NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

Este blog não é patrocinado nem está ligado oficialmente a qualquer denominação religiosa. Todo conteúdo apresentado aqui representa a opinião e é de total e exclusiva responsabilidade de seus autores, que sempre estão devidamente identificados.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

YUCATAN: Segredos de Uma Cidade Perdida do Livro de Mórmon

Garth Norman
Tradutor: Elson Carlos Ferreira – Curitiba/2010 – de.jerusalem.as.americas@gmail.com

Pirâmide do Mágico, Uxmal, Yucatan, México 
Depois de ler sobre as explorações de John Lloyd Stephens na Mesoamérica publicada em 1841, Joseph Smith demonstrou agudo interesse na península de Yucatan como a terra da antiga civilização maia. Joseph até mesmo considerou que os Santos poderiam fugir para “derredor da ferradura” (Golfo do México), a antiga terra dos nefitas, para fugir da perseguição.
Yucatan tem sido considerada portadora das mais convincentes evidências da presença de Jesus Cristo na América. No Equinócio de Primavera, centenas de pessoas peregrinam para Chichen Itza para testemunhar um hierofania* solar na Perâmide de Kukulcan/Quetzalcoatl – o deus das chuvas e da vida, e levantam a serpente emplumada, emblema de Cristo na tradição do Livro de Mórmon. Quando o sol cruza o canto nordeste da pirâmide com escadarias, o corpo da serpente de luz ilumina a balaustrada das escadarias e cria a impressão de que esta cabeça de pedra da serpente emplumada na base está descendo dos céus. Pesquisadores locais não SUDs, determinaram que a perfeição dessa hierofania ocorre no dia 6 de Abril, a data de nascimento de Cristo, segundo o Livro de Mórmon e outras escrituras (ver Norman 2008: Pl. 5 foto, p. 26).

(*O termohierofania" [da raiz Grega "ερός" (hieros], significando "sagrado ou "santo," e "φαίνειν" [phainein] significando "revesar" ou "trazer à luz", é a manifestação do sagrado. Ocorre freqüentemente nas obras da historiadora religiosa Mircea Eliade como alternativa para o termo mais restritivo "teofania" [aparição de deus]).
Chichen Itza
Apesar de que esta pirâmide é de data posterior ao Livro de Mórmon, eu a considero como remanescente da influência Tolteca fora do México Central, em Chichen Itza, no décimo século depois de Cristo, para celebrar o nascimento de Quetzalcoatl-(Cristo). O Livro de Mórmon coloca o nascimento de Cristo no ano 1 a.C. para começar um novo calendário, que é o ano em que um novo calendário mesoamericano começou para os nativos Mistecas (nota de pesquisa de Bruce Warren).

Tembém descobri significativa influência Tolteca na comunicação comercial, do México para a Garganta Parowan, no sul de Utah, e decodificou um enorme calendário que incluía uma estação de observação de 06 de Abril, que é plotado na contagem dos dias do equinócio da primavera em um painel petroglífico em Parowan. (Norman 2007:180).
Usumacinta
Encontramos forte confirmação para a correlação do mapa de Norman. (Ver a revisão de John Pratt das evidências de que o Rio Sidon é o Rio Usumacinta em www.John@Johnpratt.com, ou www.ancientamerica.org.) Aqui eu avalio as evidências para uma correta reconstrução das fronteiras leste de Zarahenla sendo adjacente a Yucatan, como futura confirmação da localização da cidade de Zaraenla em Usumacinta/Sidon.
Istmo de Tehuantepec
O Istmo de Tehuantepec fica localizado no sul do México, entre o Golfo de Campeche no Golfo do México ao norte, e o Gulfo of Tehuantepec, no Oceano Pacífico no sul.
O Istmo tem uma largura de 220 km na sua parte mais estreita.Numerosas baías e enseadas de vários tamanhos podem ser vistas ao longo das costas norte e sul.

Conquanto eu esteja convencido que a Mesoamérica é a antiga terra do Livro de Mórmon, a península norte de Yucatan (até meu mapa de estudo) tem sido um enigma para os estudantes de geografia. Ela se tornou uma “pedra no sapato” de quem tenta reconciliar Alma 51:26, colocando cidade de Morôni às margens da cidade de Néfi e outras localidades junto da costa leste de Zaraenla (que foi capturada pelos Lamanitas) e todo o caminho para Abundância, na Estreita Faixa de Terra. Estudantes se dividem entre determinar a localização destas cidades, ou ao longo da costa caribenha, ou na costa do Golfo de Tabasco, através do Istmo de Tehuantepec.

Um estudante lutando com este problema propôs “cortar o pé” para fazer uma ilha, que teria inundado uma quantidade de cidades que datam dos tempos do Livro de Mórmon. Visões alternativas se entranharam, o que estimulou uma pesquisa inútil através das Américas do Norte e do Sul pra um melhor ajuste geográfico. A regra ageral destes mosaicos geográficos tem sido realçar umas poucas características correspondentes e ignorar as coisas que não se encaixam.

Estudantes sérios devem reconciliar todos os detalhes no texto com a geografia real que pode ser sustentada pela arqueologia. Apenas na Mesoamérica isto é possível.

Lidar com porcentagens nunca caiu bem para mim. Temos que levar em conta todo o Livro de Mórmon e escrutinar cada detalhe. Podemos permitir ao próprio Mórmon uns poucos erros em seu registro, mas não há engano em Alma 51:26, quando o compreendemos no contexto histórico.

Não é um obstáculo, antes porta uma chave para localizar a Península de Yucatan dentro da necessária geografia do Livro de Mórmon. As mesas viraram. Se Yucatan não for lá, teremos um grande problema. Qual é a chave que coloca Yucatan dentro do panorama geográfico do Livro de Mórmon? Alma 51:26 é um inventário incompleto.
península de Yucatán
Península de Yucatán, é a porção setentrional da Mesoamérica que divide o Golfo do México do Mar das Caraíbas no extremo sudeste da América do Norte da parte norte da América Central. Com um território de aproximadamente 145,000 Km² integram-na os estados mexicanos de YucatánQuintana Roo e Campeche, ainda que em sentido estritamente de geografia física, Belice e Petén na Guatemala também a conformam. Para fins deste artigo, as demarcações limítrofes peninsulares são: ao sudoeste, a desembocadura do rio Champotón no estado de Campeche; ao noroeste o rio de Celestún e o porto de Sisal no estado de Yucatán; ao nordeste, Cabo Catoche no estado de Quintana Roo; ao sudeste, a Baía de Chetumal, no estado de Quintana Roo. Na maioria deste território, com excepção de parte sul e dos litorais, é terra caliza e dura, carente de rios e de montanhas importantes, na que a água, para voltar ao mar, rompe brecha no subsolo uma vez atingido o manto freático, formando cavidades e aguadas interiores conhecidas como cenotes, que os antigos povoadores, os maias, usaram como reserva vital da água.

As fronteiras leste de Zarahenla é reconstruída a partir da história de guerra em Alma. Batalhas de Morôni nas margens leste da terra de Néfi levam-nos por todo o caminho para a cidade de Abundância na Estreita Faixa de Terra como a última fortaleza que evitava que os lamanitas cruzassem a Estreita Faixa e se reunissem com outros exércitos lamanitas pressionados no litoral da costa leste. A estratégia de guerra era capturar a Estreita Faixa de Terra e rodear e conquistar a terra nefita de Zaraenla. O exército de Helamã em Judéia (Izapa?) sucessivamente protegeu este corredor da costa leste.


Há uma curiosa anomalia em Alma 51:26. A cidade de Ômner, capturada pelos lamanitas, é a cidade intermediária entre sete cidades ao longo das bordas da fronteira leste, mas ela é deixada de for a do relato da história da guerra. Por que? Se Ômner fosse contígua às cidades vizinhas de Moriânton e Gide, ela não teria sido excluída. Uma olhada no mapa mesoamericano indica que esta ruptura deve envolver o cruzamento da Península de Yucatan, o que corresponde a uma lacuna no resumo dos registros de Mórmon. Sua história focaliza nas frentes defensivas estratégicas no sul e no norte do país. A arqueologia e o ambiente apoiariam esta ruptura? SIM!
Cidade de Quezon, Malabo, Baía de Chetumal
O entrincheiramento fortificado da cidade de Becan corre paralelamente à fronteira povoada da terra de Zaraenla na região central da Península. Becan pode ser a cidade de Ômner caso seja feita uma exceção para que ela não seja uma cidade costeira. Ela é uma importante ligação fortificada entre as cidades e ambos os litorais, e fica exatamente a oeste da Baía de Chetumal. 
Becan
O limitado povoamento ao norte de Becan era devido a um ambiente pouco convidativo com pouca água. O prêmio de Zarahenla para seus conquistadores era as ricas terras e as grandes cidades ao sul, incluindo Tikal, El Mirador e Nakbe. Tikal tembém era bem fortificada por trincheiras que protegiam quase 36 milhas quadradas ao redor da cidade que teria acomodado outras cidades invadidas pelos lamanitas recuando para as grandes cidades de Amonia e Tikal.
Tikal
Retirar Yucatan do relato não constitui um problema. Ela pode ser incluída numa bastante abreviada declaração para o povoamento original do Deserto do Leste depois de mencionar umas poucas cidades estratégicas, que “naquele mesmo ano iniciaram também a construção de muitas cidades no norte” (Alma 50:15). Yucatan do norte fica tão distante da capital Zaraenla, em Usumacinta (Sidon), na região de Palenque, como dista de Kaminaljuyu (Nephi), a capital do sul do planalto guatemalteco. Ela não era um objetivo militar estratégico. Esparsa população no interior norte de Becan e distante isolamento de Yucatan, ao norte, eram fatores que justificam Mórmon de deixar Yucatan de for a da história militar.
El Mirador, Chinkultic, Chiapas
 Quais são as chances de encontrarmos um nome nefita sobrevivente para esta distante terra peninsular? Indubitavelmente ela tem um nome descritivo e características como têm outras terras do Livro de Mórmon tais como a Estreita Faixa de Terra, a Estreita Passagem, e a Estreita Faixa de Deserto, Deserto do Leste, Terra de Abundância e Desolação. Península ou promontório poderiam ser títulos mais óbvios. 

A palavra Yucatan vem de Yaca-tlan, do idioma Nahuatl. Yaca significa "pontiagudo" e -tlan significa "lugar" ou terra (Karttunen 1983).

Tenho encontrado evidências para várias traduções de nomes de lugares do idioma Nahuatl a nomes do Livro de Mórmon (Norman 2008). Assim podemos procurar por um nome característico remanescente para “ponto” em Yucatan para uma palavra nefita/hebreu para a palavra ponto. O substantivo “ponto” em hebreu é Nekuda
! Analisando o mapa, encontrei dois originais matches para a área. A principal cidade nocorredor de comunicação da costa leste em Yucatan chama-se Nunkini. Note o N e o K são a mesma letra no idioma hebreu. Vogais não são escritas em hebreu. O D e o N são fechados o bastante para serem trocados em transliterações, especialmente porque não existe a letra D no idioma Nahuatl. Vários nomes de local terminados com "ni" (Cumeni, Moroni, Middoni), mas não tem a terminação "da". O sufixo "Ni" é um indicador de direção como em NICAN (aqui), NICI (perto), e NIPA (lá). 

A umas 30 milhas a noroeste de Nunkini, no litoral, fica Punta Nimu
!n(i), que é uma península na entrada da lagoa que pode ser um nome maia para a palavra “ponto”. Nunkini e Nimu!n são próximos o bastante do termo hebreu Nekuda! Para qualificá-lo como sobreviventes de transliterações de nomes do Livro de Mórmon.

Hugh Nibley observou que “os nomes são sujeitos a algumas mudanças com o tempo e espaço, ao passo que se as semelhanças forem perfeitas, somos forçados a atribuí-lo, por mais fantástico que possa parecer, a alguma mera coincidência. Devem diferenças; e ainda mais, essas diferenças não devem ser simples acasos mas demonstram tendências definitivas”.
(Lehi in the Desert & The World of the Jaredites, p. 30)

Esta análise de nomes de locais é consistente com mais de vinte nomes de local identificados anteriormente no idioma Nahuatl para nomes do Livro de Mórmon. (Ver Garth Norman, Book of Mormon-Mesoamerican Geography: History Study Map text, 2008, pp.11-13.)

Percorremos um longo caminho decodificando a geografia histórica do Livro de Mórmon para podermos detectar detalhes geográficos históricos que não apenas confirmem o mapa do Livro de Mórmon, mas ajude a concretizar obscuros detalhes resumidos.

Referências:

1-Karttunen, Frances. An Analytical Dictionary of Nahuatl. University of Oklahoma Press, Norman, Oklahoma: 1983.

2-Norman, V. Garth. Book of Mormon - Mesoamerican Geography: HistoryStudy Map, ARCON Inc. & Ancient America Foundation, American Fork, Utah: 2008, revised edition.

3-The Parowan Gap; Nature’s Perfect Observatory. CFI Publishing, Springville, Utah: 2007, revised edition. (Available on Amazon.com or Cedarfort.com.)

Nota: A edição de 2008 do mapa de estudo geográfico de Norman agora está disponível com ilustrações, incluindo seis folhas de comparações entre a Mesoamérica e o antigo Oriente Médio que datam dos tempos do Livro de Mórmon, e páginas coloridas das maiores características geográficas correlatas: Cumôra, a Estreita Passagem, Estreita Passagem, e Estreita Faixa de Deserto. www.ancientamerica.org
Copyright © 1999-2002 Ancient America Foundation. http://www.ancientamerica.org