazido como prisioneiro de sua cidade, chamada Guaytara… Tendo apresentado sua declaração na qual negou o crime, ele foi questionado sob tortura, e acabou confessando ter matado o homem e mostrou à polícia onde estava o corpo. Os oficiais de polícia foram como ele às  punas (planalto andino) e encontraram o corpo onde o índio o havia escondido.”[ix]
Mencionado algumas vezes como o Plinio do Novo Mundo, José de Costa, um missionário jesuítas, escreveu no Século XVI que os quipus eram “escritos autênticos e testemunhais”. Ele escreveu ainda: “Vi uma dessas sequências de caracteres na qual uma mulher havia trazido um testemunho escrito de toda sua vida e usou-o para confessar, exatamente como eu teria feito com palavras escritas numa folha de papel.” [x]

Atualmente os arqueólogos descobriam aproximadamente uns 700 quipus, quase todos tendo sido descobertos em túmulos empoeirados. Sua tecnologia de espaços e nós para armazenar informações pode ser primitiva, mas na verdade ela era bastante avançada. Quinhentos anos depois da queda do Império Inca, os computadores foram inventados.
 Estas máquinas digitais do Século XX usam um código binário de oito “bites” para armazenar dados. Os nós apresentam 128 possíveis permutações, multiplicadas por 24 cores. Desse modo o código usado pelos mantenedores dos cordéis lhes provêm 1.536 unidades de significados diferentes. Isto se compara aos sinais cuneiformes dos siberianos, que são estimados entre 1.000 e 1.500 sinais, e dobra o número de sinais dos hieróglifos dos antigos egípcios e dos maias da América Central.[xi] Além disso, Costa pode ter estado certo quando escreveu há quase cinco séculos:
“Quem quer que queira julgar isso [o uso dos quipus] como algo esparto ou que estas pessoas eram rudimentares, mas eu julgo que é certo que naquilo em que eles se aplicaram, o conseguem melhor do que nós.”[xii]  

O que torna os vinte e um quipus no estudo de Urton tão especiais é que eles podem conter um dispositivo Inca para decifra, similar à fomosa Pedra de Roseta que foi usada para decifrar os hieróglifos egípcios. Esta pedra atualmente se encontra no Museu Nacional Britânico e foi a chave que destravou nosso conhecimento do antigo Egito. Os vinte e um quipus em Harvard forem descobertos em ruínas da cidade inca de Peruchuco. Sete destes quipus iniciam com a mesma sequência binária de nós. Acredita-se que estas sequências idênticas indicam o nome de ‘Peruchuco,’ o lugar de onde os quipus vieram. Os cientistas esperam que possam usar esta informação e, com a ajuda de computadores e avançados algoritmos matemáticos, desvendar o restante. [xiii]  

Urton e Carrie J. Brezine, estudante graduado em matemática pela Universidade de Harvard, se uniram a Jean-Jacques Quisquater e Vincent Castus, da Universidade Católica de Lou-vain, na Bélgica, e a Martin e Erik Demaine, uma dupla de pai e filho, cientistas licenciados da computação.

Em Janeiro de 2007 essa equipe já havia encontrado 3.000 grupos diferentes de sequências de cinco nós repetidas.[xiv] Se continuarem com esse impressionante grau de sucesso, logo poderão descobrir a linguagem dos quipus, e o mundo poderá ouvir, como Isaías proclamou, que “as vozes daqueles que foram destruídos lhes falará desde o pó”.

Catherine Julien uma historiadora das culturas andinas da Universidade de Western Michigan disse, em referência à tentativa de Harvard em tentar decifrar os quipus, “Somos capazes de ouvir os incas pela primeira vez, em sua própria voz.” [xv]

Referências:
[i] Charles C. Mann, 1491, New Revelations of the Americas Before Columbus, New York: Vintage Books, 2006), 397.
[ii]Juha J. Hiltunen (1), Ancient Kings of Peru, The Reliability of the Chronicle of Fernando de Montesinos (Helsinki, Suomen Historiallinen Sevra, 1999), 354.
[iii] Mann, 303.
[iv] John Noble Wilford, “String and Knot, Theory of Inca Writing,” New York Times, 12 August 2003. Article reports on news conference with Dr. Gary Urton's research on Quipus. His research is funded by the National Science Foundation, the Dumbarton Oaks Foundation, Harvard's Faculty of Arts and Sciences, and the John D. and Catherine T. MacArthur Foundation, which in 2001 awarded Urton a MacArthur Fellowship. Nicholas Wade, “ Untying the Knots of the Inca” (New York Times, 19 August 2005).
[v] Galen Brokaw, quoted by Mann, 395.
[vi] Mann, 397.
[vii] Gary Urton, The Legendary Past, Inca Myths (Austin: University of Texas Press, 1999),  25.
[viii] Bernabe Cobo, History of the Inca Empire, translated by Roland Hamilton, (Austin: University of Texas, 1996),  254.
[ix] Cobo, 254-5.
[x] Gareth Cook, “Untangling the Mystery of the Inca,” Wired, January 2007, (San Francisco), 145-146) 
[xi] John Noble Wilford, idem ao iv.
[xii] Cook, 147.
[xiii] Wilford.
[xiv] Cook, 146.
[xv] Catherine Julien, quote by Mann, 398.