NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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sábado, 26 de junho de 2010

GEOGRAFIA - Reflexões Sobre Geografia e O Livro de Mórmon

BEN L. OLSEN
www.ancientamerica.org

Tradutor Elson C Ferreira, Curitiba/Brasil 
de.jerusalem.as.americas@gmail.com

Tendo alcançado algum conhecimento e familiaridade com a geologia do México, Guatemala e Belize durante o meu trabalho na Shell Oil Co. como geólogo petroleiro, eu me interessei pelos esforços do Dr. Joseph L. Allen e suas hipóteses em seu livro "Exploring the Lands of the Book of Mormon," (Explorando as Terras do Livro de Mórmon,1989, ainda não traduzido para o português).
Só depois de minha esposa e eu termos viajado pelo México e Guatemala com Allen, que percebi a quantidade de indícios no Livro de Mórmon a respeito das características físicas, elevações, nomes, locais, a geografia e a geologia, que podem ajudar a determinar a localização das terras do Livro de Mórmon. Aqueles que se interessarem por uma breve avaliação de alguns desses indícios relativos à geologia desses países, podem achar útil o seguinte artigo.

Mudanças na Face da Terra Durante a Crucificação de Cristo

Através dos anos eu conheci pessoas que se tornaram “autoridades instantâneas” sobre geologia, depois de lerem em 3 Néfi 8:12 que “toda a face da terra foi mudada", e no versículo 17 que “a face de toda a terra ficou desfigurada", e no versículo 18, que “as rochas se fenderam ao meio; elas foram despedaçadas em toda a face da terra" durante os três horas em que Cristo ficou na cruz.
Declarações concernentes a estas escrituras vão desde "as dobras nas rochas do Cânion de Provo, perto de Bridal Veil Falls se formaram durante este tempo" até "Veja as Montanhas Rochosas – elas se formaram enquanto Cristo esteve na cruz". Alguns têm sugerido que todas as montanhas do mundo foram lançadas no ar durante este tempo. Outros afirmam que realinhamentos e deformações dos continentes foram tão completos que seria impossível, depois da crucificação, reconhecer alguma característica geográfica que tenha sido mencionada antes desta destruição.

Apesar destas declarações terem sido feitas por pessoas bem intencionadas, não há evidências geológicas para substanciar qualquer destes clamores acima. Os continentes estão se movendo constantemente e mudando sua forma devido às placas tectônicas, mas numa velocidade tão lenta que é imperceptível ao homem, exceto a instrumentos extremamente delicados. Não há dúvida de que a maioria, senão todas as montanhas não-vulcânicas nas Américas do Norte, Central e do Sul, chegaram a existir há muitos milhões de anos. As pregas de suas camadas são evidência das forças compressivas exercidas sobre elas durante seus movimentos ascendentes e laterais. As Rochosas foram empurradas para sua posição atual bem antes, por exemplo, do último período glacial, quando o Lago Bonneville (quase 15.000 anos atrás) inundavam muitos dos vales do oeste de Utah, e espessa placa de gelo se estendia desde o pólo norte, e tão longe ao sul quanto o Missouri e Nova York.

 Destruição nas Américas

A qual região as escrituras de 3 Néfi 8 se referiam? Eu acredito que a resposta seja óbvia depois de revermos os versículos que incluem “face da terra” no Livro de Mórmon. A lista de escrituras anexa indica que as frases que mencionam “face" ocorrem em todos os livros do Livro de Mórmon, exceto em Ênos, Ômni e Palavras de Mórmon, pelo menos 105 vezes. Destas 105 referências, 83 ou 79% delas se referem especificamente às terras do povo do Livro de Mórmon. Elas estão alistadas com notas escriturísticas ao lado. Os demais 22 ou 21% se referem à terra relativa à dispersão e/ou coligação do povo do convênio do Senhor, à primeira e segunda vinda de Cristo, as criações de Deus, as primeiras viagens dos Jareditas, e a destruição dos iníquos.

No Livro de Helamã e nos primeiros onze capítulos de 3 Néfi, um período de 84 anos, passando por cinqüenta anos antes do nascimento de Cristo até sua aparição ressuscitada no templo de Abundância, todos exceto um, dos 29 frases “face da terra” se referem especificamente ao domínio dos Nefitas e Lamanitas. Por exemplo, Helamã 3:8 diz que o povo começou a "cobrir a face de toda a terra, desde o mar do sul até o mar do norte, do mar do oeste até o mar do leste". Também em Helamã 11:20, "o povo de Néfi começou ... a cobrir toda a face da terra, tanto ao norte quanto ao sul, do mar do oeste até o mar do leste." E em 3 Néfi 1:17 é dito que "todo o povo de toda a face da terra do oeste até o leste, tanto na terra do norte quanto na terra do sul ... caiu por terra". O único versículo que não se refere especificamente às terras do Livro de Mórmon durante seu tempo, é um comentário feito por Mórmon a respeito da total dispersão e coligação de Israel.

Baseado na revisão das 105 referências escriturísticas, é minha opinião que a completa destruição descrita em 3 Néfi por Néfi, e depois resumido por Mórmon, ocorreu nas terras onde os Nefitas e Lamanitas viviam e com as quais eles estavam familiarizados, suas palavras não tinham a intenção de descrever deformações estruturais em escala global. A expressão "face da terra, face de toda a terra" etc, parecem ter sido frases comuns usadas pelos autores do Livro de Mórmon para descrever a área de sua habitação.

Os eventos descritos em 3 Néfi durante a morte do Salvador não tinha nada a ver com a criação das rochas do Cânion de Provo ou com a formação da cadeia de montanhas de Rocky-Andean e outras das maiores cadeias de montanhas no mundo, apesar de que é altamente provável que tremores de terra tenham sido sentidos através do mundo, como sinal de que o ato da expiação havia sido completado.

Onde quer que sejam, as terras do Livro de Mórmon naquela área passaram por um período terrível durante a crucificação do Salvador. Intensos terremotos não mudam dramaticamente a forma de continentes; eles raramente movem rochas bem cimentadas por mais que umas poucas polegadas, entretanto, mesmo pequenos movimentos em conjunto com erupções vulcânicas e violentas tempestades elétricas podem gerar forças suficientes para causar morte e destruição através de aberturas da terra, ventos, deslizamentos de terra, desmoronamentos, inundações, incêndios, abalos, relâmpagos e deposição de lava, cinzas e grossos escombros vulcânicos explosivos. A despeito da enorme destruição, algumas cidades permaneceram, mesmo que danificadas (3 Néfi 8:15), e muitos dos justos sobreviveram para ver a devastação do que sobrou na "face" de seu país, para refazer suas casas, para dar as boas-vindas ao Salvador no templo de Abundância, reconstruir suas cidades, incluindo Zaraenla, e começar a vida novamente nas terras do sul e do norte, sua terra prometida.

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