NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

GEOGRAFIA - Em Busca da Trilha de Leí - Parte 3

Lynn M. e Hope A. Hilton 

Fonte; Tambuli, Set/1977, 30

Tradutor Elson C. Ferreira - Curitiba/Brasil - Setembro/2010
Como discutimos antes (ver Parte 2 Tambuli, Jul/77, p. 5), Leí perpassou o Iêmen e o Vale de Hadhramaut que era e ainda é uma região densamente povoada. O povo do antigo reino de  Malanan, na Arábia Saudita, tanto quanto podemos determinar, foi o primeiro a estabelecer um reino neste lugar, isto em 1200 a.C. O povo do reino de Sabá (Shena), também na Arábia Saudita, que os sucederam, estava no poder nos dias de Leí.
Há outra evidência que indica que Leí não viajou através do Iêmen e de Hadhramaut: Néfi registra que durante esta parte da jornada eles comeram carne crua, não fizeram fogo, passaram por “muitas aflições no deserto” e finalmente chegaram a uma terra fértil no litoral.

“E aconteceu que reiniciamos a jornada pelo deserto e, dali em diante, viajamos na direção aproximada do leste. E viajamos e passamos por muitas aflições no deserto; e nossas mulheres tiveram filhos no deserto.

E tão grandes foram as bênçãos do Senhor que, enquanto vivemos de carne crua no deserto, nossas mulheres tiveram bastante leite para seus filhos e eram fortes, sim, tanto quanto os homens; e começaram a suportar as viagens sem murmurar.
E assim vemos que os mandamentos de Deus devem ser cumpridos. E se os filhos dos homens guardam os mandamentos de Deus, ele alimenta-os e fortalece-os e dá-lhes meios pelos quais poderão cumprir as coisas que lhes ordenou; portanto ele nos deu os meios de sobrevivermos enquanto permanecíamos no deserto. E permanecemos no deserto pelo espaço de muitos anos, sim, oito anos no deserto.

E chegamos à terra a que demos o nome de Abundância, por causa das muitas frutas e também do mel silvestre; e todas essas coisas foram preparadas pelo Senhor, a fim de que não perecêssemos. E vimos o mar, ao qual demos o nome de Irreântum, que significa muitas águas.” (1 Ne. 17:1–5.)
Bab el Mandab/Golfo de Aden
Se eles viajassem ao longo da principal Trilha do Franquincenso, que muda de direção e seguei mais ao sul através do Iêmen, eles teriam viajado por campos férteis a maior parte do caminho. Em vez disso, Leí e seu grupo virou quase para o leste, ao longo de uma parte menos longa, porém mais difícil, da Trilha do Franquincenso que contorna a própria orla do Quarteirão Vazio, o maior deserto de areia da Terra. Se estendendo a norte e a leste de Najran, a Trilha do Franquincenso vai ao longo de sua margem sul. Nós sobrevoamos essa parte da região. É uma área rochosa como a superfície da lua, estéril e sem vegetação, exceto por um ocasional touceira de de grama ou um pequeno arbusto. Rochas rachadas por terremotos e erosão cobrem as barren vilas. Nós devíamos estar seguindo uma tempestade, pois havia água parada ou escorrendo em muitos dos wadis.
Fonte: Wikipedia - Najran (antigamenteAba as Sa'ud) (Arabic: نجران‎) é uma cidade no sudoeste da Arábia Saudita, perto da fronteira com o Iêmen. É a capital da Província de Jajran. Designada como a Cidade nova, Najran é uma das cidades que cresceram mais rápido no reino; sua população em 2004 era de 90.983. A maior parte de sua população pertence à antiga trigo de Yam.

Devido à sua longa história, a população de Najran é formada de muitas etnias, religiões e Designated a New townIslam é a religião de todos os najranis, com Zaydi e Ismaili Shias formando a pluralidade dos religiosos..Hanbali, Shafii e Maliki Sunnis formam o segundo maior grupo etno-religioso da cidadade.

Najran no idioma arábico tem pelo menos dois significados. É um termo usado pra descrevera a forma na qual uma porta se abre e também é um sinônimo da palavra “sêde”. Tradições locais dizemque o local derivou seu nome do primeiro homem que se estabeleceu na região, Najran ibn Zaydan ibn Saba ibn Yahjub ibn Yarub ibn Qahtan.

Najran foi o centro de fabricação de roupas e originalmente o kiswah , ou a roupa de Ka'aba  era feita neste local (a roupa de Kaba começou a ser usada pelos reis de Sabá). Nesse lugar costuma haver uma comunidade judaica em Najran, renomada pelas roupas que confeccionavam. De acordo com a tradição judaica Iemenita, os judeus de Najran traçaram sua origen nas Dez Tribos de Israel. Najran também foi um importante ponto de parada da Trilha do Franquincenso.

Fomos grandemente abençoados em nossos esforços para conseguir vistos para Salalah, em Dofar. (ver Fig. 7) Nossos pedidos de vistos feitos meses antes, nos Estados Unidos haviam sido, polida, mas firmemente recusada; Dofar era um território disputado por Omâ e Iêmen e não é um lugar seguro para turistas. Quando chegamos em Muscat, Omã, fomos chamados pelo Ministro da Informação, um jovem homem, fluente em inglês; eu expliquei que havíamos vindo todo o caminho desde a América para ver as grandes árvores em Salalah porque tínhamos um antigo livro que relatava que uma família semita construiu um navio, talvez com a madeira daquelas árvores, para navegar para as Américas, onde seus descendentes se tornaram os nativos ameríndios. Ele ficou atônito.

“Salalah é a minha casa e há grandes árvores lá, mas eu nunca ouvi falar dessa história”. Ele concordou em nos dar os vistos para a zona de guerra se pegássemos cartas de entrada da embaixada dos Estados Unidos em Muscat. Nós conseguimos as desejadas cartas de entrada. 

Devido à tensa situação militar, nos foi solicitado voar num dia e retornar no próximo. Ficamos naturalmente desapontados por ter apenas 24 horas em Salalah, mas concordamos e agradecemos sinceramente. Mais tarde descobrimos que no dia anterior à nossa chegada em Muscat, o comandante das forças rebeldes havia havia derrotado o Sultão de Omã, terminando com 13 anos de hostilidades. Assim, dois dias depois da nossa chegada em Omã, o Ministro da Informação estava desejoso de expedir um passe para a zona de guerra.

“Nós ficamos excessivamente alegres quando chegamos à costa”, disse Néfi. “Nós chamamos [a terra] Abundância, por causa de seus muitos frutos e também mel silvestre [que] que foi preparado pelo Senhor para que nós não perecêssemos. E vimos o mar, que nós chamamos Irreântum, o que, sendo interpretado, é muitas águas”
“E aconteceu que armamos nossas tendas na praia.”

“E chegamos à terra a que demos o nome de Abundância, por causa das muitas frutas e também do mel silvestre; e todas essas coisas foram preparadas pelo Senhor, a fim de que não perecêssemos. E vimos o mar, ao qual demos o nome de Irreântum, que significa muitas águas.

E aconteceu que armamos nossas tendas perto da costa e, apesar de havermos sofrido muitas aflições e dificuldades, sim, tantas que não podemos escrevê-las todas, ficamos imensamente contentes quando chegamos à costa; e demos ao lugar o nome de Abundância, devido a suas muitas frutas.” (1 Ne. 17:5–6.)

Néfi se regozijou ao chegar na Terra de Abundância; nós nos regozijamos em chegar em Salalah. 

Toda nossa pesquisa antes de chegarmos nos Estados Unidos nos havia levado à conclusão de que esta pequena terra, o único lugar em todos os 2.200 Km ao sul da costa com com clima suficientemente bom para que crescesse qualquer tipo de árvore, era mesmo a antiga Abundância do relato de Néfi. (ver Fig. 10) Nós sentimos todo o impacto daquela antiga história -nunca tão viva como agora- quando andamos na praia onde Néfi pode ter explicado as escrituras do Antigo Testamento aos seus irmãos, relatando milagres que haviam trazido as crianças de Israel para fora do Egito; onde Néfi poderia ter testificado de sua fé nos milagres que o Senhor realizaria para tirá-los de lá, enquanto os descendentes do povo de Moisés atravessariam o mar para a Terra Prometida.


“E aconteceu que eu, Néfi, lhes falei, dizendo: Credes vós que nossos pais, que eram os filhos de Israel, teriam sido tirados das mãos dos egípcios se não tivessem dado ouvidos às palavras do Senhor?
Sim, e supondes vós que eles poderiam ter saído do cativeiro, se o Senhor não houvesse ordenado a Moisés que os tirasse do cativeiro?
Ora, sabeis que os filhos de Israel estavam no cativeiro e sabeis que eram oprimidos com tarefas difíceis de suportar; sabeis, portanto, que deve ter sido uma coisa boa para eles haverem sido libertados do cativeiro.
Ora, sabeis também que o Senhor ordenou a Moisés que fizesse esse grande trabalho; e sabeis que, por sua palavra, as águas do Mar Vermelho dividiram-se para um e para outro lado; e passaram em terra seca.
Sabeis, porém, que os egípcios que formavam os exércitos do Faraó afogaram-se no Mar Vermelho.
E sabeis também que eles foram alimentados com maná no deserto.
Sim, e também sabeis que Moisés, por sua palavra, de acordo com o poder de Deus que estava nele, feriu a rocha da qual jorrou água, para que os filhos de Israel matassem a sede.
E, não obstante serem eles guiados, indo o Senhor seu Deus, seu Redentor, diante deles, conduzindo-os durante o dia e dando-lhes luz durante a noite e fazendo por eles tudo o que era necessário a um homem receber, endureceram o coração e cegaram a mente e ultrajaram Moisés e o Deus vivo e verdadeiro.
E aconteceu que, de acordo com sua palavra, ele os destruiu e, de acordo com sua palavra, guiou-os; e, de acordo com sua palavra, fez tudo por eles; e nada foi feito que não fosse por meio de sua palavra.
E depois de haverem atravessado o rio Jordão, ele tornou-os poderosos, para que expulsassem os filhos da terra, sim, para que os dispersassem até a destruição.


E aconteceu que eu, Néfi, lhes disse que não mais deveriam murmurar contra seu pai nem deveriam recusar-me o seu trabalho, pois Deus havia ordenado que eu construísse um navio.

E disse-lhes: Se Deus me tivesse ordenado que fizesse todas as coisas, poderia fazê-las. Se ele me ordenasse que dissesse a esta água: Converte-te em terra, ela se converteria; e se eu o dissesse, assim seria feito.

Ora, se o Senhor possui tão grande poder e fez tantos milagres entre os filhos dos homens, por que não pode ensinar-me a construir um navio?” (1 Ne. 17:23–32, 49–51)

*
Fig. 10 - SALALAH, OMÃ (provável Abundância)
A antiga Rota do Franquincenso vem através da  sand and gravel plnície, sobre as Montanhas de Qara para o norte, e desce pela planície costeira parecida com o chão da lua em Salalah que tem 12 Km na sua parte mais larga. As Montanhas de Qara rodeia esta pequena planície, seus/ picos ao sul cobertos de vegetação irrigadas pelas monções que tocam este lugar e nenhum outro em toda a costa sul da Península Árabe.

Há vários wadis vazios na planície costeira. Ein Arzat, um amplo manancial, teria sido o local lógico para o acampamento de dois ou três anos que teria dado à pequena colônia tempo para preparar as provisões e construir o navio. Tivesse Leí a escolhido, ele poderia ter usado nascentes de água para irrigar as plantações, e já que Néfi especificamente menciona “muitos frutos” e “sementes” entre suas provisões, eles devem as ter conseguido em Abundância.


E aconteceu que, no dia seguinte, depois de havermos preparado todas as coisas, muitas frutas e carne do deserto e mel em abundância e provisões de acordo com o que nos havia ordenado o Senhor, fomos para o navio com todas as nossas cargas e nossas sementes e com tudo o que havíamos trazido conosco, cada um de acordo com sua idade; portanto entramos todos no navio com nossas mulheres e nossos filhos .(1 Ne. 18:6.)

Se nossa conclusão de que Salalah é Abundância estiver correta, o grupo de Leí não estava só neste lugar, que era o final da Trilha do Fanquincenso, local onde crescem as árvores das quais o franquincenso é extraído, então havia agricultores, comerciantes, pousadas, empresas, etc. Em adição à trilha dos caravaneiros, deveria haver navegadores e navios, pois  Salalah era também um porto. Acredita-se que navios vindos do oeste, do norte, do leste, e até da Judéia, viajavam para este pequeno porto.

Ao norte das Montanhas de Qara, não nas encostas bem regadas do sul, se estendem vastos campos de árvores de franquincenso. A atual planície costeira de Salalah tem uma vegetação exuberante onde a água vem de vários wadis, mas, por outro lado, é tão estéril quanto a maioria dos lugares no sudoeste norte americano. As enconstas das montanhas eram inteiramente cobertas com grama alta e arvoredos de grandes figueiras e sicômoros jumaise. Nosso guia nos assegurou que durante a estação das monsõe, os vales ficam cheios de névoa e chuva e a vegetação fica luxuriantemente tropical. Flores e abelhas que produzem o mel silvestre seguem seu deveres mútuos sobre os montes. Vimos favos de mel amontoados quase descuidadamente em árvores ocas.

Uma interessante confirmação de que o clima não mudou muito durante os últimos 2 mil anos em Dofar vem do escritor de Periplus, que disse: “O país do franquincenso [(Dhofar) é] montanhoso e ameaçador, envolto em densas nuvens e neblina, produtivo em árvores de incenso.” (The Periplus, p. 33.) Outros exploradores que nos precederam encontraram condições similares:

Bertram Thomas, nos anos de 1920 descreveu os “wadis densamente arborizados” (Arabia Felix, New York: Charles Scribner’s Sons, 1932, p. 100) e Wilfred Thesiger descreveu as “árvores da selva... e nos montes grandes figueiras [que] se elevam acima da grama soprada pelo vento como os carvalhos num parque inglês.” wind-rippled grass like oaks in an English park.” (Thesiger, p. 47.)

Ficamos intrigados por as chamarem de figueiras porque as figueiras são relativamente pequenas e têm uma madeira extremamente macia - não adequada para a construção naval. Enquanto andávamos pelos montes, vimos que não são figueiras mas jumaise, ou sicômoros, uma madeira dura que produz um fruto doce. Algumas dessas árvores são tão grandes que não podíamos abraçá-las e a maioria delas chega à altura de 15 metros. Sua madeira é muito forte, resistente à árvore do mar e quase livre de nós. Tábuas de jumaise são usadas na construção naval atualmente.

Se Salalah é de fato a terra de Abundância, Néfi não estava exagerando quando ele chamou a terra de Abundância por causa da sua frugalidade ou fecundidade.  Ela ganha vida com o toque da água e os antigos agricultores nos asseguram que fazem dez cortes de alfafa por ano. Vimos todo um mercado potencial de frutas crescendo - cidras, limões, laranjas, tâmaras, bananas, uvas, apricós, figos e melões -  e uma profusão de flores silvestres. Guirlandas de jasmins brancos pendem em nas árvores; nós cheiramos flores na brisa. O gado pastava nas montanhas. Em locais bem irrigados, o capim ficava numa altura acima da nossa cabeça - mais de 1,8 m de altura.

Se este local for qualificado como Abundância, uma das características adicionais que ele precisaria ter seriam os penhascos, dos quais os irmãos mais velhos de Néfi poderiam lançá-lo “nas profundezas do mar”, um ato que não se pode realizar estando nas areias da praia. Para o leste, a praia faz uma curva tão longa quanto se pode ver, mas para oeste, a praia de Salalah que despenca cerca de 30 metros em linha reta, direto  para o mar. Nós subimos ao topo por uma rota fácil e encontramos fortificações para depósito de armas. A visão direta para as ondas revoltas nos faz voltar para tráz. Nossas mente trovejaram com uma questão: Poderia Néfi ter sido lançado por seus irmãos neste local ou perto daqui?

“E então aconteceu que, depois de eu ter dito estas palavras, iraram-se contra mim e tiveram desejo de lançar-me nas profundezas do mar; e quando se aproximaram para deitar-me as mãos, falei-lhes, dizendo: Em nome do Deus Todo-Poderoso, ordeno-vos que não me toqueis, porque estou cheio do poder de Deus a ponto de consumir-me a carne; e quem me deitar as mãos definhará como uma cana seca e será como nada diante do poder de Deus, porque Deus o ferirá.” (1 Ne. 17:48),

Nossas questões a respeito de sementes, frutos, mel, penhascos e árvores úteis para construção naval foram assim satisfeitas, mas uma questão maior permanece sem resposta: Onde Néfi poderia ter ido para encontrar o minério para fazer suas ferramentas? Cônscios de que estava se aproximando o prazo no qual deveríamos sair de Salalah, não tínhamos tempo para um passeio pelas montanhas, mas pessoas locais nos falaram de uma mina de minério de ferro numa província vizinha. Mesmo que não houvesse nada por perto nos tempos de Néfi, ele seria capaz de fazer uma jornada de dez dias até Jabal Al Akhdar para obter o minério lá, entretanto, sentimos que Néfi provavelmente tenha encontrado sua própria fonte de minério sob a inspiração do Senhor em vez de ir para outra mina, pois ele declarou que fez fogo usando duas pedras e que teve que fazer seu próprio fole com peles de animais para avivar o fogo.

“E aconteceu que o Senhor me disse onde eu encontraria minério para fazer ferramentas. E aconteceu que eu, Néfi, fiz um fole de peles de animais para avivar o fogo; e depois de haver feito o fole para avivar o fogo, bati duas pedras, uma contra a outra, para fazer fogo.” (1 Ne. 17:10–11.)

Certamente que ele não teria necessidade de improvisar equipamentos tão básicos se o povo local tinha uma indústria de ferro. Nós especulamos sobre o que ele deve t er aprendido nas vilas por onde passou ao longo da costa e na indústria de ferro que funcionava a todo vapor em Aqaba, quando ele passou por essa cidade anos antes. Nós não poderíamos ter dúvidas de que a metarlurgia era uma indústria conhecida dos contemporâneos de Nefi. Isaias 54:16 descreve como o ferreiro faz aço a partir do ferro usando fogo de carvão natural. [Isa. 54:16]

Tubalcain, neto de Adão, foi o primeiro a trabalhar o metal, o que foi registrado no alvorecer da história da terra. E Zilá também deu à luz a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Noema.” (Gen. 4:22.)

Seis referências no Livro de Mórmon estabelecem que os nefitas na América usaram ferro e aço.

“E ensinei meu povo a construir edifícios e a trabalhar em toda espécie de madeira e de ferro e de cobre e de latão e de aço e de ouro e de prata e de minerais preciosos, que existiam em grande abundância.” (2 Ne. 5:15)

“E multiplicamo-nos consideravelmente e espalhamo-nos sobre a face da terra e tornamo-nos imensamente ricos em ouro e em prata e em coisas preciosas; e em excelentes trabalhos de madeira, em edifícios e em maquinaria; e também em ferro e cobre e bronze e aço, fazendo todo tipo de ferramentas de toda espécie para cultivar o solo; e armas de guerra—sim, a flecha pontiaguda e a aljava e o dardo e a lança e todos os preparativos para a guerra.”(Jarom 1:8)

“E estabeleceu um imposto de um quinto de tudo quanto possuíam; a quinta parte de seu ouro e de sua prata e a quinta parte de seu zife e de seu cobre e de seu latão e de seu ferro; e a quinta parte de seus rebanhos; e também a quinta parte de todos os seus grãos. “E aconteceu que o rei Noé construiu muitos edifícios elegantes e espaçosos; e ornamentou-os com belos trabalhos de madeira e com toda espécie de coisas preciosas de ouro e de prata e de ferro e de latão e de zife e de cobre; e também construiu para si mesmo um espaçoso palácio com um trono no centro, tudo feito de madeira nobre e ornamentado com ouro e prata e coisas preciosas. E também fez com que seus artífices executassem toda espécie de obras finas, de madeira fina e de cobre e de latão, dentro das paredes do templo.” (Mosias 11:3, 8)

“Portanto ele foi ao monte Efraim, onde fundiu minério do monte e fez espadas de aço para aqueles que havia levado consigo; e depois de os haver armado com espadas, retornou à cidade de Neor e atacou seu irmão Corior, tendo desta maneira conquistado o reino, que restituiu a seu pai, Quib.” (Ether 7:9)

“E trabalhavam com toda espécie de minérios e faziam ouro e prata e ferro e latão e toda sorte de metais; e extraíam-nos da terra; portanto levantaram enormes montes de terra para extrair minérios: de ouro e de prata e de ferro e de cobre. E faziam toda sorte de trabalhos finos.Ether 10:23.)

Sem dúvida, Néfi ensinou essas habilidades úteis para seus filhos e netos.

Nós nos permitimos uns poucos momentos de devaneio, imaginando como seria o navio que Néfi construiu. Acostumado com métodos industriais como nós éramos, fomos surpreendidos repetidamente pelas tradições dos artesãos que encontramos enquanto descíamos para o litoral, cada geração herdando o conhecimento das gerações anteriores. Em Yanbu, na Arábia Saudita, perguntamos a um construtor de navios onde estavam seus projetos de construção; ele apontou para sua cabeça.

Em sua cabeça havia planos suficientemente detalhados para ele projetar as dimensões do navio que ele estava construindo, para para firmar as vigas à quilha, e unir as pranchas às vigas sem precisar de qualquer diagrama escrito.

Nós observamos dois padrões básicos de constução de navios em estaleiros que visitamos em Jiddah e Salalah.

Em cada caso, o construtor  sulca a quilha e prende as vigas à quilha. As vigas são sempre feitas de três corpos cuja curvatura dá o ângulo desejado para as vigas. Pranchas são fixadas ao esqueleto por cravos ou por “costuras”. No primeiro método o construtor fura as pranchas e as vigas com uma broca de mão com ponta de ferro. Através do buraco ele passa um grande cravo de ferro com uma embalagem de cânhamo lubrificado enrrolada em torno da haste sob a grande cabeça. O cravo é então dobrado no lado de dentro para apertá-l0 no lugar.

No método de “costura” o construtor faz uma série de furos onde as pranchas serão unidas, então as amarram hermeticamente com cordas de cânhamo e as impermeabilizam. As pranchas são amarradas às vigas da mesma maneira. Ficamos intrigados de que esse método é usado somente no Iêmen e em Omã e aparentemente datam de época bem antiga. O método dos cravos é usado em Yanbu e Jiddah, na Arábia Saudita.

Certamente que Néfi não construiu seu navio “pela maneira dos homens” mas “pela maneira que o Senhor mostrou” a ele.


“Ora, eu, Néfi, não trabalhei a madeira pelo método que os homens conheciam nem construí o navio pelo método dos homens; mas construí-o pelo método que o Senhor me havia mostrado; não foi, portanto, igual ao dos homens.” (1 Ne. 18:2.)


Esta análise das antigas técnicas de construção naval serve apenas para ilustrar que para Néfi estar familiarizado com os métodos de construção não era algo extraordinário ou improvável. Ele construiu seu navio numa região onde a construção naval era algo conhecido. Além disso, apesar de o navio de Néfi não ter sido construído “conforme a maneira dos homens”, provavelmente Néfi usou uma quantidade de métodos e elementos de desenho ou de aspecto que eram conhecidos pelo povo de sua época.

Néfi pode ter cortado suas própria árvores e as arrastado para a areia da praia usando a força de camelos; ou ele poderia ter comprado tábuas cortadas de moradores locais. Ele não escreveu como obteve a madeira mas comentou que o navio quando pronto “era bom, e que o feitio dele era excessivamente fino”.

E aconteceu que depois de haver terminado o navio de acordo com a palavra do Senhor, meus irmãos viram que estava bom e que o trabalho fora muito bem executado; tornaram a humilhar-se, portanto, diante do Senhor.(1 Ne. 18:4.)

Nós estimamos que, com o nascimento das crianças, o grupo de Leí pode ter chegado ao número mínimo de 49 pessoas na época do embarque: 17 adultos e 32 crianças, calculando uma média de 4 filhos por casal em 8 anos, mais os 2 filhos de Leí (Jacó e José) que nasceram de Leí e Saria, somando as crianças que os 2 filhos de Ismael tinham antes de sua fuga de Jerusalém.

“E aconteceu que durante a viagem pelo deserto, eis que Lamã e Lemuel e duas das filhas de Ismael e os dois filhos de Ismael e suas famílias se revoltaram contra nós; sim, contra mim, Néfi, e Sam; e contra o pai deles, Ismael, e sua mulher e suas três outras filhas.” (1 Ne. 7:6.)

Certamente que as famílias podem ter tido mais filhos do que estes, chegando a um número toal de até mesmo 65 ou mais. Para acomodar um grupo desse tamanho, nós  calculamos que um navio teria que ter pelo menos 18 metros de comprimento. Nós vimos vários navios desse mesmo tamanho sendo construídos a mão e sem um projeto escrito nos estaleiros que visitamos. Somados às pessoas, o navio precisaria levar suficientes frutas, carne, mel, sementes, tendas e itens pessoais e demais mantimentos para o abastecimento das pessoas do grupo.

“E aconteceu que, no dia seguinte, depois de havermos preparado todas as coisas, muitas frutas e acarne do deserto e mel em abundância e provisões de acordo com o que nos havia ordenado o Senhor, fomos para o navio com todas as nossas cargas e nossas sementes e com tudo o que havíamos trazido conosco, cada um de acordo com sua idade; portanto entramos todos no navio com nossas mulheres e nossos filhos.” (1 Ne. 18:6.)

Um navio de 18 metros de comprimento não teria sido excessivamente grande; muitos dos  dhows que navegam no Oceano Índico e Mar Vermelho têm aproximadamente 54 metros de altura, todos feitos à mão. Sem dúvida que o navio de Néfi tinha um amplo convés, uma vez que somos informados de que os irmãos de Néfi e suas esposas ficaram felizes depois de terem navegado por muitos dias e fizeram uma festa no navio com seu canto vulgar e com dança, o que teria sido impossível se o navio tivesse apenas vigas e pranchas.

“E depois de havermos sido levados pelo vento pelo espaço de muitos dias, eis que meus irmãos, os filhos de Ismael e também suas esposas começaram a ficar alegres a tal ponto que começaram a dançar e a cantar e a falar com muita vulgaridade, sim, esquecendo-se mesmo do poder que os havia conduzido até ali; sim, tornaram-se muito vulgares.” (1 Ne. 18:9.)

Dhow (Arabic,داو) é um traditional barco à vela árabe com um ou mais velas latinas. Ele foi inicialmente usado para levar cargas pesadas, tais como frutas, ao longo da costa da Península Arábica, Paquistão, Índia e África. Os maiores dhows têm uma tripulação de aproximadamente trinta pessoas e os menores tipicamente têm aproximadamente doze. Dhows são maiores que as felucas, outro tipo de barco árabe usado em água doce no Egito, Sudão e Iraque.
Navios da antiguidade classe Dhow (tipo Caravela)

História


Até mesmo hoje em dia, dhows fazem viagem comerciais entre o Golfo Pérsico e o leste da África usando velas como o único meio de propulsão. Sua principal carga são tâmaras e fieixes que são levados para o leste africano e madeira de manguezais para o Golfo Pérsico. Eles frequentemente viagam para o sul com os ventos das monsões no inverno ou no começo da primavera, e retornam para a Arábia no final da primavera ou começo do verão.


O termo "dhow" também é aplicado para pequenos barcos tradicionalmente construídos usados para viagens pelo Mar Vermelho, Golfo Pérsico e Oceano Índico vindos de Madagascar at[e a Baía de Bengala. Esses barcos tipicamente pesam de 300 a 500 toneladas e têm um desenho de casco longo e fino.

Dhows são construidos em diferentes tamanhos, dependendo do uso.

Dhow também se refere à família de antigos barcos árabes que usam a vela latina, dos quais os portugueses provavelmente se basearam para o projeto de suas caravelas, conhecidas pelos árabes por sambuk, booms, baggalas, ghanjas e zaruqs.


Navegação


Para a navegaão celestial, os navegadores dhows tradicionalmente têm usado o kamal. Esse dispositivo de navegação determina a latitude encontrando o ângulo da Estrela Polar acima do horizonte.

A baghlah, bagala ou baggala é um dhow para navegação em mar aberto, um tradicional barco árabe.
Baghlahs são usados como barcos mercantes no Oceano Índico e nos mares menores da Península Arábica. Eles were used as merchant ships in the Indian Ocean and the minor seas around the Arabian Peninsula. Eles chegam até no leste da Baía de Bengala e nas Ilhas das Especiarias ao longo da costa leste africana.

Baghlah tem duas ou três velas latinas e velas suplementares podem ser adicionadas. Ele é um barco pesado que precisa de uma tripulação de 18 a 25 marinheiros. Em condições favoráveis a baaghlah pode navegar a 9 nós.
Provavelmente o navio de Néfi tinha velas e leme ou alguma outra forma de conduzí-lo, porque Néfi diz que “guiou o navio”.

“E aconteceu que eu, Néfi, dirigi o navio e navegamos novamente rumo à terra da promissão.” (1 Ne. 18:22.)

Nós perguntmos a um construtor naval como quantos dias de trabalho seriam necessários para construir um barco de 18 metros de comprimento e ele estimou que 35 homens trabalhando em seu estaleiro poderiam fazê-lo em 45 dias ou um total de 1.575 homem/dias. Néfi, pelo menos em parte do tempo, tinha disponível o trabalho de 8 homens, e possivelmente algumas das crianças - particularmente os dos filhos casados de Ismael que provavelmente estavam no início da adolecência. Trabalhando juntos, eles talvez teriam construído seu navio em aproximadamente 197 dias de trabalho. Certamente que se o navio fosse maior e pode bem ter sido, mais tempo teria sido necessário. Os dias não trabalhados incluem os sábados, os dias de festas judaicas e os dias que Néfi trabalhou sozinho antes de os outros começarem a ajudar. É fácil de perceber que essa construção pode ter levado no mínimo 10 a 12 meses. Supondo que nem todos os homens trabalhassem no barco todos os dias por causa de doenças, assuntos familiares, saídas para caçar, plantar, colher, etc. Além disso, Néfi também teve que fundir o ferro, fazer as ferramentas e provavelmente derrubar árvores e fazer as tábuas, vigas, etc, então é provável que a Néfi e seus companheiros tenham se ocupado mais de dois anos na construção de seu navio.

Verdadeiramente foi um milagre para Néfi, provavelmente nascido e criado em Jerusalém, construir um navio que levaria tantas pessoas a salvo tantas pessoas em tal viagem. Sua nação era experimentada com navios durante a época do rei Salomão, mas Hiram de Tiro havia fornecido marinheiros experientes.

“E o rei Salomão fez uma marinha de navios em Ezion-geber, que está ao lado de Eloth, na margem do Mar Vermelho, na terra de Edom. E Hiram enviou nos navios seus servos, marinheiros que tinham conhecimento do mar, com os servos de Salomão.” (1 Reis 9:26–27)

Juízes 5:17 faz alusão de alguns marinheiros experientes das tribos de Dã e Aser, mas os fenícios e filisteus guardavam a maior parte do litoral- naturalmente reduzindo a experiência dos hebreus.

Gileade, acima e além do Jordão: e porque Dã permanece em navios? Aser continua na praia do mar, e  repousa em suas baías.” (Juízes. 5:17)

Quando o rei Josafá de judá tentou reviver a indústria naval em Aqaba, 70 anos depois de Salomão, os barcos foram destruídos antes mesmo que pudessem navegar.

E depois disso o rei Josafá de judá se juntou com Ahazias, rei de Israel, que praticou muita iniquidade. E se juntou com ele para fazer barcos para irem a Tarsis: e eles fizeram barcos em Ezion-geber. (2 Crôn. 20:35–36)

“Josafá mes barcos de Tarsis para ir a Ofir em busca de ouro: mas eles não foram, pois os navios foram quebrados em Ezion-geber. Então disse Ahazias, o filho de Josafá: Deixa meus servos irem contigo nos navios. Mas Josafá não permitiu.” (1 Reis 22:48–49.)

Os hebreus eram muito limitados em seu conhecimento do mar.
Enquanto estávamos em Salalah, também confirmamos o importante fato de que as monsões, que enchem as Montanhas de Qara com a vivificante umidade durante o verão, também fornece a Salalah uma rota de comércio. Como os registros marítimos claramente indicam, de Outubro a Maio os ventos elísios vêm do nordeste; de Junho a Setembro, eles vêm do sudoeste.
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Figura 11 - Antiga rota marítima árabe e possível rota do navio de Néfi.

MONSÕES - No Século VIII d.C., sob comando do Califa Mausur, barcos do tipo dhows viajaram com as monsões desde Basra, no Iraque, através do Oceano Índico, até o Estreito de Málaca, então subiram ao Cantão, China, em 120 dias de nabegação. Eles saíram em Junho, quando os ventos do oeste chegam. A viagem de Néfi à América foi de três vezes a distância de Basra-Cantão; então a viagem de Néfi de Abundância à América pode ter demorado muito mais que um ano.
O Estreito de Málaca separa a Sumatra, no sul, da Península da Malásia, no norte
O Estreito de Malaca (em malaio Selat Melaka) é a principal passagem marítima entre os Oceanos Índico e Pacífico e encontra-se entre a Península Malaia e a ilha de Sumatra. Tem uma extensão de 805 Km. Recebeu seu nome devido ao Império de Melaka, que governou todo o arquipélago de 1414 a 1511 d.C. 
A navegação já acontecia por séculos antes de Leí ao longo da costa ao sul da Arábia, e é imdisputável que os árabes haviam explorado centenas de quilômetros ao longo da costa, mas o primeiro registro que fomos capazes de encontrar de alguma viagem em mar aberto é do primeiro século depois de Cristo, quanto Hippalus, um navegador romano, aprendeu com os árabes a respeito dos ventos sasonais e abriu uma nova rota marítima através do mar aberto entre o Mar Vermelho e a Índia. (“Geography: Romans,” Encyclopaedia Britannica, 1971, 10:146) “ Esta foi uma descoberta sensacional e logo os povos daquela região estavam viajando para a costa árabe, através do Estreito de Hormuz, através do Ocenano ìndico, ao longo de Hadhramaut, subindo para o Mar Vermelho ou descendo para a costa da África Oriental”, com a força desses ventos constantes. (“Ghost Ships,” p. 26; see also Oman in Colour, England: Ministry of Information and Tourism, Sultanate of Oman, 1974, p. iv.)

Por volta do sexto século antes de Cristo, empreendedores árabes navegavam em seus dhows desde a Península Arábica atie a China. Barcos árabes navegavam pelas monsões até a costa de Malabar, na Índia, e então iam para o Ceilão a tempo de pegar as monsões de verão e atravessar rapidamente a frequentemente traixoeira Baía de Bengala, passavam pelas Ilhas Nicobar, través do Estreito de Malaca, e iam para o Mar da China, ao sul (Ver Fig 11). Daqui eles faziam uma rápida e arriscada viagem de 30 dias até a principal estação comercial em Cantão, na China. A viagem da Península Arábica até a China levava aproximadamente 120 dias de contínua viagem, ou seis meses contando as paradas a aprovisionamento ao longo do caminho. (Nancy Jenkins, “The China Trade,” Aramco World Magazine, July–Aug. 1975, 26:24, 26–27.)

Uma vez que eles emergiram do Estreito de Malacca Straits, os dhows algumas vezes eram empulsionados para fora do curso e terminavam indo para o Oecano Pacífico, “onde, acreditavam os chineses, as calhas de drenagem dos oceanos do mundo sugavam os marinheiros incautos para o esquecimento.” (“The China Trade,” p. 27)

Todos esses relatos de, pelo menos, quinhentos anos depois que o grupo de Leí deixou a Arábia; mas a existência de navegação costeira e das monsões podem ter sido a combinação dos eventos que capacitaram Néfi a, inspirado pelo Senhor, pôr-se ao mar, traçando um curso que pode não ter sido seguido novamente até cinco céculos tivessem se passado. E se mais tarde levou 120 dias para navegar da Arábia para a China, provavelmete Néfi levou de um ano a 15 meses para cobrir um trajeto três vezes mais distante entre a Arábia e a América. Esta viagem é um grande testemunho de fé e coragem e um grande tributo ao navio de Néfi. É uma história que ficou para ser contada!

Conclusões


Acreditamos que foi na costa de Salalah que encontramos o final da rota de Leí, de Jerusalém até Abundância. Não encontramos contradições nem absursos no relato que Néfi deixou atrás de si. Nada que nós descobrimos nos volumes de geografia e história contradiz esse antigo profeta; pelo contrário, eles corroboram com o registro de Néfi dezenas de vezes, mostrando que somente alguém que estivesse em pessoa e tenha experimentado os rigores da viagem poderia ter dado os impressionantes detalhes que, mesmo depois de 2.600 anos, parecem se harmonizar com o que nós vimos.


Embora sejam de natureza provisória e apenas altamente prováveis, abaixo estão algumas das nossas conclusões:


1. A Península Arábica, através da qual a rota de Leí passou em 600 antes de Cristo, não era um deserto despovoado mas uma terra onde muitas pessoas elaboraram um preciso e precário relacionmento com sua terra pobre em água.


2. O franquincenso produzido em Salalah, Omã, no Mar da Arábia desde, pelo menos, 1500 a.C. era de tanta demanda no mundo antigo que grandes rotas comerciais haviam sido estabelecidas. As constantes viagens de homens, camelos e riqueza, evitou que a Península Arábica fosse isolada do restante do Oriente Médio.


3. Milhares de pessoas fizeram quase a mesma jornada para Salalah que provavelmente Leí também tenha feito. Suas experiências registradas em antigos documentos e nas menos compreensíveis evidências pictográficas, poços cavados a mão, e tradições bem preservadas, confirmam que a viagem não foi fácil. A proteção do Senhor foi um elemento necessário para o sucesso da pequena colônia de Leí.


4. Nós sentimos que encontramos razoáveis evidências para sugerir que o Wadi E1 Afal, na Arábia Saudita, é o Vale de Lemuel e que Salalah, em Omã, é abundância.


5. O clima e a geografia dessa região mudou muito pouco ou nada, desde os dias de Leí.


6. Leí muito provavelmente adotou o estilo de vida das tribos nômades árabes durante os anos de sua jornada, incluindo o custume de viver em tendas e os métodos de conseguir água, comida e transporte.


7. Algumas formas de arte nativa do norte e sul da América provavelmente se originaram entre os povos semíticos da Arábia, ou possivelmente ambas as culturas derivaram suas formas artísticas de uma fonte comum.


8. Néfi provavelmente foi exposto às técnicas de trabalhar o ferro e à construção naval enquanto viajava para o sul.


9. Ainda há muito para ser aprendido a respeito dos registros e tradições dos árabes que os Santos dos Últimos Dias considerariam úteis.


Através dessa experiência nós sentimos como nunca antes, a veracidade do relato do Livro de Mórmon. Nós sentimos a proteção e a orientação do Senhor em nossas viagens e na procura, com fé e entusiasmo, de novas descobertas que testificariam do grande trabalho de Joseph Smith.