NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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segunda-feira, 26 de julho de 2010

HISTÓRIA - Sacrifícios Humanos no Novo Mundo

Ted Dee Stoddard
Copyright © 2010 - www.bmaf.org
Membro do Conselho de Administração do 
Book of Mormon Archaeological Forum

Tradutor Elson Carlos Ferreira - Curitiba - Julho/2010

Sabemos que os descendentes de Leí, o qual se referiu a si mesmo como remanescente da casa de Israel, que era familiar com a lei de Moisés e que, pelo menos os nefitas, viveram essa lei o que incluía sacrifício de animais.
“3 E também tomaram das primícias de seus rebanhos, para oferecerem sacrifícios e holocaustos segundo a lei de Moisés.” (Mosias 2:3)

“13 Assim sendo, é necessário que haja um grande e último sacrifício; e aí haverá, ou melhor, é necessário que haja um fim para o derramamento de sangue; então será cumprida a lei de Moisés; sim, será totalmente cumprida, cada jota e til; e nada se omitirá.
14 E eis que este é o significado total da lei, cada ponto indicando aquele grande e último sacrifício; e aquele grande e último sacrifício será o Filho de Deus, sim, infinito e eterno.
15 E assim ele trará salvação a todos os que acreditarem em seu nome, sendo a finalidade deste último sacrifício manifestar as entranhas da misericórdia, a qual sobrepuja a justiça e proporciona aos homens meios para que tenham fé para o arrependimento.” (Alma 34:13–15)

“19 E vós não me oferecereis mais derramamento de sangue; sim, vossos sacrifícios e holocaustos cessarão, porque não aceitarei qualquer dos vossos sacrifícios e holocaustos.
20 E oferecer-me-eis como sacrifício um coração quebrantado e um espírito contrito. E todo aquele que a mim vier com um coração quebrantado e um espírito contrito, eu batizarei com fogo e com o Espírito Santo, como os lamanitas que, por causa de sua fé em mim na época de sua conversão, foram batizados com fogo e com o Espírito Santo e não o souberam.” (3 Néfi 9:19–20)

Na lei de Moisés, convenções associadas com sacrifícios de animais envolviam o ato de matar o animal, a aspersão do sangue do animal, a queima da carne e, com algumas oferendas, a participação da refeição sacrificial.1

Também sabemos que os sacrifícios de animais foram descontinuados no Novo Mundo depois da visita de Jesus Cristo a este Continente. Jesus disse ao povo:

“19 E vós não me oferecereis mais derramamento de sangue; sim, vossos sacrifícios e holocaustos cessarão, porque não aceitarei qualquer dos vossos sacrifícios e holocaustos.” (3 Néfii 9:19).

Durante dois ou três séculos depois da sua visita, os memanescentes da semente de Leí no Novo Mundo obedeceu o mandamento de Jesus Cristo, entretanto, não muito depois de ter terinado o Período Clássico Maia, os lamanitas, que eram descendentes de Lamã, filho de Leí, aparentemente ainda estavam participando de sacrifícios que envolviam o derramamento de sangue humano. Mórmon conta que em aproximadamente 366 AD os lamanitas expulçaram os nefitas da cidade de Teancum; ele continua:

“E marcharam também contra a cidade de Teâncum e expulsaram seus habitantes e fizeram muitos prisioneiros, tanto mulheres como crianças, oferecendo-os em sacrifício a seus ídolos. (Mormon 4:14).

Em 375 AD, “E quando os atacaram pela segunda vez, os nefitas foram rechaçados e mortos numa grande carnificina; suas mulheres e seus filhos foram novamente sacrificados a ídolos.” (Mórmon 4:21).
A partir da época do Livro de Mórmon, tudo o que podemos fazer nesse momento é ansiar por mais informações sobre sacrifícios humanos na época próxima do fim da civilização nefita, entretanto, Mórmon simplesmente diz o seguinte:

“E também para que a semente deste povo possa mais plenamente acreditar em seu evangelho, que será levado a eles pelos gentios; pois este povo será disperso e tornar-se-á um povo escuro, imundo e repugnante, além de qualquer descrição do que já existiu entre nós, sim, mesmo o que já existiu entre os lamanitas; e isto por causa de sua incredulidade e idolatria.” (Mórmon 5:15).

Critério Para Identificar a Localização dos Eventos do Livro de Mórmon no Novo Mundo

Enquanto examinamos áreas geográficas no Novo Mundo a procura do território onde ocorreram os eventos do Livro de Mórmon, tais como os locais dos sacrifícios humanos, temos à nossa disposição muitos critérios que nos ajudam nessa busca; por exemplo: sempre que os eventos do Livro de Mórmon no Novo Mundo acontecem, devemos encontrar evidências de uma linguagem escrita de alto nível, duas grandes civilizações que datem dos tempos do Livro de Mórmon, evidências arqueológicas que coincidem com as datas e os eventos do Livro de Mórmon e evidências históricas que ensamblam, ou se encaixam com os costumes e tradições dos povos do Livro de Mórmon.2
Outros critérios menos significativos também podem ser explorados, tais como um grande rio que corre para o norte, uma estreita faixa de deserto que vai desde o mar do leste até o mar do oeste, uma massiva área desértica a leste que contém extensivos trabalhos de aterros defensivos ao redor das cidades maiores ou uma estreita faixa de terra no sentido norte-sul que contenha uma passagem estreita e separa uma “terra do norte” de uma “terra do sul”.3

Podemos até mesmo usar o sangue humano como um critério menor na nossa busca pela localização de eventos do Livro de Mórmon, isto é, se assumirmos que os sacrifícios humanos mencionados casualmente por Mórmon continuaram a acontecer depois de sua época, por que não poderíamos encontrar evidências de sua continuidade em qualquer área proposta como a localização dos eventos do Livro de Mórmon no Novo Mundo?

Sacrifícios de Sangue Humano nos Territórios do Novo Mundo

Quando procuramos no território do Modelo “Heartland” para a geografia do Livro de Mórmon (que vai desde os Grandes Lagos, ao norte, até o Golfo do México, ao sul) não encontramos evidências de sacrifícios de sangue humano durante e depois do período do Livro de Mórmon, período esse que se estende desde 600 aC. até aproximadamente 521 A.D. em diante4, entretanto, quando procuramos no território mesoamericano                                   

Entretanto, quando procuramos por evidências de sacrifícios humanos no território mesoamericano, quase somos subjugados pelos resultados.

O que segue é apenas um “problema”, como um reflexo da difusão das evidências sobre os sacrifícios humanos ocorridos na antiga Mesoamérica.

Bernal Diaz, um soldado do exército de Fernão Cortez durante a conquista do México escreveu vários livros tendo como tema “a Conquista Espanhola”. Frequentemente em sangrentos detalhes, ele descreve a averção dos espanhóis contra as práticas astecas de sacrifícios humanos e canibalismo. Num relato ele diz o seguinte:

Eles abrem o peito do miserável nativo com facas de pedra e apressadamente arrancam o coração palpitante que, com o sangue, eles apresentam aos ídolos em nome dos quais eles realizam o sacrifício; então cortam os braços da vítima, as pernas e a cabeça, comendo os braços e pernas em seus banquetes cerimoniais. A cabeça eles penduram numa viga e o corpo do homem sacrificado não é comido, mas dado aos animais de rapina.5
[Nós vimos] alguns incensários... nos quais estavam queimando os corações de três índios que haviam sacrificado naquele dia, e todos as paredes daquele santuário estavam tão espirradas e endurecidas de sangue que elas e chão estavam negras. Além disso, todo o local fedia abominavelmente... As paredes desse santuário [Tezcatlipoca] também estavam tão endurecidas com o sangue o chão tão banhado dele que o fedor era pior do que qualquer matadouro na Espanha. Eles haviam oferecido àquele ídolo cinco corações naquele dia de sacrifícios.6
Escrevendo sobre a amplitude e quantidade de sacrifícios de sangue humano quando os espanhóis chegaram, William Prescott relatou o seguinte:
Sacrifícios humanos têm sido praticado por muitas nações, não excetuando as mais civilizadas nações da antiguidade, mas nunca e por qualquer uma delas, numa escala a ser comparada com os de Anahuac [Nova Espanha, México]. A quantidade de vítimas imoladas nesses execráveis altares faria vacilar a fé dos menos escrupulosos crentes. Dificilmente qualquer autor pretenderia estimar os sacrifícios anuais em todo o império em menos de 20.000, e alguns elevam essa cifra para um número para tão alto quanto 50.000 !7
Conclusões

O que podemos concluir a respeito da perversa presença de sacrifícios humanos em alguns territórios das Américas? Embora tênues como podem estar na mente de alguns estudiosos, as seguintes conclusões são dignas de consideração:

1. Muito provavelmente o sangue sacrificial como um aspecto da lei de Moisés foi introduzido nas Américas por Leí e seus descendentes. Associado com a “grande apostasia” os povos do Livro de Mòrmon da terceira e quarta gerações depois de Cristo, uma ou mais culturas da Mesoamérica reintroduziram o sangue sacrificial imposto a vítimas humanas que eram capturadas durante atividades de guerra.

2. A prática do sacrifício humano provavelmente continuou na Mesoamérica daquele ponto pelos remanescentes da casa de Israel e chegou ao seu clímax com a civilização asteca que foi destruída pelos espanhóis durante a conquista do México. Além disso, as descrições dos costumes e práticas dos astecas por historiadores que escreveram a respeito da conquista do México apóia a seguinte profecia de Mórmon a respeito dos remanescentes daquela semente:

“E também para que a semente deste povo possa mais plenamente acreditar em seu evangelho, que será levado a eles pelos gentios; pois este povo será disperso e tornar-se-á um povo escuro, imundo e repugnante, além de qualquer descrição do que já existiu entre nós, sim, mesmo o que já existiu entre os lamanitas; e isto por causa de sua incredulidade e idolatria.” (Mormon 5:15).

3. Curiosamente, descrições de historiadores sobre os sacrifícios humanos da Mesoamérica têm uma estreita semelhança com os elementos essenciais dos sacrifícios de sangue da lei de Moisés, envolvendo a matança de animais, o derramamento ou a asperção do sangue do animal, a queima do sacrifício e a participação, daqueles que oferecem o sacrifício, na refeição sacrificial.

4. Com base na presença generalizada de sacrifícios humanos em várias regiões da Mesoamérica, Based on the pervasive presence of human blood sacrifices in several areas of Mesoamerica, em oposição à falta ou escassez de tais sacrifícios no território do Modelo “Heartland” nos Estados Unidos, podemos concluir que a Mesoamérica - não o leste dos Estados Unidos - é a mais lógica localiização onde aconteceram os eventos do Livro de Mórmon.

5. Apesar de menor em natureza, em comparação com outros critérios mais importantes que sustentam a veracidade do Livro de Mórmon, os sacrifícios humanos refletem interessantes evidências históricas que apóiam a argumentação de Joseph Smith de que ele traduziu O Livro de Mórmon pelo dom e poder de Deus.

Notas

1. Ver Bible Dictionary, s.v. “Sacrifices.”

2. Ver Joseph Lovell Allen and Blake Joseph Allen, Exploring the Lands of the Book of Mormon, 2nd ed. (Orem, UT: Book of Mormon Tours and Research Institute, 2008) para uma discussão completa desse critério.

3. Ver www.bmaf.org, Evidences that the Book of Mormon Took Place in Mesoamerica: Criteria for Book of Mormon Lands and People, para outra abordagem a critérios que podem ser usados na identificação de locais para os eventos do Livro de Mórmon no Novo Mundo.

4. Fred Gowans, Professor Emérito de História Ocidental na Brigham Young University diz que nunca ouviu qualquer relato respeitável sobre sacrifícios de sangue humano entre os nativos americanos do leste dos Estados Unidos em conversação pessoal por telefone em 17/Junho.

2010). Alguns Web sites mencionam sacrifícios humanos como um aspecto menor de algumas culturas nos Estados Unidos, mas não para rituais associados com sangue. Veja, por exemplo, Emmett Berg, The Lost City of Cahokia: Ancient Tribes of the Mississippi Brought to Life
http://www.neh.gov/news/humanities/2004-09/cahokia.html (acessado em 18 de Junho de 2010); T. C. Kuhn, Watering the Corn: The Problem of Human Sacrifice among the Woodland Peoples
http://peopleofthestone.com/watering-corn-problem-human-sacrifice-among-woodland-peoples, postado em 13 de Fevereiro de 2010 (acessado en 18 de Junho de 2010); A. Martin Byers, The Ohio Hopewell Episode: Paradigm Lost, Paradigm Gained (Akron, OH:UniversityofAkronPress,2004),

5. Bernal Diaz, The Conquest of New Spain, trans. J. M. Cohen (New York: Penguin Books, 1963), 229.6. Diaz, The Conquest of New Spain, 236.
6. William H. Prescott, History of the Conquest of Mexico, originalmente publicado em 1843
(New York: Random House, 2001 Modern Library Paperback Edition), 64.