NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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domingo, 11 de julho de 2010

GEOGRAFIA - Relacionamento Entre os Andes Centrais e a Mesoamérica

Ross Christensen
University Archaeological Society Newsletter - Jul/1960

Tradutor Elson C. Ferreira – Set/2006 – Curitiba/Brasil

De onde vieram as poderosas civilizações dos Incas e seus antecessores e o que eles fizeram com as escrituras Nefitas? Os povos do oeste da América do Sul teriam algum relacionamento consangüíneo com os povos do Livro de Mórmon?
Examinemos algumas evidências externas baseando-nos na hipótese de que os povos do Livro de Mórmon da Mesoamérica chegaram até o Peru. Definimos como Evidências Externas os materiais arqueológicos e correlatos. Fazemos algumas comparações tipológicas, quais sejam, comparar objetos encontrados na Mesoamérica com aqueles encontrados nos Andes Centrais, pois se os antigos mesoamericanos realmente migraram para o Peru, muitas similaridades deverão ser encontradas.

Quanto ao tipo físico, qual seja a própria forma dos seres humanos, há boas razões para acreditar que há uma afinidade entre as populações das regiões peruanas com aqueles da Mesoamérica. Pelo menos alguns deles são bem parecidos quanto ao tipo físico.

Algo tem sido feito em termos de comparação das linguagens da Mesoamérica com as do Peru. Como se pode concluir, as figuras lingüísticas no Novo Mundo são excessivamente complexas. Algumas autoridades propuseram que certas linguagens do Peru são similares e têm origem comum com certas línguas mesoamericanas.

Comparações entre as regiões Andina e a Mesoamérica, bem como o tipo físico e as linguagens, são ainda os maiores campos de pesquisa nos quais grandes e intensivos esforços, tanto pelos estudantes SUD quanto outros, podem estar devotados.

Quanto aos tratos culturais e aos costumes, há uma quantidade de similaridades óbvias entre a Mesoamérica e os Andes Centrais, por exemplo, os padrões de subsistência das duas áreas são similares em muitos aspectos. Ambas são baseadas na agricultura intensa. Grandes populações, possivelmente por causa da agricultura, estão envolvidas em ambos os casos e a irrigação era praticada onde apropriado, e como indicado anteriormente, os padrões de subsistência nestas duas áreas eram distintamente diferentes do restante das Américas.

A organização social nos Andes Centrais e nas áreas da Mesoamérica são similares em muitos pontos. Em ambos os casos há uma forte tendência a governos centralizados nos reis. Na maioria das outras áreas remotas o governo e a sociedade não são, em nenhum lugar, nem de perto, tão complicado, em vez disso, encontramos sistemas de liderança através de chefes em algumas regiões e em outras simples bandos. Em Utah, por exemplo, organizações sociais aborígenes nem mesmo envolvem os atuais chefes, nem ao menos um senso hereditário. Entre os esquimós a organização social é muito simples, extremamente diferente daquela da Mesoamérica e dos Andes Centrais. Nestas duas regiões de alta civilização há a tendência no sentido de colônias com um rígido sistema de classes com vários níveis, como reis, senhores, nobres, comuns e escravos.

O tópico das cerâmicas é complexo e intrigante. A cerâmica inclui artigos de argila, tais como contenedores, que chamamos de cerâmica, ou não contenedores, tais como estátuas, rodas e máscaras. Há dois lugares nos Andes onde fortes semelhanças tsm sido absorvidas entre os ceramistas daquele lugar e os da Mesoamérica Pré-clássica dos tempos do Livro de Mórmon. Um destes lugares é Esmeraldas, no litoral norte do Equador. A seguir temos uma lista parcial de similaridades entre a cerâmica encontrada ali e aquelas da Mesoamérica. (A. L. Kroeber in American Antiquity, Vol. 14, No. 2, pp. 139-140, numa revisão de Raoul d'Harcourt, Archeo­logie de la Provinced' Esmeraldas, Equateur):

Filetes de argila e bastes, potes em forma de flor, de sapatos, bacias de tripé, bacias com pedestal, cortes de pequenas bacias, numerosas estatuetas assentadas com os braços cruzados ou em pé, faces humanas em mandíbula felinas, almofadas ou cornucópia ao lado da cabeça, com "penteados napolitanos," com olhos de grãos de café, laços no pescoço com pontas soltas abaixo do peito, trançados nas costas, avental público masculino com cinto ou cordão, 5 ou 6 furos na orelha, numerosas estatuetas de animais, máscaras de cerâmica, espelhos de piritas e receptáculos em forma felina.

Há assim uma clara semelhança entre a cerâmica de Esmeraldas, no litoral do Equador e a Mesoamérica.

 Outro lugar importante nesta conexão é o norte do Peru. A primeira civilização descoberta alí é chamada "Chavin". Há muitas semelhanças significativas entre a cerâmica e motivos artísticos desta civilização e os das civilizações pré-clássicas da Mesoamérica. A região de Tlatilco, no Vale do México é importante nesta conexão. (Muriel Noe Porter, Tlatilco and the PreClassic Cultures of the New World, pp. 78-79):

O período Chavin do horizonte Andino Pré-clássico compartilha numerosos elementos com o Tlatilco, inclusive a deformação artificial da cabeça, vasos em forma de estribo bicudo, decoração de cerâmica num estilo singular, corte e estampagem como técnicas decorativas, bem como o conceito de dualismo. O motivo felino tão característico do estilo Chavin é igualmente importante na cultura Olmeca do México com considerável influência sobre o Tlatilco. Outras características menores são as estampas de argila, estatuetas modeladas à mão, espelhos e vasos.  Em alguns casos as semelhanças específicas são impressionantes. Exemplo disso são certos fragmentos das duas regiões são semelhantes na decoração, acabamento e composição de modo que podem ser facilmente confundidos.

Assim fica claro, nestas duas instâncias, que há algum tipo de conexão entre a cerâmica da Mesoamérica e a cerâmica dos Andes Centrais, e presume-se, portanto entre os antigos povos destas duas regiões.

A arquitetura é outro importante ponto de comparação. Em ambos os casos é típico o arranjo das casas na cidade agrupadas ao redor dos centros cerimoniais ou religiosos, que são construídos sobre uma plataforma elevada artificialmente. Cada templo ou santuário no centro é construído sobre uma plataforma adicional elevada chamada de templo pirâmide ou monte do altar. Em ambos os casos a terra plana é retangular e há freqüentemente um pátio murado na frente.

Há também várias comparações arbitrárias entre as duas regiões no campo da religião. O importante motivo felino (o puma na América do Sul e o jaguar na Mesoamérica) mostra isso repetidas vezes na arte religiosa de ambas as áreas. É representado o antigo deus da vida e da chuva da Mesoamérica, o qual, na opinião de alguns estudiosos SUDs era o Cristo ressurreto de Terceiro Néfi.

Você já deve indubitavelmente ter ouvido a respeito do Deus Branco da Mesoamérica, o qual é amado pelos astecas de Quet­zalcoatl, o deus do sacerdócio e da erudição, que foi concebido por uma virgem depois que o Deus Criador soprou sobre ela, o qual nasceu entre os mortais, e foi para o leste e prometeu voltar em alguma data profética no futuro.

Na América do Sul também, mas particularmente nos Andes Centrais, há um paralelo para esse Deus Branco. Seu nome é Viracocha. O inca Garcilasso de la Vega o descreve como "... um homem de boa estatura, com uma longa barba... vestido com um manto branco igual a uma batina solta, chegando até os pés" (Royal Commentaries of the Ynacs, Vol. 2, p. 70. Trans­lated by C. R. Markham).  Ele estava falando de um certo ídolo dessa deidade que existia no sul de Cuzco. Outros mencionam terem visto a mesma estátua nos primeiros dias da conquista espanhola.

Rotas e datas de Migração

E agora algumas palavras quanto à rota e aos meios de migração da Mesoamérica para a região dos Andes Centrais da América do Sul: Indubitavelmente isso aconteceu por meio de barcos navegando ao longo da costa leste ou do Pacífico. Eu prefiro muito mais esta teoria à teoria de que o contato foi feito por terra. A teoria terrestre me parece muito mais difícil.

Conclusão:

 A questão é: "Os povos do Livro de Mórmon chegaram ao Peru?" Minha resposta é sim. Os povos do Livro de Mórmon, que são os colonizadores da Mesoamérica chegaram à costa do Equador e do Peru. Os antigos povos civilizados destes países foram, portanto, os povos do Livro de Mórmon, apesar de que os eventos finais do Livro aconteceram na Mesoamérica.

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