NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

HISTÓRIA - Declaração de Joseph Smith a Respeito dos Jareditas, a Torre de Babel e o México.



Dr. Ted Dee Stoddard
Dr. Ted Dee Stoddard: Professor emérito de Gestão da Comunicação na Brigham Young University Marriott School of Management Publicou numerosos livros, artigos e outras obras. Serviu por vários anos como editor do The Religious Educator (publicado pela BYU Religious Studies Center)
e do Mormon Historical Studies.

Editor do livro de Joseph Lovell Allen e Blake Joseph Allen, Exploring the Lands of the Book of Mormon, 2ª ed. (Orem, UT: Book of Mormon Tours and Research Institute, 2008).

Declaração de Joseph Smith de Que os Jareditas Foram Levados da Torre de Babel Para o México
Copyright © 2010 - Book of Mormon Archaeological Forum
www.bmaf.org

Tradutor Elson C. Ferreira – Curitiba/Brasil – Agosto/2010
de.jerusalem.as.americas@gmail.com

Como editor de Times and Seasons em 1842, Joseph Smith escreveu um artigo em 15 de Junho de 1842 a respeito de tradições dos astecas do México. Nesse artigo o Profeta Joseph relata que os jareditas foram trazidos da Torre de Babel para o México – baseado nas tradições dos astecas, conforme explicado nos registros dos Humboldt. Os comentários de Joseph Smith apóiam  as alegações dos cientistas mesoamericanistas de que os eventos do Livro de Mórmon ocorridos no Novo Mundo aconteceram na Mesoamérica e não na parte continental dos Estados Unidos da América, conforme é declarado pelos proponentes do Modelo Centro Oeste Norte Americano. Quais são as suas impressões a respeito do artigo escrito por Joseph Smith?

Quase escondido entre as trinta e quatro centenas de páginas do Times and Seasons (Tempos e Estações) está um artigo intituladoTraits of the Mosaic History, Found among the Aztaeca Nations”1 (Traços da História Mosaica Encontrada Entre as Nações Astecas) escrito por Joseph Smith em 15 de Junho de 1842, no qual o Profeta assume a responsabilidade por sua autoria, enquanto ocupava a função de editor desse periódico da Igreja durante o período de 15 de Março a 15 de Outubro de 1842. A primeira parte do artigo trata do dilúvio e a segunda parte fala da confusão das línguas na época da Torre de Babel e da jornada dos jareditas a uma “terra escolhida entre todas as terras do mundo”. (Éter 1:42).
Sabemos que Joseph Smith escreveu, ditou ou, pelo menos, aprovou e aceitou o artigo como se fosse seu, por causa da notação “ED.” impressa no final do artigo. Durante o tempo de existência do periódico Times and Seasons, o jornal oficial de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, desde Novembro de 1839 a Fevereiro de 1846, o “editor chefe” rotineiramente apunha sua “assinatura” (as notações “Ed.” ou “ED.”) na conclusão de todo artigo por cujo conteúdo ele assume a responsabilidade. Atualmente as orientações para tal prática numa organização são defendidas no manual de política e procedimentos da organização. Um exame de todas as questões do Times and Seasons verificará a “assinatura” informal, não escrita, das políticas e procedimentos que editores chefes seguem para propósitos autorais.
Os proponentes do Modelo Centro Oeste Norte Americano para a determinação dos locais em que ocorreram os eventos do Livro de Mórmon, sustenta que Joseph Smith não foi responsável pelo conteúdo de qualquer artigo publicado no Times and Seasons nos quais aparecem as notações “Ed.” ou “ED.”. Eles apresentam duas razões para essa posição:
1) Joseph Smith estava escondido quando tais artigos foram publicados no Times and Seasons e,
2) Por causa do aparecimento do pronome da primeira pessoa do plural “nós” nos artigos atribuídos ao Joseph Smith através das notações “Ed.” ou “ED.” outras pessoas do periódicos, que não fosse Joseph Smith, são responsáveis pelos artigos.
Que evidências temos além das políticas de procedimentos do Times and Seasons, quais evidências temos que Joseph Smith realmente escreveu, ditou ou, pelo menos, aprovou e aceitou como se fosse seu, qualquer artigo com as notações “Ed.” ou “ED.” enquanto era editor chefe desse periódico?
Um exame cuidadoso das participações do Profeta no jornal, conforme encontrado na History of the Church (História de Igreja) e nos artigos do Times and Seasons - ambos associados às suas atribuições como editor do Times and Seasons - revela o seguinte:
Em 2 de Março de 1842 Joseph Smith registrou em seu diário: “Eu li a prova do Times and Seasons como editor, pela primeira vez, No. 9, Vol. III.”2

Na edição de 15 de Março de 1842 do Times and Seasons, Joseph Smith declara: Esse documento começa minha carreira editorial, somente eu  o defendo, e farei de tudo para que todos os documentos tenham minha assinatura de agora em diante.”3 Como já observamos, a “assinatura” do editor do Times and Seasons para qualquer artigo pelo qual ele era responsável, era as abreviações “Ed.” ou “ED.” aposta no final de cada artigo.
No final da edição de 15 de Maio de 1842, Joseph Smith declara: “ O Times and Seasons é editado por Joseph Smith. Impresso e publicado quase todo dia primeiro e décimo quinto de cada mês, na esquina das ruas Water e Bain, Nauvoo, Hancock County, Illinois, por Joseph Smith.”

Como visto em seu diário em History of the Church, se Joseph Smith realmente estivesse escondido durante o período entre 1º de Março de 1842 e 8 de Agosto do mesmo ano, ele estaria apenas iludindo pessoas estranhas à comunidade de Nauvoo, enquanto ele obviamente cumpriu suas atividades normais naqueles dias. Como se verifica através de seu diário, naquele período de tempo ele esteve presente em reuniões de vários tipos, realizou numerosos negócios comerciais, palestrou com frequência, despendeu um tempo considerável em casa com sua família, trabalhou em sua fazenda,  montou a cavalo em muitos lugares, recebeu revelações, escreveu muitas cartas, participou de atividades do conselho da cidade, recuperou-se de uma enfermidade, etc. Certamente que ele cumpriu seus deveres como editor do Times and Seasons, como demonstrado em em tais anotações no diário, conforme segue4:

9/Março - “Examinei a cópia do Times and Seasons
10/Maio - “Realizei uma variedade de negócios no armazém, escritório do editor, etc.”
16/Maio - “À tarde no escritório do impressor”
28/Maio - “Às oito da noite, chamado ao escritório do impressor”
4/Junho - “No escritório do impressor pela manhã”
12/Junho - “Chamado ao escritório do impressor por alguns documentos”
15/Junho - “Editei editorial sobre o Dom do Espírito Santo”
11/Julho - “À noite, no escritório do impressor li documentos”
Em apontamentos no seu diário em 8 de Agosto de 1842, Joseph diz: “Nesta tarde fui preso
pelo cherife... como se fosse um ‘acessório’ anterior ao fato de um assalto com intenção de matar feito por um tal Orrin P. Rockwell, em Lilburn W. Boggs’ na noite de 6 de Maio de 1842.” Como resultado, de 11 a 19 de Agosto, Joseph esteve em oculto para evitar a captura e extradição para Missouri. Entretanto ele estava relativamente próximo de Nauvoo e recebeu várias visitas enquanto se escondia de seus adversários. No posfácio de uma carta a Wilson Law, datada de 14 de Agosto, ele escreveu: “Eu desejo que me comunique todas as informações de todas as transações de como elas estão indo diariamente, por escrito, pelas mãos de meus ajudantes de acampamento.”5
Em 29 de Agosto ele escreveu: “Perto do final da intervenção de Hyrum [em Grove], eu fiquei em cima da plataforma... Meu súbito aparecimento sob as circunstâncias que nos envolvia, causou grande animação e alegria na assembléia. Alguns haviam suposto que eu havia ido a Washington, e outros que eu havia ido para a Europa, enquanto alguns pensavam que eu estava na cidade... Eu tinha estado em Nauvoo todo o tempo.6
Assim, apesar de Joseph às vezes estar “escondido” para evitar seus inimigos, estava muito perto de Nauvoo durante seu mandato como editor do Times and Seasons; e o melhor que podemos dizer ao examinarmos os resultados de seus esforços é que ele trabalhou muito bem ao cumprir todas as suas responsabilidades, incluindo aquelas associadas aos seus deveres de editor.
Como a argumentação dos proponentes do Modelo “Heartland” de que o conteúdo dos artigos noTimes and Seasons não podem ser atribuídos a Joseph Smith por causa do pronome plural “nós” nesses artigos, um exame de todos os artigos com a notação  “Ed.” ou “ED.” revelam alguns importantes assuntos.
Uma pesquisa de todos os trezentos e quarenta páginas em meus abrangentes arquivos do Times and Seasons mostra que um total de sessenta e dois artigos ou outros itens levam a “assinatura” usada pelos editores (“Ed.” or “ED.”). Rotineiramente, se o editor em questão era Ebenezer Robinson, Joseph Smith, ou John Taylor, os artigos que usam a primeira pessoa do plural “nós” são cinquenta, ou seja 81%.
Portanto, podemos concluir com certeza que o uso que Joseph fêz do plural “nós” em seus artigos simplesmente seguiu os procedimentos da equipe editorial no escritório do impressor onde as questões do Times and Seasons eram planejadas e impressas.

Enquanto pensamos a respeito dessa convenção, deduzimos que o uso da palavra “nós” em tais artigos é uma maneira natural de trazer o leitor “a bordo”, para compartilhar o conteúdo do artigo. Exceto em escritos muito formais, todos os bons escritores rotineiramente seguem essa convenção pela mesma razão.

Provavelmente algo mais está envolvido neste caso do Times and Seasons. Se fizéssemos de conta que somos testemunhas das atividades diárias no escritório do impressor, onde os artigos do Times and Seasons eram planejados, escritos, revisados e impressos, observaríamos algo da seguinte maneira:
Editores (e outros escritores) comumente não escrevem em total isolamento e então fazem a publicação de seus escritos sem que estes sejam revisados por outras pessoas da equipe editorial. Apenas com um pouco de imaginação podemos recriar o cenário no escritório para revisar um dos artigos de Joseph Smith. O conhecemos bem o suficiente para saber que frequentemente pedia a outros colegas para que escrevessem algo para ele ou que o ajudassem na composição de uma apresentação escrita. Frequentemente Joseph simplesmente ditava enquanto alguém escrevia antes da subsequente revisão.
Inicialmente, entretanto, Joseph  e outros no escritório do editor provavelmente discutiram as consequências dos comentários de Humboldt sobre os astecas. “O que você acha que está acontecendo aqui?” deveria ser a pergunta natura,l enquanto exploravam o livro de Humboldt. Durante o processo, Joseph deve ter formulado respostas às questões - respostas que se tornam o conteúdo do artigo que finalmente será preparado. E o artigo bem poderia passar por mais iterações e revisões antes de que fosse considerado pronto para publicação. Em outras palavras, chegar ao ponto final da cópia de um artigo típico não é um processo de uma só noite.

Enquanto lê o artigo de Joseph, chamo a sua atenção para o resultado de suas palavras:

1.Na segunda parte do artigo, Joseph fala da confusão das línguas na época da Torre de Babel: “Com respeito à confusão das línguas é dito das nações acima que havia ‘quinze cabeças ou chefes de famílias, a quem foi permitido falar o mesmo idioma’”. Aqui ele cita Humboldt, que está provavelmente citando o historiador espanhol Ixtlilxochitl, que trabalhou com documentos nativos ao escrever sua história dos nativos de Nova Espanha (Mesoamérica).7
2.Quanto os viajantes “finalmente chegaram no país de Aztalan, do lago do país da América”, eles estavam no vale do México onde atualmente se localiza a Cidade do México. Afirmo que não podemos compreender adequadamente a grandiosidade dos lagos no vale do México antes da conquista espanhola. Ler a obra de escritores tais como Bernal Diaz ou William Prescott8 ajudará qualquer a pessoa compreender a imensidão do sistema original de lagos do vale do México, que é o candidato natural para a “terra que fica no norte” do Livro de Mórmon: “Portanto, Moriânton convenceu-os de que deveriam fugir para a terra que ficava ao norte, a qual era coberta por grandes extensões de água, e ocupar a terra que ficava ao norte.” (Alma 50:29).9
3. Num ponto de seu artigo, Joseph diz, “Aqui, então, temos dois relatos sobre este continente que vão apoiar as palavras de verdade eterna”. Mais tarde ele diz: “Estes relatos, então, concordam precisamente com o que foi encontrado no município de Ontario, N.Y., e outro no México.” Certamente que ele está falando do Livro de Mórmon que veio do monte que hoje chamamos de Cumôra no norte do Estado de Nova York e do documento asteca a respeito do qual Humboldt escreveu. Joseph então salienta que o documento asteca “é tão parecido com o que está contido no Livro de Mórmon que a impressionante analogia deve ser percebida por qualquer observador superficial.” A simplicidade de sua linguagem é tal que os leitores e estudiosos do Livro de Mórmon devem facilmente reconhecer e admitir que “algo está acontecendo na Mesoamérica em conexão com O Livro de Mórmon.”
4. A escolha das palavras pelo Profeta Joseph apóia as definições de “América” e “continente” conforme encontrado no dicionário de Noah Webste, de 1828 American Dictionary of the English Language. Está em questão aqui o significado das palavras América e continente no Século XIX, a época de Joseph Smith.
1º - O didionário de Noah Webster  de 1828 define América conforme segue: “Um dos grandes continentes descoberto por Sebastian Cabot em 11 de Junho de 1498, e por Colombo, ou Christoval Colon, em 1º de Agosto do mesmo ano. Estende-se do 80º a norte, 44º ao sul de latitude; e de 35º a 156º de longitude oeste de Greenwich, tendo quase 14.500 quilometros de comprimento. A largura em Darien [Panama] é reduzida para quase 73 quilômetros, mas sua extremidade norte é de quase 6.500 quilômetros. De Darien para o norte, o continente é chamado de América do Norte, e ao sul, é chamado de América do Sul.10 Portanto, para Joseph Smith, a “América” consistia de apenas um continente, referenciado pelo pronome pessoal a. Esse continente, no jargão atual, era de fato o “hemisfério” porque ele incluía todo o território ao norte e ao sul do Istmo de  Darien (Panamá).
2º - Webster define continente conforme segue: “Em geografia, uma grande extenção de terra, não  separada ou interrompida pelo mar; uma grande extensão de terra como  os continentes Oriental e Ocidental. Ele difere de uma ilha somente na extensão.”11 Assim, Webster utiliza uma linguagem mais consistente no uso da palavra continente “ocidental”, no singular, para se referir a todo território vulgarmente designado hoje como América do Norte, América Central e América do Sul.
Os proponentes do Modelo “Heartland” estão confusos quando interpretam “América” e “continente” querendo dar significação de um território que é exclusivamente encontrado na parte continental dos Estados Unidos.

5. Por via desse artigo, Joseph Smith alega que os jareditas foram trazidos da Torre de Babel para o México, conforme apoiado pelas tradições astecas e o relato de Éter no Livro de Mórmon. De acordo com Joseph, a “terra escolhida entre todas as terras do mundo”. (Éter 1:42) é “a terra da América”, que, para o propósitos do artigo de Joseph, abrange o México e os Estados Unidos, mas não exclusivamente a parte continental dos Estados Unidos, como é advogado pelo proponentes do Modelo “Heartland”.
6. Na conclusão do artigo, Joseph diz: “O Livro de Mórmon diz que o irmão de Jarede clamou ao Senhor para que lhes desse outra terra; o Senhor o ouviu e lhe disse para ir a certo lugar e “...lá te encontrarei e irei adiante de ti para uma terra escolhida entre todas as terras do mundo.” Esta é a terra da América. A coincidência é tão marcante que comentários adicionais são desnecessários.” Faríamos bem em aplicar esta linguagem e tom na polêmica entre os proponentes do Modelo “Heartland”, que acreditam que todos os eventos no Novo Mundo aconteceram nos Estados Unidos continental, e os mesoamericanistas que acreditam que todos os eventos no Novo Mundo do Livro de Mórmon aconteceram na Mesoamérica. Se Joseph Smith estiver correto em seu artigo dizendo que o Senhor levou os jareditas da torre de Babel para o México, a controvércia deveria ser resolvidas e “mais comentários seriam desnecessários”, ou seja, todos os eventos no Novo Mundo do Livro de Mórmon devem estar associados com a Mesoamérica e não com a parte continental dos Estados Unidos.
Lemos abaixo o artigo de Joseph Smith de 15 de Junho de 1842, no Times and Seasons. O artigo, conforme formatado, é copiado e colado dos arquivos do Times and Seasons que foram preparados pela Comunidade de Cristo. Eu destaquei algum conteúdo do artigo.As palavras entre colchetes são correções manuscritas sugeridas por pessoas daquela Comunidade e os números das páginas entre parênteses se referem às sentenças precedentes aos números. Exceto outras leves mudanças na formatação de alguma pontuação e correções de uns poucos tipos, o artigo se vê exatamente como aparece originalmente no Times and Seasons. Novamente, a primeira parte do artigo trata de Noé e do dilúvio, e a segunda parte trata da viagem dos jareditas da Torre de Babel para o México.

Traços da História Mosaica Encontrados Entre as Nações Astecas.
A tradição começa com um relato do dilúvio, conforme eles o haviam preservado em livros feitos de pele de búfalo e veado, em cujo relato há mais certeza do que se ele houvesse sido preservado meramente por tradições orais, passadas de pai para filho.
Eles começaram pintando, ou como diríamos, contando-nos que Noé, o qual eles chamavam de Tezpi, salvou a si mesmo, sua esposa, a qual eles chamavam de Xochiquetzal, numa jangada ou canoa. Não é esta jangada ou canoa a arca de Noé? A jangada ou canoa repousou sobre ou no sopé de uma montanha, que eles chamavam de Colhuacan. Não é esta montanha o monte Ararat? Os homens nascidos depois do dilúvio eram mudos. Não é ista mudêz a confusão das línguas em Babel? Uma pomba do topo de uma árvore [distribúi] idiomas aos mudos na forma de uma folha de oliveira. Não é esta a pomba de Noé que retornou com uma folha no bico, conforme relatado em [Gênises]? Eles dizem que em sua jangada, além de Tezpi e sua esposa, havia vários filhos e animais, com cereais, cuja preservação foi importante para a humanidade. Não está isso quase em exata concordância com o que foi salvo na arca com Noé, conforme relatado em [Gênises]?
Quando o Grande Espírito, Tezcatlipoca, ordenou às águas que se retirassem, Tezpi enviou de sua jangada um abutre, que nunca retornou, por conta da grande quantidade de [carcaças] que encontrou para se alimentar. Não é esse o corvo de Noé, que não retornou quando foi enviado na segunda vez, pela mesma razão aqui atribuída pelos mexicanos? Tezpi enviou outros pássaros, um dos quais foi o colibri. Só esse pássaro retornou, trazendo em seu bico um ramo coberto de folhas. Não é esse pássaro a pomba? — Tezpi, vendo aquela folhagem cobrindo a terra, deixou sua jangada perto do monte Colhuacan. Não é esta uma alusão ao Ararat da Ásia? Eles dizem que as línguas que a pomba deu à humanidade era infinitamente variada; que quando as pessoas as receberam, imediatamente se dispersaram. - Mas entre eles havia quinze cabeças ou chefes de família a quem foi permitido falar a mesma linguagem e estes eram as nações Tolteca, Aculhucan e Asteca, que se juntaram, como era bastante natural, e viajaram para onde não sabiam aonde, mas finalmente chegaram ao país de Aztalan, o país do lago da América. (pag 818)
As placas ou gravações apresentadas aqui sáo uma surpreendentehe representação do dilúvio de Noé e a confusão das antigas linguagens na época da construção da Torre de Babel, conforme relatado no livro de Gênises (ver cap. vii e xi).

Temos derivado o assunto deste do volume de Pesquisas realizadas no México pelo Barão de Humbolt, que o encontrou pintado num livro manuscrito feito de algum tipo de folha de árvore, útil para esse propósito, conforme o costume de antigas nações das partes do sul da Ásia, junto ao Mediterrâneo.

A placa, porém, aqui apresentada, não mostra mais que uma gravura do dilúvio em que Noé flutuou numa jangada, ou como as tradições de algumas das nações dizem, num tronco de árvore ou canoa; e outros dizem que foi numa embarcação de grandes dimensões. [Ele também] mostra pelo grupo de homens se aproximando do pássaro, uma história um tanto obscura sobre a confusão das antigas línguas na construção de Babel, representando as pessoas como tendo nascido mudas e que receberam o dom de falar da pomba, que bate as asas sobre os ramos da árvore enquanto apresenta as linguagens para a multidão muda, concedendo a cada indivíduo uma folha da árvore, que é mostrada na forma de pequenas vírgulas pendendo de seu bico.
De acordo com Humboldt,12 entre as diferentes nações que habitaram o México, foram encontradas pinturas que representam o dilúvio [ou inundação] de Tezpi.

A pintura da qual a placa é a representação, mostra Tezpi, ou Noé, no meio das águas em suas costas. Na montanha, cujo cume é encimado por uma árvore e que se eleva acima das águas, é o pico de Colhucan, o Ararat dos mexicanos. De cada lado do sopé da montanha aparecem as cabeças de Noé e sua esposa. A mulher é conhecida por dois pontos se estendendo de sua testa, que é a designação universal do sexo feminino entre os mexicanos. O chifre à esquerda da árvore com a mão humana apontando para ela, é o caracter representativo da montanha e a cabeça do pássaro colocado acima da cabeça de Tezpi ou Noé, mostra o urubu que os mexicanos dizem que Tezpi enviou de sua arca ou barco para saber se as águas haviam baixado.
Na figura do pássaro com folhas no bico é mostrado o evento do retorno da pomba para a arca, quando ela havia sido enviada pela segunda vez trazendo um ramo de oliveira, mas em sua tradição ela havia sido substituída e é feita como autor das linguagens. Estes pássaros têm a linguagem que foi acreditada pelas nações do mundo. Algumas daquelas nações retêm um surpreendente tradicional relato do dilúvio, os quais dizem que Noé embarcou numa espaçosa “acalli”, ou barco, com sua esposa, seus filhos, vários animais e cereais, cuja representação era de grande importância para a humanidade. Quando o Grande Espírito, Tezcatlipoca, ordenou que as águas recuassem, Tezpi ou Noé, enviou de seu barco um corvo. Mas a comida natural do pássaro era a carcaça dos mortos com a qual a terra, agora seca, em alguns lugares, abundava.
Tezpi enviou outros pássaros, um dos quais era o colibri; este pássaro retornou novamente para o barco, levando em seu bico um ramo coberto de folhas. Tezpi agora sabendo que a terra estava seca, estando vestida com uma fresca folhagem, deixou seu barco perto da montanha Colhucan ou Ararat. Uma tradição do mesmo fato, o dilúvio, também é encontrada entre os índios do nordeste.
Eu recebi, diz o último [viajante], o seguinte relato do chefe de uma dessas tribos nas próprias palavras, em inglês:

“Um velho homem que viveu muito tempo atrás, este mesmo homem, teve três filhos. O Grande Espírito disse a ele para fazer uma jangada com uma tenda em cima; para ele fazer chover [muito] mais.— Quando isso foi feito, o Grande Espírito disse, coloca nela todas as criaturas, então toma  o sol e a lua - todas as estrelas, coloca-os nela - coloca a ti e tua (esposa),e filhos, fecha a porta, tudo escuro fora. - Então choveu muito severo muitos dias. Quando eles ficaram lá muitos dias, o Grande Espírito disse, velho homem saia. Então ele tomou [vivo] animal. diz [disse] vai [vá] ver se encontra terra; então ele foi, voltou, não encontrou nada. Então ele esperou alguns dias - enviou de volta, não encontrou coisa alguma. Então ele esperou alguns dias - enviou um urubu ver o que encontrava. Então ele voltou, trouxe lama em sua pata; o velho homem [muito] alegre; ele disse “mush-quash” ele [muito] bom, ao longo deste mundo é abundante “mush-quash”, nenhum homem jamais mata todos vocês. Antão, poucos dias mais e ele tomou [muito] belo pássaro e o enviou ver o que encontrava; aquele pássaro não voltou; então ele enviou um pássaro branco que voltou, tinha grama em sua boca. Assim o velho homem soube que a água parou. O Grande Espírito disse, velho homem, deixa sol, lua, estrelas sairem, velho homem também. Ele saiu, jangada em muito grande montanha quando ele viu belo pássaro ele enviou primeiro, comendo coisas mortas - ele disse, pássaro, você não fez certo, quando mim envia você fora não voltou, você devia estar negro, você não belo pássaro nunca mais - você sempre come coisas más. Então ele ficou negro.”
Há muitas coisas contidas no relato acima que apóiam o testemunho do Livro de Mórmon, tanto quanto a história mosaica. Os registros mexicanos concordam também com o registro do livro de Éter (encontrado pelo povo de Limi, que está contido no Livro de Mórmon) em relação à confusão das línguas, do que nós inserimos o seguinte:


LIVRO DE ÉTER - CAP. 1
33 E esse Jarede saiu com seu irmão e suas famílias, com alguns outros e suas famílias, da grande torre, na época em que o Senhor confundiu a língua do povo e jurou, em sua ira, que eles seriam dispersos por toda a face da Terra; e de acordo com a palavra do Senhor, o povo foi disperso.

34 E o irmão de Jarede, sendo um homem grande e forte e um homem altamente favorecido pelo Senhor, Jarede, seu irmão, disse-lhe: Clama ao Senhor, para que ele não nos confunda de maneira que não possamos entender as nossas palavras.

35 E aconteceu que o irmão de Jarede clamou ao Senhor e o Senhor teve compaixão de Jarede; portanto não confundiu a língua de Jarede; e Jarede e seu irmão não foram confundidos.


36 Disse, pois, Jarede a seu irmão: Clama novamente ao Senhor e pode ser que ele desvie sua cólera dos que são nossos amigos e não confunda a língua deles.

37 E aconteceu que o irmão de Jarede clamou ao Senhor e o Senhor teve compaixão também de seus amigos e de suas famílias; e não foram confundidos.

38 E aconteceu que Jarede falou novamente a seu irmão, dizendo: Vai e inquire do Senhor se nos fará sair desta terra e, se nos vai fazer sair da terra, pergunta-lhe para onde iremos. E quem sabe se o Senhor nos guiará a uma terra escolhida entre todas as do mundo? E se assim for, sejamos fiéis ao Senhor para que a recebamos por herança.

39 E aconteceu que o irmão de Jarede clamou ao Senhor conforme o que havia sido dito pela boca de Jarede.

40 E aconteceu que o Senhor ouviu o irmão de Jarede e teve compaixão dele e disse-lhe:

41 Começa a reunir teus rebanhos de toda espécie, macho e fêmea; e também toda espécie de sementes da terra; e tuas famílias e também teu irmão Jarede e sua família; e também teus amigos e suas famílias e os amigos de Jarede e suas famílias.

42 E quando tiveres feito isso, descerás adiante deles para o vale situado ao norte. E lá te encontrarei e irei adiante de ti para uma terra escolhida entre todas as terras do mundo.

43 E lá abençoarei a ti e a tua semente; e da tua semente e da semente de teu irmão e daqueles que forem contigo, levantarei para mim uma grande nação. E não haverá sobre toda a face da Terra nação maior que a que eu levantarei para mim, de tua semente. E assim farei contigo, porque me invocaste este longo tempo.

Aqui, então, temos dois registros sobre esse continente, que vão apoiar as palavras da verdade eterna - a Bíblia; e enquanto esses registros, ambos, sancionam o testemunho das escrituras a respeito do dilúvio, a Torre de Babel e a confusão das línguas; a tradição e hieroglifos dos Zaltees, os Colhuacans, e da nação asteca, em respeito à confusão das línguas e sua viagem para esta terra, é assim como aquela contida no Livro de Mórmon, que a impressionante analogia deve ser vista por qualquer observador superficial.

Com respeito à confusão das línguas, é dito das nações acima, que havia “quinze cabeças, ou chefes de família, a quem foi permitido falar a mesma língua.” Concernente ao mesmo evento, O Livro de Mórmon diz: “E aconteceu que o irmão de Jarede clamou ao Senhor e o Senhor teve compaixão também de seus amigos e de suas famílias; e não foram confundidos.”— e mais adiante declara que o idioma do irmão de Jarede não foi confundido; e eles então oraram por suas famílias e amigos também, e o Senhor os ouviu em seu favor; e suas línguas não foram confundidas. Esses relatos, então, concordam precisamente com um do que foi encontrado no município de Ontário, NY., e o outro no México.
Novamente, aquelas nações, ou famílias, se uniram e viajaram para não sabiam onde, mas bem depois chegaram ao país de Aztalan, do lago do país da América. O Livro de Mórmon diz que o irmão de Jarede clamou ao Senhor para que ele lhe desse outra terra; o Senhor o ouviu e lhe disse para ir a um certo lugar, “E lá te encontrarei e irei adiante de ti para uma terra escolhida entre todas as terras do mundo”. Esta que é falada depois, é a terra da América. A coincidência é tão impressionante que comentários adicionais são desnecessários. - ED.
Notas
1. Joseph Smith, “Traits of the Mosaic History, Found among the Aztaeca Nations,” Times and Seasons 3, no. 16, June 15, 1842, 818–20.
2. Joseph Smith, History of the Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 7 vols. (Salt Lake City: Deseret Book, 1980), 4:542.
3. Joseph Smith, “To Subscribers,” Times and Seasons 3, no. 9, March 1, 1842, 710; emphasis added.
4. See Smith, History of the Church, vols. 4 and 5 for the dates indicated.
5. Smith, History of the Church, 5:94–95, August 14, 1842.
6. Smith, History of the Church, 5:137, August 29, 1842; emphasis added.
7. To read the words of Ixtlilxochitl in English, see the translation in chapter 11, “Fernando de Alva Ixtlilxochitl,” of Joseph Lovell Allen and Blake Joseph Allen, Exploring the Lands of the Book of Mormon, 2nd ed. (Orem, UT: Book of Mormon Tours and Research Institute, 2008).
8. See, for example, Bernal Diaz, The Conquest of New Spain, trans. J. M. Cohen (London: Penguin Books, 1963) and William H. Prescott, History of the Conquest of Mexico (New York: Modern Library, 2001). Such books are available via the Internet.
9. For further information about the “land which was northward,” see Allen and Allen, Exploring the Lands of the Book of Mormon.
10. Noah Webster, American Dictionary of the English Language (New York: S. Converse, 1828), s.v. “America”; emphasis added.
11. Webster, American Dictionary of the English Language, s.v. “continent.”
12. Joseph probably is referring to one of the volumes in the eight-volume set of Alexander Humboldt, Researches, Concerning the Institutions and Monuments of the Ancient Inhabitants of America, with Descriptions and Views of Some of the Most Striking Scenes in the Cordilleras! (London: Longm


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