NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ARQUEOLOGIA - “Leí Esteve Aqui?”

David A. Edwards
Fonte: New Era, Jan 2008, 10–13



Tradutor: Elson C. Ferreira - Curitiba/Brasil - Novembro/2010
Mapa de Mountain High Maps
O Livro de Mórmon pinta um vívido cenário das trilhas que Leí e sua família experimentaram depois de deixarem sua casa em Jerusalem e jornadearam através do deserto da Arábia. Enquanto lê, você sente que pode entender e relacionar suas experiências. Conquanto não possmos traçar sua rota exata, ainda podemos ter uma idéia das áreas em geral por onde Leí e seu grupo viajaram, e fazendo isso, valorizamos ainda mais o que eles passaram. Pesquisas recentes nos dão um claro cenário de alguns desses locais e quais seriam as condições que o grupo de Lei teria encontrado.1
Depois que a família de Leí deixou Jerusalém, eles pararam num lugar a que chamaram de Vale de Lemuel (1 Néfi 2:14), o qual ficava a três dias de viagem a nordeste, da extremidade do Mar Vermelho.



“E desceu pelos limites perto da costa do Mar Vermelho; e viajou pelo deserto, do lado mais próximo do Mar Vermelho; e viajou pelo deserto com sua família, que consistia em minha mãe, Saria, e meus irmãos mais velhos, Lamã, Lemuel e Sam. E aconteceu que depois de haver viajado três dias pelo deserto, ele armou sua tenda num vale, à margem de um rio de águas.” (1 Néfi 2:5–6).

O rio ficava “à margem de um rio de águas” ao qual Leí deu o nome de Lamã e que estava “continuamente correndo”.

“E aconteceu que depois de haver viajado três dias pelo deserto, ele armou sua tenda num vale, à margem de um rio de águas. E aconteceu que construiu um altar de pedras e fez uma oferta ao Senhor e rendeu graças ao Senhor nosso Deus. E aconteceu que deu ao rio, que desaguava no Mar Vermelho, o nome de Lamã; e o vale ficava nas margens, perto de sua desembocadura.
E quando meu pai viu que as águas do rio desaguavam na fonte do Mar Vermelho, falou a Lamã, dizendo: Oh! Tu poderias ser como este rio, continuamente correndo para a fonte de toda retidão!” (1 Néfi 2:6, 9).

Leí chamou o vale de Lemuel, “firme, constante e imutável”.

“E também disse a Lemuel: Oh! Tu poderias ser como este vale, firme, constante e imutável em guardar os mandamentos do Senhor!” (1 Néfi 2:10)
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Acima e abaixo: Este wadi (ou pequeno vale) chamado Tayyib al-Ism, é típico dessa região e contém talvez o único córrego que flui durante todo o ano atualmente. As paredes sólidas de granito são uma impressionante visão e oferecem muita sombra numa região onde a temperatura no verão frequentemente chega  aos 43º C.
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Acima: O Rio Lamã desaguando no Mar Vermelho.  Aqui vemos onde o Wadi Tayyib al-Ism encontra o Mar Vermelho. http://lds.org/images/Magazines/NewEra/Archive/ne08jan11b_redsea_tmb.jpg


“E aconteceu que [Leí] deu ao rio, que desaguava no Mar Vermelho, o nome de Lamã; e ao vale que ficava nas margens, perto de sua desembocadura.” (1 Néfi 2:8)

Abaixo: Em anos recentes, arqueólogos descobriram este altar de pedra que tem a forma do nome “Nahom” inscrita nele (ver letras eletronicamente enfatizadas, no canto frontal superior esquerdo do altar) e data de antes do sexto ou sétimo século antes de Cristo, durante a época de Leí.
A família de Leí continuou sua viagem  “tomando aproximadamente o mesmo rumo do princípio” por “muitos dias”.

“E aconteceu que reiniciamos nossa viagem, tomando aproximadamente o mesmo rumo do princípio; e depois de havermos viajado pelo espaço de muitos dias, armamos novamente nossas tendas a fim de pararmos por algum tempo.” (1 Néfi 16:33).

Então Ismael “morreu e foi enterrado no lugar [que era] chamado Naom.” (v. 34).

O local da foto abaixo fica na área geral onde o grupo de Leí viajou e por muitos anos tem tido variações do nome Nahom associado a ele.

As falésias mostradas aqui possuem colmeias de abelhas.

Apesar de a rota exata na qual o grupo de Leí viajou não ser conhecida, provavelmente eles tenham cruzado um local arenoso e desolado como o mostrado acima, enquanto viajavam no deserto entre Nahom e Abundância. Esta parte da jornada teria sido especialmente difícil.

Depois de deixar Nahom, o grupo de Leí reiniciou sua jornada pelo deserto e, dali em diante [viajaram] na direção aproximada do leste; e [passaram] por muitas aflições no deserto;” (1 Néfi 17:1).

Seguindo o curso do leste, o grupo de Leí teria chegado na costa sudoeste da Península Arábica. Alguns locais ao longo daquela costa são mostrados abaixo. Como eles haviam acabado de atravessar um deserto árido, não é de se admirar que tenham chamado o lugar mostrado na foto abaixo de Abundância, “por causa das muitas frutas e também do mel silvestre”.

“E chegamos à terra a que demos o nome de Abundância, por causa das muitas frutas e também do mel silvestre; e todas essas coisas foram preparadas pelo Senhor, a fim de que não perecêssemos. E vimos o mar, ao qual demos o nome de Irreântum, que significa muitas águas.” (1 Néfi 17:5).
Em Abundância, “Néfi ia freqüentemente à montanha e orava freqüentemente ao Senhor; por isso o Senhor [lhe] mostrou grandes coisas.” http://lds.org/images/Magazines/NewEra/Archive/ne08jan13a_mount_tmb.jpg

O pico mostrado acimai é representativo do local onde Néfi foi para orar ao Senhor e onde recebeu instruções dEle. Árvores frutíferas, incluindo figueiras, ainda crescem nessa região.


Figueira, foto de Richard L. W. Cleave


Alguns locais ao longo da costa sudeste da Península Arábica têm bolsões de vegetação que se destacam do deserto em redor.




Um exemplo moderno de construção naval dessa região. Abundância é onde Néfi construiu seu navio usando ferramentas que fêz “com o metal que [fundiu] da rocha.“ (1 Néfi 17:16). O navio foi feito de “madeiras de curiosos feitios” (tradução livre do inglês) (1 Néfi 18:1). Nesta área há dois depósitos de ferro bem como muitas árvores cuja madeira pode ser usada na construção naval.

O Testemunho do Livro de Mórmon

"Este [poder do Espírito Santo] deve sempre ser a principal fonte de evidência para a veracidade do Livro de Mórmon. Todas as outras evidências são secundárias a esta que deve ser a primeira e é infalível. Nenhum arranjo de evidências, mesmo que habilidosamente ordenadas, nenhum argumento, mesmo que habilmente feito, pode tomar seu lugar, pois este testemunho do Espírito Santo à alma do homem para com a verdade do volume nefita de escritura é evidência de Deus para com a verdade; e sempre será o principal coisa em que aqueles que aceitam O Livro de Mórmon podem confiar, e espera-se que esta aceitação se estenda por todo o mundo... [Entretanto], evidências secundárias em apoio da verdade, como as causas secundárias dos fenômenos naturais, podem ser de grande importância, e podem ser fatores na realização dos propósitos divinos”. Elder B. H. Roberts (1857–1933) of the Seventy, New Witnesses for God, 3 vols. (1909), 2:vii–viii.

ilustração de Joseph Brickey; insersão de Jerry Thompson; fotografias de Justin Andrews, Warren Aston, S. Kent Brown, Kim Hatch, David Lisonbee, e George Potter, exceto como observado.

Notas

1. Informações neste artigo tiradas das seguintes fontes publicadas pelo Neal A. Maxwell Institute for Religious Scholarship (ver www.maxwellinstitute.byu.edu):

• S. Kent Brown e Peter Johnson, eds., Journey of Faith: From Jerusalem to the Promised Land (2006).
Journal of Book of Mormon Studies, vol. 15, no. 2 (2006).
Journey of Faith (DVD, 2005).
• George D. Potter, “A New Candidate in Arabia for the ‘Valley of Lemuel,’ ” Journal of Book of Mormon Studies, vol. 8, no. 1 (1999), 54–63