NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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sábado, 26 de junho de 2010

ARQUEOLOGIA - Rio de Néfi, Comentário Arqueológico Num Velho Diário

Ross T. Christensen
Professor emérito de arqueologia e antropologia da 
Brigham Young University, Provo, Utah. Apresentado no
33º Simpósio Arqueológico Annual de Arqueologia das Escrituras 
BYU - 28 de Setembro de 1984. Ampliado e revisado.

Tradutor de Elson Carlos Ferreira - Curitiba/2007
dejerusalemasamericas@gmail.com

O LOCAL CHAVE da geografia do Livro de Mórmon pode ter sido identificado pelo profeta Joseph Smith, de acordo com uma anotação num diário em 1881, registrando um sermão de um velho homem que havia ouvido tal identificação dos lábios do Profeta 40 anos antes.
O dono do diário era Charles Lowell Walker. Sob a data de 26 de Janeiro de 1881, ele escreveu: 
Br McBride também relatou que Joseph descreveu com sua bengala na areia a trilha que os santos fariam para as Montanhas Rochosas.... 
Disse que faríamos paradas e construiríamos assentamentos ao longo de todo o caminho para o velho e novo México, até cruzarmos o Istmo e voltarmos ao local onde o Convênio foi quebrado (isto é, a Ordem Unida) pelos velhos nefitas. Falou do Grande Templo na América Central (incompleto), mostrando marcas do trabalho parado duraate a Maldição da construção; que os pilares e outras pedras curiosamente trabalhadas foram encontradas na pedreira a pouca distância do Templo correspondendo exatamente com aqueles já encaixados e colocados na grande e maciça estrutura, mostrando claramente que algun evento inesperado ocorreu causando uma parada nos trabalhos. Este templo estava situado perto do Rio Copan, antigamente chamado de Rio de Néfi. (Larson and Larson, eds., 1980, Vol. 2, pp. 524-525; palavras entre parêntesis inseridas por Larson and Larson)

Esta anotação foi trazida à minha atenção pela primeira vêz em 1967 por John H. Wittorf, um aluno de química e arqueologia na Universidade Brigham, ex-presidente da SEHA Campus Chapter, e autor de dois documentos envolvendo histórias SUD, lidos anteriormente no Simpósio Anual sobre Arqueologia das Escrituras (1968 e 1969, publicado em Newsl. and Proc., 113.0 e 123.0, respectivamente). Naquela época eu considerei o assunto extraordinário, mas apenas escrevi uma página a respeito dele e depois tirei-o do pensamento.

Então, em 1978 outro amigo, que prefere permanecer anônimo, independentemente do Dr. Wittorf, deu-me uma cópia do mesmo registro daquele diário. Desta vez eu fiquei imediatamente impressionado com seu potencial de avançar no entendimento da geografia e da arqueologia do Livro de Mórmon, assumindo-o como sendo de grande ajuda.

Desde então este diário tem sido publicado (Larson and Larson, eds., 1980). Pequenas mudanças de pontuação, etc, têm sido feitas para melhorar sua leitura. Esta versão é que foi usada no presente estudo.
Três pessoas estão envolvidas na história de como esta informação chegou a nós: Charles Lowell Walker, Reuben McBride, e Joseph Smith, Jr.

Charles Lowell Walker, de origem britânica, residiu em Fillmore, Utah. Ele manteve fielmente um diário que finalmente chegou a dez volumes.  Era sua prática registrar sumários de sermões dos quais ele gostava especialmente. Em 1881 ele registrou a passagem acima em seu diário, de um serão proferido por Reuben McBride.

Reuben McBride havia sido um membro do Acampamento de Sião, que marchou em 1834 de Kirtland, Ohio, até as defesas SUDs em Missouri. Ele também havia sido a primeira pessoa a ser batizada pelos mortos quando essa prática foi instituída em Nauvoo. (Jenson, 1901-36, Vol. 4, p. 690). Ele deve ter sido bastante conhecido do profeta Joseph Smith e portanto falou em seus sermões de assuntos dos quais tinha conhecimento pessoal. Walker menciona-o várias vezes em seu diário, referindo-se a ele como "irmão McBride" e algumas vezes como "Pai McBride." Ele nasceu em 1803 e. portanto, teria 77 ou 78 de idade quando Walker registrou seu sermão.

Joseph Smith, Jr., aparentemente fez a declaração que McBride atribuiu a lele durante a última semana de sua HARRIED vida de seu martírio em 27 de Julho de 1844, com a idade de 38 anos. Parece, entretanto, que ele fez tais declarações várias vezes além das instâncias registradas aqui.

MEMÓRIAS DE HANCOCK

O diário de Walker é atualmente uma das duas fontes que chegaram ao meu conhecimento que não apenas inclui o profetizado êxodo para a região inter-montanhosa no oeste dos Estados Unidos, mas também leva-o bem além, ao sul, até mesmo tão longe quanto a Mesoamérica. A outra fonte são memórias de Mosiah Lyman Hancock que eu conheci há quase 30 anos. Ambos parecem datar das últimas semanas da vida do Profeta Joseph Smith.

Em suas memórias, ditadas quando idoso, Hancock diz que Joseph Smith, visitando seus pais em Nauvoo quando ele, Hancock, era um garoto de dez anos de idade.

No dia seguinte [i.e., em Junho 19, 1844] o Profeta veio à nossa casa e parou em nossa carpintaria e parou perto do torno. Eu fui e entreguei meu mapa a ele. "Então", disse ele, "eu mostrarei a você as viagens desse povo... Você viajará para o oeste até chegar ao Grande Vale do Lago Salgado... mas os Estados Unidos não ter receberão com as leis que Deus deseja que você viva, e você terá que ir para onde os nefitas perderam seu poder. Eles trabalharam na Ordem Unida por 166 anos. Ele disse que [ainda] não viajaríamos para a forma da ferradura, pois lá [na área inter-montanhosa] esperaríamos a ação do governo. Colocando seu dedo no mapa onde penso que Snowflake, Arizona, fica situada, ou poderia ter sino no México, ele disse, "O governo não te receberá... e aqueles que estão desejosos de viver as leis de Deus terão que ir para o sul".(Hancock, p. 19)

QUANTO O PROFETA SABIA?

Algumas perguntas têm sido feitas, tais como: "Quanto o profeta realmente sabia a respeito da geografia do Livro de Mórmon?", ou "Quanto do que ele sabia ele tinha liberdade de revelar aos seus seguidores?"

As placas do Livro de Mórmon foram apresentadas a Joseph Smith em 22 de Setembro de  1823, mas não foi senão até o quarto aniversário dessa data, isto ém em 1827, que ele finalmente chegou à sua posse. O que ele ficou fazento durante esses quatro anos e por que essa longa espera antes que pudesse receber essa importante responsabilidade de traduzi-las para o idioma inglês?

Um estudo recente documenta não menos que 22 visitas do anjo Morôni a Joseph, bem como aparições de Néfi, Alma, Mórmon e outras pessoas notáveis do Livro de Mórmon (Woodford, 1978). A maioria destas visitas foi feita, sem dúvidas, durante este período de quatro anos e muitas delas foram registradas por Lucy Mack Smith, mãe do Profeta, a qual, em sua idade avançada ditou a biografia de seu controverso filho (Smith, 1979).

No capítulo 18 (pp. 79-85) da biografia da mãe dos Smiths é de interesse particular. Começa em 22 de Setembro de 1823 quando o jovem Joseph fala à sua mãe sobre as visitas de Morôni na noite anterior. Então, naquela tarde e na seguinte, ele reuniu toda sua família para ouvi-lo.

Desta época em diante, Joseph continuou a receber instruções do Senhor e nós continuamos a reunir as crianças a cada tarde com o propósito de ouvir enquanto ele nos dava uma relação do mesmo. Eu atrevi-me a pensar que nossa família apresentava um aspecto tão singular quanto qualquer outra que jamais viveu sobre a face de toda a terra, assentados num círculo, pai, mãe, filhos e filhas, dando a mais profunda atenção a um menino de dezoito anos de idade, que jamais havia lido a Bíblia durante toda sua vida: ele parecia muito menos inclinado ao exame dos livros do que o restante de nossos filhos, mas muito mais dado à meditação e estudo profundo.

Durante nossas conversações à tarde, Joseph ocasionalmente nos dava alguns dos mais divertidos recitais que se pode imaginar. Ele podia descrever os antigos habitantes deste continente, suas roupas, modo de viajar e os animais sobre os quais viajavam; suas cidades, construções, com cada detalhe; seu modo de guerrear e também sua adoração religiosa. Isto ele fazia com tanta facilidade, me parece, como se ele tivesse vivido toda a sua vida entre eles. (Smith, pp. 82-83)

Por que decorreriam quatro anos, de 1823 a 1827, entre a primeira vêz que o jovem Joseph viu as placas e o tempo em que elas chegaram à sua posse? Pelo menos o germe de uma resposta foi colocado na minha cabeça há muito tempo numa aula do Dr. Sidney B. Sperry. Os quatro anos entre 1823 e 1827 foram um período de treinamento para o jovem profeta. Ele havia se familiarizado com a civilização nefita a fim de completar o grande trabalho de tradução que tinha pela frente, por isso as visitas de vários personagens da história do Livro de Mórmon, especialmente de Morôni. Também, quando Joseph contou essas coisas a sua família, a prática que ele tinha em relatar tais informações aos outros sem dúvida seria uma vantagem quando, mais tarde, necessitaria procurar tais palavras com as quais traduzir.

Falando das revelações de Doutrina e Convênios, Orson Pratt nos últimos anos refletiu sobre a maneira de sua composição na mente do Profeta: "Joseph ... recebeu as idéias de Deus, mas vestiu as idéias com tais palavras, conforme vinhas à sua mente" (Minutes of the School of the Prophets, Salt Lake Stake, December 9, 1872, cfe. citgadas em  Woodford, 1984, p. 34). O mesmo também teria sido verdade antes, eu presumo, quando ele traduzia O Livro de Mórmon.

Ninguém que jamais tenha tentado traduzir de uma linguagem para outra saberia do que eu estou falando. Traduzir não é fácil; não é um processo mecânico. Mesmo com assistência divina não é um assunto de meramente olhar para uma passagem escrita numa linguagem e então, automaticamente receber uma tradução correta dela para outra língua. Você tem que procurar por palavras apropriadas com as quais me expressar.  Você tem que conhecer as civilizações que os dois idiomas representam e tanto maior o conhecimento que você tem a respeito delas tanto maior a sua vantagem para fazer uma correta e clara tradução. Eu acredito que esse era o tipo de treinamento que o jovem Joseph estava recebendo durante aqueles quatro anos entre 1823 e 1827. De qualquer modo, parece que o Profeta tinha conhecimento a respeito da antiga civilização nefita.

Por que, então, ele não falou mais aos seus seguidores a respeito de tais assuntos tais como a geografia do Livro de Mórmon? Porque eles ainda não estavam prontos para isso e porque não era no que a Igreja devia se envolver naquele estágio de desenvolvimento. Parece, entretanto, que pelo menos umas poucas pistas foram deixadas, para talvez estimular a nós, da presente geração, a um futuro inquirimento.

(Incidentalmente eu não sou alguém que aceite tudo o que Joseph Smith já disse ou escreveu como automaticamente sujeitante; ele era um ser humano como o restante de nós, mas eu acredito que ele tinha INSIGHTS especiais e seja o que for que tenha dito, mesmo com respeito à geografia do Livro de Mórmon, é digno de cuidadosa consideração.)

Precisamos ser cautelosos, entretanto, ao usar tais informações como aquelas contidas nos registros de Walker. Precisamos entender as limitações sobre as quais estamos. Temos no caso de Walker uma evidência tripla: Joseph Smith fez uma declaração sobre a geografia do Livro de Mórmon; Reuben McBride ouviu e uns 37 mais tarde deu um sermão contando o que tinha ouvido; Charles Lowell Walker escreveu um resumo desse sermão em seu diário, o que seria chamado de evidência de "ouvir dizer". Nós preferiríamos, certamente, ter uma testemunha ocular ou, como alguém diria, trabalhar com uma fonte primária.

De acordo com os procedimentos científicos é bastante permitido fazer-se suposições e então testá-las, mas deve-se conscientizar-se de que são suposições. O que estou lhes dando é baseado em duas suposições:
1 - Joseph Smith sabia do que estava falando, e

2 - Walker registrou corretamente o que o Profeta disse. Se novas evidências surgirem com relação ao assunto, precisaremos ajustar nosso pensamento a a respeito.

DECLARAÇÕES ARQUEOLÓGICAS


As poucas linhas escritas por Charles Lowell Walker, um pioneiro do Século XIX , até onde eu sei sem treinamento em métodos científicos, e quase certamente sem conhecimento em arqueologia, podem, no entanto, ser testados pela ciência em alguns pontos. Eu gostaria agora de apresentar novamente diferentes palavras e comentar brevemente as declarações de Walker. Assim fazendo, também usarei umas poucas palavras do registro de Hancock.

1. A área geral em consideração ficava localizada além - o que significa, eu presumo, a leste ou sudoeste - do istmo, e este deve ser o Istmo de Tehuántepec; não pode ter sido escrito a respeito do Istmo do Panamá(veja o mapa; cf. Newsl. and Proc., 147.0, and Christensen, 1963, pp. 194-195).

Então assim temos um quadro dos santos viajando para as Montanhas Rochosas, então continuando para "a forma da ferradura" (Hancock), fazendo assentamentos por todo o caminho de volta "onde os nefitas perderam seu poder" (Hancock), ou "para o lugar onde o Convênio foi quebrado pelos antigos nefitas" (Walker). Se traçarmos uma linha aproximadamente no lugar com a forma de uma ferradura num grande mapa, começando em Nauvoo, podemos fazer passá-la através do Vale do Lago Salgado e ao sul, para a América Central, a outra ponta estendendo-se passa pelo Istmo de Tehuántepec, pela Guatemala e além. 
Além disso, no caminho às colônias mórmons em Chihuahua, na parte norte do México, os santos dos últimos dias plantaram, de fato, pelo menos dois assentamentos de curto prazo muito além, ao sul da Guatemala, em 1902 (Hooper, 1983, pp. 120, 134, 216) e 1904 (Taylor, 1964, pp. 91-92).

2. O Rio Copán foi "antigamente chamado de Rio de Néfi". Este rio é um afluente do Rio Chiquimula, que corre para Motagua, o qual por sua vez deságua no Mar do Caribe. Também o Rio Julingo, atualmente considerado um afluente do Rio Copán, pode ter sido tanto antigamente quanto atualmente, parte daquele rio. (veja os mapas)

É bom lembrar que quando Joseph Smith falou do Rio Copán como o Rio de Néfi, ele tinha lido havia menos de dois anos antes, o registro a respeito da exploração de John Lloyd Stephens entre as ruínas Maias, nas quais o famoso local de Copán, situado ao lado de um pequeno rio de mesmo nome, figurou proeminentemente (Stephens, 1842; cf. Newsl. and Proc., 144.1, p. 3). Quanto ao próprio rio, Stephens fala-nos apenas que ele possui muitas corredeiras e era ladeado por muita folhagem.

3. Um grande templo ficava localizado ao lado ou próximo ao Rio Copán, e a pedreira da qual o material da construção veio ficava localizada a "uma pequena distância do templo". Além disso, as pedras esculpidas que deviam ser encontradas na pedreira correspondiam exatamente àquelas já colocadas no lugar na "grande e maciça" mas "inacabada" estrutura.

4. Aquele templo, evidentemente, estava em construção no tempo em que os nefitas quebraram seu convênio. Este ato de apostasia foi, sem dúvida, o "evento inesperado" que interrompeu os trabalhos. Agora, quando isto pode ter acontecido? Acontece que o escritor do diário fez uma nota de rodapé a respeito desse ponto. Ele coloca um X seguindo a palavra "quebrou", então no final da página outro X e entra com as palavras "ordem unida". Esse termo não aparece no Livro de Mórmon, mas qualquer ouvinte do profeta teria entendido bem o suficiente o que ele intencionava dizer. De acordo com 4 Néfi 1:24-26, no ano de 201 A.D. os nefitas "não mais tiveram seus bens e suas posses em comum". Esta data, incidentalmente, contando do ano 35 A.D, corresponde exatamente à asserção do Profeta, conforme registrado por Hancock, de que os nefitas "trabalharam na Ordem Unida por 166 anos". (veja 3 Nefi 26:19; 4 Nefi 1: 1-3)

(Lembremos que os cristãos no Novo Testamento também tinham todas as suas coisas em comum. Veja Atos 2:44, 4:32-35.)

DECLARAÇÕES NÃO FEITAS

Também é importante observar duas declarações que as anotações do diário não fazem:
1. Não há uma declaração explícita de que a terra de Néfi era COTERMINOUS com, ou ficava dentro, ou estava conectada com a foz do Rio de Néfi, apesar de que essa seria uma bela suposição a fazer. Igualmente não há alguma declaração explícita de que a cidade de Néfi ficava localizada dentro ou próxima dessa desembocadura, apenas que aquele grande templo ficava localizado perto do Rio Copán. Mas, novamente, que aquele templo estaria intimamente associado com a cidade, parece ser uma bela suposição a fazer. 
(Finalmente, nem a terra nem a cidade de Néfi são mesmo mencionadas nas anotações do diário, nem menção é feita de qualquer "Rio de Néfi" no Livro de Mórmon).

2. Não há declarações na passagem citadas do diário de Walker, de que as famosas ruínas da chamada Copán eram as ruínas da cidade de Néfi, apesar de que essa última não deveria estar situada muito longe dalí. Copán era uma grande cidade explorada em 1840 por John Lloyd Stephens e Frederick Catherwood'. A fascinante história de suas aventuras foram contadas muitas vezes. (e.g., Von Hagen, 1947).

Que as ruínas de Copán podem ser aquelas da cidade de Néfi do Livro de Mórmon é algo que a mente poderia facilmente pular, mas isto não é provável por uma série de razões. Copán tem sido muito investigada desde os dias de Stephens e Catherwood. Ela data do tempo errado, isto é, dos períodos Médio e Pós-clássico (c. 400-900 a.C), i.e., a uma era posterior à queda da nação nefita. Mesmo apesar de as escavações de 1983 trouxeram à luz sepulturas do período Pré-clássico (Goldstein, 1984, p. 870), ainda parece improvável que este local como conhecemos agora seja a terra de Néfi.

ALGUMAS HIPÓTESES

Eu gostaria de propor as seguintes hipóteses baseadas nas anotações do diário:
  1. Que a terra de Néfi deve estar associada de alguma maneira ou outra à fóz do Rio Copán mostrada no mapa, a qual sem dúvida foi parte daquela terra. 
  2. A terra de Néfi fica em algum lugar dentro da foz e próxima de um rio. 
  3. O grande templo ficava localizado dentro o perto da cidade e ao lado do rio.
  4. O local do templo foi escolhido e a construção começou durante a "Era Dourada" dos nefitas, isto é, de 34 a 201 d.C. em memória da localização original do templo de Néfi.
Isto parece se encaixar, numa época de prosperidade dos nefita, construir um antigo templo numa grande escala. Referindo-se ao sexto século antes de Cristo, Néfi escreveu que construiria um templo: "E eu, Néfi, construí um templo; e construí-o conforme o modelo do templo de Salomão, só não tendo sido construído com tantas coisas preciosas, porque elas não existiam naquela terra; portanto não podia ele ser construído como o templo de Salomão. O tipo de sua construção, porém, era igual ao templo de Salomão; e sua execução era consideravelmente esmerada". (2 Nefi 5:16)

Na "Era Dourada" dos nefitas este templo original já devia ter sido destruído havia muito tempo, pois a cidade de Néfi havia passado para as mãos dos lamanitas mais de uma vez e se tornado sua capital.

O TESTE ARQUEOLÓGICO

Os melhores meios de testar tais hipóteses sem dúvidas seria empreender um projeto de pesquisa arqueológica na foz do Rio Copán. Já existe um considerável corpo de literatura a respeito das próprias ruínas de Copán, em vista do fato de que campo de trabalho responsável tem acontecido desde a expedição de Stephens e Catherwood em 1839-40 (Stephens, 1842), mas afora as investigações dos restos Período Clássico, pouco campo de trabalho parece ter sido tomado naquele vale. O registro de uma expedição americana/dinamarquesa de aproximadamente 50 anos atrás referir-se a "bastante numerosos locais arqueológicos" que ficam na parte superior do Rio Copán. (Yde, 1938, p. 43). O teste do campo arqueológico então, além do que já tem sido feito na própria Copán, parece ser o próximo passo.
Quais alguns dos benefícios que poderiam se seguir de um resultado positivo neste teste? 
1. Ajudaria na elaboração da geografia do Livro de Mórmon. Identificações específicas poderiam incouir a localização da terra e da cidade de Néfi. Isto também orientaria a questão de qual dos dois rios discutidos desde estes dois últimos anos -o rio Grijalva ou o Usumacinta- pode ser o rio Sidon do Livro de Mórmon (Newsl. and Proc., 151.2).

2. As ruínas de Néfi mostrariam uma longa seqüência de ocupação humana e isto seria de especial interesse aos arqueólogos profissionais, pois os ajudaria a determinar seus períodos de tempo.

O texto básico, falando da luta de Néfi e seus seguidores do sexto século antes de Cristo diz:

"E tomamos nossas tendas e tudo o que nos foi possível e viajamos no deserto pelo espaço de muitos dias. E depois de termos viajado pelo espaço de muitos dias, armamos nossas tendas. E meu povo quis dar ao lugar o nome de Néfi; portanto nós o chamamos Néfi. E todos os que estavam comigo decidiram chamar-se a si mesmos o povo de Néfi". (2 Nefi 5:7-9)

O fato de que eles armaram suas tendas sugere que o local ainda não estava ocupado quando os nefitas chegaram ali. De fato, ele poderia nunca ter sido ocupado. Então, quando eles o colonizaram e começaram a expandir-se, ele se tornou sua principal cidade.

Depois de se passarem vários séculos, o local pode ter sido abandonado. Aproximadamente no ano 200 a.C a colônia de Zenife, que retorna, encontrou-a ocupada pelos lamanitas e parcialmente em ruínas. (Mos. 9:4-8). Então, ainda mais tarde, a cidade se tornou a principal capital dos lamanitas. ( A cidade de Néfi, lembre-se!) Temos poucas informações a respeito da cidade através dos primeiros dois séculos depois de Cristo, mas na última era de bem-estar religioso e até a último registro de Morôni no ano 421 d.C, encontramo-la mais uma vêz como a capital lamanita. Ela deve ter tido uma grande variedade de história arqueológica.

3. A cidade de Néfi ficava tão bem situada que uma escavação de suas ruínas pode revelar evidências de uma mistura de seus habitantes com os últimos sobreviventes dos jareditas. A existência de tais sobreviventes seguindo a grande e terminal guerra civil jaredita, talvez do sexto século antes de Cristo, foi discutida no nosso Simpósio Anual e citada nas publicações da nossa Sociedade algumas vezes. Além disso, para evidências convincentes dentro do próprio Livro de Mórmon, também existe uma boa quantidade de evidências arqueológicas.

A civilização "Olmeca" da arqueologia, estendendo-se desde antes do ano 1.500 a.C. até o final do sexto século antes de Cristo, tem sido comparada com os Jareditas pela maioria dos recentes estudos da arqueologia do Livro de Mórmon. Que vários grupos sobreviventes permaneceram para misturarem-se com os primeiros colonizadores de origem israelita tem sido largamente aceita. Indicações disto têm sido apontadas em estudos de M. Wells Jakeman desde 1946. (Cf. Newsl. and Proc., 150.0; 153.0, p. 8; Christensen, 1963, pp. 86, 101-102; Nibley, 1952, pp. 238-248.)

4. A terra de Néfi pode conter escritos em vários registros do Livro de Mórmon, especialmente se eles pudessem ser encontrados preservados em materiais duráveis tais como pedra, argila ou metal, inclusive, por exemplo, se pudessem ter sido escritos em hebreu arcaico ou com alfabetos derivados do idioma hebreu. Certamente não poderíamos esperar encontrar em ruínas que datassem da época do Livro, o moderno alfabeto hebreu usado atualmente para registrar aquela linguagem, já que ele veio ao uso para esse propósito até o tempo do cativeiro babilônico. Podem também aparecer exemplos de "egípcio reformado" (Mórmon 9:32). Além disso, se meu pensamento estiver correto, os escritos jareditas também podem ser encontrados lá.

Um documento recente enumera antigos sistemas de escrita (Sorenson, 1984). No documento está incluído um mapa mostrando 14 destes escritos, um dos quais remonta ao ano 1.000 antes de Cristo. A conclusão do autor é: "Estamos em terreno seguro quando dizemos que, em base de descobertas, muitas culturas mesoamericanas eram alfabetizados... desde, pelos menos o ano 1.000 antes de Cristo."
A descoberta de outros escritos antigos, o décimo quinto deles a ser encontrado na Guatemala, é registrada no último artigo do Newsletter and Proceedings (Christenson, 1984).

O GUEST ADDRESS do presente Simpósio Anual "Maya Hieroglyphic Decipherment-Its Current Status" delivered from this lectern earlier today pelo Dr. James A. Fox, apresentou abundantes evidências dos recentes progressos no entendimento da escrita Maia, de longe o mais conhecido dos antigos sistemas de escrita do Novo Mundo (veja abaixo, 158.1; ver também Newsl. and Proc., 157.1).

5. O campo de projeto aqui proposto, se nosso raciocínio estiver correto, pode localizar o grande templo do diário de Walker. Os detalhes mencionados constituem um direto desafio arqueológico: as esculturas e pilares do templo, e as rochas da pedreira que são exatamente similares às outras. Se pudermos encontrar tais características, é provável que tenhamos encontrado o lugar certo.

RUINAS JÁ VISITADAS?

De fato, um campo de exploração na região do "Rio de Néfi" tem sido feito por estudiosos da arqueologia do Livro de Mórmon. Trinta anos atrás, uma expedição à Mesoamérica liderada pelo Dr. Jakeman foi examinado na região de fronteira entre a Guatemala e o oeste de Honduras, o local de uma antiga cidade, possivelmente do período pré-clássico, na localidade onde ele havia previamente concluído ser a cidade de Néfi, de acordo com as informações do Livro de Mórmon. Isto foi durante a expedição de 1954 da BYU-SEHA, documentado brevemente no oitavo Simpósio Anual da Sociedade. (Christensen, 1963, p. 174) 
Quando o diário de Walker foi mostrado pelo Dr. Jakeman há quase um ano, em Setembro de 1983, ele demonstrou-se surpreso pois parecia confirmar algumas de suas conclusões anteriores. Bem antes da expedição de 1954 num grande mapa preparado no final do ano de 1940 para instruções em sala de aula, ele havia marcado as localizações aproximadas provisoriamente assinaladas para a terra de Néfi. Um reexame do mapa mostrou que a cidade de Néfi ficava na fronteira sudoeste da foz do Rio Copán, o que, de acordo com a recém descoberta anotação no diário, o Profeta Joseph Smith havia declarado ser o Rio de Néfi.

REFERÊNCIAS

Christensen, Ross T., ed.
1963 Progress in Archaeology: An Anthology. University Archaeological Society (now SEHA): Provo.
Christenson, Allen J.
1984 "A Possible Survival of the Quich6-Maya Script of Highland Guatemala," Newsletter and Proceedings of the SEHA, No. 157 (August), Article 157.0, pp. 1-6. Society for Early Historic Archaeology: Provo.
Goldstein, Lynne, ed.
1984 "Current Research: Honduras," American Antiquity, Vol. 49, No. 4 (October), pp. 870-871.
Hancock, Mosiah Lyman
195-? The Life Story of Mosiah Lyman Hancock. Salt Lake City. (A photomechanical reproduction of a typescript of the original.)
Hooper, Talana Smith, ed.
1983 A Century in Central. Central Centennial Book Committee: Central, Arizona.
Jenson, Andrew
1901-36 Latter-day Saint Biographical Encyclopedia. 4 vols. (Vol. 4 published by Andrew Jenson Memorial Association, Salt Lake City, 1936.)
Larson, A. Karl, and Katherine Miles Larson, eds.
1980 Diary of Charles Lowell Walker. Utah State University Press: Logan. 2 vols.
Nibley, Hugh
1952 Lehi in the Desert and the World of the Jaredites. Book craft: Salt Lake City.
Smith, Lucy Mack
1979 History of Joseph Smith, By His Mother. Bookecraft: Salt Lake City.
Smith, Lucy Mack
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Sorenson, John L.
1984 "Digging Into the Book of Mormon: Our Changing Understanding of Ancient America and Its Scripture," The Ensign, Vol. 14, No. 9 (September), pp. 26-37, and No. 10 (October), pp. 12-23. Salt Lake City.
Stephens, John Lloyd
1842 Incidents of Travel in Central America, Chiapas, and Yucatan. John Murray: London. 2 vols. (Editions also published by Rutgers University Press in 1949 and by Dover in 1969.)
Taylor, M. Harvey
1964 "Paul Henning, Early Latter-day Saint Archaeologist," in Papers of the Fifteenth Annual Symposium on the Archaeology of the Scriptures, pp. 90-93. Brigham Young University Extension Publications: Provo.
Van Hagen, Victor Wolfgang
1947 Maya Explorer: John Lloyd Stephens and the Lost Cities of Central America and Yucatan. University of Oklahoma Press: Norman.
Walker, Charles Lowell (See Larson and Larson, eds., 1980). Woodford, Robert J.
1978 "Book of Mormon Personalities Known by Joseph Smith," The Ensign, Vol. 8, No. 8 (August), pp. 12-15. 1984 "The Story of the Doctrine and Covenants," ibid., Vol.
Yde, Jens 14, No. 12 (December), pp. 32-39.
1938 An Archaeological Reconnaissance of Northwestern Honduras: A Report of the Work of the Tulane University Danish National Museum Expedition to Central America, 1935. Levin and Munksgaard-Ejnar Munksgaard: Copenhagen.