NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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quinta-feira, 8 de julho de 2010

DOUTRINA - O Livro de Mórmon, Sua Origem e Autenticidade

Tradutor Elson C. Ferreira - Curitiba/2007

Costuma-se expressar em credos formulados as crenças e práticas determinadas pela maioria das seitas religiosas. Os Santos dos Últimos Dias não apresentam tal credo como um código completo de sua fé, porque aceitam o princípio da revelação contínua como característica essencial de sua crença.

Joseph Smith, o primeiro Presidente de A Igreja de Jesus Cristo nos últimos dias, ou seja na dispensação atual, acrescentou como um resumo dos dogmas da Igreja as treze declarações conhecidas como “As Regras de Fé – A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. Tais regras encerram doutrinas fundamentais e características do evangelho tal como esta Igreja o ensina, mas não devem ser consideradas como uma exposição completa porque, como declara a regra 9:
“Cremos em tudo o que Deus tem revelado, em tudo o que ele revela agora e cremos que ele ainda revelará muitas grades e importantes coisas pertencentes ao Reino de Deus.” Desde o dia em que pela primeira vez foram promulgadas, (em 1º de março de 1841, publicadas na História de Joseph Smith no “Millenal Star”, tomo 19, pág. 120 e em “Times and Seasons”, tomo 3, pág 709) o povo aceitou as Regras de Fé como declaração autorizada e a 6 de outubro de 1890 os santos imos dias, reunidos em Conferência Geral, adotaram as Regras como guia de fé e conduta. Em vista de estas Regras de Fé apresentarem doutrinas importantes da Igreja em ordem sistemáticas, prestam-se como um esboço conveniente para se fazer um estudo da teologia de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. 

As Obras - Padrão da Igreja constituem a autoridade escrita da Igreja quanto à doutrina. Não obstante, a Igreja está pronta a receber, por intermédio da revelação divina, mais luz e conhecimento “pertencentes ao Reino de Deus”. Cremos que atualmente Deus tem a mesma disposição para revelar seu parecer e vontade ao homem, e que o faz por intermédio de seus servos designados – profetas, videntes e reveladores – investidos, mediante ordenação, com a autoridade do santo sacerdócio. Por conseguinte, confiamos nos ensinamentos dos oráculos viventes de Deus, dando-lhes a mesma validade que às doutrinas da palavra escrita. Os livros que por voto da Igreja foram adotados como guias autorizados de fé e doutrina são quatro: a Bíblia, o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor. Os oficiais e membros da Igreja têm publicado muitos livros que podem ser aprovados pelo povo e pelas autoridades eclesiásticas, porém as quatro publicações mencionadas são os “Livros Canônicos da Igreja”, regularmente adotados. As Regras de Fé podem ser consideradas como um resumo bom, mas incompleto, das doutrinas tratadas nos livros autorizados. 

A Oitava “REGRA DE FÉ” diz o seguinte: “Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus, o quanto seja correta sua tradução; cremos também ser o Livro de Mórmon a palavra de Deus”.

O que é "O Livro de Mórmon?" 

– O Livro de Mórmon é um documento histórico, devidamente inspirado, escrito pelos profetas dos antigos povos que pelo espaço de alguns séculos, antes e depois da vinda de Cristo, habitavam o continente Americano. Essa escritura foi traduzida nesta geração pelo Dom de Deus e por sua indicação especial. O tradutor autorizado e inspirado dessas escrituras sagradas, por intermédio de quem chegou ao mundo em linguagem moderna, é Joseph Smith, que na noite de 21 de setembro de 1832 e na madrugada do dia seguinte, um personagem ressuscitado, que disse chamar-se Moroni, visitou Joseph Smith em resposta a sua fervorosa oração. Em revelações subsequentes esclareceu-se que esse personagem era o último de uma m grande sucessão de profetas, cujos escritos traduzidos constituem o Livro de Mórmon. Ele concluiu os antigos anais, depositou na terra as placas gravadas e, por intermédio dele, chegaram às mãos do profeta e vidente dos últimos dias, cuja obra traduzida temos hoje. 

Em sua primeira visita, Morôni revelou a Joseph Smith a existência da história, que segundo disse, estava gravada em umas placas de ouro que então jaziam enterradas na encosta de uma colina nas proximidades de sua casa. Essa colina, que um dos povos antigos conhecia pelo nome de Cumôra e outro pelo de Ramá, está situada perto de Palmira, Estado de Nova York. O lugar preciso onde estavam as placas foi mostrado a Joseph em visão e nenhuma dificuldade teve o jovem em encontra o local no dia seguinte ao da mencionada visita. Joseph Smith menciona o seguinte sobre Morôni e as placas: “Disse que havia um livro depositado, escrito sobre placas de ouro, dando conta dos antigos habitantes deste continente, assim como de sua origem. Disse que nele se encerrava a plenitude do evangelho eterno, como foi entregue pelo Salvador aos antigos habitantes. Disse também que havia duas pedras em arcos de prata – e estas pedras presas a um peitoral constituíam o que é chamado Urim e Tumim – depositadas com as placas; e que a posse e uso dessas pedras constituíam os “videntes” nos tempos antigos, e que Deus as tinha preparado com o fim de traduzir o livro”. (veja Pérola de Grande Valor, pág. 64; “History of the Crurch”, tomo I, cap. 2; “Essentials in Church History”, caps. 8-11) 

Joseph encontrou uma grande pedra no local indicado, na colina Cumorah, sob a qual se encontrava uma caixa, também de pedra. Levantou a tampa da caixa com auxílio de uma alavanca e dentro dela viu as placas e o peitoral com o Urim e Tumim, tal como o havia indicado o anjo. Estava prestes a retirar o conteúdo da caixa quando Morôni novamente surgiu e o proibiu de retirar os objetos sagrados naquela ocasião, dizendo-lhe que quatro anos deveriam decorrer antes que elas fossem confiadas ao seu cuidado pessoal, e que, enquanto isso, Joseph teria que visitar o local anualmente. O jovem revelador o fez e em cada visita recebia instruções adicionais relativas à história e ao que Deus tinha resolvido fazer com ela. Joseph recebeu do anjo Morôni as placas e o Urim e Tumim com o peitoral em 22 de setembro de 1827. Mandou que as guardasse com bastante cuidado e foi-lhe prometido que, se procurasse protegê-las o melhor que pudesse, ficariam seguras em suas mãos e que ao terminar a tradução Morôni novamente o visitaria para receber as placas. 

O motivo pelo qual Joseph foi advertido a Ter cuidado das placas e demais objetos não tardou a se revelar, porque percorrendo o curto trajeto da colina para sua casa foi assaltado enquanto levava os objetos sagrados; com o auxílio divino pôde resistir aos assaltantes e chegou a sua casa sem que as placas e os demais objetos tivessem sofrido o menor dano. Esse assalto foi o início de uma série de perseguições que incessantemente sofreu enquanto tinha as placas sob sua custódia. A notícia de que tinha as placas em sua posse foi logo espalhada e muitas tentativas, algumas das quais violentas, foram feitas para arrebatá-las de suas mãos. Foram, porém, preservadas; e, lentamente, e com muitas interrupções motivadas pelas perseguições dos iníquos e as circunstâncias de sua pobreza, que o obrigavam a buscar trabalho, Joseph continuou a tradução, e, em 1830, foi publicado o Livro de Mórmon para o mundo, pela primeira vez. 


A página título do Livro de Mórmon 

– Nossa melhor resposta à pergunta: “Que é o Livro de Mórmon?” Encontra-se na página-título do livro, na qual se lê:O 
LIVRO DE MÓRMON 
Um Relato Escrito Pela 
MÃO DE MÓRMON 
SOBRE PLACAS, 
Tirado das Placas de Néfi 

O livro é um resumo dos anais do povo de Néfi e dos lamanitas. Escrito aos lamanitas, que são remanescentes da Casa de Israel e também aos judeus e gentios – por via de mandamento, sob a influência do espírito de profecia e de revelação; escrito, selado e escondido no Senhor para que não fosse destruído. Para ser apresentado pelo Dom e poder de Deus, para que possa ser interpretado em seu devido tempo por intermédio dos gentios, para ser interpretado pelo Dom de Deus. 

Contém ainda um resumo tirado do Livro de Éter, que é um registro do povo de Jarede, que foi espalhado na ocasião em que o Senhor confundiu o idioma dos povos, quando estes construíam uma torre para chegar ao céu. Destina-se a mostrar aos remanescentes da Casa de Israel as grandes coisas que o Senhor fez a seus antepassados; e também para que possam conhecer as alianças do Senhor, onde lhes é prometido que não serão rejeitados para sempre. E também para convencer os judeus e os gentios de que Jesus é o Cristo, o Deus Eterno, manifestando-se a todas as nações. E agora, se há faltas, são erros dos homens. Não condeneis, portanto, as coisas de Deus, para que apareçais sem mancha ante o tribunal de Cristo. 

Esta combinação de página-título e prefácio é a tradução da última folha das placas e presume-se que seja de autoria de Morôni que, como já disse, selou e escondeu os anais nos dias antigos. A esse respeito disse Joseph Smith: “Desejo manifestar aqui que a página-título do Livro de Mórmon é uma tradução literal da última folha do lado esquerdo da coleção ou livro de placas, nas quais se encerrava a história que foi traduzida; que a linguagem de toda a obra está disposta como todo o escrito hebraico em geral; e que a dita página não é de maneira nenhuma composição moderna, nem minha nem de qualquer homem que viveu ou vive nesta geração”. (“History of the Crurch”, tomo 1, pág. 71) 

As principais divisões do Livro 

– Segundo consta na página título, encontram-se no Livro de Mórmon as histórias de duas nações que floresceram na América. Esses povos nasceram de colônias pequenas, que, sob direção divina, chegaram aqui vindas do continente oriental. Podemos convenientemente nos referir a eles como nefitas e jareditas. 

A nação Nefita 

Foi a última e, quanto à quantidade de seus anais, a mais importante. Os antepassados desse povo saíram de Jerusalém no ano 600 antes de Cristo sob a direção de Leí, um profeta israelita da tribo de Manassés. Ao partir de Jerusalém sua família era composta de Sariah, sua esposa, e de seus filhos Lamã, Lemuel, Sam e Néfi, além de Jacó e José, que nasceram durante a peregrinação no deserto. Mais adiante fala-se de filhas, mas, se nasceram antes ou depois do êxodo da família não se sabe. Além de sua própria família, a colônia de Leí compreendia Zoram e Ismael, sendo este último um israelita da tribo de Efrain. Ismael e sua família se uniram ao grupo de Leí no deserto e seus descendentes foram contados com os da nação que estamos estudando. Parece que o grupo viajou para sudoeste, seguindo a costa do Mar Vermelho; então, alterando seu curso para o leste, atravessou a península da Arábia e ali, às margens do mar de Oman, construíram e abasteceram um barco no qual se lançaram ao mar, entregando-se à divina providência, sobre as águas. Acredita-se que tenham viajado para o leste, atravessando o Oceano Índico, depois o Pacífico, chegando por fim à costa ocidental da América, onde desembarcaram mais ou menos no ano 590 antes de Cristo. O livro não menciona detalhes suficientes do lugar onde desembarcaram para justificar conclusões definitivas. 

O povo se estabeleceu no que para ele era a terra prometida; nasceram muitos filhos e em poucas gerações numerosa posteridade habitava a terra. Após a morte da Leí verificou-se uma divisão. Uns aceitaram Néfi como líder, o qual foi devidamente nomeado ao ofício profético, enquanto que os demais proclamaram chefe a Lamã. O mais velho dos filhos de Leí. Desde aí esses povos divididos se chamaram nefitas e lamanitas, respectivamente. Havia ocasiões em que se observava uma certa amizade enter uns e outros, mas geralmente estavam em disputa e os lamanitas manifestavam ódio e hostilidade implacáveis para com seus irmãos nefitas. Os nefitas deram impulso às artes da civilização, construindo grandes cidades e estabelecendo comunidades muito prósperas. Entretanto, caíam freqüentemente em transgressão e o Senhor, para castigá-los, permitia que seus inimigos hereditários triunfassem sobre eles. Crê-se tradicionalmente que se estenderam até o norte, ocupando uma região considerável da América Central, após o que se dispersaram para leste e norte, até alcançarem o que é hoje parte dos Estados Unidos. Os lamanitas, quando aumentaram em número, sofreram o castigo do desagrado do Senhor; sua pele tornou-se escura, seu espírito sombrio; esqueceram-se do Deus de seus pais e se entregaram ao estado decaído em que aqueles que tornaram a descobrir o continente ocidental, mais tarde, encontraram os índios da América, seus descendentes diretos. 

As últimas batalhas entre nefitas e lamanitas foram travadas perto da colina de Cumorah, no que hoje é o Estado de Nova York, e resultaram na destruição dos nefitas como nação, 400 anos depois de Cristo. O último nefita foi Morôni que, vagando de um lugar para outro para preservar a vida, esperando diariamente morrer nas mãos dos lamanitas vitoriosos, escreveu a última parte do Livro de Mórmon e escondeu o registro na colina de Cumorah. Esse mesmo Morôni, como ser ressuscitado, entregou os anais a Joseph Smith na atual dispensação. 

A Nação Jaredita 

Das duas nações cuja história constitui o Livro de Mórmon, a primeira, quanto ao tempo, foi a do povo de Jarede, que, sob a direção de seu chefe, saiu da torre de Babel por ocasião da confusão de línguas. Éter, o último de seus profetas, escreveu sua história sobre vinte e quatro placas de ouro e, prevendo a destruição de seu povo por causa da iniquidade, escondeu as placas históricas. Mais tarde foram encontradas por uma expedição enviada pelo rei Limhi, um monarca nefita, aproximadamente no ano 122 antes de Cristo. Morôni posteriormente resumiu a história gravada nessas placas e acrescentou o relato condensado aos anais do Livro de Mórmon. Na tradução moderna leva o nome de Livro de Éter. 

Na história, como a temos, não se dá o nome do primeiro e principal profeta dos jareditas, mas somente é conhecido como o irmão de Jarede. Quanto a seu povo, sabemos que em meio daquela confusão em Babel, Jarede e seu irmão rogaram ao Senhor que ele e seus companheiros fossem libertos da dispersão iminente. Sua oração foi ouvida e, juntamente com um grupo considerável que, como eles, não se havia contaminado com a adoração de ídolos, o Senhor os afastou de suas casas, prometendo conduzi-los a um país escolhido entre todos os outros. Não sabemos com exatidão a rota que seguiram; só sabemos que chegaram ao oceano e que ali construíram oito navios ou barcos, nos quais se fizeram ao mar. Esses barcos eram pequenos e precisavam de iluminação interior, e o Senhor tornou certas pedras luminosas as quais forneceram luz aos viajantes. Depois de uma viagem de trezentos e quarenta e quatro dias, a colônia desembarcou nas costas da América. 

Aqui a colônia chegou a ser uma nação florescente; mas cedendo com o tempo a dissensões internas, dividiram-se em bandos que se combateram entre si até que o povo foi totalmente destruído. Essa destruição perto da Colina Ramá, a que os nefitas mais tarde deram o nome de Cumorah, se verificou mais ou menos no tempo da chegada de Leí, aproximadamente 590 anos antes de Cristo. O último representante dessa infeliz nação foi o rei Coriantmr, acerca do qual Éter profetizou que haveria de sobreviver a todos os seus súditos e viveria para ver outro povo tomar posse do país. Esta profecia se cumpriu quando o rei, cujo povo fora exterminado, chegou durante suas peregrinações solitárias a uma região que fora ocupada pelo povo de Muleque, a terceira colônia antiga de imigrantes do continente oriental. 

Os Mulequitas 

Muleque era filho de Zedequias, rei de Judá, e achava-se na infância quando se verificou a morte violenta de seus irmãos e o cruel tormento de seu pai nas mãos do rei da Babilônia (II Reis 25:7). Onze anos depois de Leí partir de Jerusalém, saiu da mesma cidade outro grupo no qual ia Muleque. A colônia tomou o nome do príncipe, provavelmente porque era reconhecido como o líder por ser de sangue real. O Livro de Mórmon muito pouco se refere a Muleque e seu povo; sabemos, porém, que a colônia foi trazida através das muitas águas e talvez tenha desembarcado ao norte do continente americano. Os nefitas, sob a direção de Mosias, descobriram os descendentes dessa colônia. Haviam chegado a ser muito numerosos, mas como não tinham escrituras para guiá-los caíram numa condição de obscuridade espiritual. Uniram-se aos nefitas e sua história está compreendida na da nação maior. (Omni 12:19) Os Nefitas deram o nome de Muleque a uma parte da América do Norte. 

As placas do Livro de Mórmon 

As placas que o anjo Morôni entregou a Joseph Smith, segundo a descrição do profeta, eram de ouro, de tamanho uniforme, de umas sete polegadas de comprimento por oito de largura (17 x 20 cm) e a espessura de pouco menos que a folha de lata comum. Eram presas por três anéis que as atravessavam perto de uma das margens e em conjunto formavam um livro de quase seis polegadas (15 cm) de grossura. Não foi todo traduzido porque uma parte estava selada. Sobre ambos os lados da placa estavam gravados caracteres pequenos que, segundo os que os examinaram, eram de trabalho curioso e pareciam ser de origem antiga. 

Três classes de placas são mencionadas na página título do Livro de Mórmon: 

1. As Placas de Néfi, que, como veremos, eram de 2 classes: (a) as placas maiores; (b) as placas menores. 

2. As Placas de Mórmon, que continham um resumo das placas de Néfi e aditamentos de Mórmon a seu filho Moroni. 

· As Placas de Éter, que continham a história dos jareditas. 

· As Placas de Latão de Labão, que o povo de Leí trouxe de Jerusalém, as quais continham as escrituras e a genealogia dos judeus. Destas aparecem muitos extratos nos registros nefitas. Falta-nos agora considerar com mais particularidade as placas de Néfi e o resumo que delas fez Mórmon. 

As Placas de Néfi 

São assim chamadas porque Néfi, o filho de Leí, as preparou e sobre elas iniciou sua história. Estas placas eram de duas classes e podemos distingui-las chamando-as de placas maiores e placas menores. Néfi iniciou o trabalho de historiador gravando sobre suas placas uma narração da história de seu povo desde o tempo em que seu pai saiu de Jerusalém. Esta narração menciona suas viagens, prosperidade e aflições, os reinados de seus reis e as guerras e contendas do povo, com caráter de história secular. As placas passaram de um historiador a outro por todas as gerações do povo nefita, de maneira que, quando foram resumidos por Mórmon, estes anais abrangiam um período de aproximadamente mil anos, iniciando no ano 600 antes de Cristo, quando saiu Leí de Jerusalém. Apesar de estas placas terem recebido o nome do primeiro que escreveu nelas, a obra individual de cada um dos historiadores geralmente leva seu próprio nome, de maneira que o volume se compõe de vários livros distintos. 

Mandado pelo Senhor, Néfi fez outras placas sobre as quais escreveu particularmente o que se poderia chamar, em termos gerais, de história eclesiástica de seu povo, referindo-se unicamente aos acontecimentos históricos, quando era necessário dar a devida continuidade à narração. “Recebi ordem do Senhor de fazer estas placas, com o fim especial de deixar gravada a missão de meu povo”. (1 Néfi 9:3) Néfi ignorava o propósito destas duas histórias; para ele foi suficiente que o Senhor lhe pedisse esta obra. Mais adiante veremos que foi para um propósito sábio. 

O resumo de Mórmon – Com o transcorrer do tempo, as placas que se vinham acumulando chegaram às mãos de Mórmon, que iniciou a tarefa de resumir essas obras extensas em placas que ele havia feito com suas próprias mãos. (Palavras de Mórmon 11; Mórmon 1: 1-4; 4: 23; 3 Néfi 5: 8-11). Desta maneira preparou-se uma relação mais concisa e mais uniforme em seu estilo, linguagem e tratamento do que se teria com os diversos escritos dos muitos autores que contribuíram para a grande história durante os séculos de seu crescimento. Mórmon reconhece a inspiração de Deus que agiu sobre ele para iniciar a grande obra e dela dá testemunho (3 Néfi 5: 14–19). Na preparação desta história menor, Mórmon conservou a divisão do volume em livros, de acordo com a ordem dos originais e assim, apesar de a linguagem ser a de Mórmon, exceto quanto cita diretamente das placas de Néfi, como acontece em numerosas ocasiões, achamos que nos livros de Néfi, no Livro de Alma, no Livro de Helamã, etc, geralmente se conserva a forma da expressão que se chama de primeira pessoa. 

Durante o resumo dos volumosos anais, tendo chegado ao reinado do rei Benjamim, Mórmon ficou profundamente impressionado com o relato que as placas menores de Néfi davam dos atos de Deus com o povo durante um período de quatro séculos, desde a saída de Leí de Jerusalém até os dias do rei Benjamim. Mórmon manifestou grande reverência para com esta narração que continha tantas profecias sobre a missão do Salvador. Não procurou transcrever essas placas, mas colocou os originais juntamente com seu próprio resumo das placas maiores, fazendo das duas um só livro. De maneira que os anais, tais como foram recopiados por Mórmon, continham um relato duplo dos descendentes de Leí durante os primeiros quatrocentos anos de sua história. Isto é, a breve narração secular condensada das placas maiores e o texto completo das placas menores. Em palavras solenes e com uma ênfase cuja importância os fatos subsequentes destacaram, Mórmon expressa a prudência oculta do Senhor nesta duplicação: “E faço isto com um sábio propósito; pois assim me é sussurrado, segundo Espírito do Senhor que está em mim. E agora, eu não sei todas as coisas, mas o Senhor sabe todas as coisas que hão de acontecer; portanto, ele atua em mim, para que eu faça segundo a sua vontade.” (Palavras de Mórmon 7) 

O Propósito do Senhor na preparação e preservação das placas menores, do qual testificam Mórmon assim como Néfi (1 Néfi 9:5), foi manifestado nesta dispensação dos últimos dias, em certas circunstâncias que sobrevieram no curso da tradução das placas por Joseph Smith. Após haver traduzido a primeira parte dos escritos de Mórmon, saiu o manuscrito da custódia do Profeta, pela insistência de Martin Harris, a quem acreditava dever alguns favores por motivo da ajuda material que este prestava enquanto dedicava seu tempo à obra. Esse manuscrito, de cento e dezesseis páginas ao todo, jamais foi devolvido a Joseph, mas devido às tenebrosas maquinações de poderes malignos caiu em mãos de seus inimigos que imediatamente arquitetaram um perverso plano para ridicularizar o tradutor e frustrar os desígnios de Deus. O projeto consistia em que os conspiradores esperassem até que Joseph traduzisse de novo a parte perdida, e então apresentariam o manuscrito roubado, que enquanto isso iriam alterar a fim de que expressasse o contrário do relato verdadeiro e assim demonstrasse que o Profeta não podia traduzir igualmente, pela Segunda vez, as mesmas passagens. Interveio, porém o Senhor para fazer malograr esses malévolos desígnios. 

Tendo castigado o Profeta, privando-o por certo tempo de seu Dom de traduzir, assim como da custódia dos sagrados anais, por sua negligência em Ter permitido que os escritos chegassem às mãos de quem não deveriam, o Senhor misericordiosamente concedeu sua graça novamente a seu servo arrependido e lhe revelou todas as intrigas de seus inimigos, demonstrando-lhe ao mesmo tempo como seriam frustradas essas malévolas maquinações. Instruiu Joseph a não tentar traduzir novamente aquela parte do compêndio de Mórmon, cuja tradução fora roubada, mas que em seu lugar traduzisse a história da mesma época, tomando-a das placas de Néfi, as placas pequenas que Mórmon incorporou a seus próprios escritos. De modo que esta tradução foi publicada como o relato de Néfi e não como parte dos escritos de Mórmon; portanto, não foi feita uma segunda tradução das partes que se achavam no manuscrito roubado. 

A tradução do Livro de Mórmon foi efetuada pelo poder de Deus, que se manifestou na recepção do Dom de revelação. O livro não pretende depender da sabedoria ou do entendimento do homem; seu tradutor não era versado em idiomas; sua capacidade era de uma ordem diferente e mais eficiente. Além das placas, Joseph recebeu do anjo outros tesouros sagrados, que incluíam um peitoral ao qual se achavam presos o Urim e o Tumim chamados Intérpretes pelos nefitas (D&C 10:1; 17: 1; 130: 8,9; Mosias 8: 13-19; Éter 3: 23-28). Com o auxílio destes, pôde traduzir os antigos anais em nossa linguagem moderna. Os detalhes do trabalho de tradução não foram registrados, à parte o fato de que o tradutor examinava os caracteres gravados por meio dos sagrados instrumentos e ditava ao escrivão as frases em inglês. 

Joseph iniciou sua tarefa com as placas copiando pacientemente vários caracteres e acrescentando sua tradução a algumas páginas assim preparadas. O primeiro ajudante do profeta, Martin Harris recebeu permissão de levar algumas dessas cópias a fim de apresentá-las a homens instruídos em idiomas antigos, para que as examinassem. Levou umas folhas ao professor Charles Anthon, do Colégio de Colúmbia, que depois de estudá-las certificou que os caracteres eram em geral da antiga ordem egípcia, e que as traduções que os acompanhavam pareciam estar corretas. Ao saber como chegaram os anais antigos às mãos de Joseph o professor Anthon disse ao Sr. Harris que levasse o livro original para ser examinado, declarando que ele se comprometeria a traduzi-lo; mas, sabendo que parte do livro estava selada, disse: “Não posso ler um livro selado”. Assim foi que sem o saber, esse homem cumpriu a profecia de Isaías concernente à vinda desse volume: “Pelo que toda a visão vos é como as palavras dum livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: “ora lê isto; e ele diz: Não posso, porque está selado” (Isaías 29:11). Outro linguista, o professor Mitchel, de Nova York, tendo examinado os caracteres fez uma declaração que correspondia, em todos os pormenores importantes, à do professor Anthon. 


A Ordem do Livro de Mórmon – O Livro de Mórmon compreende quinze partes separadas, que com uma só exceção se chamam livros e se distinguem pelos nomes de seus autores principais. Os primeiros seis livros, a saber, Primeiro e Segundo Néfi, Jacó, Enos, Jarom e Omni são traduções literais de partes correspondentes das placas menores de Néfi. O resto do volume, desde o Livro de Mosias até o sétimo capítulo de Mórmon, inclusive, é a tradução do resumo que Mórmon fez das placas maiores de Néfi. Entre os livros de Omni e Mosias, encontram-se as “Palavras de Mórmon” que ligam a narração de Néfi, gravadas sobre as placas menores, e o resumo feito por Mórmon das placas maiores. Podemos dizer que as palavras de Mórmon constituem uma breve explicação da primeira parte da obra e um prefácio das partes subsequentes. A última divisão do livro, desde o princípio do capítulo oito de Mórmon até o fim do livro, é obra de Morôni, filho de Mórmon, que concluiu a narração de seu pai e depois acrescentou o resumo de um conjunto de placas que continha uma narração dos Jareditas; este aparece como o livro de Éter. 

Quanto escreveu estas coisas Morôni estava sozinho, o único representante vivo que restava de seu povo, com exceção do grande número que se aliara aos lamanitas. A última das guerras fratricidas enter nefitas e lamanitas resultara na exterminação daqueles como povo e Morôni havia crido que seu resumo do Livro de Éter seria sua última obra literária; vendo, porém, que fora preservado milagrosamente, à conclusão daquele empreendimento, acrescentou a parte que conhecemos como o Livro de Morôni, que contém a maneira de proceder nas ordenações, batismo e administração do sacramento e algumas palavras e escritos de Mórmon, seu pai. 

Autenticidade do Livro de Mórmon se fará mais patente após uma investigação imparcial das circunstâncias que acompanharam o seu aparecimento. As teorias fantásticas propostas por inimigos predispostos sobre a origem do livro são, em geral, demasiado incongruentes e, na maior parte dos casos, sumamente pueris para merecer uma consideração séria. As suposições de que o Livro de Mórmon é obra de um só autor, ou que é uma novela ou uma composição moderna, refutam-se a si mesmas. O caráter sagrado das placas impediu que fossem exibidas para satisfazer a curiosidade pessoal; entretanto várias testemunhas dignas de fé as examinaram e esses homens solenemente testemunharam delas ao mundo. As profecias relativas às testemunhas cujas declarações seriam o meio de estabelecer a palavra de Deus, como se acha no Livro de Mórmon, se cumpriram em junho de 1829, numa manifestação de poder divino que demonstrou a autenticidade das placas a três homens, cujas afirmações acompanham todas as edições do livro (2 Néfi 11: 3; 27: 12, 13; Éter 5: 3, 4; D&C 5: 11-15).

O Depoimento das Três Testemunhas 

“Saibam todas as nações, tribos, línguas e povos a quem esta obra chegar, que nós, pela graça de Deus, o Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo, vimos as placas que contêm este registro, que é um registro do povo de Néfi e também dos lamanitas, seus irmãos, e também do povo de Jarede, que veio da torre da qual se tem falado. E sabemos também que foram traduzidas pelo Dom e poder de Deus, porque assim nos foi declarado por sua voz; sabemos, portanto, com certeza, que a obra é verdadeira. E também testificamos que vimos as gravações feitas nas placas; e que elas nos foram mostradas pelo poder de Deus e não do homem. E declaramos solenemente que um anjo de Deus desceu dos céus, trouxe-as e colocou-as diante de nossos olhos, de maneira que vimos as placas e as gravações nelas feitas e sabemos que é pela graça de Deus, o Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo que vimos e testificamos que estas coisas são verdadeiras. E isto é maravilhoso aos nossos olhos. E a voz do Senhor ordenou-nos que prestássemos testemunho disto; portanto, para obedecer aos mandamentos de Deus, prestamos testemunho destas coisas. E sabemos que, se formos fiéis a Cristo, livraremos nossas vestes do sangue de todos os homens e seremos declarados sem mancha diante do tribunal de Cristo e habitaremos eternamente com ele nos céus. E honra seja ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, que são um Deus. Amém. (Oliver Cowdery, David Whitmer, Matin Harrys) 

Este testemunho jamais foi revogado, ou modificado por qualquer das testemunhas cujos nomes aparecem com a declaração apesar de todos se terem afastado da Igreja, e seus sentimentos para com o Profeta Joseph Smith terem quase se convertido em ódio. Até o fim da vida mantiveram a mesma declaração solene da visita angélica e do testemunho que ficou gravado em seus corações. Pouco depois de haverem estes três visto as placas, foi permitido a mais oito pessoas ver e tocar os antigos anais; e nisto também se cumpriram as profecias, pois na antigüidade se declarou que além dos três “Deus enviou mais te4stemunhas cujo depoimento seria acrescentado ao dos três primeiros. Joseph Smith mostrou as placas aos oito cujos nomes acompanham o certificado abaixo, provavelmente em julho de 1829 ((2 Néfi 11:3). 

O Depoimento das Oito Testemunhas

“Saibam todas as nações, famílias, línguas e povos a quem esta obra chegar que: - Joseph Smitth Jr., o tradutor deste trabalho, nos mostrou as placas já mencionadas, que têm a aparência de ouro; que tantas páginas quantas o dito Smith traduziu passaram por nossas mãos, e que também vimos as gravações que contêm, parecendo uma obra antiga e trabalho curioso. Isto testemunhamos solenemente, que o mesmo Smith nos mostrou, vimos e apalpamos e sabemos seguramente que o dito Smith possui as placas de que falamos. Damos nosso testemunho ao mundo, para que se saiba o que vimos. E assim afirmando não mentimos, Deus sendo testemunha disso.” 

Christiam Whitmer, Jacob Whitmer, Peter Whitmer Jr., John Whitmer, Joseph Smith, pai, Hiram Page, Hyrum Smith, e Samuel H. Smith. 

Três das oito testemunhas morreram fora da Igreja, entretanto, nunca se soube que alguma tenha negado seu testemunho a respeito do Livro de Mórmon. 

Teorias concernentes à origem do Livro de Mórmon 

A História de Spaulding – O público em geral recusou o relato verdadeiro da origem do Livro de Mórmon e assim assumiu a responsabilidade de explicar de alguma forma plausível de onde a obra saiu. Ofereceram-se muitas teorias vagas, a mais famosa e a única que granjeou o favor público o suficiente para ser considerada, é chamada “o relato de Spaulding”. Solomon Spaulding, um clérico de Amity, Estado de Pensylvania, escreveu um romance ao qual não foi dado outro nome além de “Manuscript Story”. Vinte anos depois da morte do autor, um indivíduo chamado Hurlburt, apóstata de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, anunciou uma semelhança do conto com o Livro de Mórmon e expressou, como opinião sua, que a obra que Joseph Smith apresentou ao mundo nada mais era que o romance de Spaulding, revisado e ampliado. O manuscrito esteve perdido durante algum tempo, e, faltando prova em contrário, multiplicaram-se as declarações a respeito da semelhança das duas obras. Em 1884, porém, James H. Fairchild, presidente do Colégio Oberlin, de Ohio, e um literato seu amigo, o Sr. Rice, enquanto examinavam uma coleção heterogênea de papéis velhos que este comprara, encontraram o manuscrito original de Spaulding. Os senhores em referência compararam minuciosamente o manuscrito e o Livro de Mórmon, e, sem outro desejo além do de expor a verdade publicaram os resultados de sua investigação. O Sr. Fairchild publicou um artigo no “New York Observer” com data de 5 de fevereiro de 1885, no qual disse: “A teoria de que a origem do Livro de Mórmon se encontra no tradicional manuscrito de Solomon Spaulding provavelmente terá que ser descartada... o Sr. Rice, eu e outros o comparamos (o manuscrito de Spaulding) com o Livro de Mórmon e nenhuma semelhança pudemos perceber entre os dois... Ter-se-á que buscar outra explicação para o Livro de Mórmon, se é que é necessária”. 

O manuscrito foi depositado na biblioteca do Colégio de Oberlin no Estado de Ohio, onde, provavelmente, se encontra atualmente. A teoria do “Manuscript Found”, porém, nome dado ao conto de Spaulding, ocasionalmente sai a reluzir nas mãos de algum zeloso antimórmon que, cremos benevolentemente, ignora os fatos expostos pelo Sr. Fairchild. Mais recentemente este cavalheiro escreveu uma carta em resposta à pergunta de um correspondente, a qual foi publicada no “Millennial Star”, em Liverpool, inglaterra, a 3 de novembro de 1898, e que diz o seguinte: 

Colégio Oberlin, Ohio, 17 de outubro de 1895 
Sr. Dr. J. R. Hindley: 
PREZADO SENHOR: - 

Temos na biblioteca de nosso Colégio um escrito original de Solomon Spaulding, indubitavelmente genuíno. 

Encontrei-o em 1884 nas mãos do Sr. L. L. Rice, de Honolulu, nas Ilhas Havaianas. Esse cavalheiro foi certa vez Impressor do Estado, em Columbus, Ohio. Antes disto publicava um periódico em Painesville, cujo editor anterior visitou a senhora Spaulding, de quem conseguiu o manuscrito. Havia permanecido entre seus documentos velhos quarenta anos ou mais, e veio à luz quando lhe pedi que buscasse entre seus papéis alguns documentos contra a escravidão. 
O manuscrito leva as firmas de vários homens de Conneaut, Ohio, que ouviram Spaulding lê-lo e sabiam que era seu. Ninguém, após vê-lo, pode duvidar de sua autenticidade. Pelo menos duas vezes foi publicado o manuscrito: uma vez pelos mórmons de Salt Lake City e outra pelos mórmons josefitas de Iowa. Os mórmons de Utah conseguiram a cópia do Sr. Rice em Honolulu e os josefitas me solicitaram uma cópia depois que chegou às minhas mãos. Este manuscrito não é o original do Livro de Mórmon. 
Atenciosamente,
James H. Fairchild. 

Pode-se obter cópias do “Manuscript Found”, e qualquer investigador pode examiná-lo por si mesmo. Para mais informações, veja “The Myth of the Manuscript Found”, por George Reynolds, Salt Lake City, e também tres artigos escritos pelo Presidente Joseph F. Smith, no “Improvemente Era” tomo 3, págs. 241, 377, 451) 

Aqui pois, há provas de várias espécies a respeito da veracidade desse volume. O tradutor relata simples e circunstancialmente como apareceram as antigas placas e afirma que a tradução foi feita pelo poder de Deus; notáveis lingüistas declararam a autenticidade dos caracteres; onze homens de boa reputação, fora o tradutor, fazem uma solene afirmativa com respeito à aparência das placas, e a própria natureza do livro apóia a afirmação de que nada mais é que a tradução de anais antigos. 

“Se a parte histórica do Livro de Mórmon fosse comparada com o pouco que se sabe de outras fontes, relativo à história da América antiga, seriam descobertas muitas evidências que apoiam sua veracidade; não podemos, porém, encontrar uma só verdade, entre todos os descobrimentos da antiguidade, que contradiga as verdades históricas do Livro de Mórmon. Se a parte profética desta obra maravilhosa fosse comparada com as declarações proféticas da Bíblia, encontrar-se-iam nesta muita evidência que estabelece a verdade daquela. Apesar de haver muitas predições no Livro de Mórmon que se referem aos grandes acontecimentos dos últimos dias, acerca dos quais a Bíblia nada informa que contradiga no mínimo as profecias do Livro de Mórmon. Se a parte doutrinária do Livro de Mórmon fosse comparada com a doutrina da Bíblia, ver-se-ia a mesma harmonia perfeita que encontramos quando comparamos as partes proféticas dos dois livros. Apesar de haver muitos pontos da doutrina de Cristo que estão muito mais claros e precisos no Livro de Mórmon do que na Bíblia, e muitas coisas relativas às doutrinas que jamais se conheceriam completamente pela Bíblia, não há um ponto doutrinário sequer nos dois livros sagrados que contradiga um ao outro ou que se diferencie no mínimo. Se os vários livros que constituem parte da coleção chamada o Livro de Mórmon fossem cuidadosamente comparados um com o outro, não apareceria nenhuma contradição histórica, profética ou doutrinária... Se compararmos as partes históricas, profética e doutrinárias do livro de Mórmon com as grandes verdades da ciência e da natureza, não encontraremos contradições; nada parece absurdo; nada é desarrazoado. Existe, por conseguinte a mais perfeita harmonia entre as grandes verdades reveladas no Livro de Mórmon e todas as outras verdades conhecidas, sejam religiosas, históricas ou científicas"– (Orson Pratt, “Divine Authenticity of the Book of Mormon” pág. 56). 

A Autenticidade do Livro de Mórmon constitui nossa consideração mais importante da obra. Este tema é de interesse vital para todo pesquisador formal da palavra de Deus, para todo aquele que sinceramente busca a verdade. Já que afirma ser, no que se refere à dispensação atual, uma nova escritura; em vista de que apresenta profecias e revelações que até esta época não eram conhecidas na teologia moderna, e anuncia ao mundo a mensagem de um povo desaparecido, escrito por mandamento e pelo espírito de profecia e revelação, este livro merece o mais atento e imparcial exame. Não somente merece o Livro de Mórmon esta consideração, mas também a solicita e até a exige; porque uma pessoa que professa crer no poder e na autoridade de Deus não pode receber com indiferença a promulgação de uma nova revelação que afirma levar o selo da autoridade divina. O assunto da autenticidade do Livro de Mórmon diz respeito ao mundo. 

Os santos dos últimos dias baseiam sua crença na autenticidade do livro nas seguintes provas: 

1- A concordância geral do Livro de Mórmon e da Bíblia em toda matéria análoga. 

2- O cumprimento de profecias antigas, realizado na publicação do Livro de Mórmon. 

3- A estrita concordância e coerência do Livro de Mórmon em si mesmo. 

4- A verdade patente das profecias que contém. A estas podemos acrescentar evidências externas, à parte das escrituras, entre as quais: 

5- O testemunho corroborativo que oferecem a arqueologia e a etnologia. 

1. O Livro de Mórmon e a Bíblia 

As Escrituras Nefitas e Judaicas, pelo visto, concordam em todo assunto de tradição, história, doutrina e profecia que as duas abordam. Esses dois volumes foram preparados em hemisférios opostos, e em circunstâncias extremamente diferentes; entre eles, porém, existe uma harmonia surpreendente, senão confirmatória da inspiração divina que há em ambos. No Livro de Mórmon citam-se numerosas passagens das antigas escrituras judaicas, das quais foi trazida uma cópia ao continente ocidental como parte da história gravada sobre as placas de Labão e até onde se havia compilado quando Leí saiu de Jerusalém. Não há nessas passagens diferenças notáveis entre as versões da Bíblia e o Livro de Mórmon, salvo onde ocorre um erro provável de tradução, que geralmente se destaca por falta de continuidade ou clareza na narração bíblica. Não obstante, há numerosas variações menores nas partes correspondentes dos dois escritos; e quando examinada, fica usualmente manifesta a clareza superior do relato nefita. 

Fazendo-se uma comparação pormenorizada das profecias da Bíblia e das predições correspondentes que o Livro de Mórmon contém, isto é, as que se referem ao nascimento, ministério terreno, morte expiatória e Segunda vinda de Cristo Jesus, assim como outras que tratam da dispersão e posterior restauração de Israel e as que se relacionam com o estabelecimento de Sião e a reedificação de Jerusalém nos últimos dias, veremos que as duas histórias corroboram mutuamente. É certo que há muitas profecias num livro que não são encontradas no outro, mas, em nenhum caso se notou contradição ou falta de correspondência. Entre as partes doutrinárias das duas escrituras prevalece a mesma harmonia perfeita. 

2. Profecias Concernentes ao Livro de Mórmon 

As profecias Antigas Concernentes ao Livro de Mórmon se Cumpriram Literalmente quando veio à luz o Livro de Mórmon. Uma das mais antigas declarações que se referem diretamente a este assunto é a de Enoque, um profeta antediluviano, a quem o Senhor revelou seus propósitos para todos os séculos. Presenciando em visão a corrupção do gênero humano, após a ascensão do Filho do Homem, Enoque clamou a seu Deus: “Não virás outra vez à terra? ... E o Senhor disse a Enoque: Como vivo, assim mesmo voltarei nos últimos dias ... E chegará o dia em que a terra descansará, mas antes desse dia os céus tremerão assim como a terra e haverá grandes tribulações entre os filhos dos homens, mas o meu povo preservarei. E dos céus enviarei justiça; e da terra farei brotar a verdade para dar testemunho do meu Unigênito ... ; e farei que a justiça e a verdade varram a terra como um dilúvio, a fim de ajuntar meus eleitos das quatro partes da terra, em um lugar que prepararei (P. de G.V., Moisés 7:59-62) Os santos dos últimos dias vêem na publicação do Livro de Mórmon e na restauração do sacerdócio pelo ministério direto de mensageiros celestiais o cumprimento desta e de outras profecias similares que se encontram na Bíblia. 

Davi, que entoou seus salmos mais de mil anos antes do “meridiano dos tempos”, anunciou: “A verdade brotará da terra e a justiça olhará desde os céus” (Salmos 85:11). O mesmo declarou Isaías (Isaías 45:8), Ezequiel viu em visão (Ezequiel 37: 15-20), e a união da vara de Judá e da vara de José, significando a Bíblia e o Livro de Mórmon. A passagem a que acabamos de nos referir diz, conforme as palavras de Ezequiel: “E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira e escreve nele: Por Judá e pelos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pedaço de madeira e escreve nele: Por José, vara de Efraim, e por toda a casa de Israel, seus companheiros. E ajunta um ao outro, para que se unam e se tornem um só na tua mão”. 

Quando nos lembramos do antigo costume de fazer livros – escrevia-se em tiras largas de pergaminho que eram enrolados em varas (pedaços de madeira) vemos o equivalente a livro da passagem anterior (veja o uso correspondente à palavra “rolo” em Jeremias 36:1, 2; e seu sinônimo “livro” nos versículos 8, 10, 11 e 13). Na ocasião em que foi feita esta declaração os israelitas estavam divididos em duas nações, conhecidas como o reino de Judá e reino de Israel ou Efraim. É claro que a referência aqui é aos anais distintos de Judá e José (compare com 2 Néfi3:12). Como já vimos, na nação nefita estavam compreendidos os descendentes de Leí, que pertenciam à tribo de Manasses, os filhos de Ismael, que eram da tribo de Efraim e os de Zoram, de cuja linhagem nada se diz definitivamente. De maneira que os nefitas eram da tribo de José; e, tão verdadeiramente representa o Livro de Mórmon sua história ou “pedaço de madeira”, como a Bíblia o “pedaço de madeira” de Judá. 

Pelo que o Senhor manifestou na visão de Ezequiel é evidente que sairá à luz a história de José ou Efraim por meio do poder direto de Deus. Lemos que ele diz: “Eis que eu tomarei a vara de José... e a ajuntarei à vara de Judá (Ezequiel 37:21). Em vista de se profetizar um acontecimento que haveria de se realizar imediatamente após, isto é, a coligação das tribos dentre as nações em que foram dispersas, esclarece-se que esta união das duas histórias seria um dos sinais distintivos dos últimos dias (Ezequiel 37: 21). Comparando-se com outras profecias que se referem à coligação, ficará conclusivamente demonstrado que foi predito esse importante acontecimento para os últimos dias, como preparação para a Segunda vinda de Cristo. 

Voltando aos escritos de Isaías, verificamos que esse profeta dá voz às manifestações do Senhor contra Ariel ou Jerusalém, “cidade onde habitou Davi”. Ariel havia de ser perturbada, desconsolada e triste. Então o profeta fala de um povo, da parte de Judá, que habitava em Jerusalém, porque o compara a este último dizendo: “E este será a mim como Ariel.” E do que estava decretado contra essa outra nação, lemos: “Então serás abatida, falarás de debaixo da terra, e a tua fala desde o pó saíra fraca e será a tua voz debaixo da terra como a dum feiticeiro e a tua fala assobiará desde o pó” (Isaías 39: 1, 4 e 6). 

Referindo-se ao cumprimento destas e de outras predições análogas, um apóstolo dos últimos dias escreveu: - Estas profecias de Isaías não podiam referir-se a Ariel ou Jerusalém, porque a sua voz não “saiu da terra” nem sua fala saiu desde o pó. Mas se referem ao remanescente de José que foi destruído na América há mais de mil e quatrocentos anos. O Livro de Mórmon relata sua queda, que em verdade foi grande e terrível. No tempo da crucificação de Cristo “a multidão dos tiranos”, com predisse Isaías, “tornou-se como a pragana que passa” e aconteceu, com disse mais adiante, “num momento repentino..." Este remanescente de José, em seu sofrimento e destruição, chegou a ser como Ariel. Assim como o exército romano sitiou Ariel, causando-lhe grandes tribulações e amargura, de igual maneira as nações contenciosas da América antiga trouxeram sobre si as mais lamentáveis cenas de sangue e carnificina. Portanto, o Senhor, com toda propriedade, ao referir-se a este acontecimento, declarou que “será a mim como Ariel” (3 Néfi caps. 8 e 9). 

A notável predição de Isaías, de que a nação assim humilhada falaria “desde a terra” e sua fala assobiaria “desde o pó” cumpriu-se literalmente quando surgiu o Livro de Mórmon, cujo original saiu da terra e a voz desta história é como a de alguém que fala desde o pó. Lemos mais adiante, na mesma profecia: “Pelo que toda a visão nos é como as palavras dum livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Ora, lê isto: e ele dirá: Não posso, porque está selado. Ou dá-se um livro ao que não sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele dirá: não sei ler” (Isaías 29: 11-12). Afirma-se mediante a apresentação de uma transcrição tirada das placas – as “palavras do livro selado” e não o próprio livro – ao sábio professor Charles Anthon, cuja resposta quase nas mesmas palavras da passagem já consideramos no capítulo anterior, e na entrega do livro a Joseph Smith, o homem sem instrução, realizou-se o cumprimento desta profecia. 

3. Conformidade do Livro de Mórmon 

A Conformidade Interna do Livro de Mórmon apóia a crença de sua origem divina. Suas várias partes apresentam evidência de haverem sido escritas em diferentes épocas e em condições completamente distintas. O estilo dos livros que o compõem concorda com os tempos e circunstâncias em que foram escritos. As partes que se tomaram das placas sobre as quais se achava o resumo de Mórmon contêm numerosas interpelações em forma de comentários e explicações do transcritor; porém, nos primeiros seis livros que são, como já se explicou, a história traduzida, palavra por palavra, das placas menores de Néfi, não se verificam tais interpelações. O livro conserva sua conformidade desde o princípio até o fim; não se encontraram nele nem contradições nem discrepância. 

A diversidade de estilos caracteriza os livros distintos. “Existe uma diferença notável entre o estilo literário de Néfi, e outros dos primeiros profetas, e o de Mórmon e Morôni. Mórmon e seu filho são mais diretos e expressam suas idéias com maior brevidade que os primeiros escritores; quando menos, seu estilo é mais ameno para a maioria dos leitores. Ênos, o filho de Jacó, também tem um estilo que lhe é peculiar. Existe outro fato notável de que enquanto no compêndio de Mórmon aparecem relatos ou discursos originais, como os anais de Limhi, os sermões de Alma, Amuleque, etc., nas epístolas de Helamã e outros se empregam palavras e expressões que não se encontram em nenhuma outra parte do Livro de Mórmon. Esta diversidade de estilos, expressão e vocábulos constitui um testemunho incidental muito agradável a favor do que se afirma do Livro de Mórmon; que é uma recompilação da obra de muitos escritores” (“Lectures on the Book of Mormon”, por George Reynolds). 

Pelo que já se disse a respeito das várias coleções de placas que constituem a acumulação original dos anais de que se traduziu o Livro de Mórmon, é evidente que a obra contém os escritos compilados de uma grande sucessão de autores inspirados. Estes escritos compreendem um período de mil anos, sem contar os anos da história jaredita. Nessas circunstâncias não se deve esperar unidade de estilo. 

4. O Livro de Mórmon é Confirmado Pelo Cumprimento das Profecias de Contém 

As Predições do Livro de Mórmon são numerosas e importantes. Uma das provas mais conclusivas da autenticidade do livro é a que nos proporciona a verdade demonstrada pelas profecias que contém. A melhor maneira de pôr à prova a profecia é à luz de seu próprio cumprimento. As predições que o Livro de Mórmon contém podem ser divididas em duas classes: (1) as profecias que se referem ao tempo que o próprio livro abrange e cujo cumprimento nele já se verificou; e (2) as que se relacionam a épocas que excedem os limites da história narrada no livro. 

As profecias da primeira classe mencionadas, de cujo cumprimento a relação do Livro de Mórmon atesta, são de pouco valor como prova da autenticidade da obra, porque se com intento humano se tivesse escrito o livro como ficção, tanto a profecia como o cumprimento teriam sido previstos com igual cuidado e engenhosidade. Não obstante, para o leitor estudioso e consciencioso, a autenticidade do livro será patente; e o cumprimento literal das numerosas e variadas profecias referentes ao então futuro destino do povo cuja história se acha na obra, assim, como a realização das que anunciam o destino do povo cuja história se acha na obra, assim como a realização das que anunciam os detalhes do nascimento e morte do Salvador e sua visita a este povo numa condição ressuscitada, devem, por motivo de sua exatidão e conformidade, considerar-se como prova de inspiração e autoridade que há na obra. 

As profecias da segunda classe, que se referem a um tempo que para muitos dos escritores representava um futuro muito distante são numerosas e explícitas. Muitas delas falam especialmente dos últimos dias – a dispensação da plenitude dos tempos - e algumas destas foram cumpridas literalmente, outras se estão cumprindo, enquanto outras aguardam seu cumprimento de acordo com determinadas condições que hoje parecem estar-se aproximando com rapidez. Entre as profecias mais notáveis do Livro de Mórmon, que se relacionam com a última dispensação, encontram-se as que se referem à sua própria divulgação, e ao efeito que sua publicação causaria sobre o gênero humano. Já examinamos a profecia de Ezequiel relativa à união dos “pedaços de madeira” ou escrituras de Judá e Efraim. Consideramos a promessa feita a José, que foi vendido no Egito, promessa que Leí repetiu a seu filho José – uma predição que envolve a profecia que se refere ao livro e a que fala do vidente por meio de quem haveria de se efetuar o milagre: “Suscitarei, porém um vidente do fruto de teus lombos e a ele darei poder para revelar minha palavra à semente de teus lombos – não somente para revelar a minha palavra, diz o Senhor, mas para convencê-los da minha palavra, que já lhes terá sido declarada. Portanto o fruto de teus lombos escreverá; e o fruto dos lombos de Judá escreverá; e aquilo que for escrito pelo fruto de teus lombos e também o que for escrito pelo fruto dos lombos de Judá serão unidos, confundindo falsas doutrinas e apaziguando contendas e estabelecendo paz entre o fruto de teus lombos; e levando-os nos últimos dias a conhecerem seus pais e também meus convênios, diz o Senhor” (2 Néfi 3: 11-13). Vê-se claramente o cumprimento literal destas palavras na publicação do Livro de Mórmon por intermédio de Joseph Smith. 

O Senhor indicou a Néfi um dos efeitos da nova publicação, declarando que no dia da restauração de Israel – indubitavelmente, pois, no dia da plenitude dos tempos, como o testificam as escrituras judaicas – seriam dadas ao mundo as palavras dos nefitas e ressoariam “até os extremos da terra, por estandarte” aos da casa de Israel, e que então os gentios, esquecendo-se até de sua dívida para com os judeus, de quem receberam a Bíblia na qual professavam Ter tanta fé, abusariam e amaldiçoariam esse ramo do povo do convênio e recusariam a nova escritura, dizendo: “Uma Bíblia! Uma Bíblia! Temos uma Bíblia e não pode haver qualquer outra Bíblia” (2 Néfi 29:3). Não é este o tema principal das loucas objeções que o mundo dos gentios faz ao Livro de Mórmon, de que, por não se esperar nova revelação forçosamente o carece de validade? 

Nos dias antigos se requeria que houvesse duas testemunhas para estabelecer a verdade de uma afirmação, e a respeito do testemunho que ambos os escritos davam dele o Senhor disse: "Por que murmurais por receberdes mais palavras minhas? Não sabeis que o depoimento de duas nações é um testemunho a vós de que eu sou Deus, de que me recordo tanto de uma como de outra nação: Portanto digo as mesmas palavras, tanto a uma nação como a outra. E quando as duas nações caminharem juntas, os testemunhos das duas nações também caminharão juntos". 

Com estas predições do testemunho unido das escrituras judaicas e nefitas se relaciona outra profecia cujo cumprimento os fiéis aguardam pacientemente na atualidade. Foram prometidas escrituras adicionais, precisamente os anais das Tribos Perdidas. Notemos esta promessa: “Portanto porque tendes uma Bíblia não deveis supor que ela contenha todas as palavras minhas; nem deveis supor que eu não fiz com que se escrevesse mais. Pois eu ordeno a todos os homens, tanto no leste como no oeste, tanto no norte como no sul e nas ilhas do mar, que escrevam as palavras que lhes digo; pois pelos livros que forem escritos julgarei o mundo, cada homem de acordo com as obras, conforme o que está escrito. Pois eis que falarei aos judeus e eles escreverão; e também falarei aos nefitas e eles escreverão; e falarei também às outras tribos da casa de Israel, que levei para longe, e elas escreverão; e também falarei a todas as nações da Terra e elas escreverão. E acontecerá que os judeus terão as palavras dos nefitas e os nefitas terão as palavras dos judeus; e os nefitas e os judeus terão as palavras das tribos perdidas de Israel; e as tribos perdidas de Israel terão as palavras dos nefitas e dos judeus” (2 Néfi 29: 10-13) 

1) A Evidência Corroborativa Que as Descobertas Modernas Apresentam 

A Arqueologia e a Etnologia do continente ocidental oferecem certa evidência corroborativa em apoio ao Livro de Mórmon. Estas ciências admitem que não podem explicar decisivamente a origem das raças nativas americanas. Entretanto, as investigações realizadas neste campo produziram resultados que são mais ou menos definitivos, e a narração do Livro de Mórmon concorda com as mais importantes. Não procuraremos apresentar aqui um tratado extenso, já que isto requereria um espaço muito mais amplo que o de nossos limites presentes. O estudante que busca uma consideração detalhada do tema deverá consultar as obras que se dedicam especialmente a ele ( “New Whitnesses for God” tomo 2, caps. 24 a 29 e tomo 3, caps. 30 a 34). Das descobertas mais significativas que se relacionam com os habitantes originais, nos referimos às seguintes: 

· A América foi povoada em tempos remotos, provavelmente pouco depois da construção da Torre de Babel. 

· Sucessivamente têm ocupado o continente Americano diferentes povos; pelo menos duas classes ou, assim chamadas, raças, em épocas muito separadas. 

· Os habitantes originais vieram do Oriente, provavelmente da Ásia, e os ocupantes posteriores, ou seja, os da Segunda época, eram muito parecidos com os israelitas, se bem que não fossem idênticos. 

· As raças nativas existentes na América formam um mesmo tronco. 

Pelo resumo já feito da parte histórica do Livro de Mórmon vemos que a obra apóia completamente ca um desses descobrimentos. Assim, diz-se nele: 

1. Que a América foi povoada pelos jareditas, que vieram diretamente da Torre de Babel. 

2. Que os Jareditas ocuparam o país por cerca de mil oitocentos e cinqüenta anos, e que mais ou menos ao tempo de sua extinção, aproximadamente 590 anos antes de Cristo, Leí e sua colônia chegaram a este continente onde se desenvolveram as nações separadas dos nefitas e lamanitas, desaparecendo aqueles mais ou menos no ano 385 de nossa era – uns mil anos depois da chegada de Leí a esta terra – enquanto que estes continuaram numa condição degenerada até o tempo presente e são representados pelas tribos indígenas. 

3. Que Leí, Ismael e Zoram, os progenitores tanto dos nefitas como dos lamanitas, eram indubitavelmente israelitas – Leí era da tribo de Manasses, enquanto que Ismael era da tribo de Efraim – e que a colônia veio diretamente de Jerusalém, no continente asiático. 

4. Que as tribos indígenas existentes descendem dos imigrantes cuja história se encerra no Livro de Mórmon e, por conseguinte, nasceram de progenitores que foram da casa de Israel. 

Examinemos agora algumas das evidências que se relacionam com estes pontos apresentados por pesquisadores, sendo que a maior parte dos mesmos nada sabia do Livro de Mórmon e que nenhum deles aceita o livro como autêntico: 

1. Quanto à colonização antiga das Américas – Um conhecido perito em matéria de antiguidades americanas oferece a seguinte evidência e dedução: “Uma das artes que os edificadores de Babel conheciam era a fabricação de tijolo. Também era conhecida por aqueles que construíram no continente ocidental. Os povos da planície de Sienar tinham conhecimento do cobre, porque Noé deve ter-lhes comunicado, já que ele viveu com eles trezentos e cinqüenta anos depois do dilúvio. Os antediluvianos também conheciam o cobre. Os construtores dos monumentos do Oeste chegaram a conhecê-lo também. Os antediluvianos conheciam o ferro. Também os antigos do Oeste o conheciam. Não obstante, é evidente que houve muito pouco ferro entre eles, pois são contados os casos em que foi ele descoberto entre suas obras; e por esta razão mesma chegamos à conclusão de que chegaram a este país pouco depois da dispersão ( “American Antiquites”, 1’834, pág. 219). 

Em sua “Resposta a Perguntas Oficiais a Respeito dos Aborígines da América”, Lowry, referindo-se à população do continente ocidental, concluiu “que a primeira colonização se efetuou pouco depois da confusão de línguas, na época da construção da Torre de Babel” (Schoolcarf´s “Ethnological Researches”, tomo 3, 1853) 

O Professo Waternam, da Universidade de Boston, disse a respeito dos progenitores do índio americano: “Quando e de onde vieram: Alberto Galatin, um dos filósofos mais eminentes da época, concluiu que até onde o idioma indicava, o tempo de sua chegada não deve Ter sido muito depois da dispersão da família humana” (Waterman, discurso em Bristol, Inglaterra, 1849). 

Referindo-se aos antigos habitantes das Américas, Pritchard escreveu que “o tempo de sua existência como raça distinta e separada deve datar daquela ocasião em que se separaram em nações os habitantes do mundo antigo e se deu a cada ramo da família humana sua linguagem e individualidade primitiva” (Pritchard, “National History of Man”, Londres, 1845) 

Ixtilxochitl, um escritor nativo do México, “fixa a data da primeira povoação da América como pelo ano 2000 antes de Cristo. Essa data concorda com o Livro de Mórmon, que declara positivamente que se verificou no tempo da dispersão, quando Deus em sua ira “disseminou o povo na face de toda a terra” (Moses Thatcer, “Contributor, vol. 2, p. 227, Salt Lake City, 18881). 

“Referindo-se às palavras de Ixtilxochitl, mil setecentos e dezesseis anos transcorreram desde a criação até o dilúvio. Segundo Moisés, foram mil seiscentos e cinqüenta e seis, uma diferença de somente sessenta anos. Referindo-se à data do dilúvio, segundo o autor mexicano, o Elder George Reynolds disse: “Acha-se uma concordância notável entre o que diz este escritor e o Livro de Gênesis. Do período da queda até o dilúvio há uma diferença de somente sessenta anos ou, possivelmente, de apenas cinco, se as seguintes palavras de Doutrina e Convênios 107: 49, relativas a Enoque alargam a cronologia: “Enoque viu o Senhor, andou com ele, e estava diante de sua face continuamente; e andou com Deus por trezentos e sessenta e cinco anos, tendo quatrocentos e trinta anos quando foi transladado”. A mesma afirmação se encontra na Pérola de Grande Valor, Moisés 7: 68 – (“Evidências Externas do Livro de Mórmon” artigo no “Contributor”, tomo 17, pág. 274). Concordam perfeitamente quanto ao número de cúbitos, quinze, a que se elevaram as águas sobre as montanhas mais altas. Semelhante coincidência não pode conduzir senão a uma conclusão: a identidade da origem dos relatos. (Moses Tatcher “Contributor” vol. 2, p. 228) 

John T. Short, citando as palavras de Clavigero, diz: “Dizem que Votan, o neto do venerável ancião que construiu grande arca para se salvar e a sua família do dilúvio, e um dos que empreenderam a construção daquele alto edifício que ia chegar até o céu, saiu para povoar esta terra por mandamento expresso do Senhor. Dizem também que os primeiros habitantes vieram do Norte e que ao chegar a Soconusco se separaram: uns foram viver no país de Nicarágua e outros permaneceram em Chiapas” (J. T. Schort, “North Americans of Antiquity”, p. 204, New York, 1888) 

2. Quanto às ocupações sucessivas da América por diferentes povos em tempos antigos – Eminentes estudantes de arqueologia americana declararam que dois grupos distintos, chamados por alguns, raças separadas do gênero humano, habitaram este continente em tempos antigos. O professor F. W. Putnan é ainda mais preciso em sua afirmação de que uma dessas raças antigas se estendeu ao Norte e a outra ao Sul. Num artigo intitulado “Copan, a Cidade dos Mortos”, Walsh apresenta muitos detalhes interessantes de escavações e outras obras que Gordon empreendeu por conta da expedição Peaboby e acrescenta: “Tudo isto indica épocas sucessivas de ocupação, a respeito do que, existem outras evidências" 

Civilizações antigas da América – "Não há dúvidas de que em certo tempo floresceu nestas regiões da América Central e México, uma civilização mais avançada que qualquer outra que os espanhóis encontraram na sua chegada. A obra mais importante que até a data se realizou entre as ruínas da antiga civilização maia é a realizada pelo Museu Peabody da Universidade de Harvaard, que enviou algumas expedições à cidade sepultada que hoje é conhecida como Copan, em Honduras. Num formoso vale, não longe da fronteira da Guatemala, rodeada de escarpadas montanhas e banhada por um rio sinuoso, jaz a antiga cidade, envolta no sono dos séculos. As ruínas de Copan, apesar de se encontrarem em estado de decadência mais avançado do que as cidades maias de Yucatan têm uma semelhança geral com estas no desenho dos edifícios e nas esculturas, enquanto os caracteres de suas inscrições são essencialmente iguais. Parece, pois, que Copan foi uma cidade maia, mas deve Ter sido um de seus centros mais antigos", abandonado e arruinado muito antes que as cidades de yucatan chegassem ao seu apogeu. A civilização maia era completamente distinta da asteca ou mexicana; era uma civilização mais antiga e também mais avançada. (Henry C. Walsh, no artigo “Copan – A City of the Dead” – publicado em “Harper´s Weekly” setembro de 1897). 

O seguinte foi extraído das “Conclusões de Bardford, pág. 431 de sua obra “American Antiquities”, publicada em 1841, onde se refere aos antigos habitantes da América: “Que todos tinha uma origem comum, que eram divisões da mesma raça e de costumes e instituições semelhantes. Que foram muito numerosos e ocuparam uma superfície muito extensa. Que haviam alcançado um alto grau de civilização, associavam-se em grandes comunidades e viviam em cidades espaçosas. Que conheciam muitos dos metais, como o chumbo, cobre, ouro e prata, nos quais trabalhava. Que esculpiam a pedra e a usavam na construção de edifícios. Que conheciam uma espécie de arco; que sua cerâmica compreendia urnas, utensílios e muitos outros objetos de bom gosto e fabricados conforme princípios de composição química e que sabiam fazer ladrilhos. Que trabalhavam os mananciais de água salgada e produziam o sal. Que era um povo agrícola, e viviam sob a influência e proteção de formas regulares de governo. Que possuíam um sistema precioso de religião e uma mitologia que se relacionava com a astronomia, a qual, juntamente com a ciência irmã, a geometria, estava nas mãos dos sacerdotes. Que em suas fortificações manifestavam grande perícia. Que remonta à longínqua antiguidade a época de seu estabelecimento original nos estados Unidos, e que as únicas indicações de sua origem que se pode perceber no local de seus monumentos destruídos apontam em direção ao México”. 

3. Quanto à procedência oriental de pelo menos uma divisão dos americanos antigos, provavelmente da Ásia, e sua origem israelita – Na semelhança dos anais e tradições dos dois continentes sobre a criação, o dilúvio e outros grandes acontecimentos históricos, se acha a evidência confirmatória da crença de que os aborígenes americanos saíram dos povos do hemisfério oriental. Chevalier Boturini, que passou vários anos investigando as antiguidades do México e América Central e colecionou muitos documentos de grande valor, a maior parte dos quais foi confiscada pelos espanhóis, em 1746 publicou uma grande obra, na qual tratou do tema dos seus estudos. Sua alusão à “grande eclipse” ao tempo da crucificação refere-se às “trevas que foram mandadas sobre a terra” (Mateus 27: 45), as quais não podem Ter sido a conseqüência de uma eclipse solar, já que este fenômeno ocorre somente quando há lua nova e a páscoa judaica, durante a qual se efetuou a crucificação, ocorre no tempo de lua cheia. Esse Boturini, que é mencionado por escritores de arqueologia americana, diz: “Não há nação dos gentios que trate dos acontecimentos primitivos com a certeza com que o fazem os índios. Eles nos relatam a criação do mundo, o dilúvio, a confusão de línguas na torre de Babel e todos os outros períodos e idades do mundo, as grandes peregrinações que seus antepassados conheceram na Ásia, e representam os anos exatos por seus caracteres; e nos sete Conejos (coelhos) dizem-nos do grande eclipse que se verificou por ocasião da morte de Cristo, nosso Senhor”. 

Tradições Americanas Concernentes ao Dilúvio – “Assegura o Sr. D. Francisco Munhoz de la Veja, bispo daquela diocese de Chiapas no prólogo de suas constituições diocesanas, que guarda em seu arquivo um antigo manuscrito dos primeiros naturais dali, que souberam escrever em velhos caracteres, no qual consta que mantiveram sempre a memória de que o pai e progenitor primeiro de sua nação se chamou Teponahuale, que quer dizer o senhor do pau oco: e que ele se encontrava presente na construção da Grande Parede, como chamavam a Torre de Babel, e viu com seus olhos a confusão das línguas, depois do que o Deus Criador o mandou vir a estas espaçosas terras e reparti-las com os homens” – Lord Kingsbourough, “Mexican Antiguities” vol. 8, p. 25. “Encontra-se nas histórias dos Toltecas que esta idade ou mundo primeiro, como eles o chamam, durou 1.716 anos; que os homens foram destruídos por tremendas chuvas e relâmpagos dos céus e até mesmo toda a terra, sem exceção de nada, e as mais altas montanhas, foram cobertos e submersos na água quinze cúbitos (caxtolmolatli); e aqui eles acrescentaram outras fábulas e de como tornaram a se multiplicar os homens de uns poucos que escaparam desta destruição dentro de um “toptlipetlocali”, e este vocábulo significa “arca fechada”; e como depois, multiplicando-se, os homens fizeram um “zacuali” muito alto, que é hoje uma torre de grande altura, a fim de se refugiarem nela se o segundo mundo (ou idade) fosse destruído. Suas línguas foram confundidas, e , não podendo entender-se, partiram para diferentes partes da terra” – o mesmo, vol. 9, p. 321). As mais importantes tradições americanas são as mexicanas, pois parecem Ter sido fixadas definitivamente por pinturas simbólicas, antes de qualquer contato com europeus. De acordo com estes documentos, o Noé do cataclismo mexicano foi Coxcox, chamado por alguns Teocipactli ou Tezpi. Ele se salvou juntamente com sua esposa Xochiquetzal, num barco, ou, de acordo com outras tradições, numa jangada feita de cipreste. Entre os astecas, mixtecas, zapotecas, tlaxcaltecas e os de Michoagan descobriram-se pinturas que narram o dilúvio de Coxcox. A tradição destes últimos concorda ainda mais notavelmente com o relato de Gênesis e o de fontes caldaicas.

 Diz que Tezpi embarcou numa nave espaçosa com sua esposa, seus filhos, vários animais e grãos, cuja preservação era essencial para a subsistência do gênero humano. Quando o deus Tezcatlpoca decretou que se retirassem as águas, Tezpi enviou um corvo. Este permaneceu alimentando-se com os corpos que cobriam a terra e não voltou. Tezpi enviou três outros pássaros dos quais somente o colibri voltou com um ramo verde no bico. Vendo que a terra estava produzindo vegetação, Tezpi então deixou seu barco no monte de Colhuacan" (Atlantis”, por Donelly, pg. 99). 

A tradição de um dilúvio “era uma noção aceita, de uma forma ou de outra – diz Prescott – pela maior parte dos povos civilizados do Velho Mundo e os bárbaros do Novo Mundo. Os astecas combinavam com ela algumas circunstâncias particulares de caráter mais arbitrário, semelhante às narrações orientais. Acreditavam que dois personagens sobreviveram ao dilúvio, Cocox e sua esposa. Numa pintura antiga acham-se representadas suas cabeças junto com um barco que flutua sobre as águas, ao pé de uma montanha. Também está pintada uma pomba, com o símbolo hieroglífico do idioma no bico, a qual está repartindo com os filhos de Coxcox, que nasceram mudos. Os povos vizinhos de Michoagan, que habitavam o mesmo altiplano dos Andes, tinham uma tradição, segundo a qual o barco que se salvou Tezpi, seu Noé, estava cheio de várias classes de animais e aves. Depois de algum tempo foi enviado um corvo que ficou para comer os corpos mortos dos gigantes que permaneceram na terra ao se retirarem as águas. Logo foi enviado Huitzitzilin, o pequeno colibri que regressou com um ramo no bico. A coincidência entre estes dois relatos e as narrações hebraicas e caldaicas é óbvia” (“Conquista do México”, por Willian Prescott, apêndice, pág. 386). 

Evidência semelhante da fonte comum de tradições ocidentais e orientais de grandes acontecimentos nos tempos primitivos é proporcionada nos escritos de Short, já mencionado, e por Baldwin (Ancient America), Clavigero (citado por John T. Short em “North Americans of Anqiquity, pg. 140), Lord Kingsbourough (“Mexican Antiquities” tomo 6) ,Bernardo Sahagun (“História Universal de la Nueva Espana”), W. H. Prescott (“Conquest of Mexico”), Schoolcraft (“Ethmological Researches”, tomo 1), Squiers (“Antiquities of the State of New York”) e outros (veja os livros de Bancroft, “Native Races” tomos 3 e 5; Doneely´s Atlantis, pág. 391). 

A origem da Civilização Pré-/colombiana na América – sob este título foi publicado um artigo informativo de G. Elliot Smith em “Science” tomo 44, pp 190-195 (número de 11 de agosto de 1916). Quanto ao interesse despertado pelo tema, diz o autor: "Nas diversas ramificações de discussões etnológicas talvez não exista assunto que tenha provocado controvérsias mais animadas e despertado tanto interesse como os problemas encerrados nos mistérios da maravilhosa civilização que se manifestou perante os admirados espanhóis ligo ao chegarem à América. Durante o século passado – que se pode dizer sobre todo o período de investigação científica em assuntos de antropologia – as opiniões dos que dedicaram atenção a estudos sofreram as mais estranhas flutuações". 

Ao estudar as publicações antropológicas de quarenta anos atrás, veremos que nelas abundam estudos cuidadosos de muitos dos principais etnólogos da época que demonstram, aparentemente, de um modo convincente e indiscutível, a disseminação de curiosos costumes e crenças do mundo antigo em o novo.” O escritor condena a falsidade de se supor que as semelhanças em costumes e cultura de povos separados por distâncias tão grandes possam explicar-se de outro ponto de vista além do de uma origem comum, e prossegue dizendo: “Talvez se pergunte por que pois, em vista da grande massa de evidências definitivas e autênticas que determinam proceder do Velho Mundo as origens da raça e da civilização americana, tantos etnólogos se negam a aceitar o claro e óbvio significado dos fatos e recorrem a subterfúgios tão infantis com os que mencionei? Deixando de lado a influência da obra de Darwin, que por Ter sido mal interpretada levou, como diz Hixley “pessoas de pouco entendimento a falarem tolices em nome da ciência”, o fato principal que cobre os olhos a tantos pesquisadores para que não apreciem o significado dos dados que eles mesmos tão laboriosamente recolhem, resulta de um defeito que nasce da natureza de suas investigações... O não reconhecer o fato, recentemente demonstrado tão convincentemente pelo Dr. Rivers de que as artes úteis freqüentemente se perdem, constituem outras, sendo talvez a história da difusão da civilização”. O Dr. Smith oferece uma notável coleção de evidências que apontam para o Velho Mundo, e particularmente para o Egito, como a origem de muitos dos costumes que distinguem os aborígenes americanos. O artigo vem acompanhado de um mapa que mostra as rotas prováveis do mundo antigo ao novo, e dois lugares da costa ocidental onde desembarcaram, um no México e outro perto da linha fronteiriça do Peru e Chile, dos quais os emigrantes se dispersaram. 

John T. Short acrescenta seu testemunho à evidência de que os habitantes aborígines da América são “originalmente do Velho Mundo”, mas admite que não pode precisar quando ou por onde vieram a este continente" (“North Americans of Antiquity, pg. 517). Waterman, a quem já nos referimos, diz: “Este povo não pode Ter-se originado da África porque seus habitantes são muito diferentes dos da América; nem da Europa, onde não havia povo nativo que se parecesse um pouco com as raças americanas; de maneira que somente na Ásia poderiam procurar a origem dos americanos” (Waterman, discurso em Bristol, Inglaterra, em 1849). 

Em sua ampla e acreditada obra, Lord Kingsborough se refere a um manuscrito de Las Casas, bispo espanhol de Chiapas, documento que se acha preservado no convento de São Domingos, no México, e no qual o bispo declara que se descobriu que os índios de Yucatan tinham conhecimento da Trindade. Um dos emissários do bispo escreveu que “havia achado um senhor principal, que, inquirido sobre sua crença e religião antiga, que por aquele reino prevalecia, disse-lhe que eles conheciam e acreditavam em Deus, que estava no céu e que este Deus era Pai e Filho e Espírito Santo; e que o Pai se chamava Ycona, que havia criado os homens e todas as coisas; e o Filho tinha por nome Bacab, o qual nasceu duma donzela virgem chamada Chibirias, que está no céu com Deus e que a mãe de Chibirias se chamava Ischel; e ao Espírito Santo, chamavam Echuah. De Bacab (que é o Filho) dizem que foi morto por Eopuco, e foi açoitado, e recebeu uma coroa de espinhos; que seus braços foram estendidos sobre um pau, ao qual eles acreditavam que não tivesse sido pregado, mas sim atado; e que ali morreu e permaneceu morto durante três dias; e que no terceiro dia ele veio à vida e subiu aos céus, onde está com o Pai; imediatamente depois Echuah veio, que é o Espírito Santo, e encheu a terra de tudo o que precisava” (Kingsborough´s “Antiquities of Mexico”, Vol. 6, pp.l 160, 161). 

Rosales fala de uma tradição dos chilenos de que um personagem maravilhoso, cheio de graça e poder, visitou seus antepassados, operou milagres e lhes ensinou sobre o Criador que vivia nos céus com hostes glorificadas (“History of Chile”). Prescott faz menção ao símbolo da cruz que os companheiros de Cortez encontravam tão freqüentemente entre os nativos do México e da América Central. Além desta evidência de uma crença em Cristo, os invasores presenciaram assombrados a uma cerimônia que tinha certa analogia com o sacramento da santa ceia. Viram que o sacerdote asteca preparava um bolo de farinha, misturado com sangue, que consagravam e davam de comer aos presentes, que “o recebiam com grande reverência, humilhação e lágrimas, dizendo que comiam a carne de seu Deus” (“Conquest of Mexico”, vol. 2, Ap. par. 1) 

Os mexicanos antigos conheciam Quetzalcoatl com um Deus. O relato tradicional de sua vida e morte é tão parecido com a história de Cristo que o Presidente John Taylor disse: “Não podemos chegar a outra conclusão além de que Quetzalcoaltl e Cristo são a mesma pessoa” (“Mediation na Atonement”, pag. 201). Lord Kingsborough menciona uma pintura de Quetzalcoatl “na atitude de uma pessoa crucificada, com a impressão de cravos nas mãos e pés, mas não atualmente na cruz”. A mesma autoridade diz ainda: “A septuagésima terceira placa do manuscrito de Borgiano é a mais notável de todas, pois Quetzalcoatl não sé é representado ali com crucificado sobre uma cruz de forma grega, mas também seu sepultamento e descida aos infernos são representados de uma forma bem curiosa.” Diz ainda: “Os mexicanos acreditam que Quetzalcoatl tomou sobre si a natureza humana, participando de todas as debilidades do homem, e conheceu as aflições, dor e morte que sofreu voluntariamente para expiar os pecados do homem". (“Antiquities of Mexico") 

O estudante do Livro de Mórmon logo percebe a fonte de conhecimento de Deus e da trindade. As referidas escrituras nos informam que durante vários séculos antes do nascimento de Cristo os progenitores das raças nativas americanas viveram sob a luz da revelação direta que, chegando-lhes por intermédio de seus profetas autorizados, lhes indicava os propósitos de Deus a respeito da redenção da humanidade; e, além disso, que o Redentor ressuscitado os visitou em pessoa e estabeleceu para eles sua igreja com todas as suas ordenanças essenciais. Esse povo caiu num estado de degeneração espiritual; muitas de suas tradições foram lamentavelmente pervertidas e alteradas por haverem-se misturado com superstições e invenções humanas; entretanto, a origem de seu conhecimento é manifestamente autêntica. 

4. Quanto a uma origem comum das raças americanas – Admite-se geralmente que as muitas tribos e nações indígenas provêm de uma mesma família. A conclusão se baseia na relação íntima e evidente que há em seus idiomas, tradições e costumes. Baldwin diz que o Sr. Lewis H. Morgan encontra evidências de que os aborígines americanos tiveram uma origem comum, no que ele chama o “sistema de consanguinidade e afinidade” que eles tinham. Diz assim: “As nações indígenas desde o Atlântico até as Montanhas Rochosas, e desde o oceano Ártico até o Golfo do México, com exceção dos esquimós, têm o mesmo sistema. É extenso e complicado tanto na forma geral como nos detalhes; e apesar de ocorrerem desvios desta uniformidade nos sistemas de diferentes famílias, as características fundamentais são em geral constantes. Esta identidade nas particularidades essenciais de um sistema tão notável serve para demonstrar que deve haver-se transmitido de uma mesma fonte original a cada família, junto com o sangue. Apresenta a evidência mais conclusiva, até agora descoberta, da unidade de origem das nações indígenas nas regiões mencionadas” (“Ancient America” pág. 66). 

O sistema feito por Bradford das conclusões que se referem à origem e características dos americanos antigos afirma que “todos eram da mesma origem, ramificações de uma mesma raça, e tinham costumes semelhantes” (“American Antiquities”, sob o título “Conclusions”, pág. 431) 

A linguagem Escrita dos Antigos Americanos – A estas evidências seculares da autenticidade do Livro de Mórmon, podemos agregar a conformidade que existe entre o livro e as descobertas relativas aos idiomas escritos desses povos antigos. O profeta Néfi declara que gravou seu relato sobre as placas “na língua dos egípcios” e também nos diz que as placas de latão de Labão estavam escritas no mesmo idioma (Mosias 1:4). Mórmon, que resumiu os volumosos escritos de seus predecessores e preparou as placas das quais foi feita a tradução moderna, também se valeu de caracteres egípcios. Seu filho, Morôni, que terminou a obra, assim afirma; porém, reconhecendo a diferença que havia entre o idioma escrito em seus dias e o que se achava nas primeiras placas, atribuiu a mudança à alteração natural causada pelo transcorrer do tempo e disse que sua própria narrativa e a de seu pai foram escritas em “egípcio reformado” (Mórmon 9:32). 

O egípcio, porém, não é a única linguagem oriental que está representada entre as relíquias da antigüidade americana; o hebraico ocorre ao menos com igual significação no que diz respeito a isto. É natural que os descendentes de Leí tenham usado a língua hebraica, já que eram da casa de Israel e tinham sido transladados para o continente ocidental diretamente de Jerusalém. Pelo que Morôni diz sobre o idioma usado nas placas de Mórmon, é evidente que os nefitas não perderam a habilidade de ler e escrever tal idioma: “E agora, eis que escrevemos este registro de acordo com nosso conhecimento, em caracteres denominados por nós egípcio reformado, sendo transmitidos e alterados por nós segundo nossa maneira de falar. E se nossas placas tivessem sido suficientemente grandes, teríamos escrito em hebraico; mas o hebraico também foi alterado por nós; e se tivéssemos escrito em hebraico, eis que nenhuma imperfeição encontraríeis em nosso registro.” (Mórmon 9: 32-33) 

Foram tomados os seguintes exemplos de uma recompilação muito instrutiva que fêz o Élder George Reynolds. Muitos dos primeiros escritores espanhóis declaram que os nativos de certas partes do país falavam um hebraico corrompido. “Las Casas assim assegura, referindo-se aos habitantes da ilha de Haiti. Latifu escreveu uma história na qual afirma que o idioma caribenho era essencialmente hebraico. Isaac Nasci, um erudito judeu de Suriname, referindo-se ao idioma dos habitantes das Guianas, diz que todos os substantivos são hebraicos”. Os historiadores espanhóis anotaram o descobrimento de caracteres hebraicos no continente ocidental. “Malvenda diz que os nativos de São Miguel tinham umas lápides, desenterradas pelos espanhóis, que continham várias inscrições em hebraico”. (“The Language of the Book of Mormon”, em “The Contributor”, tomo 17, p., 236) 

Em todos estes escritos os caracteres e linguagem são semelhantes à forma mais antiga do hebraico e não têm nenhum dos símbolos vocais e letras finais que foram acrescentados ao hebraico do continente oriental depois que os judeus regressaram do cativeiro babilônico. Isto está de acordo com o fato de que Leí e sua colônia saíram de Jerusalém pouco antes desse cativeiro e, por conseguinte, antes que se tivesse efetuado qualquer alteração do idioma escrito. 

Outra Prova – Nenhum leitor do Livro de Mórmon deve contentar-se com as evidências que aqui foram citadas, no que diz respeito à autenticidade desta obra que se tem por escritura sagrada. Foi prometido um meio muito mais seguro e eficaz para determinar a veracidade ou falsidade deste volume. Assim com as outras escrituras, o Livro de Mórmon só pelo espírito da escritura pode ser entendido; e este espírito não se obtém senão como um dom de Deus. Entretanto, esse dom foi prometido a todos os que o buscam. Recomendamos pois, a todos, o conselho do último escritor da obra, Morôni, o cronista solitário que selou o livro e que mais tarde foi o mensageiro que o revelou: “Eis que desejo exortar-vos, quando lerdes estas coisas, caso Deus julgue prudente que as leais, a vos lembrardes de quão misericordioso tem sido o Senhor para com os filhos dos homens, desde a criação de Adão até a hora em que receberdes estas coisas, e a meditardes sobre isto em vosso coração. E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo. E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas. E tudo o que é bom, é justo e verdadeiro; portanto nada que é bom nega o Cristo, mas reconhece que ele é. E pelo poder do Espírito Santo podeis saber que ele é; portanto eu vos exorto a não negardes o poder de Deus, pois ele opera com poder, de acordo com a fé dos filhos dos homens, o mesmo hoje e amanhã e para sempre”. (Morôni 10: 3 – 7) 

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