NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

ARQUEOLOGIA - Sonho de Leí Registrado em Izapa Stela 5

Joseph L. Allen, Editor
Desenhos de Cliff Dunston
Fontes: "Tula Foundation Digest", Janeiro/2004

 
Tradutor Elson Carlos Ferreira - Curitiba/Brasil- Janeiro/2004

    Num campo a dez quilômetros da fronteira da Guatemala, no lado mexicano, junto ao Oceano Pacífico e próximo da cidade de Tapachula, há restos de uma pedra de seis toneladas coberta de gravações.
A pedra chamada de Izapa Stela 5, cuja figura central é a árvore indígena Ceiba, está ao lado de outros monumentos também cobertos de gravações. Ao todo, mais de oitenta monumentos gravados com algum tipo de escrita foram encontrados no antigo sítio arqueológico de Izapa.

    Stela 5 chamou a atenção do arqueólogo S.U.D., M. Wells Jakeman, o qual, no final da década de 1940 informou uma possível conexão entre as gravações na pedra e os símbolos mencionados na Visão de Leí. Suas análises posteriores desses registros na pedra e os trabalhos de outros arqueólogos, sendo o mais proeminente deles o Sr. V. Garth Norman, têm levantado considerável interesse entre os Santos dos Últimos Dias, desde sua descoberta.

    O Dr. Jakeman propõe que estas gravações datadas do ano 200 antes de Cristo, podem ser uma representação do sonho de Leí conforme está escrito em 1 Néfi capítulo 8. Outros sugerem que ela pode até mesmo ser atribuída ao Rei Mosias, e que pode ter sido um memorial aos seus primeiros pais, Leí e Saria. Ela pode referir-se à localização da área que vários estudiosos sugerem ser o local onde Leí desembarcou, ou a terra de sua primeira herança (Alma 22:28). Norman descreve-o como um texto que esboça a criação ou a viagem do homem através da vida mortal, em essência, “uma árvore da experiência da vida humana".

    A interpretação acima, entretanto, não fica sem ser alvo de críticas. Hugh Nibley e John Sorenson, ambos prolíficos pesquisadores do Livro de Mórmon, repreenderam a Jakeman por seu entusiasmo. Mais recentemente, John Clark, diretor de campo da "New World Archaeological Foundation" (Fundação Arqueológica Novo Mundo), apresentou-a como o que ele considerou a mais acurada síntese da escultura de pedra. Ele então desafiou essa relação com o Livro de Mórmon, considerando-o mais relacionado ao Popul Vuh, um antigo documento do povo Quiche Maia, da Guatemala.

     Em contra partida, os arqueólogos S.U.Ds. Bruce Warren e Richard Hauck, rejeitaram o comentário de Clark e declararam que também há uma possibilidade de que as muitas semelhanças da gravura da pedra com o sonho de Leí sejam coincidências. De acordo com o Dr. Alan Christensen, o qual apresentou uma tradução atualizada do Popul Vuh, o estilo de escrita do Livro de Mórmon e do Popul Vuh apresentam o mesmo primoroso estilo de escrita hebreu chamado Quiasmo. Isto, por outro lado, pode sugerir uma relação destes dois documentos com Izapa Stela 5.

    O trabalho inicial realizado por Wells Jakeman e seus associados, resultaram no fato de o monumento da Árvore da Vida se tornar parte da literatura educacional d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O trabalho subseqüente de V. Garth Norman tornou possível analisar mais detalhadamente Stela 5 em conexão com outros monumentos na região de Izapa. O trabalho realizado pela "New World Archaeological Foundation" com respeito à região de Izapa possibilitou estudar melhor todo esse ambiente.
    O registro do Livro de Mórmon a respeito da visão de Leí e da Árvore da Vida, se refere à expiação de Jesus Cristo.

    Enquanto não podemos aprovar oo reprovar um firme relacionamento entre Stela 5  e o Sonho de Lei, já sabemos que há várias coisas intrigantes e talvez, até mesmo definitivas. Por causa da possível relação entre a história do Livro de Mórmon a respeito da Árvore da Vida e o monumento denominado Stela 5 em Izapa, eu apresentarei as comparações sugeridas, com as gravações do monumento, apresentadas no mês de janeiro no "Tula Book of Mormon Archaeological Digest" (Tula - Sumário Arqueológico do Livro de Mórmon).

Joseph L. Allen, Editor



A TERRA DA PRIMEIRA HERANÇA DE LEÍ




O estilo de escrita da pedra, conforme descoberto por Todd B. Allen, apresenta padrões "quiásticos" hebreus conforme abaixo:

A. Figura de Saria (apoiando seu marido profeta)
            B. Figura de Leí (um profeta)
                        C. Figura de Lama (atrás da árvore)
                                   D. A Árvore da Vida (Cristo)
                        C. Figura de Lemuel (atrás da árvore)
            B. Figura de Néfi (um profeta)
A. Figura de Sam (apoiando seu irmão profeta)
  Síntese de Cliff Dunston, artista da "Tula Foundation"

A história gravada em Stela 5  Izapa não é mais do que uma história e símbolos sem significado, a menos que possamos chegar ao ponto no qual possamos entender as poderosas realidades por trás dos símbolos.
As evidências circunstanciais por trás dos símbolos em Stela 5 é que Jesus é o Cristo e que, em nossa jornada através da vida, podemos herdar a vida eterna pela aceitação dos ensinamentos e ordenanças do evangelho de Jesus Cristo. Esta é a mensagem da Árvore da Vida, conforme registrada nos primeiros capítulos do livro de 1 Néfi.
O trabalho inicial realizado por Wells Jakeman e seus associados, resultaram no fato de o monumento da Árvore da Vida se tornar parte da literatura educacional da Igreja. Os trabalhos subseqüentes de V. Garth Norman tornou possível analisar mais detalhadamente a Stella 5 em conexão com outros monumentos na região de Izapa. O trabalho realizado pela "the New World Archaeological Foundation" (Fundação Arqueológica Novo Mundo) com relação aos locais em Izapa possibilitou estudar todo o seu ambiente.
O registro do Livro de Mórmon a respeito da visão de Leí e a Árvore da Vida refere-se à expiação de Jesus Cristo. Por causa da possível relação entre a história do Livro de Mórmon a respeito da Árvore da Vida e o monumento denominado Stela 5 em Izapa, eu apresentarei as comparações sugeridas, com as gravações do monumento.
A ÁRVORE DA VIDA
Dominando Stela 5 está uma árvore carregada de frutos, situada no centro do desenho esculpido, com suas raízes na base ou no painel do "solo" e seus ramos superiores estendidos em direção ao painel do céu. (Norman 1976:166)
A árvore em Stela 5 tem a aparência da grande ceiba, árvore comum na área onde a pedra está localizada. A árvore que dá frutos, além de tudo é branca, e é também o tema central da visão.
A Árvore da Vida, declaradamente representa Jesus Cristo, o Salvador do mundo. Ele é a Árvore da Vida. Participando do fruto dessa árvore, nós podemos ter a vida eterna, que se tornou possível através da expiação de Jesus Cristo.
ANJOS
Anjos, ou querubins desempenham um grande papel tanto na visão de Lei quanto na escultura da Árvore da Vida. Eles guardam a árvore em Izapa. No Livro de Mórmon, um anjo leva Leí até a Árvore da Vida; e um anjo dá sua interpretação Néfi, filho de Leí.
LEÍ
A história elementar, tanto em Stela 5 quanto na visão de Lei, relata as experiências de Leí. No monumento, Leí é representado pela figura de um homem idoso. Nesta representação, Leí é o lendário ancestral lembrado na história mesoamericana. Ele está inclinado para frente com uma das mãos indicando uma posição de quem está gesticulando ou ensinando. Ele está assentado numa almofada semelhante aos altares que descansam em frente dos muitos monumentos de pedra na área onde Stella 5 está localizada.
Jakeman supõe que o maxilar localizado imediatamente atrás da cabeça de Lei é o símbolo representativo de seu nome. O Vale de Leí, onde Sansão matou mil filisteus, pode ser o símbolo para Leí do Livro de Mórmon e o lendário ancestral, encontrado na pedra.
NÉFI
Jakeman propõe que esta figura iluminada representa o Profeta Néfi, um dos seis filhos de Leí. A figura de Néfi é do mesmo tamanho que a figura de Leí, e está gesticulando de um modo de quem possui autoridade, muito parecido com a figura de Leí. A figura de Néfi tem um instrumento na mão esquerda, que pode ser um tipo de cinzel, e tem a aparência de que ele está escrevendo nos registros. Seu adorno de cabeça consiste de grãos, e representam o jovem deus egípcio dos cereais, chamado Nepri ou Nepi. (Jakeman 1958:45).
O para-sol orlado ou sombrinha, que é segurado sobre a figura de Néfi, é um símbolo Maia e também do Velho Mundo que representa a realeza. O adorno de cabeça parece identificar a figura de Néfi como um sumo sacerdote de Deus. O ponto de interrogação invertido perto da sua boca sugere que ele está falando. O contato do sinal com o anjo "B" sugere que a figura fala em nome de Deus.
O pequeno crânio que repousa sobre a testa da figura de Néfi tem o que parece ser um dos frutos da árvore em sua boca. Isto pode sugerir que a figura de Néfi está desejosa de compartilhar do fruto da árvore ou representa seu desejo de seguir os mandamentos de Deus. Como resultado, depois da morte, conforme representada pelo crânio, a figura de Néfi pode reivindicar a vida eterna através da expiação de Cristo.
SAM
Sam, o irmão mais velho que Néfi, expressou o desejo de guardar os mandamentos de Deus. Quando Leí abençoou a Sam, ele foi abençoado juntamente com Néfi.
E depois de lhes falar, dirigiu-se a Sam, dizendo: Bendito és tu e tua posteridade, pois herdarás a terra como teu irmão Néfi. E tua semente será contada com a semente dele; e tu serás como teu irmão e teus descendentes como os descendentes dele; e serás abençoado durante todos os teus dias. (2 Néfi 4:11)
Esta parte possivelmente representa Sam. Sua posição elevada e assentada qualifica-o com justiça, como um atendente de Néfi. O para-sol descansa tanto sobre a figura de Néfi quanto sobre a figura de Sam. Este posicionamento sugere mais um papel encorajador que um papel de servo na figura de Sam.
As características faciais da figura de Sam estão erodidas, o que torna alguns detalhes indecifráveis, entretanto, o contato do nariz da figura de Sam com o que Norman identifica com o corpo de uma serpente identifica Sam com Quetzalcoatl (a serpente emplumada), ou Cristo. Como resultado disso, o texto de Stela 5 pode ilustrar que Sam está desejoso de partilhar do fruto da Árvore da Vida. Sam expressou este desejo seguindo Néfi para o deserto quando eles se separaram de seus irmãos mais velhos, Lamã e Lemuel:
“Portanto aconteceu que eu, Néfi, levei comigo minha família, assim como Zozam e sua família; e Sam, meu irmão mais velho, e sua família”. (2 Néfi 5:6)
Simbolismo adicional é associado com a figura de Sam em relação à ressurreição e à vida eterna. Norman descobriu que as gravações em Stela 5 não somente narram a história da família de Leí como também demonstra a responsabilidade da humanidade em alcançar vida eterna através da expiação de Jesus Cristo.
As costas da figura de Sam estão perto do que parece ser uma fonte de água. Enquanto as chuvas descem aos juncos da região de Izapa, o processo de evaporação começa imediatamente em direção ao céu. Isto pode simbolicamente se relacionar ao nascimento do homem e a subseqüente ascensão de seu espírito depois da morte ao mundo espiritual para o Deus que lhe deu vida.
SARIA
Esta figura parece ser a de uma mulher associada à figura de Leí. As características femininas são indicadas pelo que parece ser um chapéu com flores acima dos ombros e a posição ajoelhada, as quais são típicas das mulheres nativas da Guatemala até hoje em dia. Sua cabeça coberta sugere que a figura pode representar Saria, a esposa de Leí e a mãe de Lamã, Lemuel, Sam e Néfi (além de Jacó e José). A figura de Saria tem os ombros arqueados semelhantes aos da figura de Leí; isto sugere que ela é uma pessoa idosa que está associada com a figura de Leí como sua atendente ou esposa.
Os chapéus ornamentados são raros na Mesoamérica. A presença de plumas sugere realeza associada com divindade, como aos sacerdotes. O olho da figura de Saria olhando para o anjo ou para a árvore pode manifestar o seu desejo de partilhar do fruto da árvore. As plumas entre os chifres simbolizam a morte e como tal, sugerem o conceito da vida saltando da morte, ou seja, a ressurreição. Em hebreu o nome Sara ou Saria significa princesa. O ornamento da cabeça da figura de Saria justifica essa exigência.
O dualismo da figura de Néfi em relação à figura de Saria também precisa ser mencionado. Considerando que a figura de Néfi tem um simbolismo associado com ela, a última a ser representada pelas costas curvadas e a idade avançada, a posição elevada da figura sugere que ela está numa posição superior.
Os símbolos da ressurreição, como mencionados, são também representados na figura de Saria, conseqüentemente, o texto de Stela 5 pode representar a jornada do homem através da vida.
Finalmente, o anel em forma de rabo de peixe na mão direita da figura de Saria aparentemente é sacrificado com o instrumento que está na mão direita. Dois peixes também são apresentados bem no topo da escultura, bem como abaixo da figura de Lemuel perto do anjo "A". Os dois peixes acima da figura de Lemuel têm o que parecem ser pedaços da fruta em suas bocas. O fruto pode sugerir o desejo de Lei de que sua família partilhe do fruto. O fruto pode também representar a morte. A ressurreição é representada pelos dois peixes, no alto do painel, que estariam retornando à terra.
LAMÃ
Assentado em frente da figura de Néfi estão duas outras figuras. A figura que está atrás do tronco da árvore, chamaremos de Lamã por causa da sua discussão com Néfi. De todas as figuras do lado direito da árvore, a figura de Lamã é á única figura que está de costas para a árvore.
A pequena figura entre a figura de Néfi e a de Lamã pode ser a figura de uma criança ou uma representação de um tipo de conexão ancestral.  A roupa da morte sugere a última opção. Se for uma figura ancestral, ela pode estar relacionada com a primogenitura. Lamã era o filho mais velho de Leí e era, portanto, elegíveis para os deveres de liderança que resultam do nascimento. Lamã perdeu sua primogenitura, conforme é indicado no incidente em que o anjo aparece e diz a Lamã e a Lemuel que o Senhor havia escolhido a Néfi para ser o governante entre eles:
Não sabeis que o Senhor o escolheu (Néfi) para ser vosso governante, devido a vossa iniqüidade? (1 Néfi 3:29)
O dualismo do texto de Stela 5 mostra novamente, como os símbolos do nascimento, da morte e da ressurreição são aqui representados.
LEMUEL
Esta figura está assentada na mesma posição em relação à árvore, que a figura de Lamã, com suas costas voltadas para a árvore. Esta posição pode sugerir a recusa de Lamã e Lemuel em partilhar do fruto:
E aconteceu que eu os vi, mas eles não quiseram ir ter comigo e comer do fruto. (1 Néfi 8:18)
Tanto a figura de Néfi como a de Leí são mostradas partilhando do fruto.
A atitude de quem tem autoridade na qual a figura de Leí está oferecendo um sacrifício e na qual parece instruir a figura de Lemuel,
traz à mente a seguinte declaração de Leí:
E enquanto eu comia do fruto, ele encheu-me a alma de imensa alegria; portanto comecei a desejar que dele também comesse minha família; porque sabia que era mais desejável que qualquer outro fruto. (1 Néfi 8:12)
O boné pontiagudo usado tanto pela figura de Lamã quando pela figura de Lemuel, é remanescente de um costume em Yucatan, onde ele faz parte das roupas ornamentais dos sacerdotes. (Tozzer 1941:153)
A fumaça se elevando do incenso flui de tal maneira que cega os olhos da figura de Lemuel. Ele está cegado com respeito ao evangelho.
O dualismo em um conceito do texto de Isaias é demonstrado em sua associação com a figura de Lemuel. O tamanho diminuto das figuras de Lamã e Lemuel e suas posições em relação à base da árvore podem sugerir os estágios iniciais da jornada do homem através da vida.
A BARRA DE FERRO
A base do painel é realmente intrigante. As linhas cortadas podem representar a barra de ferro ou o caminho que leva à Árvore da Vida
.

AS ÁGUAS SUJAS
Jakeman sugere que a água representa a fonte de águas sujas do sonho de Leí:
E o anjo falou-me, dizendo: Eis a fonte de água suja que teu pai viu; sim, o rio do qual ele falou, e suas profundezas são as profundezas do inferno. (1 Nephi 12:16)
A água em Stela 5 tem aparência de ondas bem como de um rio de correntezas. Os padrões de chuva no lado direito do painel atrás das costas da figura de Sam sugerem a aparência de perigosas inundações entrando pela cena.
As ruínas de Izapa estão localizadas a aproximadamente 25 quilômetros do Oceano Pacífico. As chuvas na área de Izapa são muito abundantes entre os meses de Maio a Outubro. Uma pessoa pode facilmente ser morta nas profundezas do oceano ou pelas repentinas, pesadas e sujas águas das chuvas. A representação simbólica de estar sendo levado para as profundezas do inferno é bastante apropriada.
AS DOZE TRIBOS
Doze raízes que se estendem para o chão são evidentes na árvore. Cristo é a Árvore da Vida. As raízes podem ser a representação dos Doze Apóstolos de Cristo ou das doze tribos de Israel.
Já que a interpretação do sonho de Leí está centralizado na vinda de Cristo e sua subseqüente expiação, as doze raízes podem representar os Do Apóstolos. Por outro lado, a história de Leí é a história da dispersão da casa de Israel, sendo assim, as doze raízes também podem indicar as doze tribos de Israel. A maneira pela qual as raízes estão separadas uma das outras sugere a separação das tribos. Três raízes proeminentes na parte esquerda da árvore sugerem a parte das três tribos que viajaram para a Mesoamérica, que são: Lei, da tribo de Manasses; Ismael da tribo de Efraim, e Muleque, da tribo de Judá.
Alinhado com o tema do dualismo de Stela 5, as doze raízes podem representar tanto os Doze Apóstolos quanto as doze tribos de Israel. As doze tribos podem representar a parte histórica do texto e os Doze Apóstolos podem representar sua parte espiritual. Quando Néfi recebeu a interpretação do sonho de seu pai, os Doze Apóstolos de Cristo, as doze tribos de Israel e os doze discípulos nefitas já faziam parte dele:
E o anjo falou-me, dizendo: Eis os doze discípulos do Cordeiro, que foram escolhidos para ministrar entre tua semente. E disse-me: Recordas-te dos doze apóstolos do Cordeiro? Eis que eles são os que julgarão as doze tribos de Israel; portanto os doze ministros de tua semente serão julgados por eles, pois sois da casa de Israel. E estes doze ministros que tu vês julgarão a tua semente...(1 Néfi 12:8-10)
O número 8, que é representado pelo oito ramos altos da árvore, é muito comum na literatura mesoamericana. Ela quase sempre tem a ver com a migração dos 8 líderes tribais dos doze ou treze ramos remanescentes. (ver Norman 1976:210-211.)
PESSOA CEGA
No lado esquerdo da árvore, com suas mãos tocando o tronco da árvore e suas costas quase tocando as costas da figura de Lemuel, existe uma figura com um capuz sobre a cabeça. O capuz indica que essa pessoa perdeu o caminho. Norman escreveu:
A pessoa encapuzada… eu a relacionei à busca da árvore que dá a vida, (mas não é vista). (Norman 1976:214)
O sonho de Leí fala dos olhos das pessoas estarem cegados pelas tentações do diabo:
E as névoas de escuridão são as tentações do diabo que cegam os olhos e endurecem o coração dos filhos dos homens, conduzindo-os a caminhos espaçosos para que pereçam e se percam. (1 Néfi 12:17)
A figura cega em Stela 5 parece representar aquele grupo de pessoas que, como a semente que é lançada em lugares pedregosos, não cria raiz no plano do evangelho. As tentações de Satanás são tão fortes para eles, que seus olhos são cegados com respeito aos princípios do evangelho. A pessoa cega tocou a árvore, mas não partilhou do fruto da Árvore da Vida.
A PESSOA ENVERGONHADA
Quase a meio caminho da árvore com as costas voltadas para ela e olhando para o anjo no lado esquerdo da árvore, está uma pessoa usando uma touca com alça no queixo. Esta pessoa segura um dos frutos da árvore.
Esta figura pode representar aquelas pessoas que Leí viu em seu sonho, as quais partilharam do fruto e então se desviaram porque ficaram envergonhados. Este grupo é representado na parábola do Salvador pelas sementes que caíram em solo arenoso, cujas raízes não são profundas o suficiente para produzir fruto:
E depois de haverem comido do fruto da árvore, olharam em redor como se estivessem envergonhados. E os que haviam experimentado do fruto ficaram envergonhados, por causa dos que zombavam deles, e desviaram-se por caminhos proibidos e perderam-se. (1 Néfi 8:25,28)
SÍMBOLOS DA VIDA ETERNA
Talvez o debate real a respeito de Stela 5 não seja se ela pode ser determinada intelectualmente como uma escultura autêntica associada à visão de Leí, mas se ela pode ser determinada espiritualmente como tendo verdades do evangelho representadas em suas gravações simbólicas.
Sob uma perspectiva pessoal, eu alcancei uma profunda apreciação e entendimento o sonho de Leí ao me tornar familiarizado com a análise do que parece ser um registro desse sonho gravada em pedra no ano 300 a.C.
Símbolos de Cristo e da vida eterna parecem estar adequada e claramente explícitos nos símbolos da pedra. A serpente, o peixe, os colibris, são todos associados com Cristo e símbolos eternos do nascimento do homem, sua morte e ressurreição. O símbolo da letra “U” gravado no topo do painel pode até mesmo representar o reino Celestial.
Dois peixes são mostrados na pedra, com frutos em suas bocas, significando que se o homem partilhar do fruto da Árvore da Vida, ele ascenderá ao céu. Dois peixes também são representados no alto do painel com suas faces voltadas para a terra, o que pode simbolizar a ressurreição do homem.
Dois beija-flores estão com seus bicos presos às narinas de duas serpentes emplumadas. Se a serpente é a representação de Cristo, então os dois beija-flores representam ganhar a vida eterna através das narinas da serpente. Isto é estranho, mas muito interessante, porque beija-flores com seus bicos presos durante os meses de inverno caem num estado de hibernação e parecem como se estivessem mortos. Quando a primavera chega, a vida é restaurada aos beija-flores, e eles renascem, ou ressuscitam.

SUMÁRIO:
Nesse tratado, eu toquei ligeiramente sobre o simbolismo associado aos princípios do evangelho associados com a Pedra da Árvore da Vida chamada Stela 5, que está localizada perto de Tapachula, México.

A coisa que mais tem me impressionado ao longo dos anos que temos levado pessoas a Izapa para literalmente sentir Stela 5 e vê-la de primeira mão, é real. Eu descobri que tanto mais eu entendo os símbolos gravados na pedra, mais eu entendo a visão de Leí e o significado da expiação de Cristo. Pode ser que a coisa mais importante são os sentimentos pessoais a respeito de minha própria jornada através da vida. Eu descobri, como muitos outros, que o maior desejo na vida é ter minha família partilhando do fruto espiritual da árvore do evangelho. O nível do meu entendimento daquela pedra num campo perto da fronteira entre o México e a Guatemala, tem tido um íntimo impacto espiritual sobre a minha vida.

Há não muito tempo eu tive o privilégio de acompanhar um grupo de professores de religião da BYU através de algumas partes da Mesoamérica.
Em Izapa nossa discussão se centralizou na análise espiritual de Stela 5. A principal questão pareceu ser quem deu a interpretação certa, Wells Jakeman ou Garth Norman? Um membro de nosso grupo casualmente sugeriu que ambos estariam certos. Vários outros rapidamente concordaram. Stela 5 não é somente a provável história de Leí e sua família em associação com o partilhar do fruto da árvore da vida, mas também representa a busca simbólica pela vida eterna por parte de toda a humanidade. Em outras palavras, ela é um texto do tipo escrito pelo profeta Isaias. A história de Leí e sua família é um pano de fundo para levar-nos a um significado mais profundo.
Enquanto eu continuava a refletir na nossa discussão durante o resto do dia, eu senti que meu entendimento havia aumentado não somente a respeito da pedra, mas também por causa do simbolismo da Árvore da Vida, ou da expiação.
Bem cedo na manhã seguinte, eu acordei com as palavras do lamento de Néfi passando através da minha mente quando ele disse:

Eis que minha alma se deleita nas coisas do Senhor; e meu coração medita continuamente nas coisas que vi e ouvi.
…meu coração exclama: Oh! Que homem miserável sou! Sim, meu coração se entristece por causa de minha carne...
Estou cercado por causa das tentações e pecados que tão facilmente me envolvem! [mas]
Meu Deus tem sido meu apoio...
Encheu-me com seu amor…
Eis que ele ouviu meu clamor durante o dia e deu-me conhecimento por meio de visões durante a noite…
... e se o Senhor, em sua condescendência para com os filhos dos homens, visitou os homens com tanta misericórdia, por que, pois, deveria meu coração chorar…?
Ó Senhor, confiei em ti e em ti confiarei sempre. (2 Néfi 4:16-34)

Nestes versículos, eu senti que Néfi está nos falando de suas experiências enquanto está seguindo pelo caminho da vida, enquanto segura na barra de ferro, e enquanto está sujeito às tentações do demônio. Além disso, eu senti que ele está nos dizendo como ele é levado para a vida eterna partilhando do fruto da Árvore da Vida através da expiação de Cristo.

Eu refleti em minha própria e pessoal caminhada através da história da Árvore da Vida. Essa é a mensagem como eu a vejo, do sonho de Leí e das gravações na pedra localizada em um campo perto de Tapachula, México, na “parte mais baixa da minha vinha”. (Jacó 5:13)

Norman resumiu sua análise da Pedra da Árvore da Vida da seguinte maneira: ele propôs um diálogo entre a figura de Lei com a figura de Lemuel:

Como nossas mãos estão abertas em súplica a Deus através desta oferta queimada, como sacerdote eu faço essa oferenda em teu favor e em assim fazendo, mostro o caminho para a vida eterna no paraíso celestial de Tamoanchan. Através da observância de sagrados estatutos na jornada da vida, poderás alcançar esta meta e partilhar do fruto da Árvore da Vida que eu partilhei. A fumaça do incenso sobe em direção ao céu diante da tua face, cegando teus olhos como uma névoa de escuridão, mas ela pode elevar tuas orações em direção ao céu através de tua fé interior retornando em bênçãos de Deus sobre teu coração enquanto o orvalho do céu [peixes molhados acima da cabeça]; e a água da vida e o fruto da Árvore da Vida te serão dados a ti desde cima. (Norman 1976:329)




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