NOSSA MISSÃO

Divulga artigos de pesquisas científicas escritos por cientistas e pesquisadores SUD.s e não SUD.s, profissionais e amadores, a respeito da arqueologia, antropologia, geografia, sociologia, cronologia, história, linguística, genética e outras ciências relacionadas à cultura de “O Livro de Mórmon - Outro Testamento de Jesus Cristo”, uma das quatro obras padrão de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

O Livro de Mórmon conta a história dos descendentes do povo de Leí, (profeta da casa de Manassés), que saiu de Jerusalém no ano 600 a.C. (pouco antes do Cativeiro Babilônico) e viajou durante 8 anos pelo deserto da Arábia às margens do Mar Vermelho, até chegar na América (após 2 anos de navegação), desembarcando provavelmente em algum lugar da Mesoamérica (região que inclui o sul do México, Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e parte de Costa Rica), mais precisamente a região vizinha à cidade de Izapa, no sul do México, onde, presumem os estudiosos, tenha sido o local de assentamento da primeira povoação desses colonizadores hebreus .

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domingo, 27 de junho de 2010

GEOGRAFIA - Novo Candidato na Arábia para o Vale de Lemuel

George D. Potter
Foundation for Ancient Research and Mormon Studies (FARMS
Journal of Book of Mormon Studies, Volume 8, Número 1. 1999
www.nephiproject.com

Tradutor Elson Carlos Ferreira, Curitiba/Brasil, Janeiro/2004
A Descoberta [i][i]

Descobrir um rio de águas correntes na antiga terra de Midiã não era o que Craig Thorsted e eu tínhamos em mente naquele dia, em maio de 1995. De fato, ele e eu estávamos procurando por um candidato na Arábia para o Monte Sinai, quando nossa jornada tornou-se uma inesperada descoberta.
Nós havíamos chegado na cidade oásis de al-Bada’a para explorar os Poços de Jetro, o sacerdote de Midiã. Para obter autorização para entrar na área, nós paramos na prefeitura. O prefeito enviou um dos seus supervisores para mostrar-nos os locais e explicar sua história. O supervisor era orgulhoso da história da cidade e apelou para o relato de Qur’an para narrar as histórias de Moisés, Jetro, e da cidade al-Bada’a. Cumprimentando-me por meus conhecimentos a respeito de Qur’an, ele disse que se nós estivéssemos realmente interessados em Moisés, nós deveríamos visitar as Águas de Musa (Moisés) perto de Maqna, que é uma pequena e isolada vila que fica a 20 milhas a oeste de al-Bada, no Golfo de Ácaba.

O funcionário em al-Bada’a explicou-nos que, de acordo com a tradição local, Maqna havia sido o primeiro acampamento de Moisés depois que os israelitas atravessaram o Mar Vermelho na foz do Golfo de Ácaba. Ele disse que foi nas Águas de Moisés que o profeta havia tocado seu cajado na rocha e 12 fontes jorraram, uma para cada tribo (veja Qur-an 7:160). O funcionário, entretanto, temia que as fontes pudessem ter secado porque em anos recentes o governo havia colocado bombas em todos os poços naturais de Mídia.

Quando chegamos em Maqna, paramos num restaurante para perguntar a respeito das fontes. Norte-americanos deviam ser uma vista rara nesta vila remota, pois nosso caminhão foi imediatamente rodeado por crianças árabes curiosas que gritavam –“Ameriki.” O supervisor em al-Bada’a havia nos informado o nome de um contato em Maqna, o qual poderia nos mostrar as Águas. Pareceu-me que todos conheciam esse homem. Mas ele estava longe da vila.

Decidimos perguntar no primeiro prédio “oficial" que pudéssemos encontrar. Chegamos num grande complexo, transformado em sede da guarda costeira Saudita. Do portão, fomos levados para a sala do capitão, para uma entrevista. Depois de uma série de perguntas o capitão concedeu-nos permissão para visitar as Águas de Moisés. Ele explicou-nos que o lugar ficava a 12 milhas ao norte, junto a uma rota restrita da guarda costeira. Ele deu-nos permissão por escrito e prometeu-nos escolta militar.

(Foi só ma minha quarta viagem a este lugar, três anos e meio depois, que eu finalmente descobri que as Águas de Moisés que nós tínhamos ouvido valar em al-Bada’a ficava em Maqna mesmo. Por uma eventualidade, o capitão havia nos indicado o lugar errado, bem mais longe, ao norte e junto da costa. Alguém pode dizer que foi por pura sorte que chegamos, não às tradicionais Águas de Moisés, mas a outra fonte que facilmente nunca poderíamos ter encontrado. Eu considero esta experiência providencial. Teria sido por “erro”, sem querer, que nós topamos com o rio Lamã e o Vale de Lemuel?)

Enquanto nos dirigíamos ao norte de Maqna, a paisagem era típica, semelhante ao que eu já havia visto na orla do Golfo de Ácaba, do Mar Vermelho – planícies estéreis de areia e áridos vales rochosos. O cenário lembrava-me as palavras de Moisés: “que grande e terrível deserto, no qual havia serpentes ardentes, escorpiões e seca, onde não há água” (Deuteronômio 8:15). A menção de Néfi a respeito de um vale de rio, possivelmente com árvores frutíferas, plantas que produzem sementes e grãos, parecia-me totalmente fora de lugar (veja 1 Néfi 2:6; 8:1). Sim, esta é a área onde o Vale de Lemuel seria encontrado.

Oito milhas ao norte dali tivemos a primeira surpresa. O final da cadeia de montanhas que aqui formam o contorno da praia parece cair diretamente dentro das águas do Golfo de Ácaba. Só havia lugar suficiente para a estrada de terra passar entre os gigantes penhascos à direita e o golfo à esquerda. Nós seguimos por esta estreita estrada por outras quatro milhas, com ondas ocasionalmente quebrando sobre nosso caminho. Rodeando a base do penhasco, nós chegamos a uma vista verdadeiramente espetacular. Um magnífico “canyon” bem à nossa frente terminava numa enseada. O azul brilhante das águas claras do golfo e o céu emolduravam o cenário.

Decidimos caminhar pelo espetacular “canyon”. Depois de quase quatro milhas o vale se abriu num belo oásis, com vários poços e grandes arvoredos de atigas palmeiras. Entretanto, o que mais me chamava a atenção era o córrego que nascia no “canyon”, perto da sua margem superior e corria o vale, praticamente ao longo de todo o caminho para o mar. O pequeno rio deserto parecia fluir continuamente dia e noite, ano após ano. No tempo em que o Livro de Mórmon foi publicado pela primeira vez, a alegação de que um rio corria no árido nordeste da Arábia podia não ser investigada. Exploradores ocidentais não se aventuravam nesta área remota até bem depois de 1830.[ii][ii]

Hoje em dia já é bem diferente. Geólogos têm explorado toda a Arábia à procura de petróleo e água. O Ministério da Agricultura e da Água da Arábia Saudita, com a assistência do “U.S. Geological Survey (USGS)”, tem despendido os últimos 44 anos mapeando as fontes de água do reino. Seus estudos envolveram leituras sísmicas, observação aérea e terrestre, análise de fotos de satélite. Mas a descoberta dos cientistas a respeito da possibilidade de encontrar um rio de superfície não tem sido encorajadora; em vez disso, eles concluíram que a Arábia Saudita “pode ser o maior país do mundo sem qualquer rio, riacho ou córrego."[iii][iii]

Mas Leí falou de “um rio de águas” que “desaguava no Mar Vermelho” estava “continuamente correndo" (1 Néfi 2:6, 9). Como poderíamos reconciliar a descrição de Leí e as descobertas dos cientistas? Pode-se pensar que o clima era mais úmido no tempo de Lei, porém esta idéia vai contra o pouco que conhecemos a respeito dessa região através do relato bíblico (Êxodo 3:1)  e do conhecimento histórico meteorológico do Oriente Próximo.[iv][iv] Os cientistas dizem o seguinte a respeito da Arábia: “Os últimos 6000 anos têm sido marcados por... condições áridas, similares às que ocorrem no presente”.[v][v] Hugh Nibley também comentou, “alguns observadores pensam que esta área gozava de um pouco mais de chuva na antiguidade do que hoje em dia; todos concordam que as chances de mudanças no clima não têm sido consideráveis desde os tempos pré-históricos – ele foi, na melhor das hipóteses, quase tão ruim quanto é agora”.[vi][vi]

O que podemos razoavelmente dizer a respeito do rio Lamã mencionado no Livro de Mórmon? Primeiro: o rio certamente não era maior que um córrego, senão um povoado e um nome o teriam acompanhado.
Segundo: Leí deu um nome ao rio porque provavelmente ele não tinha um nome de que tivesse conhecimento (veja 1 Néfi 2:8). É difícil imaginar que qualquer fluxo substancial de água no Oriente Próximo não tivesse recebido um nome; isso implica que o riacho não chegava a tanto e que provavelmente era um fenômeno localizado.

Terceiro: o rio Lamã ficava no deserto (veja 1 Néfi 2:6), um lugar geralmente despovoado.

Quarto: as águas do rio Lamã desaguavam no mar (veja 1 Néfi 2:9) na área onde Leí havia acampado, a qual deveria ficar ao note do Mar Vermelho, perto do Golfo de Acaba.

Quinto: Néfi descreveu o riacho como “continuamente correndo” (1 Néfi 2:9).
Finalmente: o rio Lamã corria através de uma região geográfica característica que Lei chamou de Vale de Lemuel (veja 1 Néfi 2:6-10). Nossa primeira visita a esse local confirmou que o riacho no "canyon" preenche todos os critérios físicos.

O termo hebreu para “rio” entra em nossa avaliação para esse córrego por causa dos registros de Néfi. Há várias palavras que Néfi poderia ter usado (veja 1 Néfi 2:6; etc.). A maioria delas referem-se a qualquer corrente de água.[vii][vii] Estes termos poderiam significar rios sazonais que se enchem de água somente depois de uma tempestade, como o "Rio do  Egito" (Wadi El-'Arish). Elas também podem referir-se a grandes correntes fluindo continuamente, tal como o Rio Eufrates (veja Gênesis 15:18).[viii][viii] Seja qual for a palavra que Néfi usou e que foi traduzida para o inglês como “rio”, pode denotar um grande rio, um pequeno, mas contínuo fluxo, ou uma inundação sazonal. Sua escolha das frases “rio de águas” e “correndo continuamente” entretanto, parece apontar para um rio que flui mais ou menos todo o tempo, pelo menos durante o período em que eles estiveram acampados perto dele.

Quais são as características do vale através do qual corre o rio Lamã?

Primeiro: Leí descreveu-o como "firme, constante e imutável" (1 Néfi 2:10), termos que dão indícios de impressionantes características geológicas.

Segundo: o vale ficava localizado a distância de três dias de viagem (a pé ou de camelo) adiante da extremidade norte do Mar Vermelho (veja 1 Néfi 2:5-6).

E por último: o Vale de Lemuel alcançava o Mar Vermelho, pois Leí observou que a foz do rio desaguando no mar (veja 1 Néfi 2:8.) Assim, ele não era estritamente um vale interior, mas ele alcançava a praia. Quanto a este rio, nossas primeiras observações eram de que o vale que encontramos se encaixava nessas condições. O fato de que o rio e o "canyon" preenchem as condições registradas por Néfi para o “rio Lamã” e o “Vale de Lemuel”, convenceu-me de que nós bem podíamos ter descoberto estes pontos de referência do Livro de Mórmon. Nada que meus colegas e eu descobrimos subseqüentemente deu razão para mudarmos este ponto de vista.

Características do Vale

A grandiosidade do vale é difícil de descrever em palavras, ou mesmo representar em fotografias.  É uma estreita garganta cortada por uma enorme montanha de granito. Ela consiste de três partes; o vale superior (ou as águas de Moisés), o "canyon" de granito, e o baixo "canyon". O vale superior constitui-se de um oásis que se estende ao sul de um vale de doze milhas de comprimento – localidade conhecida como Wadi Tayyib al-Ism – que desce desde o norte (veja os mapas). O vale superior parece como uma jóia preciosa; espalha-se por aproximadamente uma milha quadrada, com várias centenas de palmeiras e 12 poços, que os moradores do local chamam de Águas de Moisés.

O vale superior termina enquanto que o longo rio vira a oeste e corre contra o penhasco de granito das montanhas costeiras. Mas em vez de formar uma barreira instransponível, como é comum, as montanhas costeiras são rompidas por um estreito "canyon".  Esta profunda fratura na borda da montanha de granito provê uma passagem para o mar, que eu chamo de "canyon" de granito.  Tim Sedor, um colega nos esforços de exploração, avaliou o comprimento do Wadi Tayyib al-Ism ao Golfo de Ácaba; ele concluiu que ela é de aproximadamente 1.200 metros.

Inundações-relâmpado no inverno são perigosas nesta parte da Arábia. Se a família Leí e Saria tivesse acampado aqui nos meses do verão, eles poderiam ter ficado à sombra do "canyon".  Durante os meses chuvosos do inverno, entretanto, eles poderiam sabiamente mudar-se do "canyon" para o bastante grande oásis que o vale superior oferece.  Climaticamente, a sombra providenciada pelas altas paredes do "canyon" de granito fornece um agradável ambiente durante todo o ano, mesmo durante o terrível calor no verão da Arábia. 

Apesar de que a viagem de Jerusalém tenha sido a parte mais fácil da viagem do grupo de Leí, ainda assim os membros da comitiva murmuraram. Lamã e Lemuel pensaram que iriam morrer (veja 1 Néfi 2:11). Mesmo no inverno, as temperaturas na Arábia aproximam-se dos 38 graus C. As reclamações dos filhos bem pode ter sido causada pela exposição direta à luz do sol e às extremas temperaturas

Um experiente observador que aconselha o exército Saudita apresentou algumas idéias sobre as dificuldades ambientais que Leí e sua família teriam encarado enquanto atravessavam esta terra. Baseado em sua experiência, ele aconselhou os pilotos acampados no deserto a primeiro encontrar proteção para a cabeça, depois procurar por água, e depois então procurar por comida. Ele notou que o sol do meio dia na Arábia pode matar em apenas algumas horas, uma pessoa que não tenha conseguido encontrar abrigo. Durante o verão a temperatura máxima diária nesta parte da Arábia fica entre 47 e 52 grausC.

Ao considerar o clima cruel, podemos começar a entender quão difícil a viagem de Jerusalém deve ter sido. Ela pode ter sido especialmente difícil para os habitantes de Jerusalém, particularmente se esta fosse sua primeira exposição às severas condições do deserto no verão. O cânion de granito teria oferecido um lugar ideal onde podiam esperar o verão passar antes de continuar. Ao mesmo tempo, ele ficava fora da rota sul, caso a participação de Néfi na morte de Labão chegasse ao conhecimento das pessoas que poderiam persegui-lo.

A parte final do Vale de Lemuel é o baixo cânion e a praia. O cânion de granito abre-se num plano terreno calcáreo uns poucos pés acima do nível do mar. Esta área plana na boca do "canyon" tem quase três oitavos de milha de comprimento. Esta é a parte mais impressionante do local. Aqui a altura das paredes do "canyon" eleva-se a aproximadamente 610 metros desde o chão.

O baixo cânion provê importantes indícios que tendem a confirmar que este pose ser o Vale de Lemuel.
Primeiro: Leí descobriu que o rio no vale “deságua no Mar vermelho”, isto é, no Golfo de Acaba (1 Néfi 2:8).  As paredes do nosso candidato ao Vale de Lemuel termina a 183 metros de distância das águas do golfo.
  Segundo, apesar de que o vale conduz um rio para o mar, quando Leí chegou a este vale (necessariamente da parte final, não pela costa) ele aparentemente não podia ver deste campo que o rio deságua no mar, pelo menos é o que se entende em 1 Néfi 2:6 e 9. Nosso candidato para o vale tem menos que 6.400 metros de comprimento, já suas paredes permitem ver o Mar Vermelho nos últimos 343 metros enquanto se desce para a costa. A bela praia cheia de palmeiras que finalmente se encontra é um cenário espetacular. (veja as fotos em Discoveris)e

Algo digno de nota é que quando o grupo de Leí estava se preparando para deixar o vale, Néfi escreveu a respeito do que o Senhor lhes havia dado, incluindo provisões. (veja 1 Néfi 16:11).  Neste local, tais provisões podem incluir peixe seco pescado no mar, tâmaras e bagas, encontradas inicialmente no vale superior, caroços de tâmaras (os árabes hoje em dia fazem café dos caroços de tâmara), grãos e, certamente água potável do rio.[ix][ix]

A Chegada e o Acampamento Junto às Águas

  Alguém pode perguntar quão facilmente uma pessoa pode chegar no cânion e ao rio enquanto viajando da extremidade nordeste do Mar Vermelho, a direção de Jerusalém, onde fica a atual Acaba. Pela descrição de Néfi, descobrimos que depois que sua família chegou ao Mar Vermelho eles continuaram durante outros três dias antes de montar acampamento (veja 1 Néfi 2:5-6). Uma estimativa razoável seria que eles viajaram entre 75 a 120 quilômetros durante aqueles três dias, de 25 a 60 quilômetros por dia, em média.[x][x]  O vale que nós descrevemos está bem acima de 113 quilômetros (pelo chão, não em linha reta) ao sul de Ácaba, bem dentro dos limites de nossa estimativa  baseada no registro de Néfi.

Um viajante pode chegar ao vale vindo do norte por duas ou três rotas (veja o mapa). A rota mais direta que se pode tomar fica a 71 quilômetros ao sul de Ácaba, na costa. Por ali pode-se chegar a uma cadeia de montanhas de aproximadamente 1.830 metros que bloqueia a viagem mais adiante.  Então é necessário virar ao leste próximo de Bir Marshah e subir por um longo wadi e oito milhas de comprimento, e finalmente subir uma montanha de aproximadamente 4.573 metros de altura. Tanto pessoas quanto animais de carga podem seguir facilmente por esta rota. A partir deste ponto, mantendo as montanhas costeiras à direita (oeste) uma pessoa pode viajar 32 quilômetros ao sul, ou mais, para o longo vale mencionado acima, o qual leva ao nosso vale superior e à frente do "canyon" de granito. A distância entre Ácaba e o "canyon" é de quase exatamente 119 quilômetros.

Outra rota, muito utilizada em tempos antigos, segue a moderna auto-estrada de Ácaba. Ela vai de Wadi Umm Jurfayn e segue ao sul, entre cadeias de montanhas, para a cidade de al-Bada’a. Quase a meio caminho através da passagem na longa montanha, pode-se virar para o oeste e sul para chegar ao longo e profundo vale e no nosso vale superior. Mas esta rota adiciona uma significativa distância à viagem.

O rio Lamã pode ter tido um outro nome no tempo de Leí, mas ele poderia se conhecido somente pelos habitantes locais. Brown nota que “no clima do deserto árabe, toda terra cultivável e todo recurso aqüífero tem requerentes”.[xi][xi] Como Leí poderia ter adquirido os direitos ao campo no vale que era também controlado por uma tribo local? Há várias razões pelas quais este não deve ter sido um sério problema para Leí.

Primeiro: Leí evidentemente havia sido um homem rico, e apesar de ele ter deixado seu ouro e prata em Jerusalém, sua família provavelmente levou consigo entre suas provisões, alguns itens que podiam ser trocados pelo privilégio de acampar temporariamente.

Segundo: outra possibilidade é que o grupo de Leí parecia pequeno e não ameaçador o suficiente para que os moradores locais não requeressem pagamento. Os anfitriões podem atém mesmo ter mostrado a Leí onde ele poderia encontrar água e local para acampamento que ficasse fora de seu caminho, ao lado do "canyon", cujas partes mais baixas eles não usassem.  (Néfi não escreveu que sua família “encontrou” um rio, mas somente que eles assentaram suas tendas perto dele; veja 1 Néfi 2:6). Esta última possibilidade é realçada quando notamos que Leí aparentemente não trouxe ovelhas ou carneiros consigo para o deserto. Se for este o caso, pastores locais provavelmente não consideraram os leítas como uma ameaça a seus recursos, já que eles não tinham rebanhos. Em outras palavras, Leí pode ter sido tratado como alguém que é bem-vindo, um arrendatário podia pagar, mesmo que nominalmente (a fim de oferecer sacrifícios pelo caminho, ele poderia ter necessidade de comprar um cordeiro ou ovelha de seus anfitriões).

Terceiro: poderia não haver habitantes no vale, como acontece hoje em dia. Exceto por uma caixa de pedra construída nesta terra por beduínos, evidentemente para manter objetos de valor a salvo, uns poucos espalhados que ainda restam, cuja data não é determinada, há pequenos sinais de que o vale tenha tido habitantes por longo tempo. Descobrimos em ruínas de acampamentos subseqüentes a este artigo, terem sido datadas a um período anterior à Idade do Ferro – bem dentro do período do tempo de Leí. O solo parece desfavorável para a agricultura. Além disso, a pequenas dimensões do vale do rio limita severamente seu uso para a agricultura, já que a área de terra disponível para o cultivo não é suficiente para sustentar uma significativa população residente. Se a área estivesse desabitada, exceto pelos beduínos nômades, então Leí não estaria de maneira nenhuma invadindo terras destinadas a habitantes locais.

O Rio Corre Continuamente

A pergunta que fizemos quando estávamos o "canyon" de granito era a seguinte: Poderia este rio deserto fluir “continuamente” como diz 1 Néfi 2:9?  Ele corre dia e noite, 365 dias por ano?[xii][xii] Eu poderia responder afirmativamente somente depois de nossa terceira excursão ao vale em novembro de 1996. Havia chovido por seis dias inteiros antes da nossa chegada – uma tempestade esquisita, a mais pesada do ano. Mas esta tempestade não trouxe um tipo de chave inversa de tipos.

Em nossa primeira e segunda visitas, vimos o rio durante e exatamente depois da estação das chuvas. Mas em novembro de 1996, depois de um período se seca de sete meses, nós finalmente fomos capazes de averiguar que o rio não flui constantemente. A chave não veio do fluxo no momento em que estávamos lá, o qual poderia ter vindo de chuvas recentes, mas da vegetação ao redor do rio. Nós tínhamos descoberto antes que a fonte do rio era uma fonte que ficava a uns 1.830 metros do vale superior, abaixo do "canyon" de granito. Em nossas visitas anteriores, a grama, o mato e as ervas ao redor da nascente eram uma exuberância verde. Em nossa terceira visita, ainda estavam verdes, mesmo depois de sete meses sem chuva. Esta vegetação não poderia ter sobrevivido àqueles meses sem que a fonte estivesse alimentando o rio “continuamente".

Eu ultimamente tenho visitado o vale nos meses de abril, maio novembro, dezembro, e mais recentemente em janeiro. Colegas o têm visitado em julho e agosto. Nós observamos que o volume de água do rio parece ser constante durante todo o ano, mesmo (embora de 1995 a 1999 o volume parece ter diminuído uns 50% devido aos contínuos efeitos do bombeamento das águas do vale superior).  Nós também observamos que a vegetação floresce no "canyon" onde o rio corre, bem como musgos e algas nas margens do rio.

A fonte que alimenta o rio vem de um sistema reservatório subterrâneo.  Dr. Wes Garner,[xiii][xiii] nosso consultor em geologia, pintou o seguinte quadro desse sistema: Quando as chuvas ocasionais caem no vale ao norte, elas se acumulam na areia.  Esta bacia de areia estende-se ao sul por 32 quilômetros até tomar seu curso em direção ao mar e das altíssimas escarpas a oeste.  (Richard Wellington, meu companheiro de explorações, estimou o tamanho da bacia de aproximadamente 169 quilômetros quadrados). Esta rocha subterrânea corre profundamente em baixo da superfície formando uma represa. As águas subterrâneas são assim apanhadas no fim do "canyon" num reservatório subterrâneo. O cânion e o rio correm ao sul da área deste reservatório por 1.200 metros, começando numa elevação de 228 metros e termina ao nível do mar no Golfo de Ácaba. O chão do "canyon" desce continuamente.

Em poucas centenas de metros, uma fonte começa a fluir enquanto o chão do "canyon" cai ao nível do reservatório subterrâneo. As águas formam um pequeno rio que corre quase todo o resto do caminho.  Neste ponto onde o rio desce ao nível do chão do cânion, e corre no subsolo deixando o solo úmido. Mas logo o grau de inclinação aumenta e o rio reaparece. Ele é visto por último quando se aproxima de um leito de pedregulhos no baixo "canyon" quase 600 metros do golfo onde ele alimenta o poço usado pelo posto da guarda costeira a curta distância dali.  (Se o acampamento de Leí estivesse rio acima perto da foz, à sombra dos penhascos, como supomos, o rio ainda teria aparecido ali, para correr direto para o golfo.)

Deve ser lembrado que fomos informados de que o governo colocou bombas em todos os poços nessa área. O supervisor que encontramos em Al-Bad'a informou que, como resultado do bombeamento, os poços e rios da região estavam secando. Descobrimos que este deveria ser o caso com os poços do vale superior. Nosso geólogo, o Dr. Garner confirmou que a diminuição da água devido ao bombeamento pode secar o rio no futuro.

Há pelo menos dois indicativos de que um rio correu no cânion por um tempo bem longo.

Primeiro: há evidências de significativa erosão das rochas e das pareces baixas do "canyon" .

Segundo: depósitos de calcita levados pela água são encontrados no chão do vale, às vezes com 300 a 600 metros de largura, mais largo do que o leito do rio.  Em alguns lugares no "canyon" pode-se encontrar tais depósitos que se formaram nas camadas das rochas. Nós medimos estes depósitos com 27 metros mais altos que o nível do rio hoje em dia. Estas observações indicam o fluxo de águas de um grande rio no passado, evidentemente bem antes de as bombas terem sido instaladas.

Como eu notei, o rio corre sob um leito de pedregulhos nos últimos 600 metros, enquanto aproxima-se do Golfo de Ácaba. A razão pela qual o rio não chega ao Mar Vermelho hoje em dia é simples. A elevação do chão do cânion já não é a mesma que no tempo de Leí. De acordo com o geólogo Garner, na época de Leí esta parte mais baixa do "canyon" foi submersa pelo Mar Vermelho. Onde o rio termina hoje em dia, foi mais baixo que a superfície do Mar Vermelho em tempos antigos. Como as placas continentais têm se movido ao longo do Grande Vale Rift que forma o Golfo de Ácaba, elas estão empurrando a placa para cima de um a cinco centímetros por ano. Durante os 2.600 anos desde que Leí acampou nesta área, o chão do cânion levantou-se no Mar Vermelho, talvez uns 60 a 120 metros.

Assim, há não muito tempo atrás, a parte baixa do cânion teria estado abaixo do nível do mar. Portanto, se o rio corria na mesma taxa no tempo de Leí em que flui hoje em dia, ele teria  alcançado todo o caminho em direção às águas do Mar Vermelho. Na parte baixa do cânion o chão pedregoso e os cavas erodidas do penhasco parecem confirmar que a parte mais baixa já foi solo marinho em vez do leito de um rio (erosão causada pela força das ondas). O antigo rio, levando um significativamente alto volume de água, teria percorrido toda a distância até o Mar Vermelho.

Conclusão

Eu já acompanhei mais de uma dúzia de pessoas para este vale. Vários outros fizeram seu próprio caminho baseados em minhas indicações. Seríamos testemunhas do rio Lamã e do Vale de Lemuel? Na minha opinião, as características deste local são evidências convincentes de que é assim. Durante os quatro anos desde a descoberta, eu tenho inspecionado toda a costa do Golfo de Ácaba e os vales que se abrem ali. Com exceção das fontes de Maqna, que não estão num vale, eu encontrei apenas vales rochosos quase inteiramente desprovidos de vegetação e sem água corrente. Apesar de que não fiz uma pesquisa completa em toda essa região, eu ainda não encontrei nenhum outro lugar dentro de três dias de caminhada desde a extremidade do Golfo de Ácaba , que esteja como que nos convidando, como as Águas de Moisés. 

Eu bebi das águas das fontes puras do que eu acredito que seja o rio Lamã. Do Calor estonteante 49 graus Ceucius, eu andei até o final de um fresco e profundo cânion que eu acredito que seja o Vale de Lemuel. Nas praias do Golfo de Ácaba, minhas barracas sentiram os ventos que sopram cada noite ao longo da costa. Eu me levantei de temor pela força requerida para abrir uma passagem através da grande barreira montanhosa de granito para formar este refúgio, com altíssimas paredes que podem proteger, os que acampam às suas sombras, do calor e das tempestades de areia que sopram da Arábia em direção à Península do Sinai.  Agora eu sei porque as palavras de Isaias foram tão relevantes para a família de Néfi: “E será aquele varão como um esconderijo contra o vento, e um refúgio contra a tempestade, como ribeiros de águas em lugares secos, e como a sombra fuma grande rocha em terra sedenta” (Isaias 32:2). Aqui a obra das mãos do Senhor aparece em cada curva e parece lembrar-me da passagem do Qur’an:  “Para onde quer que te virares, lá está a presença de Deus... tudo o que está nos céus e na terra; tudo rende adoração a Ele (Qur'an 2: 115, 116)

Referências:

[i][i] Meus esforços certamente estão amarrados no trabalho dos outros santos dos últimos dias pioneiros que tentaram visitar as áreas que podem ter sido habitadas por Leí e Saria, incluindo Lynn e Hope Hilton, "In Search of Lehi’s Trail" (Salt Lake City: Deseret Book, 1976), 62-75.  Meu sugerido candidato fica ao norte e oeste de sua escolha. Antes destes dois, Hugh Nibley sugeriu que Leí acampou “não muito acima [ao norte] dos Estreitos de Tiran” perto do“Mt. Musafa ou Mt. Mendisha,”  Hught Nibley, "Lehi in the Desert, The World of the Jaredites", There Were Jaredites, 2nd ed. (Salt Lake City: Deseret Book and FARMS, 1988, orig. publ 1959), 85. Finalmente, Monte Mazhafa (Musafa?) é a montanha de granito que forma o lado norte do cânion que é o meu candidato para o Vale de Lemuel. Pode-se também consultar as palavras de Eugene England: "Thought the Arabian Desert to a Bountiful Land: Could Joseph Smith Have Known the Way?” em Book of Mormon Authorship, ed. Noel B. Reynolds (Provo, Utah: BYU Religious Studies Center, 1982), 143-56, e Paul Hedengren, "The Land of Lehi: A Book of Mormon Geography" (Provo,Utah: Bradford and Wilson, 1995) 3-6.  Hedengren sugere que Leí montou seu acampamento em Wadi al-Nuwaybi, a 18 milhas de Ácaba.
[ii][ii] Andrew Taylor,Traveling the SandsSagas Of Exploration in the Arabian Peninsula (Dubai: Emirates Printing, 1995), 19-31.
[iii][iii] Ministry of Agriculture and Waters, Kingdom of Saudi Arabia United States Joint Commission on Economic Cooperation, the U.S. National Graphic Center, and the U.S. Geological Survey, Water Atlas of Saudi Arabia (Riyhad: Saudi Publishing, 1984), xv.
[iv][iv] James Sauer, “The River Runs Dry”, Biblical Archaeology Review 22/4 (July/August 1996).  Testes em sementes dos lagos secos do deserto e pela medição dos anéis das árvores só têm sido feitos no deserto do Egito a latitudes compatíveis com a Península Árabe. Estudos mostram claramente a mudança para um ambiente mais seco vários milhares de anos com bem poucos períodos de maior umidade. Veja o resumo de Karl W. Butzer, “Mudanças ambientais no Oriente Próximo e o Impacto Humano na Terra”, em Civilization and the Ancient Near East, ed. Jack M. Sasson et at. (New Your: Scribner’s Sons, 1995), 1:123-(51)
[v][v[v]] Ministry of Agriculture and Waters, Water Atlas of Saudi Arabia, 9.
[vi][vi] Nibley, Lehi in the Desert, 50-51.
[vii][vii][vii] See William L. Reed, “River,” in The Interpreter’s Dictiionary of the Bible, ed. George A. Buttrick et al. (Nashville: Abingdon, 1962, 1976), 4:100-101.
[viii][viii] O termo hebreu nahar é usado para ambos os rios mencionados em Gênesis 15:18. No rio do Egito, como Wadi El-Arish ou Nahal Bezor, que são correntes sazonais, veja Manfred Gorg, “Egypt, Brook of”,  and “Egypt, River of,” in Anchor Bible Dictionary, ed. David Noel Freedman at al. (New York: Doubleday, 1992), 2:321,378.
[ix][ix] Atualmente pode-se encontrar sementes como também três variedades ...no vale superior e no cânion, (cwe 1 Néfi 8:1)
[x][x] Nigel Groom, Frankincense and Myrrh: A Study of the Arabian Incense Trade (London: Longman, 1981), 173, 211, observa que camelos carregados viajam pouco mais que 2,5 milhas por hora e raramente passam de 25 milhas por dia.
[xi][xiS. Kent Brown, “A Case for Lehi’s Bondage in Arabia,” JBMS 6/2 (1997); 206.  Nibley fez similarmente, veja em Lehi in the Desert, 66.
[xii][xii[xii]] Havia uma discussão sobre se o rio Lamã era sazonal ou se ele corria durante o ano. Nibley acredita em fluxo de estação (Lehi in the Desert, 76,78,79-81). Os Hiltons compartilham o mesmo ponto de vista(em Search of Lehi, 64-65). Estudando os mapas, Hedengren mantém a opinião de que a “porção mais baixa” de wadi al-Nuwaybi tem um “fluxo constante” (Land of Lehi, 3-6; citações são da página 4) Certamente o grupo de Lei não permaneceu ali algo como um ano inteiro. "Continuamente” pode somente referir-se ao período de suas observações. Mas, como sugerido antes, se o rio estivessem lá na estação quente, então certamente ele estaria também no inverno. O problema com todas estas teses é que hoje em dia nenhum rio sazonal flui, mesmo durante as fortes chuvas, e não há rios correndo continuamente em wadi al-Nuwaybi.]
[xiii][xiii] Professor aposentado de geologia, King Fahd University Of Petroleum and Minerals, DhahranSaudi Arabia.